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Petrobras puxa baixa por tombo do petróleo, mas Ibovespa resiste e cai "apenas" 0,2%

Prisão de diretora de gigante chinesa e reunião da Opep amargou os mercados, mas quedas desaceleraram ao longo do dia

Petróleo queda
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O mercado doméstico seguiu mau humor global nesta quinta-feira (6) diante do aumento da tensão após a prisão da diretora executiva da gigante chinesa Huawei Technologies a pedido do governo dos Estados Unidos.

A notícia jogou por terra o clima de calmaria entre China e EUA e derrubou as bolsas no mundo todo. O Ibovespa chegou a cair 2,26% na mínima do dia após a abertura dos índices nos EUA. Ao longo da tarde, o clima de aversão ao risco atenuou em Wall Street e arrefeceu as perdas por aqui também.

No entanto, o tombo de quase 4% nas ações da Petrobras (PETR3; PETR4), seguindo a forte queda do petróleo após o início da reunião da Opep, levaram o Ibovespa a manter o patamar negativo e o índice encerrou em queda de 0,22%, aos 88.846 pontos, com volume financeiro de R$ 14,19 bilhões.

O dólar futuro com vencimento em janeiro subiu 0,26%, para R$ 3,882, e o dólar comercial teve ganhos de 0,21%, cotado a R$ 3,875 na venda. A moeda norte-americana perdeu força ao longo da sessão seguindo o ritmo de melhora no desempenho das divisas emergentes. 

O pessimismo também afetou os juros futuros de médio e longo prazo no início do dia, mas a melhora do ambiente no exterior reverteu o movimento para queda, em sua maior parte. Os contratos mais curtos, com vencimento em janeiro de 2019, ficou estável em 6,407%, e o DI para janeiro de 2021 caiu 6 pontos-base, para 7,91%, enquanto o contrato para janeiro de 2023 teve alta de 6 pontos, em 9,24%. 

Além de sinalizar mais um passo nos esforços dos Estados Unidos para responsabilizar as empresas chinesas pela violação das leis norte-americanas, a prisão deve levar a uma reação forte da China, avalia a Eurasia, o que pode piorar o clima após um alívio na reunião do G-20 com o anúncio de uma trégua entre os dois países.

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A prisão da executiva fez os índices asiáticos caírem cerca de 2% e também puxou os mercados europeus, onde o setor automotivo é bastante penalizado por esta disputa. 

Reunião da Opep

O dia também foi marcado pelo início da reunião da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e países aliados, liderados pela Rússia, que se reuniram em Viena nesta quinta-feira para tentar chegar um acordo sobre a crise do setor. A reunião continua na sexta-feira (7).

A primeira notícia, porém, é negativa, levando a commodity a desabar mais de 4% durante manhã depois que o ministro da Energia da Arábia Saudita afirmar que um corte de 1 milhão de barris por dia seria suficiente o grupo, um valor abaixo do esperado.

Um painel de economistas da Opep, que revisou cenários para a reunião, recomendou um corte total na produção de 1,3 milhão de barris por dia em relação aos níveis de outubro. 

Para analistas do Credit Suisse, a Opep deve passar uma mensagem clara ao mercado de que pretende cortar a produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia para recuperar as perdas recentes no preço do petróleo. Esse corte seria suficiente para rebalancear o mercado ao longo de 2019.

Ao fim do primeiro dia de reunião, a Opep chegou a um acordo preliminar para cortar a produção de petróleo, mas aguarda a Rússia, importante aliada e que está fora do grupo, para decidir os volumes exatos a serem cortados, segundo fontes ouvidas pela Reuters. 

Indicador do dia
Entre os indicadores, destaque para os dados do ADP, que mostrou que o setor privado dos Estados Unidos adicionou 179 mil empregos no mercado em novembro, abaixo das expectativas dos economistas.

Economistas consultados pela Bloomberg previam que o Relatório Nacional de Empregos mostraria um ganho de 195 mil empregos. Além disso, a geração de empregos no setor privado de outubro foi revisada para baixo, mostrando um aumento de 225 mil em relação aos 227 mil relatados anteriormente.

Destaques de ações

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PETR3 PETROBRAS ON N2 27,40 -4,16 +63,27 315,47M
 PETR4 PETROBRAS PN N2 24,59 -3,80 +54,03 2,44B
 CPLE6 COPEL PNB 33,07 -3,30 +33,09 41,01M
 EMBR3 EMBRAER ON 21,00 -2,33 +5,56 72,56M
 GOLL4 GOL PN N2 20,41 -2,11 +39,79 62,78M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CIEL3 CIELO ON 9,63 +3,88 -56,22 123,04M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 48,99 +3,57 -33,06 84,27M
 ITSA4 ITAUSA PN ED 12,36 +2,57 +35,45 296,06M
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 28,50 +2,52 +6,68 153,93M
 FLRY3 FLEURY ON 21,92 +2,43 -23,41 27,07M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Noticiário político

O principal assunto na política segue sendo a reforma da Previdência e as incertezas sobre sua aprovação. O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, tem falado para os integrantes da equipe de transição que caso a reforma não seja aprovada no primeiro ano, o governo enfrentará enorme dificuldade.

Segundo o G1, o alerta de Guedes tem chamado atenção até mesmo de Bolsonaro. O economista defende inclusive a aprovação imediata de uma reforma que possa resolver o déficit estrutural, com a adoção da idade mínima e também com a equiparação da Previdência do setor público com a do privado.

Na véspera, o líder do PSDB na Câmara, Nilson Leitão (MT), que o partido apoiará o governo Bolsonaro em projetos que também sejam do que ele chamou de "agenda tucana", que contam, entre outros projetos, com as reformas da Previdência e tributária. Segundo ele, esse apoio virá sem a exigência da sigla integrar o governo.

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Além disso, segundo o Estadão, o presidente eleito planeja fundir três agência reguladoras do setor de transportes: ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Anac (Agência Nacional de Aviação) e Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

Juntas, elas passariam a ser a Agência Nacional de Transportes. O objetivo seria acabar com o aparelhamento político das agências e ajudar no projeto de concessões do novo governo.

 

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