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Analistas deflagram otimismo e veem Ibovespa a 100 mil pontos em 2019 - mas fazem uma ressalva

Grandes casas de análise destacam maior otimismo com economia brasileira e resultados corporativos - mas sem deixar de lado preocupação com o fiscal

Bandeira Brasil
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Com o fim de ano, diversas instituições passam a fazer projeções para a economia e para os mercados mundiais para os próximos meses. Tais projeções ganham particular destaque no caso brasileiro, uma vez que 2019 marca o ano da mudança de governo, além de poder dar mais sinais da recuperação econômica do País. 

Enquanto o JPMorgan mostrou cautela com o Brasil e alertou que o País pode ser em 2019 o mercado emergente de maior risco por causa da dinâmica fiscal - de acordo com os estrategistas do banco, "a paciência do mercado para a consolidação fiscal provavelmente terá limites" - outras casas de análise ressaltaram maior otimismo, apesar de seguirem atentos com o cenário fiscal.

Esse é o caso do Morgan Stanley, que avalia que a economia brasileira irá acelerar, sem gerar pressões inflacionárias, mesmo em meio a incertezas sobre a aprovação da reforma previdenciária, que é necessária para estabilizar a dinâmica da dívida do Brasil. 

"Uma moeda estável, baixas taxas de juros e grande hiato do produto permitem que a economia se recupere sem pressões inflacionárias significativas. Com a inflação na meta, não achamos que o Banco Central seja forçado a aumentar as taxas em breve", afirmam os estrategistas, que esperam uma volta na elevação da taxa de juros apenas no quarto trimestre de 2019. 

Eles veem que a aprovação da reforma da previdência deva ter um impacto muito positivo no crescimento para o Brasil em 2019 e 2020, impulsionando o investimento e a produtividade. Para o ano que vem, a expectativa é de um crescimento de 2,3% do PIB real e para 2020 é de 2,5%.

Vale ressaltar que o banco deu um "upgrade duplo" para os emergentes em seu portfólio global para overweight (exposição acima da média). Os estrategistas do banco veem que os papéis dos emergentes podem sofrer pressão no curto prazo por conta do aperto monetário do Federal Reserve, mas a possível pausa depois de junho pode ser um catalisador para os papéis globais. 

Para o Ibovespa, a expectativa é de que o benchmark da bolsa vá a 100 mil pontos em 2019 (um potencial de valorização de 16% em relação ao fechamento de sexta-feira), sendo o preferido ao lado de Peru e Chile dentre os mercados latino-americanos. 

Além do Morgan, o Itaú BBA também vê o Ibovespa em 2019 a 100 mil pontos, apontando que o ambiente mais positivo com relação aos resultados de empresas pode tornar mais fácil o benchmark da bolsa atingir os múltiplos de 11,6 vezes o preço sobre lucro, acima da média histórica de 11,2 vezes. 

O Brasil continua sendo o principal país overweight da América Latina; os analistas citam, mais uma vez, como pano de fundo a importância das reformas. Afinal, se o esforço para que ela avance parar, "a percepção da insustentabilidade fiscal provavelmente afetará os preços dos ativos, pondo em risco a recuperação da atividade econômica”, avaliam. 

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Os estrategistas do Credit Suisse também possuem maior exposição com emergentes e, em termos de alocação dos países da América Latina, reduziram o overweight no México dada a vitória presidencial de Andrés Manuel López Obrador - ou AMLO - e suas politicas menos favoráveis ao mercado e mantiveram a recomendação de benchmark para o Brasil.

Porém, eles também mostram preocupados com a questão fiscal, apontando que a grande preocupação é que se trata do pior país na região de fundamentos internos em termos de déficit fiscal, dívida pública e duration da dívida. 

Curto prazo: Brasil se beneficia da guerra comercial

Enquanto o maior otimismo dos analistas ainda depende da aprovação de reformas, um fator está ajudando a economia brasileira no curto prazo, conforme aponta o Barclays. Trata-se da guerra comercial entre EUA e China que, segundo os economistas do banco, está tendo o Brasil como o principal vencedor. 

As exportações brasileiras estão se beneficiando do aumento da demanda do país
asiático e também como resultado de um efeito colateral temporário da seca na Argentina.

Isso porque, enquanto o total das exportações brasileiras subiu 8,5% no ano
até outubro, as vendas para a China subiram 29%, impulsionadas pelas maiores exportações de soja (27%), petróleo (84%) e papel e celulose (39%). Como resultado, a China compra agora um recorde de 27% de todas as exportações brasileiras, contra 23% no mesmo período de 2017, seguido pelos EUA (12%), Argentina (7%) e Holanda (5%). A expectativa é de um aumento modesto nas vendas brasileiras no curto prazo.

Por outro lado, aponta o Barclays, um ponto a ser monitorado é como a China pode
reagir ao alinhamento do presidente eleito Bolsonaro com Donald Trump, sugerindo uma reaproximação com os Estados Unidos depois de anos de relação mais áspera durante as administrações do PT. Assim, além do progresso sobre a crise fiscal, o mercado ficará bem de olho na relação do governo brasileiro com as maiores econômicas do mundo para entender como será a dinâmica do crescimento interno. 

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