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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta sexta-feira

Mau humor nas bolsas internacionais e Previdência de Bolsonaro são destaques do mercado nesta sessão

Jerome Powell

SÃO PAULO - Após três pregões de quedas consecutivas, a sexta-feira (9) não é de boas notícias para o Ibovespa em meio ao cenário internacional, com as bolsas pelo mundo em queda reagindo ao Federal Reserve e dados da China. 

Por outro lado, no front doméstico, o mercado fica atento às novas tentativas da equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) de fazer parte da reforma previdenciária sem mudar a Constituição, já que o governo atual não dá sinais de que a aprovação neste ano seja viável. Atenção ainda para os balanços do terceiro trimestre. 

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Veja no que ficar de olho nesta sexta-feira (9):

1. Bolsas mundiais

A sessão desta sexta-feira é majoritariamente de baixa para os principais mercados mundiais. As bolsas asiáticas fecharam em baixa generalizada, na esteira da última decisão de política monetária do Federal Reserve e dos números mais recentes da atividade econômica da China.

Ontem, o Fomc (Federal Open Market Committee) confirmou as expectativas e manteve seus juros básicos entre 2% e 2,25% ao ano, mas reiterou que prevê “mais aumentos graduais” e não fez menção à recente turbulência de Wall Street, sugerindo que permanece confiante na recuperação econômica dos EUA. O Fed elevou juros três vezes este ano e espera-se um quarto aumento no encontro de dezembro.

A China também alarma os mercados: as ações de bancos do país recuaram após o governo adotar medida para direcionar o crédito, sugerindo urgência para conter a desaceleração. Já as vendas de carros na China caíram pelo 5º mês seguido em outubro (tendo baixa de 11% no mês) e podem ter a primeira queda anual em ao menos duas décadas. Nesse cenário, cobre e outros metais recuam.

Enquanto isso, o petróleo WTI tem 10ª baixa seguida e se aproxima de US$ 60 após entrar em bear market em meio ao aumento da oferta e preocupações com a economia.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 7h59 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,80%

*Dow Jones Futuro (EUA) -0,37%

*Nasdaq Futuro (EUA) -1,44%

*DAX (Alemanha) -0,60%

*FTSE (Reino Unido) -0,56%

*CAC-40 (França) -0,76%

*FTSE MIB (Itália) -1,23%

*Hang Seng (Hong Kong) -2,39% (fechado)

*Xangai (China) -1,39% (fechado)

*Nikkei (Japão) -1,05% (fechado)

*Petróleo WTI -0,74%, a US$ 60,22 o barril

*Petróleo brent -0,64%, a US$ 70,20 o barril

*Bitcoin US$ 6.393,66 -1,38%
R$ 24.300 -0,66% (nas últimas 24 horas)

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +1,94%, a 525,00 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda do dia

A agenda doméstica é esvaziada nesta sexta-feira e os Estados Unidos divulgam os dados de preço ao produtor relativos a outubro. A expectativa mediana da Bloomberg aponta para alta de 0,2%, mesmo resultado do mês anterior.

Para conferir a agenda completa de indicadores e resultados, clique aqui.

3. Joesley Batista é preso novamente

Os executivos da JBS Joesley Batista e Demilton de Castro e o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), foram presos pela Polícia Federal. A operação, batizada de Capitu, investiga um suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Joesley já havia sido preso em setembro de 2017, por suspeita de que estivesse contando com ajuda do procurador da República Marcello Miller no acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República.

Em março deste ano, o juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, mandou nesta sexta-feira (9) soltar o empresário Joesley Batista, que está preso em São Paulo. O ex-executivo da J&F Ricardo Saud também foi liberado na época e é alvo de mandado de prisão, mas está fora do país. 

4. Noticiário político

Dirigentes de partidos alinhados a Jair Bolsonaro e ministros recém-nomeados têm expressado ao presidente eleito preocupação com os ruídos na comunicação dos seus planos e a ausência de um porta-voz para a equipe de transição, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Desencontros entre o próprio Bolsonaro e seu futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, e manifestações dos filhos do capitão reformado criaram a impressão de que o discurso do novo governo é desconexo e improvisado, dizem esses aliados.

A todo vapor na formação do novo governo, a equipe de transição ainda aguarda um posicionamento de Ilan Goldfajn sobre sua intenção de continuar à frente do Banco Central. Nos bastidores, a leitura é de que a eventual autonomia do Banco Central pode abrir espaço para Ilan ficar no cargo até março de 2020, informa o jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo a reportagem, cinco nomes despontam como possíveis substitutos de Ilan: o ex-diretor de Política Econômica do BC Afonso Bevilaqua; o atual diretor de Política Econômica, Carlos Viana de Carvalho; o também ex-diretor do BC e atual economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita; o ex-diretor do BC e sócio da gestora SPX Capital, Benny Parnes; e Roberto Campos Neto, diretor do Santander.

A articulação para a reforma da Previdência continua e Jair Bolsonaro analisa um conjunto de mudanças que podem ser feitas sem alterar a Constituição, informa o jornal O Estado de S. Paulo. A versão “light” da reforma está baseada em dois projetos de lei já prontos, elaborados por consultores do Congresso. Eles permitem criar uma alíquota previdenciária complementar aos funcionários públicos, acabam com a fórmula 85/95 e mudam a regra de cálculo das pensões, entre outros pontos.

5. Noticiário corporativo

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) aprovou o pagamento à Petrobras de R$ 1,04 bilhão em subsídios ao diesel referentes a agosto, segundo informou a autarquia em nota.

O conselho de administração da Saber, controlada pela Kroton, aprovou a realização da oferta pública para aquisição de ações (OPA) e posterior fechamento de capital da Somos Educação, que teve seu controle comprado pela Saber.

A OPA visa a aquisição de até 69.853.431 ações ordinárias, representando 26,65% do capital social total e votante da Somos, pelo preço de R$ 23,71 por ação. Do preço ofertado, R$ 21,37 será pago à vista e R$ 2,34 serão pagos após o cumprimento de algumas condições. A OPA será submetida à prévia aprovação e registro pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O conselho de administração da Kroton aprovou ainda que a Saber assuma todas as dívidas referentes a emissões de debêntures da própria Somos, além de suas controladas Editora Ática, Somos Sistemas e Scipione.

A Minerva está negociando um investimento da chinesa Fosun International, segundo uma pessoa com conhecimento direto do assunto em entrevista à Bloomberg. A empresa está à procura de investidores âncora para uma possível oferta pública inicial de sua unidade Athena Foods no Chile, que pode ser precificada em março, ou mesmo uma colocação privada, disse a fonte, pedindo para não ser citada porque as discussões são privadas. A negociação é parte de um plano para reduzir a alavancagem depois que a desvalorização cambial elevou a dívida externa da companhia.

A B3 realizou uma proposta vinculante para comprar 75% do capital da BLK Sistemas Financeiros, empresa de tecnologia especializada no desenvolvimento de telas e algoritmos de negociação para corretoras e investidores institucionais. A B3 não informa o valor da proposta. Além da compra dos 75% do capital, a proposta prevê um opção de compra pela B3 e de venda pelo sócio remanescente da BLK dos demais 25% do capital em dezembro de 2023.

A Natura registrou um lucro líquido consolidado de R$ 132,8 milhões no terceiro trimestre, uma alta de 117,9% em relação a período do ano passado. O Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 483 milhões, uma expansão de 7,2%, e a margem Ebitda atingiu 14,9%, queda de 4,1 pontos percentuais ante o mesmo intervalo de 2017. A receita líquida consolidada somou R$ 3,241 bilhões, alta de 37,1% na comparação anual. 

A Qualicorp registrou lucro líquido consolidado de R$ 109,7 milhões no terceiro trimestre, representando uma queda de 1,1% ante igual trimestre do ano passado. O Ebitda ajustado atingiu R$ 241,9 milhões entre julho e setembro, uma queda de 8,2% na comparação anual. A receita líquida encerrou o período de julho a setembro em R$ 491,1 milhões, queda de 5,7%.

A Aliansce registrou lucro líquido de R$ 21,280 milhões, queda de 11,1% na comparação com o terceiro trimestre de 2017. O Ebitda ajustado foi de R$ 96,603 milhões, um crescimento de 10,3% em relação ao ano anterior e a receita líquida cresceu 3,2%, para R$ 133,670 milhões no terceiro trimestre. As vendas totais em shoppings da Aliansce alcançaram R$ 1,4 bilhão no terceiro trimestre, um crescimento orgânico de 4,5% na comparação anual.

A CPFL Energias Renováveis registrou lucro líquido de R$ 121 milhões no terceiro trimestre de 2018, valor recorde para a companhia e 27,6% maior ante o resultado do mesmo período de 2017. A receita líquida da companhia de energia renovável alcançou os R$ 621,7 milhões, 6,3% acima do verificado nos mesmos meses de 2017. O aumento da receita trimestral foi influenciado pelo crescimento da geração de energia, que totalizou 2.130 GWh, 2,9% a mais que o verificado nos mesmos meses do ano passado.

A Tegma teve lucro líquido foi de R$ 31,1 milhões no terceiro trimestre, valor 103,5% superior ao observado um ano antes. O resultado foi impactado positivamente pelo crescimento da receita, pelo controle de custos e despesas, pela redução do custo de dívida e negativamente por uma denúncia espontânea envolvendo a regularização de ICMS na operação de químicos no valor de de R$ 7,2 milhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 57,8 milhões, alta de 41% influenciada pelos melhores resultados operacionais de ambas divisões.

A Rumo apresentou R$ 229 milhões de lucro líquido no terceiro trimestre, valor 194,2% acima do observado um ano antes. O ebitda foi de R$ 953 milhões, 19% superior ao terceiro trimestre de 2017 e a receita líquida alcançou R$ 1,877 bilhão, alta de 13,8% na comparação anual. 

A Tenda, construtora e incorporadora com foco no Minha Casa Minha Vida (MCMV), fechou o terceiro trimestre de 2018 com lucro líquido de R$ 64,4 milhões, 109,8% mais do que no mesmo período de 2017. O Ebitda ajustado somou R$ 82,7 milhões, 70,1% mais na mesma base de comparação. A margem Ebitda cresceu 4,5 pp, para 17,9%. A receita líquida totalizou R$ 461,5 milhões, crescimento de 27,7%. 

A Cyrela fechou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 121 milhões, uma perda cerca de 17 vezes maior do que a registrada no mesmo período de 2017, quando o prejuízo foi de R$ 7 milhões. A receita líquida totalizou R$ 725 milhões, alta de 21,2% na mesma base de comparação, reflexo do maior volume de operações de lançamentos e vendas nos últimos meses. A companhia não divulga o Ebitda.

A Iochpe-Maxion teve lucro líquido de R$ 93,5 milhões no terceiro trimestre ante prejuízo líquido de R$ 28,7 milhões um ano antes. A receita operacional líquida consolidada alcançou R$ 2.617,3 milhões um crescimento de 35,4% em relação ao terceiro trimestre de 2017. O ebitda atingiu R$ 312 milhões, crescimento de 41,7%.

A Direcional registrou lucro líquido de R$ 11,582 milhões ante prejuízo de R$ 29,390 milhões no terceiro trimestre de 2017, e a receita líquida alcançou R$ 309,919 milhões, alta de 54% na comparação anual. O Ebitda ajustado foi de R$ 36,453 milhões ante resultado negativo em R$ 4,370 milhões no ano anterior. 

 

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