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Itaú entrega resultado morno, mas boa expectativa com o futuro garante recomendações de compra

A diretoria do banco disse que submeterá ao conselho de administração uma proposta para aumentar o apetite de risco do banco

Itaú Unibanco
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Os números do terceiro trimestre do Itaú Unibanco (ITUB4) não chegam a ser uma decepção para os investidores, embora tenham ficado abaixo do esperado, mas a qualidade representada por eles desagradou. Apesar disso, a expectativa para o banco é otimista a recomendação predominante para as ações é de compra.

Segundo os analistas do Credit Suisse, o banco usou o excesso de reservas com reversão de provisão e se beneficiou da venda de portfólio. O destaque negativo foi a desaceleração da receita de juros e as despesas operacionais acima do esperado. Do lado positivo, o Credit aponta a tendência otimista para o lucro, apesar dos spreads menores, e NPL (crédito não produtivos, em inglês) "saudável". 

O Itaú Unibanco encerrou o terceiro trimestre deste ano com lucro líquido recorrente de R$ 6,454 bilhões, uma alta de 3,2% ante o mesmo período do ano passado. O resultado ficou abaixo da projeção de R$ 6,520 bilhões dos analistas consultados pela Bloomberg.

O retorno sobre o patrimônio líquido do banco ficou em 21,3%, levemente abaixo dos 21,6% registrados um ano antes. A margem financeira total atingiu R$ 17,408 bilhões entre julho e setembro de 2018, uma alta de 3,8% em um ano.

O custo do crédito, que considera as despesas com provisões contra calotes, descontos e baixas em títulos, ficou em R$ 3,263 bilhões entre julho e setembro, uma queda de 18,2% ante o mesmo período de 2017. O índice de inadimplência subiu para 2,9% no terceiro trimestre, contra 2,8% três meses antes. Em um ano, porém, o índice teve queda ante os 3,2%.

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"Com excesso de capital e provisões, além de um bom balanço patrimonial, a questão é se o Itaú considera positivo o cenário pós-eleitoral para retomar um crescimento mais agressivo", observam os analistas do Brasil Plural. 

Para este ano, o Brasil Plural reiterou a projeção de lucros de R$ 26 bilhões, o que configuraria alta de 4,4%, e em 2019 o crescimento deve ser perto de dois dígitos, dependendo do apetite do banco por riscos adicionais.

Em teleconferência com analistas, a diretoria do banco disse que submeterá ao conselho de administração, no próximo trimestre, uma proposta para aumentar o apetite de risco do banco, que ficou estável durante a crise. Ou seja, vão aumentar a disposição para emprestar a quem apresenta risco maior de calote.

Candido Bracher, presidente do Itaú, afirmou que as perspectivas para o crédito são mais promissoras no próximo ano. A teleconferência animou os investidores e as ações reverteram a queda do início do pregão e sobem mais de 2%.

"Vemos algumas tendências positivas no mix da carteira de crédito que devem potencialmente ajudar a impulsionar os lucros no próximo ano, particularmente nos segmentos de pessoas físicas e de pequenas e médias empresas", explicam os analistas. O Brasil Plural recomenda compra da ação e vê preço-alvo de R$ 59,20 ao fim de 2019.

O banco UBS recomenda compra das ações do Itaú e estima preço-alvo em 12 meses de R$ 51. o valor estimado pela XP é maior, de R$ 55, também com recomendação de compra. 

"Os resultados não surpreenderam e gostamos da história e do potencial de valorização de um banco resiliente, de alta qualidade e pronto para se beneficiar de uma economia mais saudável no Brasil", afirma o time da XP Research.

Já os analistas do Bradesco BBI mantiveram a recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 49, por considerarem os resultados decepcionantes devido à deterioração na qualidade dos ativos, em linha com o que o Itaú vinha prevendo.

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