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Após "pânico" na véspera, ADRs brasileiros seguem recuperação externa e sobem em Wall Street

Em dia de feriado na B3, apenas papéis de Embraer e Eletrobras operam no campo negativo; índice Brazil Titans 20 chegou a subir mais de 2% nos primeiros minutos de pregão

Gráfico
(Kanyapak Lim)

SÃO PAULO - Com a B3 fechada em função do feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida nesta sexta-feira (12), as atenções dos investidores se voltam às movimentações dos ADRs de companhias brasileiras negociados em Wall Street. Logo nos primeiros sinais da abertura dos mercados norte-americanos, o índice Dow Jones Brazil Titans 20 sinaliza movimento de recuperação.

Às 11h52 (horário de Brasília), o benchmark subia 1,68%, a 21.815 pontos. Entre as maiores altas, destaque para os papéis do setor financeiro, com os ADRs do Itaú Unibanco (ITUB4) subindo 1,44% e do Bradesco (BBDC4) 1,49%, e estatais, com a Petrobras (PETR4) marcando alta de até 3%.

A tabela abaixo detalha o desempenho dos principais papéis:

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Fonte: Google Finance

O movimento mostra uma recuperação após sessão negativa para boa parte do mercado acionário global, com investidores repercutindo a possibilidade de alta de juros nos Estados Unidos, o que naturalmente gerou movimento de reprecificação nos mercados acionários. Ontem, o Ibovespa fechou em queda de 0,91% após chegar a subir 1,28% após nova rodada de pesquisas eleitorais. No dia anterior, o índice já havia caído 2,80%.

Neste pregão, os principais índices acionários mundiais sinalizam recuperação do humor dos investidores. Nos EUA, os três principais benchmarks sobem mais de 1%, mesmo após novas sinalizações vindas de uma autoridade do Federal Reserve. O movimento de Dow Jones, S&P500 e Nasdaq é acompanhado de forma mais tímida pelos índices acionários europeus, que sobem na casa de 0,5%.

Charles Evans, presidente do Fed de Chicago, indicou possibilidade de elevação nos juros com sinais de desempenho mais forte da economia norte-americana. Em entrevista ao canal CNBC, ele disse acreditar em uma taxa neutra de curto prazo entre 2,75% e 3%.

Confira os destaques desta sexta-feira:

Vaivém eleitoral

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) começou a apontar seus futuros ministros, caso eleito. Durante encontro de seu partido no Rio, o parlamentar indicou o economista Paulo Guedes como seu ministro da Fazenda e Planejamento, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) como ministro-chefe da Casa Civil e o general Augusto Heleno na Defesa. As ausências do vice na chapa, o general Hamilton Mourão (PRTB), e de Guedes foram notadas. A jornalistas, o candidato disse que seu partido adotará posição de neutralidade em eleições para governos estaduais em que não estiver disputando.

Ausente no encontro de ontem, Guedes ventilou a colaboradores da campanha e empresários a ideia de criar um conselho econômico para a definição de políticas econômicas em um futuro governo, nos moldes do que é o Conselho Nacional Econômico (The National Economic Council) nos Estados Unidos. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, contudo, conta que, nos bastidores, a proposta gerou ruído. Há quem veja como uma sinalização de que o "posto Ipiranga" acabaria declinando o posto de chefe da economia de Bolsonaro para assumir o papel de "superassessor". Oficialmente, ele nega a intenção.

Já o candidato Fernando Haddad (PT), que ainda não indicou nomes para ministérios, esteve ontem com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. Nos bastidores, fontes do partido dizem que foi feito um convite para o ex-magistrado participar da campanha do ex-prefeito paulistano, sobretudo na área de organização do Estado. Neste segundo turno, Haddad recebeu apoio formal do PSB, partido de Barbosa, exceto nos casos de candidatos a governos estaduais do partido, que foram liberado a adotarem suas posições. Existe uma leitura entre aliados do candidato de que um possível anúncio do ex-magistrado como ministro ajude a arrefecer o clima antipetista entre o eleitorado.

O petista também é cobrado para apontar um nome para seu ministério da Fazenda. Em entrevista à rádio CBN, Haddad foi questionado sobre a possibilidade de o empresário Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar, ocupar o posto. O petista elogiou o nome ventilado, dizendo ter "todas as condições, perfil e sensibilidade social", e reforçou que seu ministro para a área não será banqueiro, virá do setor produtivo.

No campo econômico, conforme noticia o jornal Folha de S.Paulo, assessores de Haddad estimam que a taxação dos chamados "super-ricos" (contribuintes com renda entre 40 e 60 salários mínimos), proposta pela campanha do petista, renderia R$ 80 bilhões. O candidato diz que a medida não visa elevar a carga tributária, mas compensar a proposta de isenção de pagamento de imposto de renda àqueles que ganham até cinco salários mínimos.

O jornal O Estado de S.Paulo destacou a preocupação do empresariado com o que se entende como propostas vagas, sem explicações de como as medidas serão tomadas, sinalizações controversas e falta de clareza nos programas econômicos de ambos os candidatos, o que pode afetar a retomada da confiança e a recuperação econômica brasileira. A CNI (Confederação Nacional da Indústria), por exemplo, reviu ontem sua projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no ano de 1,6% para 1,3%. Segundo informe da instituição, incertezas quando ao ajuste fiscal frearam decisões de ampliação da produção, do emprego e do investimento. Outro fator que preocupa alguns analistas é a renovação do Congresso, com a inexperiência de novos parlamentares podendo dificultar na viabilização de projetos mais ousados.

Indicadores econômicos

O superávit comercial total da China cresceu de U$ 27,91 bilhões em agosto a US$ 31,69 bilhões em setembro, de acordo com os dados oficiais do país. O resultado superou a previsão de US$ 18 bilhões dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal.

As exportações tiveram um fortalecimento inesperado, apesar da piora na disputa comercial com os Estados Unidos. O indicador cresceu 14,5% em setembro, na comparação com igual mês do ano passado, após uma alta anual de 9,8% em agosto. Economistas projetavam avanço de 8,8%. Já as importações tiveram alta de 14,3% em setembro na comparação anual, desacelerando da alta de 20% do mês anterior. Analistas previam avanço de 16% nas importações.

O superávit comercial da China com os EUA cresceu a US$ 34,1 bilhões em setembro, de US$ 31,1 bilhões em agosto, segundo cálculos do Wall Street Journal a partir dos números oficiais. O resultado representa um novo recorde.

Na Alemanha, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,4% em setembro na comparação com o mês anterior, segundo a leitura oficial final divulgada nesta sexta-feira. O número vem em linha com a previsão dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal. Na comparação anual, o CPI subiu 2,3%, também conforme esperado pelos economistas. O CPI harmonizado teve alta de 0,4% no mês e de 2,2% na comparação anual em setembro.

A produção industrial da zona do euro avançou 1,0% em agosto, na comparação com o mês anterior, com melhoras na Itália e na Holanda compensando a fraqueza na Alemanha. O resultado superou a previsão de alta de 0,2% dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal. Na comparação anual, a produção da indústria da região cresceu 0,9% em agosto, enquanto analistas projetavam queda de 0,5%.

O avanço é o primeiro desde maio. O resultado dos próximos meses, porém, tende a ser mais fraco, já que a produção na Alemanha é contida por atrasos em testes nos automóveis para o cumprimento de novas regras de controle de emissão de poluentes.

 

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