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Sondagem Expert InfoMoney informa: gestores esperam 'buy opportunity' na bolsa mesmo com vitória da esquerda

Ao todo, foram feitas 6 perguntas de caráter totalmente quantitativo durante a Expert XP 2018, com respostas bem diretas a temas ligados a eleições e seus efeitos no mercado  

Fernando Haddad e Ciro Gomes
(Reprodução)

SÃO PAULO - Maior evento de investimentos já realizado no Brasil, a 8ª edição da Expert XP 2018 reuniu mais de 20 mil pessoas entre os dias 20 e 22 de setembro em São Paulo. Por lá estiveram os bancos e gestoras dos principais fundos de investimentos do País. O InfoMoney aproveitou a rara oportunidade de encontrar tantas celebridades do mercado financeiro para realizar uma enquete com estes gestores, sendo feita pessoalmente com cada um deles pelos repórteres do portal. 

Ao todo, foram feitas 6 perguntas de caráter totalmente quantitativo, com respostas bem diretas a temas ligados a eleições e seus efeitos no mercado. Ao todo, gestores de 23 assets toparam responder as perguntas da enquete.

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Pergunta 1) Haddad ou Ciro: de qual candidato o mercado mais tem medo?
O consenso dos gestores diz que ambos seriam ruins para o mercado e fariam a bolsa enfrentar fortes quedas após as eleições - inclusive dois deles se recusaram a escolher um ''preferido'' -, mas a imensa maioria dos entrevistados elegeram Ciro Gomes como o mais permissivo para os investimentos. 

 Haddad ou Ciro: qual seria o pior para o mercado?
Haddad 17 (74%)
Ciro 4 (17%)
Indiferente 2 (9%)

 

Pergunta 2) O mercado financeiro já desistiu de Geraldo Alckmin?
Tido como o "candidato preferido" do mercado financeiro desde antes das eleições, Geraldo Alckmin (PSDB) não empolgou no momento pré-campanha, e logo que as propagandas de TV começaram a ser transmitidas, os primeiros efeitos foram ofuscados pelo trágico atentado contra Jair Bolsonaro (PSL), fato que acabou colocando todo o foco do noticiário no candidato que tinha apenas 8 segundos de participação em cada bloco de propaganda eleitoral - Geraldo Alckmin, por sua vez, detinha mais de 5 minutos por cada dia de TV.

Desta forma, com Alckmin mostrando pouca força e patinando nas pesquisas, dos 23 gestores consultados, apenas dois apontaram que o mercado ainda conta com o tucano como um candidato com viabilidade eleitoral para esse pleito.

2 - O mercado desistiu de Alckmin?
Sim  21 (91%)
Não  2 (7%)

Pergunta 3) Se o Haddad for eleito e a bolsa despencar, teremos uma oportunidade de compra em ações? Se sim, em quantos pontos?
Essa talvez tenha sido a resposta mais reveladora: praticamente todos os participantes da enquete acreditam que a bolsa cairá com uma vitória de Fernando Haddad mas, caso isso se materialize, a bolsa pode abrir uma oportunidade de compra dependendo do patamar alcançado.

Leia mais: Expert cresce 3.900% em 7 anos e torna-se o maior evento de investimentos do mundo

A grande maioria acredita que esse "gatilho" seria acionado se o Ibovespa recuasse até a faixa entre 60 mil e 65 mil pontos - o que seria uma queda entre 17% e 23% dos patamares atuais (78.630 pontos, segundo fechamento de 25 de setembro). Mas para boa parte dos gestores, tanto faz a pontuação do Ibovespa, desde que venha uma queda no mercado seguida de sinalizações de um governo mais próximo do centro do que de uma agenda "PT raiz".

3 a - Haverá "buy opportunity" com Haddad eleito?
Sim  18 (78%)
Não  3 (13%)
Depende  2 (9%)
3 b - Se sim, em que patamar é o buy opportunity" com Haddad? 
Entre 60 mil e 65 mil pontos 7 (39%)
70 mil  1 (6%)
Abaixo de 60 mil 3 (16%)
Não opinaram 7 (39%)

 

Pergunta 4) Qual o patamar máximo e mínimo que Ibovespa e dólar poderão chegar, dependendo do desfecho eleitoral?
Sem citar quem é a pessoa por trás do "melhor" ou "pior" cenário, os gestores disseram quais suas estimativas de pontuações máximas e mínimas que Ibovespa e dólar poderão alcançar entre o final das eleições e o fim de dezembro. 

No cenário otimista: a mediana aponta para um Ibovespa subindo até 98 mil pontos (o que daria uma alta de 25% nos preços atuais) e o dólar mergulhando para R$ 3,60 (11% de queda). Já no pior cenário, Ibovespa poderia cair 23% dos níveis atuais, para 60 mil pontos, e o dólar chegaria a R$ 4,85, o que seria 18% acima do patamar atual.

4 - Quais são os cenários mais otimistas e pessimistas para a Bolsa e dólar com eleições?

Cenário mais altista para o mercado pós-eleições Mediana das projeções Projeção mais otimista       neste cenário  Projeção mais pessimista    neste cenário 
Ibovespa  98 mil pontos 150 mil pontos 80 mil pontos
Dólar  R$ 3,60  R$ 3,20  R$ 3,80 

 

Cenário mais baixista para o mercado pós-eleições Mediana das projeções Projeção mais otimista       neste cenário  Projeção mais pessimista    neste cenário 
Ibovespa  60 mil pontos 70 mil pontos 40 mil pontos
Dólar  R$ 4,85 R$ 4,20 R$ 5

 

Pergunta 5) Paulo Guedes ficará os 4 anos de um eventual mandato de Jair Bolsonaro?
Grande fiador para a confiança dos investidores em Jair Bolsonaro, Paulo Guedes - que ficou famoso como o "Posto Ipiranga" para todas as perguntas econômicas feitas ao capitão - é tido como um dos mais geniais economistas do País. No entanto, sua inexperiência na vida pública, o gênio forte tanto dele quanto de Bolsonaro e os ruídos causados já neste momento pré-campanha - caso da nova proposta da CPMF, defendida por Guedes e desmentida pelo candidato - trazem dúvidas para os investidores sobre se ele ficará os 4 anos como ministro da Fazenda em um eventual governo de Jair.

Para cada 1 gestor que acha que Paulo Guedes ficará os 4 anos, 2 se posicionam contra essa possibilidade. No entanto, muitos deles responderam que isso não importa: para eles, se PG ficar 1 ou 2 anos mas com uma gestão eficiente e que resolva a economia, já basta.

5- Paulo Guedes fica os 4 anos de um eventual governo Bolsonaro?
Sim  7 (30%)
Não  13 (57%)
Não sabe  3 (13%)

Pergunta 6) Quando a bolsa sobe após um crescimento de Bolsonaro nas pesquisas, significa que o candidato "conquistou" o mercado ou é o mercado comemorando que a esquerda não voltará ao poder?

Como era de se esperar, a resposta majoritária foi o afastamento da esquerda do poder. No entanto, 4 dos 23 gestores disseram que a culpa da alta da bolsa é sim do Bolsonaro ou é um misto das duas respostas.

6 - Mercado está encantado com Bolsonaro ou eufórico sem a esquerda?
Encantado com Bolsonaro  1 (4%)
Animado com o não retorno da esquerda 13 (83%)
"Mistura" dos 2 cenários 3 (13%)

Participaram da pesquisa: AZ Quest, Canvas Capital, Ibiuna, Novus Capital, Paineiras, Rio Bravo, Real Investor, SPX, Pacífico, Garde, Safari Capital, Absolute, Verde, Kapitalo, Apex, Alaska, Bahia, MZK, Sparta, Franklin Templeton, Mauá, Indosuez e XP Gestão.

 

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