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Verde Asset, de Luis Stuhlberger, aumenta posição na Bolsa brasileira de forma marginal

Os gestores da Verde apontam que a previsão de calmaria em agosto, após a melhora de sentimento de julho, e antes do início da campanha para as eleições de 2018, "provou-se grosseiramente errada"

Luis Stuhlberger, do Verde Asset Management
(Folhapress)

SÃO PAULO - Em relatório de estratégia sobre o mês de agosto, a equipe da Verde Asset, gerida por Luis Stuhlberger, destacou que teve ganhos no mês passado em sua exposição em moedas, cupom cambial e em hedges no pré-fixado. Já as  perdas vieram do portfólio de ações no Brasil e da exposição em juro real, que viu importante alta das taxas. Em agosto, a Verde teve desempenho positivo de 0,70% e alta acumulada no ano de 3,86%, ante 0,57% no mês e de 4,32% para o CDI. 

O fundo aproveitou a volatilidade de agosto para aumentar marginalmente sua posição na bolsa brasileira. Além disso, manteve posições em juro real na parte intermediária da curva, com proteção em posições tomadas em juros americanos.

Os gestores apontam que a previsão de calmaria em agosto, após a melhora de sentimento de julho, e antes do início da campanha para as eleições de 2018, "provou-se grosseiramente errada", com destaque para a turbulência no exterior.

"O gatilho inicial foi a deterioração acentuada da Turquia, que provocou nova onda de pessimismo com mercados emergentes. Turquia e Argentina foram os grandes focos de pressão e viram suas moedas desvalorizarem fortemente, mas todos os outros mercados sofreram. Em meio a esse contexto, o foco no Brasil se voltou imediatamente para as pesquisas eleitorais, mesmo que muito antes ainda do início da propaganda televisiva", avaliaram os gestores da Verde Asset.

Para os gestores, o mercado brasileiro continua em busca frenética por ajustar diariamente as probabilidades da eleição e a volatilidade dos preços dos ativos até então tinha sido maior do que a volatilidade nas pesquisas. 

Cabe destacar que o relatório foi elaborado antes de um evento considerado bastante importante para o rumo das eleições, que foi a facada contra o candidato à presidência do PSL, Jair Bolsonaro. Até então, ele mostrava liderança nas pesquisas de intenção de voto, mas também forte rejeição. Agora, após o atentado contra ele na última quinta-feira a expectativa é de que, pelo menos no curto prazo, Bolsonaro atinja maior intenção de voto e menor rejeição, enquanto os demais candidatos (principalmente Geraldo Alckmin) se sentirão constrangidos a atacar o nome do PSL. 

Na carta de agosto da Verde, os gestores já apontavam que o espólio da (surpreendentemente forte) candidatura Lula está em disputa na esquerda, enquanto ao centro o caminho para o crescimento de Alckmin é tortuoso, seja pelo consolidado voto na direita, "seja pelas candidaturas menores que tomam quinhões tradicionais do eleitorado tucano". Até aquele momento, os preços de ativos indicavam um crescente pessimismo, parte pela dificuldade de Alckmin crescer, parte por um foco importante na rejeição de Bolsonaro. Contudo, os ativos engataram um movimento de maior alta na quinta-feira com o mercado passando a precificar uma possível maior força do candidato do PSL, corroborada pela última pesquisa FSB/BTG Pactual e que pode ser testada nos próximos levantamentos, como o Datafolha. 

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"Vale notar que a situação, digamos, quântica da candidatura Lula cria um vácuo político na esquerda que permitiu até aqui que não seja atacada. Os problemas desse lado do espectro político deverão ser amplamente explorados no segundo turno, aumentando sua rejeição", destacou a Verde na carta.

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