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Ibovespa Futuro sobe e dólar cai seguindo "efeito Bolsonaro"; tensão comercial no exterior no radar

Por outro lado, vale destacar o cenário de tensão nas bolsas internacionais

Jair Bolsonaro
(Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados)

SÃO PAULO - A segunda-feira (10) pós-feriado começa agitada para o mercado brasileiro, que repercute o desempenho dos ADRs (American Depositary Receipts) e a mais recente pesquisa eleitoral após o atentado sofrido contra o candidato do PSL à presidência, Jair Bolsonaro. Assim, o noticiário político segue dando o tom, fazendo com que o Ibovespa Futuro registre um movimento de alta e o dólar caia. 

Às 9h17 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em outubro registrava alta de 0,54%, a 77.820 pontos, enquanto o dólar futuro com vencimento no mesmo mês tem leve alta de 0,22%, a R$ 4,078. Vale destacar que, na última quinta-feira, enquanto o Ibovespa fechou com alta de 1,76% e o dólar fechou em queda de 0,95%,  o mercado futuro prosseguiu com os negócios até às 18h e o futuro do benchmark fechou em alta mais expressiva, de 2,87%, a 77.400 pontos, enquanto o contrato de dólar com vencimento em outubro fechou em queda de 2,06%, a R$ 4,069. Ou seja, é esperado que o índice à vista tenha um desempenho superior nesta sessão, movimento este que já pode ser observado pela divisa americana, que cai 0,49%, a R$ 4,0839 na venda. 

O atentado contra Bolsonaro é visto pelo mercado como um fator para enfraquecimento da esquerda; assim, os investidores repercutem positivamente a subida do candidato do PSL nas pesquisas - a exemplo do que ocorreu com a FSB/BTG Pactual revelada esta segunda-feira e que apontou o deputado subindo de 26% para 30% nas intenções de voto estimulada. Enquanto isso, Ciro Gomes (PDT) aparece em segundo lugar com 12%; já Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) estão embolados na terceira posição com 8% dos votos cada (confira a pesquisa clicando aqui). Nesta segunda, após o fechamento do mercado, está prevista a divulgação da pesquisa Datafolha feita também nesta segunda-feira. 

Conforme destaca a equipe de análise da XP Política, Bolsonaro tem chance de reconfigurar sua campanha conforme quiser e, por alguns dias o candidato será o principal tópico na mídia, e somente depois haverá acomodação. Assim, o ritmo de “ataque” das outras campanhas será ditado pelo quadro de saúde do candidato: "a visão é que ficou mais difícil para seus adversários disputarem as eleições contra ele em termos simbólicos e táticos", avalia.

Atenção ainda para mais reveses sofridos por Lula na Justiça Eleitoral. O ministro Luís Roberto Barroso, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reforçou no domingo (9), a proibição do uso do nome do petista como candidato ao cargo de presidente. Além disso, a direção do PT vai convocar reunião para terça-feira (11), em Curitiba, data limite para a substituição de Lula na corrida presidencial. Na ocasião, o nome de Fernando Haddad (PT) deve ser alçado à cabeça de chapa. 

Por outro lado, vale destacar o cenário de tensão nas bolsas internacionais. As bolsas asiáticas encerraram, em sua maior parte, em queda com os investidores tensos com a possibilidade de os Estados Unidos taxarem os produtos chineses. Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump disse que as tarifas de US$ 200 bilhões podem "ocorrer muito em breve". 

O S&P futuro opera em alta após sessão negativa na Ásia, diante do receio de guerra comercial, e algumas moedas pares do real se fortalecendo. Vale destacar ainda que, na última sexta, o mercado repercutiu o relatório de emprego dos EUA. O grande destaque ficou para os dados do relatório de emprego de agosto nos EUA. A economia do país gerou 201 mil vagas em agosto, acelerando ante a criação de 147 mil postos em julho (dado revisado, de 157 mil antes calculado) e superando a mediana das previsões de 193 mil. Esse número aumentou a visão de uma aceleração na alta de juros pelo Federal Reserve, o que ajuda a fortalecer o dólar ante as demais moedas. 

  •  ADRs no feriado
    Repercutindo as notícias sobre o estado de saúde de Bolsonaro e com a avaliação de que o ataque contra ele pode gerar impacto negativo para os candidatos de esquerda, que são o grande temor do mercado dadas as políticas intervencionistas, os ADRs (American Depositary Receipts) na sexta-feira seguiram o movimento do Ibovespa na véspera e fecharam em expressiva alta. O destaque ficou com os papéis da Petrobras, que subiram cerca de 4%. Veja como foi o desempenho dos principais ADRs durante o feriado:
Empresa ADR Variação Preço
CSN SID +1,98% US$ 2,12
Bradesco BBD +2,48% US$ 7,22
Santander BSBR +2,29% US$ 7,70
Itaú Unibanco ITUB +2,03% US$ 10,90
BRF BRFS +0,85% US$ 6,24
Ultrapar UGP +1,70% US$ 12,16
Sabesp SBS +1,67% US$ 6,21
Pão de Açúcar CBD +1,67% US$ 20,44
Fibria FBR -0,68% US$ 18,76
Copel ELP +1,39% US$ 5,69
Ambev ABEV +1,35% US$ 4,66
Telefônica Brasil VIV +0,70% US$ 11,70
TIM Participações TSU +0,90% US$ 17,25
Embraer ERJ +0,31% US$ 23,37
Cemig CIG +2,02% US$ 1,93
Petrobras PBR.A +4,41% US$ 9,47
Vale VALE +0,12% US$ 13,18
Petrobras PBR +3,81% US$ 10,69
Gerdau GGB +1,57% US$ 3,99

 

Agenda econômica da semana 

A semana tem agenda de indicadores doméstica esvaziada e o destaque fica com as pesquisas de comércio na quinta-feira (13) e de serviços de julho na sexta-feira (14). "Passados os efeitos da greve dos caminhoneiros, o varejo deve ter registrado novo crescimento em julho, da ordem de 0,7% em relação ao mês anterior. Os serviços, por sua vez, tendem a ficar mais próximos da estabilidade", destaca a Rosenberg Consultores Associados. 

No exterior, os investidores estarão atentos nesta semana a possíveis eventos no âmbito da guerra comercial EUA-China após nova ameaça por Donald Trump de taxação de produtos importados do gigante asiático, além das negociações entre os Estados Unidos e o Canadá sobre o Nafta.

Já na agenda de indicadores, os destaques no EUA são o índice de preços ao produtor na quarta-feira (12) e o núcleo de inflação e taxa de inflação relativos ao mês de agosto na quinta-feira (13). A semana ainda traz os dados de vendas do varejo e o índice de confiança do Consumidor (Michigan) na sexta-feira. 

Na Europa, atenção para a reunião do BCE (Banco Central Europeu), que se reúne na próxima quinta-feira. A expectativa é de manutenção da comunicação, com a perspectiva de alguma alteração nas taxas básicas de juros apenas no verão europeu de 2018 (entre junho e agosto), ressalta a Rosenberg. "Na conferência com jornalistas, Mario Draghi deverá ser questionado se o desempenho mais modesto da economia afeta a projeção da instituição, sua resposta será relevante para o mercado", destaca a consultoria. 

A agenda da China também é movimentada, com destaque para os dados de investimento direito no estrangeiro na terça e da produção industrial, do investimento e de vendas do comércio relativos ao mês de agosto na quinta. 

Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.

Noticiário corporativo

  • A Gol teve aumento de 0,1% na demanda total em agosto ante o mesmo período do ano passado. A Kroton deve anunciar este mês compra de duas novas escolas, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo. "O pior já passou", afirma diretora da Petrobras sobre crise no setor em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. O presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, e os diretores da estatal concedem entrevista coletiva em São Paulo, às 10h30. A BB Seguridade teve cobertura iniciada como "outperform" (acima de média do mercado, o equivalente a compra) pelo Safra, com preço-alvo de R$ 30. A Aliansce também foi iniciada como "outperform" pelo Safra.

Por fim, um juiz determinou que o presidente Michel Temer deve ouvir um conselho de representantes militares e políticos para analisar o acordo da fabricante de aviões Embraer com a Boeing, segundo o jornal Valor Econômico.

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