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Ibovespa cai 1,6% e dólar dispara para mais de R$ 4,12 com mau humor externo e eleições

Índice acelerou as perdas durante a tarde e fechou abaixo da marca de 76 mil pontos

Dólar
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa acelerou as perdas na tarde desta quinta-feira (23) seguindo a piora do mercado norte-americano, onde os índices fecharam com perdas de cerca de 0,3% de olho no discurso presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que ocorre amanhã no simpósio de Jackson Hole. O clima de aversão acabou pesando no dólar, que também segue sensível ao cenário político, chegando assim a marca de R$ 4,11.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com queda de 1,65%, aos 75.633 pontos, após chegar a cair 1,87% na mínima do dia. O volume financeiro ficou em R$ 9,934 bilhões. O dólar comercial, por sua vez, disparou 1,65%, cotado a R$ 4,1230 na venda, atingindo sua sétima alta seguida e renovando sua máxima desde janeiro de 2016, quando chegou a R$ 4,16.

Com esse cenário no radar, o CDS (Credit Default Swap, considerado um seguro de risco contra o calote) de 5 anos do Brasil foi a 276 pontos, em seu maior patamar desde junho. As taxas dos principais contratos de juros futuros também subiram forte, com alta de 24 pontos-base para o contrato com vencimento em 2021, a 9,8%, enquanto o com vencimento mais longo, em janeiro de 2023, teve alta de 23 pontos, a 11,44%.

Os investidores buscam sinais do rumo da política monetária dos Estados Unidos, principalmente após a ata do Fed divulgada na quarta mostrar maior preocupação com os efeitos da guerra comercial. Por enquanto, o mercado segue com maior aposta de duas altas de juros neste ano e mais duas altas em 2019. A participação Powell marcará sua estreia no encontro de bancos centrais e a expectativa é de tom ameno. 

Ainda no exterior, a ata do BCE (Banco Central Europeu) trouxe informações semelhantes à ata do Fomc (Federal Open Market Committee), demonstrando preocupação com os efeitos da guerra comercial na economia norte-americana. “Tensões podem gerar um declínio mais geral na confiança através da economia global, além de qualquer efeito direto da imposição de tarifas”, informa o documento.

No câmbio, o mercado também já começa a ficar de olho na possibilidade de intervenção do Banco Central para conter o rali. "É um momento difícil para comprar ou vender dólares devido a possibilidade da moeda testar a sua máxima anterior e atual objetivo: R$ 4,25. O Banco Central ainda não emitiu sinal de intervenção e, quanto mais alta a cotação, maior a possibilidade de atuação", observa José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos.

Segundo ele, se houver uma intervenção do BC semelhante à última, em junho, a cotação pode recuar aproximadamente R$ 0,20, ou seja, poderia voltar a região de R$ 3,85. "Sem o BC, somente pesquisas indicando melhora de candidatos comprometidos com reformas podem derrubar a cotação.

Embora o pregão de hoje não tenha grandes turbulências com o noticiário eleitoral, o mercado tem no radar a divulgação de nova pesquisa de intenção de voto. Vale ressaltar que, nesta sexta-feira, será divulgada nova pesquisa presidencial XP/Ipespe. Na semana passada, o levantamento apontou a liderança do ex-presidente Lula, com 31% do votos, seguidos por Jair Bolsonaro (PSL), com 20%, cenário que foi confirmado por outras pesquisas divulgadas nos dias seguintes.

Contribuindo para o aumento da aversão ao risco do mercado, o TSE deu sete dias para que a defesa do petista conteste as ações que pedem a rejeição de sua candidatura. Isso pode levar a decisão sobre a candidatura de Lula para setembro, dando tempo para ele aparecer no programa eleitoral gratuito, que começa em 31 de agosto.

Destaques do mercado

A alta do dólar beneficiou as empresas exportadoras, como as de papel e celulose, com as ações de Fibria, Suzano e Klabin liderando os ganhos do Ibovespa. Do outro lado, estatais como Cemig e Copel ficaram na ponta negativa.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 QUAL3 QUALICORP ON 15,95 -6,23 -46,67 71,97M
 B3SA3 B3 ON 21,13 -5,80 -5,86 190,15M
 GOLL4 GOL PN N2 10,63 -5,51 -27,19 86,45M
 CMIG4 CEMIG PN 7,43 -4,87 +14,95 108,21M
 SBSP3 SABESP ON 24,40 -4,80 -26,81 38,62M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON 50,30 +4,31 +170,43 344,61M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 20,80 +4,26 +21,12 97,86M
 FIBR3 FIBRIA ON 81,30 +2,91 +71,05 219,68M
 BRKM5 BRASKEM PNA 58,10 +1,91 +41,37 137,50M
 RADL3 RAIADROGASILON 79,80 +1,79 -12,70 120,72M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ N2 17,95 -2,18 1,02B 1,06B 43.141 
 VALE3 VALE ON 53,35 +0,09 648,67M 968,60M 26.154 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN EDJ 41,31 -3,89 570,69M 572,21M 33.785 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 29,24 -2,53 512,88M 323,21M 37.749 
 BBDC4 BRADESCO PN 28,07 -2,50 373,39M 416,38M 24.905 
 SUZB3 SUZANO PAPELON 50,30 +4,31 344,61M n/d 23.338 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,94 +0,21 282,74M 276,93M 22.773 
 ITSA4 ITAUSA PN EDJ 9,45 -2,68 226,20M 199,07M 35.080 
 FIBR3 FIBRIA ON 81,30 +2,91 219,68M 131,28M 10.299 
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 132,77 -1,10 216,31M 181,23M 8.212 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
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