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Ibovespa desaba 6% na semana com "risco Turquia" e eleições; dólar salta 4% e vai a R$ 3,86

Índice tem seu pior pregão desde 7 de junho em dia marcado por aversão ao risco em todo o mundo com crise cambial na Turquia

Mercado em queda
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em sua quinta queda consecutiva, o Ibovespa chegou a afundar 3,46% na mínima do dia desta sexta-feira (10), enquanto o dólar disparou para R$ 3,86, com o clima de aversão ao risco dominando os mercados em vista da crise cambial na Turquia, com a moeda chegando a desvalorizar 20% após fala do presidente Recep Erdogan e novas sanções de Donald Trump contra o país.

O benchmark da bolsa brasileira caiu 2,86%, aos 76.513 mil pontos - o pior pregão da bolsa desde 7 de junho, quando afundou 2,98% -, encerrando a semana com perdas acumuladas de 6,04%. O dólar comercial, por sua vez, disparou 1,59%, cotado a R$ 3,8640 na venda (alta de 4,19% na semana), com os investidores em busca de proteção em vista da tensão gerada na Turquia, que contamina as principais bolsas do mundo e o mercado local. O ETF da Turquia afundou 15%, em seu pior dia na história.

As bolsas europeias recuaram mais de 2%, enquanto Dow Jones e S&P 500 tiveram queda de 0,7% e 0,6%, respectivamente, com os investidores na expectativa pelo pronunciamento do presidente turco sobre um "novo modelo econômico", que está gerando grande apreensão com as sinalizações de Erdogan. 

Mais cedo, o presidente fez uma declaração aos jornalistas que preocupou sobre o viés pouco ortodoxo do programa: “não se esqueça disso - se eles têm dólares, nós temos nosso povo, nosso direito, nosso Alá”, ressaltou. Para completar, Donald Trump autorizou dobrar as tarifas de alumínio e aço para 20% e 50%, respectivamente, o que azeda ainda mais o humor do mercado.

Com a derrocada da lira turca, os investidores já estão de olho no contágio do sistema financeiro europeu, o que pressiona as ações dos bancos no velho continente. Segundo o jornal Financial Times, a exposição dos bancos europeus ao país é de algo em torno de US$ 100 bilhões.

Resultados mexem com o mercado

As ações da BRF (BRFS3) recuaram forte após o resultado do segundo trimestre abaixo do esperado pelo mercado. A empresa registrou registrou prejuízo líquido para R$ 1,574 bilhão no segundo trimestre, ante prejuízo de R$ 166 milhões no mesmo período de 2017. Segundo Pedro Parente, presidente da empresa, o desempenho ficou aquém do potencial.

Ainda falando sobre resultados considerados fracos pelo mercado, a B2W (BTOW3) teve prejuízo líquido de R$ 108,8 milhões ante prejuízo de R$ 111,8 milhões no segundo trimestre de 2017, superando a expectativa do mercado. Nem mesmo a redução de queima de caixa animaram os investidores. Sua controladora, Lojas Americanas (LAME4), também decepcionou, com lucro encolhendo 56% frente ao segundo trimestre do ano passado.

Do outro lado, a CVC (CVCB3) surpreendeu positivamente após uma sequência de dados operacionais negativos e registrou lucro líquido ajustado de R$ 35,2 milhões, salto de 63,1% em relação ao segundo trimestre do ano passado e acima da expectativa de R$ 27,3 milhões do mercado. O Ebitda ajustado subiu 18,7%, para R$ 118 milhões, superando a maior estimativa entre os analistas consultados pela Bloomberg de R$ 115 milhões.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 27,30 -9,00 +33,17 159,07M
 LAME4 LOJAS AMERICPN 16,50 -7,56 -2,77 226,28M
 USIM5 USIMINAS PNA 7,91 -7,27 -12,70 359,77M
 VVAR11 VIAVAREJO UNT N2 19,75 -7,15 -19,19 77,65M
 NATU3 NATURA ON 26,05 -7,06 -20,44 112,24M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON 45,68 +3,82 +145,59 257,54M
 CVCB3 CVC BRASIL ON 43,79 +2,31 -8,34 122,31M
 FIBR3 FIBRIA ON 75,30 +0,67 +58,43 82,87M
 EQTL3 EQUATORIAL ON 57,70 +0,17 -10,58 76,29M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 19,59 -3,69 1,21B 1,05B 70.409 
 VALE3 VALE ON EDJ 51,71 -0,25 743,81M 906,07M 32.680 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 43,23 -3,63 642,38M 571,06M 40.629 
 BBAS3 BRASIL ON 31,75 -5,51 637,61M 338,45M 35.636 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 28,82 -4,98 518,68M 440,74M 38.368 
 USIM5 USIMINAS PNA 7,91 -7,27 359,77M 134,06M 39.221 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,91 -1,87 356,42M 267,40M 37.265 
 ITSA4 ITAUSA PN 10,01 -3,84 305,56M 173,13M 49.445 
 B3SA3 B3 ON 22,78 -2,06 285,11M 251,81M 30.678 
 GGBR4 GERDAU PN 16,07 -4,29 274,42M 167,57M 29.008 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Debate da Band

O grande destaque do noticiário político fica para a repercussão do debate entre candidatos à Presidência na TV Bandeirantes, que não trouxe respostas profundas aos eleitores sobre grandes problemas enfrentados pelo país, como o alto índice de desemprego e a crise fiscal. Oito dos 13 presidenciáveis se debruçaram sobre temas como geração de empregos e até aborto, mas houve pouca discussão sobre escândalos de corrupção, ou sobre assuntos como a reforma da Previdência. Os ataques pessoais típicos de eleições passadas também foram tímidos. 

Jair Bolsonaro disse que o Brasil precisa voltar a fazer comércio com o mundo sem viés ideológico, ser desburocratizado, desregulamentado; falou em cortar o preço dos pedágios e acabar com a indústria de multas. Enquanto isso, Ciro Gomes falou em fazer uma nova reforma trabalhista e chamou a atual de “selvageria”; falou em descartelizar o sistema financeiro, sem dizer o que isso significa.

Veja mais:
Sem Lula, Bolsonaro mantém liderança com 23%, mas rejeição é de 57%, mostra XP/Ipespe
Bolsonaro "light", Alckmin na defesa e um inusitado destaque: a opinião dos analistas sobre o debate

Marina Silva, da Rede, teve pouco protagonismo e bateu na tecla de que aqueles que criaram o problema não vão resolver o problema. Geraldo Alckmin defendeu a reforma trabalhista, disse que é preciso confiança para trazer o investimento e o crescimento econômico e falou em maior abertura econômica e novos acordo comerciais. 

Em geral, os analistas políticos avaliam que o debate foi morno, sem tantas respostas sobre os principais problemas brasileiros e com poucos ataques, apontando que os candidatos ainda buscando reconhecer o terreno em que pisarão nos próximos meses - clique aqui e confira a análise completa.

Pesquisa eleitoral XP/Ipespe

A primeira pesquisa eleitoral realizada após a conclusão do período das convenções partidárias, que confirmou os candidatos à presidência da República e as respectivas alianças formadas, continuou mostrando o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) na liderança da disputa nos cenários em que não é considerado o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso há quatro meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo levantamento feito pelo Ipespe entre 6 e 8 de agosto, o 12º da série encomendada pela XP Investimentos, Bolsonaro tem entre 19% e 23% das intenções de voto, dependendo da simulação de primeiro turno observada. Em 3 das 4 testadas, observou-se uma oscilação positiva de 1 ponto percentual em seu apoio, movimento dentro da margem de erro, de até 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Bolsonaro também lidera na corrida espontânea, quando nomes de candidatos não são apresentados aos eleitores. Neste cenário, o parlamentar tem 17% das intenções de voto, tecnicamente empatado por Lula, que oscilou de 13% na semana passada para 15%. O líder petista corre riscos de ser impedido de participar da disputa em função da Lei da Ficha Limpa, que impede candidaturas de condenados em segunda instância. Os ex-governadores de São Paulo e do Ceará, Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), respectivamente, têm 3% cada, ao passo que o senador Álvaro Dias (Podemos) aparece com 2%. Brancos, nulos e indecisos somam 58% do eleitorado - clique aqui e confira a reportagem completa.

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