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Dólar tem terceira alta seguida e supera R$ 3,75; Ibovespa se descola do exterior e sobe

Índice chegou a abrir com perdas, mas ganhou força durante a tarde de olho no cenário externo, temporada de resultados e Copom nesta noite

SÃO PAULO - Depois de iniciar o primeiro pregão de agosto em queda e marcar mínima em 78.768 pontos, o Ibovespa ganhou força durante a tarde e se manteve praticamente estável durante toda esta quarta-feira (1), ignorando a decisão do Fomc e as pressões do novo capítulo da guerra comercial entre EUA e China.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com leve alta de 0,10%, aos 79.301 pontos, com o volume financeiro atingindo R$ 9,543 bilhões. O dólar comercial, por sua vez, após iniciar o dia em alta e chegar a R$ 3,7650, perdeu força, mas encerrou o dia com leve alta de 0,11%, cotado a R$ 3,7589 na venda, em sua terceira valorização seguida.

O Federal Reserve manteve, por unanimidade, a taxa de juros nos EUA inalterada no patamar entre 1,75% e 2%. No comunicado, o comitê disse que o mercado de trabalho "continuou a se fortalecer", linguagem consistente com a reunião de junho. No entanto, o comitê continuou observando que "a atividade econômica vem subindo a um ritmo forte", uma visão mais otimista do que a caracterização anterior de crescimento "sólido".

O Fomc observou ainda que sua postura política continua "acomodatícia" e disse que a inflação segue avançando perto da meta de 2%. Por outro lado, vários diretores, incluindo o presidente Jerome Powell, enviaram indicações de que mais dois aumentos das taxas de juros irão ocorrer antes do final do ano.

Ainda no exterior, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, afirmou que o governo norte-americano dará uma atualização sobre as tarifas planejadas para produtos chineses ainda nesta quarta. Segundo a Reuters, os EUA planejam aplicar tarifas de 25% sobre US$ 200 bilhões de itens importados da China, de modo a pressionar para que se façam concessões comerciais. O número está bem acima dos 10% antes mencionados no começo de julho.

A China prometeu retaliar se o governo Trump continuar com a ameaça de elevar tarifa de importação. "A pressão e a chantagem dos EUA não terão efeito. Se os Estados Unidos adotar novos passos, a China inevitavelmente tomará medidas e nós protegeremos nossos direitos legítimos", disse o porta-voz do primeiro-ministro chinês, Geng Shuang, em entrevista coletiva mais cedo.

Diante das novas ameaças, os contratos futuros de minério de ferro negociados na China, assim como de cobre em Londres, recuaram cerca de 2%, o que acabou pressionando as ações ligadas as commodities, como a Vale, que ficou entre as maiores quedas desta sessão.

Na contrapartida, os bancos subiram mais de 1%, com destaque para as ações do Banco do Brasil (BBAS3), se recuperando da queda do pregão passado e reagindo positivamente a decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional) para impulsionar o financiamento imobiliário (veja mais aqui). As medidas darão mais flexibilidade aos bancos usarem a poupança para este tipo de modalidade de empréstimo.

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Além disso, vale destacar que a Fitch Ratings reafirmou o rating do Brasil em "BB-" com perspectiva estável para a dívida soberana brasileira. Segundo a agência de classificação de risco, a nota de crédito doméstica é limitada por fraquezas estruturais nas finanças públicas e pelo alto endividamento do governo. Além disso, a agência alerta ainda que os déficits fiscais permanecem grandes e deverão diminuir apenas gradualmente, aumentando a vulnerabilidade do país a choques.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CYRE3 CYRELA REALTON 12,12 +4,57 -4,62 55,39M
 MRVE3 MRV ON 13,72 +3,86 -4,26 59,48M
 SMLS3 SMILES ON 53,00 +3,52 -26,51 97,88M
 VVAR11 VIAVAREJO UNT N2 22,00 +3,33 -9,99 77,63M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 14,10 +3,30 +4,49 63,64M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VALE3 VALE ON 53,11 -3,15 +33,42 1,71B
 BRAP4 BRADESPAR PN 31,63 -2,92 +14,16 37,47M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 39,70 -2,34 -46,45 139,94M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 43,60 -2,13 +134,41 155,10M
 KROT3 KROTON ON 11,09 -1,86 -38,72 80,16M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE3 VALE ON 53,11 -3,15 1,71B 800,22M 25.706 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 20,01 +1,47 765,03M 971,71M 33.918 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 45,55 +1,26 570,66M 524,67M 21.974 
 BBDC4 BRADESCO PN 30,93 +1,31 356,84M 425,55M 19.947 
 BBAS3 BRASIL ON 32,97 +1,45 250,33M 324,36M 16.402 
 GGBR4 GERDAU PN 16,40 -1,68 206,46M 160,94M 21.086 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,45 +0,21 180,38M 261,97M 16.633 
 B3SA3 B3 ON 23,67 -0,50 159,91M 220,39M 18.122 
 SUZB3 SUZANO PAPELON 43,60 -2,13 155,10M n/d 12.425 
 USIM5 USIMINAS PNA 8,79 -0,90 142,39M 131,70M 19.890 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Veja mais:
- XP recomenda 10 ações para agosto após render 128% do Ibovespa em julho
- Bolsonaro lidera corrida eleitoral com 20%, mas rejeição é de 65%, diz pesquisa; Alckmin atinge 9%

Copom
No Brasil, o Copom deve manter a Selic em 6,50% pela terceira reunião seguida, com comunicado semelhante ao anterior, que enfatizou as condicionantes a serem acompanhadas até a próxima reunião. A decisão será divulgada a partir das 18h.

Ainda na agenda econômica, destaque para o resultado do ADP Employment de julho publicado às 9h30 nos EUA, que surpreendeu ao registrar a criação de 219 mil vagas de trabalho no setor privado no país, enquanto o mercado esperava 185 mil postos de trabalhos. O resultado acima do esperado gerou uma corrida para os Treasuries de 10 anos em vista de mais um bom sinal da economia dos EUA, que retornaram para a faixa de 3%.

Bolsonaro segue na liderança

O levantamento DataPoder360 divulgado nesta quarta-feira mostrou pouca alteração no cenário eleitoral, com o candidato à presidência pelo PSL Jair Bolsonaro seguindo na liderança no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato. Bolsonaro tem 20% das intenções de voto, mas enfrenta uma rejeição alta, de 65%. No mês passado, o deputado tinha 21% das intenções de voto, variação esta dentro da margem de erro da pesquisa. 

Geraldo Alckmin (PSDB) tinha 7% em maio, foi a 8% em junho e, em julho, foi a 9%. As mudanças são dentro da margem de erro, mas poderiam indicar uma tendência, ainda incerta, de crescimento. O tucano foi o único a ter alta numérica na intenção de voto, dentro da margem de erro.

Notícias do dia

O grande destaque dos jornais do dia fica para as incertezas do cenário eleitoral, com foco na busca por vices. O jornal O Estado de S. Paulo traz a afirmação de que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luiz Fux, considera que "um político enquadrado na Lei da Ficha Limpa não pode forçar uma situação, se registrando, para se tornar um candidato sub judice". Apesar de não citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a declaração foi dita após ser questionado sobre a estratégia do PT para a corrida presidencial.

Do lado petista, o partido fará sua convenção no sábado (4) sem indicar o candidato a vice de Lula, nome que deve ser apresentado até 15 de agosto. Uma ala do PT voltou a ventilar o nome de Gleisi Hoffmann como opção para o cargo. 

Em sabatina transmitida pela GloboNews, a pré-candidata Marina Silva (Rede) disse que não vê "incoerência nenhuma" em formar alianças que contradizem as orientações das coligações na campanha presidencial da sigla. Ainda sem vice, Marina afirmou que está dialogando com PV, de Eduardo Jorge, que em 2014 foi candidato à Presidência pela legenda. O convite para que o PV indicasse o nome do vice foi feito no sábado (28). Marina Silva e Ciro Gomes (PDT) tentam evitar o isolamento na disputa presidencial, mas as negociações com PV e PSB, respectivamente, esbarram na tendência de neutralidade das siglas. Sem aliança com outros partidos, Ciro e Marina podem ser obrigados a optar por chapas puras.

Segundo jornal Valor Econômico, Geraldo Alckmin (PSDB) descartou a possibilidade de uma chapa pura e que anunciará seu vice no prazo limite. Levy Fidelix (PRTB) estaria negociando a indicação do general Hamilton Mourão para vice de Bolsonaro. 

O CMN (Conselho Monetário Nacional) anunciou na terça-feira (31) o aumento para R$ 1,5 milhão do valor dos imóveis que poderão ser comprados através do SFH (Sistema Financeiro de Habitação) e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Antes, o valor era de R$ 950 mil. 

Para o BTG Pactual, o anúncio é positivo para o setor imobiliário e é uma forma de injetar mais crédito no setor de moradia, uma vez que tem sido a principal causa da baixa demanda por novas casas. As novas regras entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2019 e devem injetar cerca de R$ 80 bilhões ao crédito imobiliário.

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