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Ibovespa sobe com bancos abafando efeitos negativos da guerra comercial; Fitch reafirma rating do Brasil

Investidores também aguardam pela decisão de política monetária do Fed e do Copom

trader - bolsa de Frankfurt - DAX - Alemanha
(REUTERS/Alex Domanski)

SÃO PAULO - Depois de iniciar o primeiro pregão de agosto em queda e marcar mínima em 78.768 pontos (-0,6%), o Ibovespa reverteu a tendência e às 12h09 (horário de Brasília) registrava alta de 0,48%, aos 79.765 pontos, com os bancos em processo de recuperação e abafando os efeitos negativos de mais um capítulo da guerra comercial entre EUA e China, que derruba as commodities metálicas e pressiona o setor siderúrgico, assim como as ações da Vale (VALE3).

Segundo reportagem da Reuters, citando uma fonte da administração de Trump, os EUA planejam aplicar tarifas de 25% sobre US$ 200 bilhões de importações chinesas, de modo a pressionar para que se façam concessões comerciais. O número está bem acima dos 10% antes mencionados no começo de julho. A China prometeu retaliar se o governo Trump continuar com a ameaça de elevar tarifa de importação.

"A pressão e a chantagem dos EUA não terão efeito. Se os Estados Unidos adotar novos passos, a China inevitavelmente tomará medidas e nós protegeremos nossos direitos legítimos", disse o porta-voz do primeiro-ministro chinês, Geng Shuang, em entrevista coletiva. Diante das novas ameaças, os contratos futuros de minério de ferro negociados na China, assim como de cobre em Londres, recuavam cerca de 2%, o que acaba pressionando as ações ligadas as commodities.

Na contrapartida, os bancos sobem até 1%, com destaque para as ações do Banco do Brasil (BBAS3), se recuperando da queda do pregão passado e reagindo positivamente a decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional) para impulsionar o financiamento imobiliário (veja mais aqui). As medidas darão mais flexibilidade aos bancos usarem a poupança para este tipo de modalidade de empréstimo.

Além disso, vale destacar que a Fitch Ratings reafirmou o rating do Brasil em "BB-" com perspectiva estável para a dívida soberana brasileira. Segundo a agência de classificação de risco, a nota de crédito doméstica é limitada por fraquezas estruturais nas finanças públicas e pelo alto endividamento do governo. Além disso, a agência alerta ainda que os déficits fiscais permanecem grandes e deverão diminuir apenas gradualmente, aumentando a vulnerabilidade do país a choques.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 RADL3 RAIADROGASILON 77,38 +4,06 -15,35 17,77M
 QUAL3 QUALICORP ON 20,70 +3,24 -30,79 9,27M
 MRFG3 MARFRIG ON 8,38 +2,20 +14,48 2,32M
 VVAR11 VIAVAREJO UNT N2 21,75 +2,16 -11,01 17,62M
 CIEL3 CIELO ON 14,64 +2,02 -36,23 35,14M

Veja mais:
- Vale interrompe sequência de 7 altas e cai mais de 2%; Smiles tem baixa de 4% após balanço
- XP recomenda 10 ações para agosto após render 128% do Ibovespa em julho
- Bolsonaro lidera corrida eleitoral com 20%, mas rejeição é de 65%, diz pesquisa; Alckmin atinge 9%

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRAP4 BRADESPAR PN 31,74 -2,58 +14,55 7,85M
 VALE3 VALE ON 53,50 -2,44 +34,40 313,33M
 GOLL4 GOL PN N2 13,59 -1,59 -6,92 22,53M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 40,03 -1,53 -46,00 16,56M
 USIM5 USIMINAS PNA 8,74 -1,47 -3,54 35,88M
* - Lote de mil a??es
1 - Em reais (K - Mil | M - Milh?o | B - Bilh?o)

Copom e Fed
A super-quarta tem como destaque as reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Para o Fed, a expectativa é de que o tom do comunicado siga o cenário delineado por Jerome Powell, presidente do banco central norte-americano na sabatina com o Congresso, na semana passada. “Por ora”, a política monetária deve seguir o atual ritmo gradual de subida de juros, escorada nos dados que indicam atividade econômica em ritmo robusto de crescimento no país. Além disso, o Fed deve divulgar nova avaliação da atual condução da política monetária.

No Brasil, o Copom deve manter a Selic em 6,50% pela terceira reunião seguida, com comunicado semelhante ao anterior, que enfatizou as condicionantes a serem acompanhadas até a próxima reunião. A decisão será divulgada a partir das 18h00.

Ainda na agenda econômica, destaque para o resultado do ADP Employment de julho publicado às 9h30 nos EUA, que surpreendeu ao registrar a criação de 219 mil vagas de trabalho no setor privado no país, enquanto o mercado esperava 185 mil postos de trabalhos. O resultado acima do esperado gerou uma corrida para os Treasuries de 10 anos em vista de mais um bom sinal da economia dos EUA, que retornaram para a faixa de 3%.

Bolsonaro segue na liderança

O levantamento DataPoder360 divulgado nesta quarta-feira mostrou pouca alteração no cenário eleitoral, com o candidato à presidência pelo PSL Jair Bolsonaro seguindo na liderança no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato. Bolsonaro tem 20% das intenções de voto, mas enfrenta uma rejeição alta, de 65%. No mês passado, o deputado tinha 21% das intenções de voto, variação esta dentro da margem de erro da pesquisa. 

Geraldo Alckmin (PSDB) tinha 7% em maio, foi a 8% em junho e, em julho, foi a 9%. As mudanças são dentro da margem de erro, mas poderiam indicar uma tendência, ainda incerta, de crescimento. O tucano foi o único a ter alta numérica na intenção de voto, dentro da margem de erro.

Notícias do dia

O grande destaque dos jornais do dia fica para as incertezas do cenário eleitoral, com foco na busca por vices. O jornal O Estado de S. Paulo traz a afirmação de que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luiz Fux, considera que "um político enquadrado na Lei da Ficha Limpa não pode forçar uma situação, se registrando, para se tornar um candidato sub judice". Apesar de não citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a declaração foi dita após ser questionado sobre a estratégia do PT para a corrida presidencial.

Do lado petista, o partido fará sua convenção no sábado (4) sem indicar o candidato a vice de Lula, nome que deve ser apresentado até 15 de agosto. Uma ala do PT voltou a ventilar o nome de Gleisi Hoffmann como opção para o cargo. 

Em sabatina transmitida pela GloboNews, a pré-candidata Marina Silva (Rede) disse que não vê "incoerência nenhuma" em formar alianças que contradizem as orientações das coligações na campanha presidencial da sigla. Ainda sem vice, Marina afirmou que está dialogando com PV, de Eduardo Jorge, que em 2014 foi candidato à Presidência pela legenda. O convite para que o PV indicasse o nome do vice foi feito no sábado (28). Marina Silva e Ciro Gomes (PDT) tentam evitar o isolamento na disputa presidencial, mas as negociações com PV e PSB, respectivamente, esbarram na tendência de neutralidade das siglas. Sem aliança com outros partidos, Ciro e Marina podem ser obrigados a optar por chapas puras.

Segundo jornal Valor Econômico, Geraldo Alckmin (PSDB) descartou a possibilidade de uma chapa pura e que anunciará seu vice no prazo limite. Levy Fidelix (PRTB) estaria negociando a indicação do general Hamilton Mourão para vice de Bolsonaro. 

O CMN (Conselho Monetário Nacional) anunciou na terça-feira (31) o aumento para R$ 1,5 milhão do valor dos imóveis que poderão ser comprados através do SFH (Sistema Financeiro de Habitação) e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Antes, o valor era de R$ 950 mil. Para o BTG Pactual, o anúncio é positivo para o setor imobiliário e é uma forma de injetar mais crédito no setor de moradia, uma vez que tem sido a principal causa da baixa demanda por novas casas. As novas regras entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2019 e devem injetar cerca de R$ 80 bilhões ao crédito imobiliário.

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