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Ibovespa Futuro inicia agosto em queda com guerra comercial e de olho nos juros

Dólar segue com movimento de alta da véspera e atinge R$ 3,78

china
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Os contratos futuros do Ibovespa com vencimento em agosto recuavam 0,30%, aos 79.070 pontos, às 9h12 (horário de Brasília) desta quarta-feira (1), em um pregão marcado pela cautela por conta de mais um capítulo da guerra comercial entre EUA e China, como na expectativa pelas reuniões de política monetária do Copom (Comitê de Política Monetária) e Fed.

Segundo reportagem da Reuters, citando uma fonte da administração de Trump, os EUA planejam aplicar tarifas de 25% sobre US$ 200 bilhões de importações chinesas, de modo a pressionar para que se façam concessões comerciais. O número está bem acima dos 10% antes mencionados no começo de julho. A China prometeu retaliar se o governo Trump continuar com a ameaça de elevar tarifa de importação. "A pressão e a chantagem dos EUA não terão efeito. Se os Estados Unidos adotar novos passos, a China inevitavelmente tomará medidas e nós protegeremos nossos direitos legítimos", disse o porta-voz do primeiro-ministro chinês, Geng Shuang, em entrevista coletiva.

Por conta do clima de maior aversão ao risco, os contratos futuros de dólar com vencimento em agosto subiam 0,25%, aos R$ 3,778. Enquanto isso, os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 e 2021 operavam em ligeira alta de 2 pontos-base, aos 6,62% e 8,92%, respectivamente, na expectativa pela conclusão da reunião do Copom.

Bolsas mundiais

O aumento da tensão entre EUA e China, que derruba as commodities metálicas, assim como a expectativa pela decisão do Fomc (Federal Open Market Committee), às 15h00, favorecem o clima de cautela entre os investidores no primeiro pregão de agosto.

Os preços dos contratos futuros do petróleo também caem hoje pelo segundo dia seguido, após um novo relatório do American Petroleum Institute, apontando um aumento nos estoques americanos em 5,6 milhões de barris na última semana. A contagem supera muito as previsões de analistas, que esperavam uma redução de 2,8 milhões. Às 11h30, teremos os números oficiais dos estoques de petróleo.

Às 9h12, este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,03%

*Dow Jones Futuro (EUA) -0,13%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,24%

*DAX (Alemanha) -0,07%

*FTSE (Reino Unido) -1,00%

*CAC-40 (França) +0,07%

*FTSE MIB (Itália) -0,68%

*Hang Seng (Hong Kong) -0,85% (fechado)

*Xangai (China) -1,80% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,86% (fechado)

*Petróleo WTI -1,05%, a US$ 68,04 o barril

*Petróleo brent -1,19%, a US$ 73,33 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -2,66%, a 475,00 iuanes (nas últimas 24 horas)

*Bitcoin -3,20%, R$ 29.290 (confira a cotação da moeda em tempo real)

Copom e Fed

A super-quarta tem como destaque as reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Para o Fed, a expectativa é de que o tom do comunicado siga o cenário delineado por Jerome Powell, presidente do banco central norte-americano na sabatina com o Congresso, na semana passada. “Por ora”, a política monetária deve seguir o atual ritmo gradual de subida de juros, escorada nos dados que indicam atividade econômica em ritmo robusto de crescimento no país. Além disso, o Fed deve divulgar nova avaliação da atual condução da política monetária.

No Brasil, o Copom deve manter a Selic em 6,50% pela terceira reunião seguida, com comunicado semelhante ao anterior, que enfatizou as condicionantes a serem acompanhadas até a próxima reunião. A decisão será divulgada a partir das 18h00.

Ainda na agenda econômica, destaque para o resultado do ADP Employment de julho, que surpreendeu ao registrar a criação de 219 mil vagas de trabalho no setor privado, enquanto o mercado esperava 185 mil postos de trabalhos. O resultado acima do esperado gerou uma corrida para os Treasuries de 10 anos em vista de mais um bom sinal da economia dos EUA, que retornaram para a faixa de 3%.

Bolsonaro segue na liderança

O levantamento DataPoder360 divulgado nesta quarta-feira mostrou pouca alteração no cenário eleitoral, com o candidato à presidência pelo PSL Jair Bolsonaro seguindo na liderança no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato. Bolsonaro tem 20% das intenções de voto, mas enfrenta uma rejeição alta, de 65%. No mês passado, o deputado tinha 21% das intenções de voto, variação esta dentro da margem de erro da pesquisa. 

Geraldo Alckmin (PSDB) tinha 7% em maio, foi a 8% em junho e, em julho, foi a 9%. As mudanças são dentro da margem de erro, mas poderiam indicar uma tendência, ainda incerta, de crescimento. O tucano foi o único a ter alta numérica na intenção de voto, dentro da margem de erro.

Notícias do dia

O grande destaque dos jornais do dia fica para as incertezas do cenário eleitoral, com foco na busca por vices. O jornal O Estado de S. Paulo traz a afirmação de que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luiz Fux, considera que "um político enquadrado na Lei da Ficha Limpa não pode forçar uma situação, se registrando, para se tornar um candidato sub judice". Apesar de não citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a declaração foi dita após ser questionado sobre a estratégia do PT para a corrida presidencial.

Do lado petista, o partido fará sua convenção no sábado (4) sem indicar o candidato a vice de Lula, nome que deve ser apresentado até 15 de agosto. Uma ala do PT voltou a ventilar o nome de Gleisi Hoffmann como opção para o cargo. 

Em sabatina transmitida pela GloboNews, a pré-candidata Marina Silva (Rede) disse que não vê "incoerência nenhuma" em formar alianças que contradizem as orientações das coligações na campanha presidencial da sigla. Ainda sem vice, Marina afirmou que está dialogando com PV, de Eduardo Jorge, que em 2014 foi candidato à Presidência pela legenda. O convite para que o PV indicasse o nome do vice foi feito no sábado (28). Marina Silva e Ciro Gomes (PDT) tentam evitar o isolamento na disputa presidencial, mas as negociações com PV e PSB, respectivamente, esbarram na tendência de neutralidade das siglas. Sem aliança com outros partidos, Ciro e Marina podem ser obrigados a optar por chapas puras.

Segundo jornal Valor Econômico, Geraldo Alckmin (PSDB) descartou a possibilidade de uma chapa pura e que anunciará seu vice no prazo limite. Levy Fidelix (PRTB) estaria negociando a indicação do general Hamilton Mourão para vice de Bolsonaro. 

O CMN (Conselho Monetário Nacional) anunciou na terça-feira (31) o aumento para R$ 1,5 milhão do valor dos imóveis que poderão ser comprados através do SFH (Sistema Financeiro de Habitação) e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Antes, o valor era de R$ 950 mil. Para o BTG Pactual, o anúncio é positivo para o setor imobiliário e é uma forma de injetar mais crédito no setor de moradia, uma vez que tem sido a principal causa da baixa demanda por novas casas. As novas regras entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2019 e devem injetar cerca de R$ 80 bilhões ao crédito imobiliário.

Noticiário corporativo

A temporada de resultados corporativos segue a todo vapor, com a Arezzo divulgando seu balanço trimestral antes da abertura do mercado, reportando lucro líquido de R$ 33,1 milhões - uma queda de 15,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a BR Distribuidora, Totvs e Ultrapar apresentarão depois do fechamento. A B3 também deve revelar hoje sua prévia para a carteira teórica do Ibovespa: a equipe de análise do BTG Pactual prevê que as ações do Carrefour passem a compor o índice, enquanto que a CPFL Energia deve sair.

No radar da Embraer, um avião E190 da companhia sofreu um acidente na noite de terça-feira (31) após um pouso de emergência no Aeroporto Guadalupe Vitória, no México. O voo, operado pelo Grupo AeroMexico, levava 97 passageiros e 4 tripulantes de Durango à Cidade do México. Segundo autoridades, 85 pessoas ficaram feridas e não houve mortes.

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O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

 

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