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Ex-informante do FBI se envolve com ação que subiu 1.500%

Usando um microfone escondido, ele coletou informações que levaram à prisão de um advogado corrupto, um especulador de alta frequência que manipulava o mercado e outros trapaceiros do universo financeiro

FBI
(Shutterstock)

(Bloomberg) -- Três ações de mínima projeção nos EUA que viraram de ponta-cabeça no último mês têm algo em comum: um sujeito que já foi informante do FBI.

Os papéis de Avalon Holdings, New Concept Energy e MER Telemanagement Solutions dispararam e depois desabaram na mesma época em que a MintBroker International revelou que detinha participações nessas empresas — todas com valor de mercado inferior a US$ 30 milhões.

A MintBroker é uma corretora sediada nas Bahamas que foi fundada em 2011 por Guy Gentile, de acordo com processo judicial aberto no começo do mês. Gentile começou a atuar como informante em 2012, após o FBI acusá-lo de orquestrar dois esquemas de valorização e saída de aplicações que causaram perdas de US$ 17 milhões aos investidores.

Usando um microfone escondido, ele coletou informações que levaram à prisão de um advogado corrupto, um especulador de alta frequência que manipulava o mercado e outros trapaceiros do universo financeiro. O Departamento de Justiça dos EUA apresentou queixa contra ele em 2016, mas o caso foi arquivado porque os promotores demoraram demais. Um processo relacionado na Comissão de Valores Mobiliários EUA (SEC) também foi rejeitado porque o crime teria prescrito, mas a acusação entrou com recurso. Gentile afirma que não fez nada de errado.

A Avalon, empresa de gestão de resíduos sediada em Warren, no Estado de Ohio, passou por semanas bem interessantes. A ação fechou em US$ 2,20 na segunda-feira da semana passada, subiu por quatro pregões seguidos e encerrou em US$ 10,25 na sexta. Foi quando a participação da MintBroker foi revelada em documentos regulatórios. Na última segunda-feira, a ação chegou a US$ 36 durante as negociações antes de o mercado abrir (um ganho de 1.500 por cento em uma semana), mas desabou para menos de US$ 7 na mesma tarde.

A Avalon divulgou comunicado na segunda-feira afirmando que não é afiliada à MintBroker e “não tem informação sobre as intenções da entidade”. A empresa também avisou que seu presidente tem 67 por cento do capital votante e não planeja diminuir sua participação.

“Não se trata de um esquema de valorização e saída”, disse Gentile, que é presidente da MintBroker. “Nós tentaríamos fazer uma aquisição hostil da companhia.”

O salto da ação da New Concept Energy aconteceu há um mês. O papel da exploradora de energia com sede em Dallas teve alta de 145 por cento em 29 de junho. O fato de a MintBroker ter participação foi conhecido naquele dia, após o fechamento, e a ação avançou mais 111 por cento no pregão seguinte — e despencou após a firma de Gentile vender o que tinha.

“Havia interesse em assumir o comando da companhia para potencialmente fazer fusão reversa com minhas outras companhias”, argumentou Gentile. “Não conseguimos adquirir ações suficientes no mercado aberto a um preço razoável para a operação fazer sentido e por isso desistimos da operação.”

A ação da MER Telemanagement subiu quase 150 por cento e fechou em US$ 2,73 em 10 de julho. Dois dias depois, a MintBroker informou que havia comprado e vendido uma participação nessa empresa de telecomunicação com sede em Israel. Agora, a ação sai por menos de US$ 2,30.

Representantes de Avalon, New Concept Energy e MER Telemanagement não retornaram solicitações de comentário da reportagem. A SEC não comentou.

--Com a colaboração de Zeke Faux.

Repórteres da matéria original: Lily Katz em N York, lkatz31@bloomberg.net;Arie Shapira em N York, ashapira3@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Catherine Larkin, clarkin4@bloomberg.net, Nick Baker, Dave Liedtka

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