Em mercados / acoes-e-indices

Ibovespa Futuro sofre leve realização após disparada de 2.400 pontos; dólar reage sobre R$ 3,70

Investidores digerem os resultados de Vale, Bradesco e AmBev

trader - DAX - bolsa de Frankfurt - 02/08/12
(Alex Domanski/Reuters)

SÃO PAULO - Os contratos futuros do Ibovespa com vencimento em agosto recuavam 0,20%, aos 80.320 pontos, às 9h16 (horário de Brasília) desta quinta-feira (26), devolvem parte dos ganhos de 2.400 pontos nos últimos dois pregões, com os investidores digerindo os resultados da Vale (VALE3), Bradesco (BBDC4) e AmBev (ABEV3). Enquanto isso, o dólar se recupera da queda recente e reage ao teste de R$ 3,70.

Após o fechamento do pregão passado, a mineradora divulgou seus números do 2º trimestre, que ficaram em linha com o esperado pelo mercado. O líquido atribuído aos acionistas de US$ 76 milhões, uma alta de 375% ante o mesmo período do ano passado, quando ficou em US$ 16 milhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em US$ 3,90 bilhões. Junto com o balanço, a mineradora anunciou o pagamento de remuneração aos acionistas no valor total de R$ 7,694 bilhões, o equivale a R$ 1,48 por ação. Deste valor, R$ 6,801 bilhões serão na forma de juros sobre capital próprio e R$ 892,645 milhões na forma de dividendos. De acordo com os analistas do Itaú BBA, os resultados da mineradora foram sólidos e esperam por uma reação positiva por parte do mercado

Enquanto isso, o Bradesco divulgou lucro recorrente de R$ 5,16 bilhões, abaixo da expectativa do mercado de R$ 5,31 bilhões. Apesar do resultado aquém do esperado, parte deste por uma alíquota de imposto efetiva maior do que a projetada, os analistas destacam a qualidade dos números, em especial pelo lado do crédito, como a redução do guidance de PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) para este ano de R$ 19 - R$ 16 bilhões para R$ 16 - R$ 13 bilhões.

Por fim, os números mais surpreendentes e que mais animaram os analistas foram da AmBev, que ao longo deste ano sofreu por conta da queda de receita. O Ebitda da empresa superou em 4% a expectativa do mercado, com o crescimento acima do esperado do volume de cerveja (+1,7% a/a) e refrigerante (+1% a/a) no mercado brasileiro mesmo com a greve dos caminhoneiros. Além disso, a geração de caixa cresceu 45% frente ao segundo trimestre do ano passado. Portanto, os analistas esperam por uma reação positiva das ações neste pregão.

Do lado câmbio, os contratos futuros de dólar com vencimento em agosto se recuperam do movimento de queda dos últimos dias e subiam 0,62%, aos R$ 3,713, enquanto os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 e 2021 operavam em ligeira alta de 2 pontos-base, aos 6,64% e 8,96%, respectivamente.

Bolsas mundiais

Boas notícias para a Europa nesta quinta-feira (26), após um último pregão conturbado na expectativa da reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para discutir relações comerciais e as ameaças do republicano de impor 20% em tarifas sobre as importações de carros vindo do bloco europeu. Em um desfecho inesperado, a decisão tirada do encontro foi decididamente conciliatória.

Embora os termos do acordo continuem vagos, Trump anunciou que os EUA e a UE iniciaram uma “nova fase” em sua relação, e que devem trabalhar juntos no sentido de alcançar “zero tarifas, zero barreiras não-tarifárias e zero subsídios em produções industriais não-automobilísticas”. Também causou alívio a promessa de que os dois lados não vão implementar novas tarifas entre si enquanto tentam resolver essas questões.

Apesar dos desenvolvimentos positivos nas relações comerciais, os futuros americanos apontam para baixo hoje, com destaque ao índice tecnológico Nasdaq, que cai 0,85%. O movimento se dá, em grande parte, pela queda brutal das ações do Facebook no after-market de ontem, após a empresa apresentar seu balanço do trimestre. O ativo chegou a perder US$ 151 bilhões em valor de mercado, com papéis afundando 24% em duas horas. A Ásia também não foi contemplada pelo bom sentimento vindo da reunião entre Trump e Juncker, que deixou a impressão de que as disputas comerciais entre EUA e China seguem sem resolução. O fechamento foi no geral negativo às bolsas asiáticas, com a China ampliando as perdas do último pregão.

Já o petróleo brent ruma para terceira alta com ataques a tanques da principal exportadora da Arábia Saudita e queda de estoques nos EUA. 

Às 9h16, este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,21%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,09%

*Nasdaq Futuro (EUA) -0,89%

*DAX (Alemanha) +1,23%

*FTSE (Reino Unido) -0,02%

*CAC-40 (França) +0,43%

*FTSE MIB (Itália) +0,84%

*Hang Seng (Hong Kong) -0,48% (fechado)

*Xangai (China) -0,74% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,12% (fechado)

*Petróleo WTI -0,03%, a US$ 69,28 o barril

*Petróleo brent +0,57%, a US$ 74,33 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -0,21%, a 476 iuanes (nas últimas 24 horas)

*Bitcoin +1,63%, R$ 31.200 (confira a cotação da moeda em tempo real)

Agenda de indicadores

Entre os indicadores, a agenda doméstica conta com a Nota do Setor Externo do mês de junho a serem revelados às 10h30 pelo Banco Central. A GO Associados projeta saldo negativo de US$ 250 milhões na balança de transações correntes no mês, o equivalente a um déficit de US$ 12,5 bilhões (-0,6% do PIB) nos últimos 12 meses.

Na Europa, tivemos a reunião do BCE (Banco Central Europeu) e com o esperado a autoridade monetária manteve o juro em 0%. Agora, fica a expectativa pela entrevista do presidente da autoridade, Mario Draghi, que deve confirmar seu discurso de junho, quando anunciou a possibilidade de um aumento na taxa de juros no ano que vem e o fim do programa de estímulos a partir de dezembro. Nos EUA, serão divulgados os dados de estoque do atacado de junho e pedidos de bens duráveis às 9h30, mesmo horário da divulgação dos pedidos de auxílio-desemprego. 

Apoio do Centrão a Alckmin

Os partidos do chamado "Centrão" convocaram a imprensa para anunciar nesta quinta a aliança para as Eleições de 2018. O anúncio ocorrerá às 10h em Brasília e os presidentes do PP, PR, PRB, DEM e SD participarão do evento. Os presidentes dos partidos do grupo estiveram reunidos ontem à noite para decidir os termos da aliança com lideranças do PSDB.

Ainda sobre o noticiário eleitoral, o Valor Econômico informa que a pré-candidata à presidência pela Rede, Marina Silva, negocia com PV, Pros e PHS antes de definir vice da chapa. Já a Folha afirma que a ex-senadora mantém conversas com o candidato do PDT, Ciro Gomes, mas é pouco provável a formação de uma aliança. 

Em entrevista também à Folha na véspera do Centrão oficializar o apoio a Alckmin, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o PSDB não será hegemônico e que os tucanos terão de ceder mais espaço na aliança. "Não é uma eleição do Geraldo, do PSDB. É uma eleição do Geraldo em cima de um programa claro", afirmou à Folha. "O PSDB vai precisar entender que outras forças hoje têm poder maior do que tinham quando o PSDB foi governo e oposição", completa. Ele negou que o bloco tenha discutido distribuição de cargos em um eventual governo do PSDB, mas avisa que o tucano precisará "saber dividir os espaços de poder".

Enquanto isso, sem conseguir costurar alianças, o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) vai apostar numa espécie de “horário eleitoral do B” para tentar driblar o pouco tempo de que irá dispor de propaganda gratuita neste ano, destaca a Folha. O plano de seus estrategistas é o de colocá-lo para falar em redes sociais no mesmo horário dos dois blocos de 25 minutos diários de propaganda gratuita. Ele poderá fazer entradas ao vivo ou gravadas. 

Clear oferece a menor corretagem do Brasil; Clique aqui e abra sua conta

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

 

Contato