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Cielo sobe 3% com mercado digerindo saída de CEO; Embraer desaba 9% e RD salta 11% na semana

Confira os destaques da B3 na sessão desta sexta-feira (13)

Cielo 01 - Fachada empresa
(Divulgação Cielo)

SÃO PAULO - Na terceira semana seguida de ganhos para o Ibovespa, que desta vez avançou 2,11% nestes quatro pregões, a Embraer (EMBR3) ficou pela segunda vez com o pior desempenho semanal, recuando 8,87%, seguindo sua derrocada após a confirmação do acordo de união com a Boeing.

No total, 7 das 64 ações do índice registraram perdas de mais de 3%, enquanto 11 papéis acumularam ganhos de mais de 5% nos últimos quatro pregões. Na ponta positiva, destaque para a RD (RADL3), que voltou a liderar os ganhos no pregão desta sexta-feira (13) e fechou a semana como a melhor ação do Ibovespa, avançando 10,95%.

Confira os principais destaques da B3 nesta sexta:

Cielo (CIEL3)

A Cielo chegou a cair 7,8% no início da sessão, com a notícia da saída do CEO da empresa, Eduardo Gouveia, mas virou para alta durante a tarde conforme o mercado digeria a informação de que a renúncia se deu apenas por motivos de saúde. Para os analistas do BTG Pactual foi a confirmação de que não houve nenhum outro motivo para a saída que ajudou na recuperação do papel.

Em teleconferência, a companhia falou sobre a transição de comando, com o CFO assumindo interinamente uma lista de candidatos que ainda será analisada e avaliada. A companhia terá 2 meses para anunciar um novo CEO.

Gouveia ficou por um ano e meio no cargo, e decidiu sair alegando questões de foro pessoal e familiar. “Minha passagem pela Cielo foi, certamente, uma das mais ricas de minha vida, no aspecto tanto profissional quanto pessoal. Sair foi a decisão mais difícil que já tomei. Demandou muito tempo e muita reflexão”, afirma na carta de renúncia. E conclui: “Saio com sentimento de missão cumprida por ter dado passos firmes na direção correta.”

“Os conselheiros manifestaram os votos de agradecimento pelo empenho, dedicação e enorme contribuição do Sr. Eduardo Campozana Gouveia, que atuará no processo de transição até sua saída no mês de agosto”, diz o fato relevante assinado pelo Presidente do Conselho Marcelo de Araújo Noronha.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

A Eletrobras chegou a cair muito forte no início do pregão, mas também amenizou as perdas. A companhia divulgou na noite desta quinta-feira comunicado no qual informa estar avaliando o alcance e os impactos das decisões proferidas pela Justiça sobre o processo de privatização das distribuidoras hoje controladas pela estatal. A companhia diz ainda que tomará todas as medidas necessárias para dar continuidade às vendas.

Ontem, a Justiça Federal no Rio de Janeiro suspendeu o leilão das seis distribuidoras da Eletrobras, marcado para o dia 26 de julho. Em seu despacho, a juíza Maria do Carmo Freitas Ribeiro citou a liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, que proibiu a privatização de empresas públicas, sociedades de economia mista, subsidiárias e controladas sem aval do Congresso no dia 27 de junho.

Após essa decisão, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) decidiu suspender "sine die" o edital do leilão de privatização das distribuidoras. A Advocacia-Geral da União (AGU) vai recorrer da decisão.

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Além da decisão da Justiça Federal no Rio de Janeiro, a Justiça Federal no Piauí concedeu uma liminar que suspende os efeitos de uma assembleia que aprovou a privatização da Cepisa, distribuidora da Eletrobras que atua no Estado. Como a assembleia é condição necessária para a realização do leilão da empresa, a decisão, consequentemente, suspende também a realização da licitação.

A ação foi impetrada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado do Piauí e foi julgada hoje (12) pelo juiz Márcio Braga Magalhães. Nessa ação, o sindicato levantou dúvidas sobre a presença do representante da Eletrobras na assembleia. Sobre esse processo, a Eletrobras afirma que foi representada na AGE da Cepisa.

" Vemos as notícias como negativas para a Eletrobras, podendo inviabilizar a ocorrência do leilão de suas distribuidoras no curto e médio prazo. Se este for o caso, pode não restar alternativa à estatal senão liquidar as empresas, que pode gerar um ônus de cerca de R$ 22 bilhões à companhia", destaca a equipe de análise da XP Investimentos.

Embraer (EMBR3)

O presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, se reuniu hoje com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região para discutir o acordo da empresa com a Boeing. Os sindicatos já têm se posicionado como contrários à joint venture entre as duas empresas, chamando por um veto do governo.

Em comunicado após o encontro, o sindicato disse que vai pressionar o governo federal a vetar o negócio, já que o acordo vai beneficiar exclusivamente a Boeing. Já o presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, afirmou na quinta-feira que a Embraer "não deve valer muita coisa" em alguns anos sem a Boeing, e ressaltou a importância do acordo à sobrevivência da companhia.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras ficou perto da estabilidade em uma sessão também de estabilidade para o petróleo. Mas vale ficar de olho no radar da companhia: em entrevista ao Valor Econômico, o presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, que está há pouco mais de um mês no cargo defendeu a adoção de mecanismo que suavize as flutuações nos preços dos combustíveis.

Dentre as hipóteses, um imposto que aumentaria automaticamente quando o preço estivesse baixo ou diminuiria na hipótese contrária. Isso evitaria reajustes elevados e abruptos, como os que ocorreram nos últimos meses devido à alta do petróleo no mercado internacional.

Uma outra possibilidade seria a criação de um fundo de estabilização: "No Chile, quando o preço do cobre está muito alto, eles utilizam uma espécie de fundo de estabilização. Quando o preço está mais baixo, usam o dinheiro desse fundo para que a atividade econômica como um todo tenha uma certa estabilidade", disse Monteiro. "Outros mecanismos no mundo tratam disso via tributos. Isso amortece os efeitos que incomodam o consumidor", afirmou. 

Pão de Açúcar (PCAR4)

As vendas do Grupo Pão de Açúcar no segmento alimentar no segundo trimestre somaram R$ 12,8 bilhões, em receita bruta, o que representa um aumento de 9,9% ante o mesmo período de 2017. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, 13, ao mercado, a companhia informa também o dado de vendas brutas “mesmas lojas” (abertas há mais de um ano) e no critério “ex-calendário”, que cresceram 5,1% sobre o segundo trimestre do ano passado. No período de maio a junho deste ano, o efeito calendário foi de 1,4 ponto porcentual negativo para o GPA Alimentar.

A receita líquida atingiu R$ 11,775 bilhões, alta total de 10,4% e de 5,4% no critério mesmas lojas ex-calendário.

A empresa destaca que o negócio multivarejo – que inclui as redes de super e hipermercados Extra e Pão de Açúcar, além dos mercados de vizinhança – teve aumento de 1,0 ponto porcentual de market share, conforme dados da Nielsen nos meses de abril e maio.

“O portfólio multicanal, multiformato e o alto nível de comprometimento do time possibilitaram mitigar os impactos da greve dos caminhoneiros, permitindo a confirmação dos guidances de 2018”, afirma a administração no relatório de vendas do segundo trimestre.

Por segmento, o multivarejo teve vendas brutas de R$ 7,030 bilhões, crescimento total de 1,2%, e líquidas de R$ 6,497 bilhões, 1,7% acima do segundo trimestre de 2017. Já no critério mesmas lojas ex-calendário, os porcentuais são, respectivamente de 5,3% e 5,8%. No Assaí, rede de atacarejo, a receita bruta atingiu R$ 5,742 bilhões, alta de 22,8% sobre o segundo trimestre de 2017, e 4,7% em mesmas lojas ex-calendário. A receita líquida foi de R$ 5,278 bilhões, o que representa crescimento respectivamente de 23,5% e 4,7%.

No segundo trimestre foram abertas três lojas Assaí, uma delas por conversão de Extra Hiper, de modo que a bandeira encerrou o período com 130 lojas.

"Os dados de vendas mostraram um melhor resultado do que o esperado, impulsionado pela recuperação de sua divisão multivarejo. Como resultado, o GPA apresentou o crescimento mais alto desde o quarto trimestre de 2016, 10,4% acima do mesmo período do ano anterior, o que faz sentido, já que no segundo trimestre de 2018 a empresa teve um impacto negativo no calendário do feriado de Páscoa de 2018, fazendo com que as vendas ocorressem no primeiro trimestre", destaca o Brasil Plural.

Os analistas do banco reiteram ainda o GPA como a opção favorita para investir no setor de varejo de alimentos no Brasil, pois acreditam que seus resultados devem superar os de seu rival francês Carrefour (CRFB3).

Vale (VALE3) e siderúrgicas

As ações das siderúrgicas brasileiras subiram ontem entre 5% e 10%, com destaque para Usiminas (USIM5) em cima de potenciais aumentos de preço. "Para aços planos, as usinas buscam um aumento de 10%, após terem tentado 10% em Junho, dos quais somente um terço foi implementado com sucesso – isto é positivo para a Usiminas e CSN (CSNA3).

Para aços longos, as siderúrgicas buscam aumento de 6% desde junho, mas tem encontrado dificuldade por conta de estoque ainda elevado. Vemos alta probabilidade de ambos aumentos serem implementados com sucesso em julho e agosto, a medida que os preços domésticos estão a desconto do importado", ressalta a XP. 

Leia mais:
- Disparada de 9% pode ser só o começo da recuperação da Usiminas, diz Credit Suisse
Vale deve pagar dividendo histórico de 10%, calcula analista da XP

MRV (MRVE3)

Divulgando sua prévia operacional para o segundo trimestre de 2018, a construtora MRV reportou um aumento de 5,4% nas vendas contratadas em comparação ao mesmo período no ano passado, chegando a R$ 1,53 bilhão. Já os lançamentos da empresa tiveram um salto de 28%, somando R$ 1,7 bilhão, enquanto a geração de caixa ficou positiva nos R$ 98 milhões.

Para a análise do Credit Suisse, os resultados são positivos, mas não muito impressionantes. O ponto principal foi o aumento nos lançamentos, que no entanto já era esperado devido ao baixo nível apresentado no primeiro trimestre. O banco afirma que a MRV ainda precisa ampliar seus lançamentos a R$ 2,2 bilhões por trimestre se quiser atingir a meta interna de 50 mil casas no ano.

EzTec (EZTC3)

A EZTec divulgou sua prévia operacional para o segundo trimestre de 2018, registrando vendas líquidas em R$ 79,7 milhões, uma queda em comparação aos R$ 121 milhões do primeiro trimestre do ano. A construtora não lançou nenhum novo projeto neste trimestre, adquirindo no entanto adicionais 5% no empreendimento “Jardins do Brasil”, o que agregou R$ 23,8 milhões ao saldo de lançamentos no trimestre. A empresa ressaltou que a greve dos caminhoneiros teve um impacto sensível sobre as vendas.

Nas análises do BTG Pactual e do Bradesco BBI, os resultados são fracos, com a principal decepção sendo a falta de lançamentos: “sem lançamentos, sem vendas”, aponta a equipe do Bradesco BBI. No entanto, o desempenho não foi de todo inesperado, levando ambos bancos a reiterar a classificação “neutra” para a empresa.

Braskem (BRKM5)

A Braskem informou, esclarecendo notícia divulgada no jornal Valor Econômico de que o acordo para venda da participação da Odebrecht à LyondellBasell deve ser assinado até outubro, não há previsão de data ainda para a conclusão das negociações entre as duas empresas.

Energisa (ENGI11)

A Energisa foi iniciada com recomendação 'outperform' pelo Credit Suisse, com preço-alvo de R$ 35,75. 

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