Cielo desaba até 7% após CEO renunciar, mas ameniza; Eletrobras cai forte com leilão suspenso

Confira os destaques da B3 na sessão desta sexta-feira (13)

Cielo (CIEL3)

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A Cielo chegou a cair 7,8% no início da sessão, mas amenizou as perdas e depois virou para ganhos com o mercado digerindo a saída do CEO. A companhia informou que o diretor presidente Eduardo Gouveia apresentou nesta sexta carta de renúncia, a qual foi aceita pelo Conselho de Administração, que então indicou como interino Clovis Poggetti, vice-presidente executivo de finanças e Diretor de Relações com Investidores.

Gouveia ficou por um ano e meio no cargo, e decidiu sair alegando questões de foro pessoal e familiar. “Minha passagem pela Cielo foi, certamente, uma das mais ricas de minha vida, no aspecto tanto profissional quanto pessoal. Sair foi a decisão mais difícil que já tomei. Demandou muito tempo e muita reflexão”, afirma na carta de renúncia. E conclui: “Saio com sentimento de missão cumprida por ter dado passos firmes na direção correta.”

“Os conselheiros manifestaram os votos de agradecimento pelo empenho, dedicação e enorme contribuição do Sr. Eduardo Campozana Gouveia, que atuará no processo de transição até sua saída no mês de agosto”, diz o fato relevante assinado pelo Presidente do Conselho Marcelo de Araújo Noronha.

Cielo/Noronha: Expectativa é nomear novo CEO em 60 dias
2018-07-13 14:53:16.46 GMT

Em entrevista à Bloomberg, o presidente do conselho de administração, Marcelo Noronha, reafirmou que a decisão de Gouveia de deixar a presidência da empresa foi tomada por motivos de saúde e não tem relação com momento da companhia ou com insatisfação dos acionistas. Noronha afirmou que vai estar mais presente no dia a dia da
Cielo enquanto novo CEO não for nomeado; terá número maior de encontros com a empresa. Segundo ele, houve insistência para que Gouveia ficasse no cargo.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

A Eletrobras chegou a cair muito forte no início do pregão, mas também amenizou as perdas. A companhia divulgou na noite desta quinta-feira comunicado no qual informa estar avaliando o alcance e os impactos das decisões proferidas pela Justiça sobre o processo de privatização das distribuidoras hoje controladas pela estatal. A companhia diz ainda que tomará todas as medidas necessárias para dar continuidade às vendas.

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Ontem, a Justiça Federal no Rio de Janeiro suspendeu o leilão das seis distribuidoras da Eletrobras, marcado para o dia 26 de julho. Em seu despacho, a juíza Maria do Carmo Freitas Ribeiro citou a liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, que proibiu a privatização de empresas públicas, sociedades de economia mista, subsidiárias e controladas sem aval do Congresso no dia 27 de junho.

Após essa decisão, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) decidiu suspender “sine die” o edital do leilão de privatização das distribuidoras. A Advocacia-Geral da União (AGU) vai recorrer da decisão.

Além da decisão da Justiça Federal no Rio de Janeiro, a Justiça Federal no Piauí concedeu uma liminar que suspende os efeitos de uma assembleia que aprovou a privatização da Cepisa, distribuidora da Eletrobras que atua no Estado. Como a assembleia é condição necessária para a realização do leilão da empresa, a decisão, consequentemente, suspende também a realização da licitação.

A ação foi impetrada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado do Piauí e foi julgada hoje (12) pelo juiz Márcio Braga Magalhães. Nessa ação, o sindicato levantou dúvidas sobre a presença do representante da Eletrobras na assembleia. Sobre esse processo, a Eletrobras afirma que foi representada na AGE da Cepisa.

” Vemos as notícias como negativas para a Eletrobras, podendo inviabilizar a ocorrência do leilão de suas distribuidoras no curto e médio prazo. Se este for o caso, pode não restar alternativa à estatal senão liquidar as empresas, que pode gerar um ônus de cerca de R$ 22 bilhões à companhia”, destaca a equipe de análise da XP Investimentos. 

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras fica perto da estabilidade em uma sessão também de estabilidade para o petróleo. Mas vale ficar de olho no radar da companhia: em entrevista ao Valor Econômico, o presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, que está há pouco mais de um mês no cargo defendeu a adoção de mecanismo que suavize as flutuações nos preços dos combustíveis. Dentre as hipóteses, um imposto que aumentaria automaticamente quando o preço estivesse baixo ou diminuiria na hipótese contrária. Isso evitaria reajustes elevados e abruptos, como os que ocorreram nos últimos meses devido à alta do petróleo no mercado internacional.

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Uma outra possibilidade seria a criação de um fundo de estabilização: “No Chile, quando o preço do cobre está muito alto, eles utilizam uma espécie de fundo de estabilização. Quando o preço está mais baixo, usam o dinheiro desse fundo para que a atividade econômica como um todo tenha uma certa estabilidade”, disse Monteiro. “Outros mecanismos no mundo tratam disso via tributos. Isso amortece os efeitos que incomodam o consumidor”, afirmou. 

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Pão de Açúcar (PCAR4)

As vendas do Grupo Pão de Açúcar no segmento alimentar no segundo trimestre somaram R$ 12,8 bilhões, em receita bruta, o que representa um aumento de 9,9% ante o mesmo período de 2017. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, 13, ao mercado, a companhia informa também o dado de vendas brutas “mesmas lojas” (abertas há mais de um ano) e no critério “ex-calendário”, que cresceram 5,1% sobre o segundo trimestre do ano passado. No período de maio a junho deste ano, o efeito calendário foi de 1,4 ponto porcentual negativo para o GPA Alimentar.

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A receita líquida atingiu R$ 11,775 bilhões, alta total de 10,4% e de 5,4% no critério mesmas lojas ex-calendário.

A empresa destaca que o negócio multivarejo – que inclui as redes de super e hipermercados Extra e Pão de Açúcar, além dos mercados de vizinhança – teve aumento de 1,0 ponto porcentual de market share, conforme dados da Nielsen nos meses de abril e maio.

“O portfólio multicanal, multiformato e o alto nível de comprometimento do time possibilitaram mitigar os impactos da greve dos caminhoneiros, permitindo a confirmação dos guidances de 2018”, afirma a administração no relatório de vendas do segundo trimestre.

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Por segmento, o multivarejo teve vendas brutas de R$ 7,030 bilhões, crescimento total de 1,2%, e líquidas de R$ 6,497 bilhões, 1,7% acima do segundo trimestre de 2017. Já no critério mesmas lojas ex-calendário, os porcentuais são, respectivamente de 5,3% e 5,8%. No Assaí, rede de atacarejo, a receita bruta atingiu R$ 5,742 bilhões, alta de 22,8% sobre o segundo trimestre de 2017, e 4,7% em mesmas lojas ex-calendário. A receita líquida foi de R$ 5,278 bilhões, o que representa crescimento respectivamente de 23,5% e 4,7%.

No segundo trimestre foram abertas três lojas Assaí, uma delas por conversão de Extra Hiper, de modo que a bandeira encerrou o período com 130 lojas.

“Os dados de vendas mostraram um melhor resultado do que o esperado, impulsionado pela recuperação de sua divisão multivarejo. Como resultado, o GPA apresentou o crescimento mais alto desde o quarto trimestre de 2016, 10,4% acima do mesmo período do ano anterior, o que faz sentido, já que no segundo trimestre de 2018 a empresa teve um impacto negativo no calendário do feriado de Páscoa de 2018, fazendo com que as vendas ocorressem no primeiro trimestre”, destaca o Brasil Plural. Os analistas do banco reiteram ainda o GPA como a opção favorita para investir no setor de varejo de alimentos no Brasil, pois acreditam que seus resultados devem superar os de seu rival francês Carrefour (CRFB3).

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Vale (VALE3) e siderúrgicas

As ações das siderúrgicas brasileiras subiram ontem entre 5% e 10%, com destaque para Usiminas (USIM5) em cima de potenciais aumentos de preço. “Para aços planos, as usinas buscam um aumento de 10%, após terem tentado 10% em Junho, dos quais somente um terço foi implementado com sucesso – isto é positivo para a Usiminas e CSN (CSNA3). Para aços longos, as siderúrgicas buscam aumento de 6% desde junho, mas tem encontrado dificuldade por conta de estoque ainda elevado. Vemos alta probabilidade de ambos aumentos serem implementados com sucesso em julho e agosto, a medida que os preços domésticos estão a desconto do importado”, ressalta a XP. 

Já as ações da Vale operam próximas à estabilidade, em um dia de leve queda para o minério de ferro. 

Leia mais:
– Disparada de 9% pode ser só o começo da recuperação da Usiminas, diz Credit Suisse
– Vale deve pagar dividendo histórico de 10%, calcula analista da XP

MRV (MRVE3)

Divulgando sua prévia operacional para o segundo trimestre de 2018, a construtora MRV reportou um aumento de 5,4% nas vendas contratadas em comparação ao mesmo período no ano passado, chegando a R$ 1,53 bilhão. Já os lançamentos da empresa tiveram um salto de 28%, somando R$ 1,7 bilhão, enquanto a geração de caixa ficou positiva nos R$ 98 milhões.

Para a análise do Credit Suisse, os resultados são positivos, mas não muito impressionantes. O ponto principal foi o aumento nos lançamentos, que no entanto já era esperado devido ao baixo nível apresentado no primeiro trimestre. O banco afirma que a MRV ainda precisa ampliar seus lançamentos a R$ 2,2 bilhões por trimestre se quiser atingir a meta interna de 50 mil casas no ano.

EzTec (EZTC3)

A EZTec divulgou sua prévia operacional para o segundo trimestre de 2018, registrando vendas líquidas em R$ 79,7 milhões, uma queda em comparação aos R$ 121 milhões do primeiro trimestre do ano. A construtora não lançou nenhum novo projeto neste trimestre, adquirindo no entanto adicionais 5% no empreendimento “Jardins do Brasil”, o que agregou R$ 23,8 milhões ao saldo de lançamentos no trimestre. A empresa ressaltou que a greve dos caminhoneiros teve um impacto sensível sobre as vendas.

Nas análises do BTG Pactual e do Bradesco BBI, os resultados são fracos, com a principal decepção sendo a falta de lançamentos: “sem lançamentos, sem vendas”, aponta a equipe do Bradesco BBI. No entanto, o desempenho não foi de todo inesperado, levando ambos bancos a reiterar a classificação “neutra” para a empresa.

Braskem (BRKM5)

A Braskem informou, esclarecendo notícia divulgada no jornal Valor Econômico de que o acordo para venda da participação da Odebrecht à LyondellBasell deve ser assinado até outubro, não há previsão de data ainda para a conclusão das negociações entre as duas empresas.

Embraer (EMBR3)

O presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, deve se reunir hoje às 9h30 com o Sindicato dos Metalúrgicos para discutir o acordo da empresa com a Boeing. Os sindicatos já têm se posicionado como contrários à joint venture entre as duas empresas, chamando por um veto do governo.

Já o presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, afirmou na quinta-feira que a Embraer “não deve valer muita coisa” em alguns anos sem a Boeing, e ressaltou a importância do acordo à sobrevivência da companhia.

Energisa (ENGI11)

A Energisa foi iniciada com recomendação ‘outperform’ pelo Credit Suisse, com preço-alvo de R$ 35,75. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.