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Dólar tem novo dia de forte queda e vai a R$ 3,80; Ibovespa fecha em leve baixa de 0,2%

Investidores também seguem de olho em todo imbróglio político gerado pela tentativa de soltura de Lula no último domingo

SÃO PAULO - Após chegar a subir 1,18% na máxima do dia, refletindo o bom desempenho dos ADRs (American Depositary Receipt) na última segunda-feira, quando a B3 esteve fechada, o Ibovespa fechou em queda de 0,2%, a 74.862 pontos. Blue chips, como Petrobras (PETR3;PETR4) e bancos perderam força durante a tarde, enquanto os papéis da Vale (VALE3) viraram para queda de cerca de 1%, em meio à baixa do dólar, uma vez que a companhia é exportadora, assim como a Suzano (SUZB3), que também teve fortes perdas. O volume financeiro da bolsa foi de R$ 10,73 bilhões. 

Ontem, em dia sem atividades na bolsa brasileira por conta do feriado de Revolução Constitucionalista de 1932 no estado de São Paulo, o índice Dow Jones Brazil Titans, que reúne os principais ADRs de empresas brasileiras, subiu 1,17% na véspera, atingindo 19.472 pontos. O destaque ficou para os ativos PBR da Petrobras, que registraram alta de 2,5% e fecharam a US$ 10,69, enquanto a BRF, por sua vez, avançou 4,4%, após o Barclays elevar sua recomendação para os ativos da companhia (clique aqui e veja mais detalhes do movimento do mercado no feriado). Contudo, durante o pregão, o movimento perdeu força. 

"O mercado está sem força para sustentar viés de alta e romper os 75.000 pontos sem investidores querendo apostar no curto prazo", disse Ari Santos, gerente de mesa Bovespa da H. Commcor, à Bloomberg. 

Já o dólar aprofundou as perdas, seguindo cenário positivo no exterior para moedas emergentes e também em um movimento de ajuste após o feriado. A divida fechou em baixa de 1,74%, a R$ 3,7975 na venda. Contudo, conforme aponta o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, o dólar segue em forte tendência de alta e uma correção para R$ 3,78 oferecerá uma compra, tendo como alvo final a faixa de R$ 4,00 (veja mais clicando aqui). 

Já no mercado de juros futuros, os contratos com vencimento em janeiro de 2019 e 2021 fecharam em queda de 0,07 ponto percentual e 0,18 p.p., cotados a 6,79% e 9,10%, respectivamente.

Apesar do dia tranquilo do mercado, os investidores ficam de olho no desenrolar dos acontecimentos políticos após a batalha judicial do domingo pela tentativa de soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com estrategistas, o imbróglio envolvendo Lula não mudou o cenário precificado no mercado, com os investidores preficando o cenário de que Lula não poderá concorrer. Contudo, vale ficar atento: segundo os jornais de hoje, o PT se vê como vencedor do imbróglio de domingo, que reforçaria a narrativa de que o petista é perseguido pela Justiça. Com a disputa eleitoral esquentando a cada dia, é necessário monitorar quais são os impactos na disputa de outubro.

Nesta tarde, a ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Laurita Vaz negou novo habeas corpus ao ex-presidente, enquanto o corregedor nacional de Justiça, ministro João Otávio de Noronha, decidiu hoje (10) abrir os 10 pedidos preliminares de investigação que chegaram ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contra os desembargadores Rogério Favreto, João Pedro Gebran Neto e o juiz federal Sérgio Moro.

Altas e baixas

A CVC, que caiu forte na última sexta-feira após dados operacionais abaixo do esperado pelo mercado, volta a ter um dia de forte baixa nesta sessão terça-feira, assim como a Suzano, que tem queda em um novo dia de baixa do dólar.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON 43,31 -5,11 +132,85 211,38M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 75,90 -3,69 -2,96 104,88M
 CVCB3 CVC BRASIL ON 40,15 -3,23 -15,96 119,82M
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 118,05 -3,00 +47,56 235,64M
 ELET3 ELETROBRAS ON 14,13 -2,75 -26,94 32,85M

Já entre as maiores altas, Braskem é o destaque,  com a notícia do Valor de que o acordo para  venda da participação da Odebrecht nas ações da empresa para a LyondellBasell deve ser assinado em outubro. 

Conforme informa o jornal, na avaliação de analistas que acompanham a indústria petroquímica, a Braskem sozinha tem valor justo na casa de R$ 60 por ação. A esse preço devem ser acrescidos o prêmio de controle - que será pago a todos os acionistas que aderirem à oferta, inclusive a Petrobras - e as sinergias. Ao somar a esse valor um prêmio de 20% a 25%, considerado razoável frente ao histórico de transações no setor, chega-se a um preço potencial de mais de R$ 70 por ação. Com isso, a empresa seria avaliada em R$ 55 bilhões, sendo mais de R$ 21 bilhões pela parte da Odebrecht. A Braskem é uma das ações da Carteira InfoMoney de julho. Veja o portfólio completo clicando aqui. 

 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRKM5 BRASKEM PNA 52,63 +6,58 +28,06 144,91M
 JBSS3 JBS ON 9,84 +5,35 +0,84 88,69M
 CIEL3 CIELO ON EJ 16,81 +5,33 -26,78 101,16M
 WEGE3 WEG ON EJ 17,00 +4,04 -7,58 52,00M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 8,10 +3,18 -31,58 25,00M
* - Lote de mil a??es
1 - Em reais (K - Mil | M - Milh?o | B - Bilh?o)



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Agenda da semana

A agenda econômica desta terça-feira é fraca, com destaque para os dados de preços ao produtor de junho e de pedidos de máquinas de maio do Japão, a serem revelados às 20h50. 

Na semana, o principal dado doméstico será a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio) de maio, que segundo a GO Associados deve ter queda de 1,6% no conceito restrito (não inclui automóveis e materiais de construção) e de 4,1% no conceito ampliado. O dado será divulgado pelo IBGE na quinta-feira às 9h. Na sexta-feira, serão divulgados os dados de serviço. 

Nos EUA, o mercado avalia os dados de inflação ao consumidor na quinta-feira às 9h30, em busca de qualquer sinal de aumento acima do previsto da inflação, que poderia ampliar as apostas em alta dos juros. A estimativa mediana para o CPI anual aponta leve aceleração de 2,8% para 2,9% em junho. O Federal Reserve, por sua vez, divulgará relatório de política monetária no dia 13, que precederá fala de Jerome Powell no Congresso na semana seguinte. 

Caso Lula e mais noticiário político

Apesar dos ADRs não mostrarem um grande impacto, o caos gerado no último domingo com a batalha sobre a soltura ou não de Lula voltou a ligar o alerta sobre a política doméstica. Na manhã do dia 8 de julho, o desembargador de plantão no TRF-4, Rogério Favreto, que foi filiado ao PT por quase 20 anos, acatou um pedido de habeas corpus e mandou soltar Lula, pegando todo o Brasil de surpresa e criando uma disputa jurídica que durou o dia inteiro.

Após esta primeira decisão, o juiz Sérgio Moro se negou a cumprir a liminar dizendo que Favreto, na condição de plantonista do Tribunal, não poderia ter tomado a decisão. Com isso, ele encaminhou o caso para o relator do TRF-4, João Pedro Gebran Neto, que mandou o ex-presidente permanecer preso. Isso não foi suficiente para Favreto, que reiterou sua decisão de soltar o ex-presidente, estipulando um prazo que durou até 17h12 de domingo. Porém, nada ocorreu até este horário, sendo que cerca de uma hora depois, o presidente do Tribunal, Carlos Eduardo Thompson Flores, deu decisão contra a soltura, colocando um ponto final na disputa.

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Conforme destaca o Estadão, o PT faz ofensiva contra prisão de Lula e deputado afirma que vai recorrer ao STF contra decisão do TRF4 de revogar libertação. Líderes partidários ouvidos pelo Estado veem aumento da chance de Lula ser libertado; há a possibilidade de o ministro Dias Toffoli, vice do STF, analisar o caso, dado que a presidente Cármen Lúcia deve assumir a presidência em três ocasiões neste mês, em viagens de Temer.

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