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Os dois fatores que pressionam o Ibovespa e levam o dólar para R$ 3,91

Aumento dos temores da guerra comercial e fraco desempenho da indústria chinesa pressionam o mercado

trader bolsa de Nova York - NYSE - Wall Street
(Brendan McDermid/Reuters)

SÃO PAULO - O Ibovespa inicia julho em queda, mas amenizando as perdas em relação ao início da sessão. O índice registrava baixa de 0,56%, aos 72.356 pontos, às 11h46 (horário de Brasília) desta segunda-feira (2), acompanhando o mau humor do mercado internacional com os temores de guerra comercial voltando a se intensificar e com o fraco desempenho da produção industrial chinesa, duas notícias que pressionam as commodities. Mais cedo, contudo, o benchmark da bolsa chegou a ter baixa de 1,14%, a 71.934 pontos; o grande destaque desta sessão fica para os papéis da BRF, que saltam mais de 15% em meio à reestruturação bilionária anunciada na sexta-feira (confira mais clicando aqui). 

No radar internacional, em entrevista ao canal de televisão norte-americano Fox News, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou atacar a UE (União Europeia) e os acordos comerciais feitos até então com o bloco. Segundo o presidente, a UE é "possivelmente tão má como a China" na sua relação comercial com os Estados Unidos, mais uma vez chamando atenção para o setor automobilístico: “veja o exemplo dos carros. Eles mandam os Mercedes deles para cá e nós não podemos mandar para lá os nossos carros”, criticou.

Ainda na entrevista, Trump acusou a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) de manipular o mercado, em linha com as críticas feitas no próprio sábado (30), quando postou através de sua conta oficial do Twitter que o rei da Arábia Saudita, Salman, concordou com seu pedido para aumentar a produção de petróleo em "talvez até 2 milhões barris" para compensar a produção do Irã e da Venezuela. Essa declaração faz com que a commodity recue cerca de 0,6% em NY e Londres.

Para contribuir ao clima de maior aversão ao risco, os últimos dados de atividade industrial da China mostraram que a expansão do setor perdeu força no mês passado, levando a um recuo das commodities metálicas. O PMI (Purchasing Managers Index) oficial da indústria chinesa caiu de 51,9 para 51,5 na passagem de maio para junho, enquanto medida similar da IHS Markit e da Caixin Media recuou de 51,1 para 51 no mesmo período. Apesar da queda, os números ficaram praticamente em linha com o esperado pelo mercado.

Diante de tanta turbulência, os contratos futuros de dólar com vencimento em agosto registravam alta de 0,72%, aos R$ 3,917. Para frear a disparada da moeda, o BC anunciou na sexta-feira (29) plano de rolar integralmente os US$ 14 bilhões de swaps que vencem em 1º de agosto e de fazer leilões de swap cambial e de linha nas próximas semanas, sempre que necessário. Nesta segunda, a autoridade monetária irá fazer um leilão de até 14.000 contratos de swaps às 10h40.

Destaques do mercado

Entre os destaques negativos, além das ações ligadas as commodities, os papéis da Localiza e CVC corrigem os ganhos da última semana, enquanto do lado positivo as atenções ficam por conta dos ativos da BRF, que disparam com o plano de reestruturação anunciado na última sexta-feira (29).

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 25,79 -4,13 +25,80 7,34M
 RENT3 LOCALIZA ON EJ 22,89 -3,54 +4,00 15,51M
 MULT3 MULTIPLAN ON EJ N2 55,21 -3,14 -21,37 21,47M
 VVAR11 VIAVAREJO UNT N2 18,05 -3,01 -26,15 6,73M
 FLRY3 FLEURY ON 25,66 -2,99 -10,93 6,77M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRFS3 BRF SA ON 20,73 +15,17 -43,36 216,22M
 ELET3 ELETROBRAS ON 12,54 +2,87 -35,16 18,99M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 13,83 +2,07 -39,07 11,00M
 KROT3 KROTON ON 9,48 +1,72 -47,62 12,69M
 NATU3 NATURA ON 30,74 +1,55 -6,11 7,33M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)



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Agenda econômica da semana

Após a alta de 2,4% do dólar na semana passada, o Banco Central anunciou na sexta-feira plano de rolar integralmente os US$ 14 bilhões de swaps que vencem em 1 de agosto e de fazer leilões de swap cambial e de linha nas próximas semanas, sempre que necessário. Nesta segunda, o BC faz leilão de até 14.000 contratos de swap de 1 de agosto; a autoridade monetária reafirma que não vê restrições para que o estoque de swaps cambiais exceda consideravelmente os volumes máximos atingidos no passado.

Já entre os indicadores, destaque na quarta-feira (4), para o resultado da produção industrial, divulgado pelo IBGE. A GO Associados projeta queda de 16,6% ante o mês de abril, que caso se confirme, será a maior queda na série histórica do setor, sendo reflexo da greve dos caminhoneiros. Segundo os economistas, os indicadores antecedentes do setor mostraram números bastante negativos, corroborando para a projeção pessimista do setor no mês.

Já na sexta-feira (6), o evento mais importante da semana: o IPCA (índice de Preços ao Consumidor Amplo) de junho. A expectativa da GO é de alta de 1,02%, levando o indicador para 4,14% no acumulado de 12 meses. A inflação deve seguir pressionada em função da greve dos caminhoneiros e do acionamento da bandeira vermelha nível 2 nas contas de energia elétrica. "Em termos prospectivos, a inflação deve seguir abaixo do centro da meta neste ano. Parte dos efeitos da greve devem ser devolvidos ao longo dos próximos meses. No entanto, a desvalorização cambial deve levar a uma inflação mais elevada no ano", afirma a GO Associados.

Agenda externa da semana

Nos EUA, atenção para terça-feira (3) e quarta-feira (4). No primeiro dia, o mercado fechará mais cedo, às 13h, por conta do feriado no dia seguinte, de Dia da Independência do país. Além disso, a semana terá atenção especial para a guerra comercial entre os EUA e seus parceiros comerciais.

Nesse cenário de indefinição, o mercado ficará de olho aos dados de atividade relativos aos meses de maio e junho, que serão publicados durante a semana: o PMI industrial de junho sai nesta segunda-feira (2), as encomendas à indústria de maio saem na terça-feira (3), e o PMI composto e de serviços de junho será divulgado na quinta-feira (5).

Por fim, o dado mais importante da semana sai na sexta-feira (6), com o relatório de emprego, que será importante para calibrar o ritmo da inflação no país. Dados acima do esperado devem reforçar o fortalecimento da retomada nos EUA e elevar a probabilidade do cenário com 4 altas de juros em 2018.

Noticiário político

Em meio ao clima de Copa do Mundo, a política ganha menos destaque nas páginas dos jornais. Mas, mesmo assim, importantes desdobramentos que podem ter implicação inclusive nas eleições continuam sendo destaque. Na sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu  arquivar a reclamação apresentada pela defesa do petista de que um recurso pela liberdade de Lula fosse analisado pela Segunda Turma, e não pelo plenário da Corte, conforme determinado pelo ministro Edson Fachin. Com isso, o caso do petista só deverá ser analisado pelo plenário da Corte em agosto, já que o Supremo entrou em recesso. 

Na última sessão do STF antes do recesso, o ministro Edson Fachin afirmou que vai analisar inicialmente se a questão da inelegibilidade do ex- presidente será enfrentada ou não pelo plenário do tribunal, antes de discutir a questão da prisão, segundo reportagem do site Jota. Fachin deu cinco dias de prazo para que a defesa de Lula esclareça se quer ou não tratar da elegibilidade. Na prática, se o plenário do Supremo Tribunal Federal decidir que Lula está inelegível, o ex-presidente não terá outra instância para recorrer.

As movimentações para alianças eleitorais também chamam a atenção. Segundo a Folha de S. Paulo, com dificuldade para fechar alianças consistentes, o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, cedeu à pressão e acenou ao PSB com a vaga de vice em sua chapa ao Planalto. Em troca, porém, quer que o partido anuncie apoio a sua candidatura nas próximas duas semanas.

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