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Resumo: os 7 eventos do semestre que explicam a queda de 5% da bolsa e a alta de 17% do dólar

Entre greve dos caminhoneiros, prisão de Lula e "guerra comercial", primeira metade do ano foi para o mercado esquecer

Dólar e bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Após um início de ano bastante positivo, com os investidores animados com o desempenho da economia, levando o Ibovespa a bater uma máxima de 87.652 pontos no dia 26 de fevereiro, o cenário mudou completamente e o segundo trimestre não só apagou todo o bom desempenho do mercado, como reverteu tudo, com o índice fechando o semestre acumulando perdas de 4,76%, enquanto o dólar saltou 16,94%.

O exterior não ajudou muito, com os principais índices norte-americanos perdendo força ao passar do meses, mas alguns dos eventos que mais pesaram no mercado brasileiro ocorreram dentro do País, elevando as dúvidas sobre a economista doméstica, que cada vez mais se mostra enfraquecida. Para piorar, começa a ganhar força a corrida eleitoral, o que aumenta as incertezas sobre a continuidade das reformas - o que ganha contornos praticamente dramáticos dada a situação fiscal do Brasil.

Confira os gráficos de desempenho do Ibovespa e dólar e os 7 principais eventos que guiaram o mercado neste semestre:

Ibovespa

ibov

Dólar

dólar

O ano começou com os investidores já animados com o julgamento do ex-presidente Lula no caso do triplex do Guarujá. E no dia 24 de janeiro a condenação em segunda instância permitiu que - após alguns recursos - o petista fosse preso no dia 7 de abril. Com esta decisão, se complicou muito a situação de Lula, que até hoje tenta ser o candidato petista à presidência, mas que dificilmente conseguirá seguir na disputa, exatamente por conta desta condenação.

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No mês seguinte, os mercados engataram um bom movimento de alta, com o otimismo em seu auge, levando o Ibovespa para sua máxima do ano no fim de fevereiro. Porém, logo que março entrou as coisas começaram a mudar e, apesar de um bom período de estabilidade para o índice, um evento externo começou, aos poucos, a pesar em Wall Street e puxar o Brasil também.

Em 8 de março, o presidente Donald Trump anunciava a sobretaxa para o aço e alumínio, dando início a uma guerra comercial que segue até agora pressionando as bolsas no mundo todo. O anúncio em si não teve um grande efeito no mercado, mas foi a partir deste momento que os índices norte-americanos engataram um movimento de correção, com os Treasuries subindo forte, fato que também tirou o bom humor dos brasileiros por pelo menos dois meses.

Foi então que uma sequência de 3 grandes eventos azedou completamente o Ibovespa e o dólar. O primeiro foi o Copom (Comitê de Política Monetária) de 16 de maio, que surpreendeu ao manter a Selic em 6,50% ao ano. A decisão levou a um forte movimento de reprecificação do mercado, derrubando os juros futuros, que acabaram puxando a bolsa e levando o dólar a uma forte alta.

Uma semana depois, teve início a greve dos caminhoneiros, que parou o Brasil e escancarou uma situação fiscal bastante ruim e levou muita gente a projetar um impacto econômico péssimo da paralisação. O caso também marcou uma grave crise política, mostrando um governo que não tem mais poder para negociar, elevando ainda o debate sobre as eleições, já que o próximo presidente tem cada vez mais a obrigação de fazer reformas para melhorar o País.

Para completar o caótico mês de maio, assim que foi confirmado o fim da greve, o então presidente da Petrobras, Pedro Parente, pediu demissão da estatal, o que fez as ações da companhia - uma das de maior participação na carteira do Ibovespa - afundarem. Apesar de seu substituto, Ivan Monteiro, ter agradado os investidores, o mês de junho seguiu de fortes perdas para os papéis.

Vale destacar ainda um evento específico no câmbio, que teve início logo após o Copom surpreendente de maio, que é a disputa entre o Banco Central e o mercado. Desde aquele dia, diante da disparada do dólar (puxado muito por fatores externos), o BC elevou os chamados leilões de swap, fato que levou os investidores a também desafiarem estas atuações diárias da autoridade. Desde então, a moeda norte-americana teve muitos movimentos fortes de alta e baixa, mas sempre seguindo uma tendência clara de valorização.

Por fim, sem um evento específico, as pesquisas eleitorais também estão agravando o cenário brasileiro, diante de uma leitura ainda de força do deputado Jair Bolsonaro (ainda visto com ressalvas pelo mercado), mas principalmente pela falta de um candidato reformista que tenha chances de ganhar. O "escolhido" do mercado, Geraldo Alckmin, não decola nas pesquisas, o que aumenta as incertezas.

O que se vê é que o bom humor que ditou o tom do mercado no início do ano foi completamente deixado para trás e agora as incertezas políticas, a pressão externa e o quadro econômico bastante frágil do País tomam conta do sentimento dos investidores, o que não parece que vai mudar nos próximos meses.

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