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Petrobras cai 7% de olho em ação trabalhista bilionária; Eletrobras despenca 8% e só 10 ações sobem

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (21)

Petrobras
(André Valentim / Banco de Imagens Petrobras)

SÃO PAULO - Após duas sessões de bons ganhos para o Ibovespa criarem a esperança de uma recuperação, o índice voltou a despencar nesta quinta-feira (21), com queda de quase 3% em movimento puxado pelas incertezas fiscais e o mau humor no exterior.

Somente 10 das 67 ações na carteira teórica do Ibovespa registraram altas, com destaque para a Braskem (BRKM5), seguida pela JBS (JBSS3) e Smiles (SMLS3), enquanto as demais tiveram variação tímida.

No outro extremo, os papéis da Eletrobras (ELET6, ELET3) lideraram as perdas do dia, seguidos da varejista B2W (BTOW3), que teve queda significativa após acumular 12% de altas nos últimos dois pregões. Blue chips como Petrobras (PETR3, PETR4), Vale (VALE3) e bancos (BBAS3BBDC3, BBDC4ITUB4) também pesaram hoje.

Confira os destaques do pregão:

Cesp (CESP6)

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira a Operação Pedra no Caminho, que apura desvio de recursos públicos nas obras do trecho norte do Rodoanel, em São Paulo. São cumpridos 15 mandados de prisão temporária e 51 mandados de busca e apreensão na capital paulista e nas cidades de Carapicuíba, Arujá, Bofete, Ribeirão Preto e São Pedro, além de Marataízes e Itapemirim, no Espírito Santo. 

Laurence Casagrande Lourenço, presidente da Cesp, foi um dos alvos da prisão e é ex-diretor da Dersa, estatal responsável pelas rodovias do Estado de São Paulo. Já nesta tarde, o governo de São Paulo anunciou a renúncia de Lourenço da presidência; o CFO da empresa, Almir Fernando Martins, assume o cargo interinamente.

No último ano, Lourenço acumulou o cargo de secretário de Transportes e Logística do governo Geraldo Alckmin (PSDB), que deixou o cargo em abril e lançou sua pré-candidatura à presidência. Ele atua no governo tucano há 17 anos e tem passagens pela Secretaria da Segurança Pública e Fundação Casa. Veja mais clicando aqui.   

Apesar da movimentação, o ex-governador Alckmin assegurou que a notícia não deve influenciar o projeto do estado de São Paulo de privatizar a companhia ainda este ano.

Petrobras (PETR4)

Apesar da boa notícia vinda da Câmara sobre cessão onerosa, a Petrobras teve perdas expressivas de olho no julgamento no TST da ação trabalhista que pode gerar despesa de até R$ 17 bilhões para a empresa.

Caso a corte decida em favor dos petroleiros, a ação trabalhista pode resultar em um aumento salarial de até 35% para os funcionários da estatal. O tema já foi debatido por duas comissões no TST. Uma delas deu ganho de causa para a Petrobras e outra para os petroleiros. Sem consenso, a corte do TST julga o caso nesta quinta-feira, no qual a (AGU) e Petrobras preparam ofensiva contra a ação. Segundo fonte ouvida pela Reuters, a tendência é de que a estatal obtenha uma decisão favorável. 

De acordo com levantamento ao qual a Reuters teve acesso, 14 ministros estão propensos a favorecer a estatal. Outros 11 integrantes do tribunal tendem a votar a favor dos trabalhadores.

Tanto a Petrobras como a AGU defendem que os pagamentos relacionados a regimes especiais de trabalho, como adicional noturno e periculosidade, devem ser incluídos pela Petrobras na base de cálculo da RMNR, conforme previsão em acordo coletivo vigente com a categoria. Representantes de empregados da estatal, no entanto, reivindicam que esses valores sejam excluídos da referida base de cálculo, o que faria com que a Petrobras tivesse que complementar uma quantia maior para que a RMNR fosse atingida.

Além disso, pesou também nos papéis o desempenho do petróleo no exterior. Enquanto o WTI se mantém perto da estabilidade, o brent cai mais de 2% em meio a informações de que a Arábia Saudita está tentando convencer outros grandes produtores de petróleo a elevar sua oferta combinada em 500 mil barris por dia. Por um acordo que está em vigor desde o início de 2017, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) - que a Arábia Saudita lidera informalmente - e outros dez produtores, incluindo a Rússia, têm procurado reduzir sua oferta combinada em 1,8 milhão de barris por dia.

Em boas novas para a estatal, há a notícia de que a Câmara aprovou o projeto de lei para a venda direitos da Petrobras na cessão onerosa. Os deputados devem analisar agora os destaques ao projeto; o Projeto de Lei 8939/17 permite à Petrobras transferir até 70% de seu direito de exploração de 5 bilhões de barris de petróleo na área de cessão onerosa.

O Plenário da Câmara dos Deputados chegou a rejeitar emenda do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que pretendia fixar em 20% os royalties devidos pelas petroleiras às quais a Petrobras transferir a titularidade de exploração do petróleo das áreas de cessão onerosa. Entre os destaques pendentes de análise está um do PSB que pretende manter na Lei 12.276/10 a condição de que a cessão onerosa é intransferível. Outro destaque pretende aprovar emenda do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) para jogar a licitação dos excedentes de óleo das áreas de cessão onerosa para 270 dias após a entrada em vigor da futura lei.

Conforme aponta a equipe de análise da XP Investimentos, a notícia é positiva para a Petrobras, baseado em 3 pontos: (1) o governo poderá indenizar a Petrobras em barris na revisão do contrato; (2) a empresa ganha uma nova oportunidade para cumprir de forma muito mais rápida a sua meta de desinvestimentos de até US$21 bilhões até 2018 e reduzir seu endividamento e (3) constituir parcerias nas áreas de Cessão Onerosa deve permitir à Petrobras viabilizar o desenvolvimento dos barris nestes campos de forma mais rápida e menos custosa à empresa, sendo benéfico para estimativas de médio e longo prazo de produção de petróleo. "Além do trâmite do Projeto de Lei, monitoraremos com atenção qual será o valor do ressarcimento que a Petrobras tem direito como parte da revisão do Contrato da Cessão Onerosa, conforme afirmado por membros do Governo federal nas últimas semanas", destaca a equipe de análise. 

A Petrobras ainda alterou preço da gasolina nas refinarias de R$ 1,8841/litro para R$ 1,8634/litro, segundo informações no website da empresa. Os preços antes de impostos são válidos a partir de 22 de junho. 

BRF (BRFS3) e Minerva (BEEF3)

Segundo informa o Valor Econômico, citando fontes, a BRF está negociando com bancos a realização de uma venda em bloco (block trade) de ações da Mineva. Os bancos BTG Pactual e Morgan Stanley mantêm conversas com a BRF, mas ainda não fecharam mandato. Segundo uma das fontes, a venda em bloco poderia ocorrer já na próxima semana. Procurada pelo Valor, a BRF não comentou.

Ontem, o Valor informou que a BRF iniciou na primeira semana deste mês um movimento para se desfazer de parte da fatia de 11,6% que tem na Minerva Foods, levando a uma forte queda das ações da empresa - uma negociação em bloco de ações contribui para amenizar uma queda dos papéis da Minerva. A expectativa, diz o jornal, é que, se a venda em bloco se concretizar, a participação da BRF na Minerva fique mais próxima de 7%. Na operação, de 8 milhões a 10 milhões de ações poderiam ser vendidas. No fim do primeiro trimestre, a BRF tinha 26 milhões de ações da Minerva Foods.

Recomendações

No radar de recomendações, IRB (IRBR3), CVC (CVCB3) e Energisa (ENGI11) entraram em nova lista de preferidas do Santander no Brasil, substituindo respectivamente Petrobras, Lojas Americanas e Equatorial. O banco também cortou seu alvo de Ibovespa para o fim de 2018 de 97.000 para 78.000 pontos.

Já o Pão de Açúcar (PCAR4) foi elevado para compra pelo Goldman Sachs, com preço-alvo de R$ 91, levando a uma alta de até 5% dos papéis, que foi quase zerada até o fechamento. A Klabin (KLBN11) foi elevada a overweight (exposição acima da média) pelo Morgan Stanley, também impulsionando os papéis, que fecharam em estabilidade.  

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Eletrobras (ELET3; ELET6)

A Eletrobras registrou baixa após a votação do Projeto de lei que viabiliza a venda das distribuidoras de energia da Eletrobras no Norte ter sido adiada mais uma vez nesta quarta, o que gerou apreensão entre o setor elétrico. O objetivo do projeto é permitir que as dívidas bilionárias das companhias sejam pagas com fundos setoriais. 

A companhia ainda teve a recomendação reduzida para neutra pelo Safra, com o preço-alvo sendo cortado de R$ 28,10 para R$ 14,30. 

Braskem (BRKM5)

A Braskem comunicou que, diante da regularização das operações logísticas decorrente do fim da greve dos caminhoneiros, a taxa de utilização de suas centrais petroquímicas no Brasil voltou à normalidade.

Na sexta-feira passada (15), a Odebrecht anunciou venda de sua participação nas ações da Braskem à holandesa LyondellBasell, o que levou a uma disparada de 21% no valor dos papéis.

CSN (CSNA3)

A CSN obteve autorização ambiental para manter em funcionamento a Usina Presidente Vargas (UPV), localizada em Volta Redonda (RJ). Segundo a siderúrgica informa em Fato Relevante, a autorização foi prorrogada por mais 90 dias.

A Companhia informou que continua em negociação com os órgãos competentes do Estado do Rio de Janeiro para solução consensual definitiva das questões ambientais existentes na UPV. 

Em 8 de dezembro do ano passado, a CSN já havia obtido a autorização para o funcionamento da UPV por 180 dias. Em dezembro de 2017, a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) do Rio de Janeiro havia notificado a CSN pelo descumprimento de exigências do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2016, e ameaçava encerrar as atividades na usina de Volta Redonda.

Banco do Brasil (BBAS3)

Após ampliar sua participação no banco argentino Patagonia, o Banco do Brasil (BB) não descarta a possibilidade de um "novo IPO", disse Paulo Caffarelli, presidente da instituição em conversa com jornalistas depois de participar de evento com a EDP Energias do Brasil, informa o Valor. Ele apontou que o Patagonia não está à venda. "Analisaremos oportunidades com relação a um IPO, mas não sabemos qual janela teremos para isso. Reforço que o banco não está à venda", disse ele. 

Eletropaulo (ELPL3)

O presidente Michel Temer acatou recomendação do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e incluiu a fatia que a União detém no capital social da Eletropaulo no Programa Nacional de Desestatização (PND). A decisão, formalizada em decreto no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira, 21, também determina que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será o responsável pela execução e acompanhamento dos atos necessários à venda da participação da União na empresa de energia – que ao todo soma 13.342.642 ações ordinárias.

A iniciativa do governo ocorre depois da compra da Eletropaulo pela italiana Enel, por R$ 5,55 bilhões. O negócio foi fechado em leilão na B3 no dia 4 de junho. A partir daí, os acionistas que não haviam aderido à oferta pública de ações tinham 30 dias para decidir pela adesão ou não. Na ocasião, jornal Estado de S. Paulo destacou que a União, com 7,97% das ações da concessionária, não conseguiu vender sua participação porque os papéis estavam como garantia de uma ação antiga.

A americana AES e o BNDES estão entre os principais acionistas da distribuidora de São Paulo, com 35,57% de participação na empresa. A Enel venceu o leilão com uma oferta de R$ 45,22 por ação enquanto o lance da rival Neoenergia foi de R$ 39,53. A operação já tem aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas ainda depende de aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

(Com Agência Brasil, Agência Estado e Bloomberg)

 

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