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Os motivos que fizeram o Ibovespa saltar 2,2% e ter o melhor pregão em 4 meses

Índice acelerou ganhos durante a tarde e recuperou o patamar de 71 mil pontos após bater sua mínima em 10 meses na véspera

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Depois de recuar mais de 1% nos primeiros minutos de pregão, o Ibovespa ganhou força na tarde desta terça-feira (19) puxado por uma arrancada dos bancos e da Petrobras, que passaram a um movimento de correção após a forte queda de toda a bolsa nas últimas semanas. Além disso, investidores também ajustam suas posições em uma mudança de projeção sobre o Copom, que deve manter os juros nesta quarta.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com alta de 2,26%, aos 71.394 pontos, em seu melhor pregão desde 14 de fevereiro, quando saltou 3,27%. Na máxima do dia, o índice chegou a subir 3,14%. O dólar comercial, por sua vez, ficou próximo da estabilidade, após chegar a cair para R$ 3,71 no início da tarde. A moeda fechou com leves ganhos de 0,12%, cotada a R$ 3,7443 na venda.

Até ontem, o índice acumulava nove quedas em dez pregões, chegando a perdas de 16% nos últimos trinta dias. Isso deixou a bolsa "sobrevendida", ou seja, uma desvalorização forte demais que deixou muitas ações baratas. Com isso, os investidores entram de volta para aproveitar estes ativos, levando a este movimento de recuperação, que ainda é fraco perto de tudo que o índice recuou recentemente.

Os bancos e varejistas lideraram as altas também puxados por uma mudança de avaliação do mercado sobe o Copom desta quarta. Até a última semana, a projeção era de que o Banco Central iria subir a Selic para tentar conter a disparada do dólar, porém, nesta terça, a expectativa mudou para uma manutenção dos juros.

Esse cenário é comprovado pela disparada das ações dos bancos, como Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3), Santander (SANB11) e Itaú Unibanco (ITUB4), mas também das varejistas, com B2W (BTOW3), Lojas Americanas (LAME4) e Magazine Luiza (MLGU3).

Entre as ações, chamou atenção ainda os papéis da Petrobras (PETR4), que subiram forte com os investidores de olho na votação da cessão onerosa. Segundo a Bloomberg, citando uma fonte, o governo quer finalizar a operação ainda este ano para não comprometer o teto de gastos de 2019 com mais uma despesa.

No mercado de juros futuros, os contratos com vencimento em janeiro de 2019 viraram para baixa durante a tarde e recuaram 12 pontos-base, para 7,03%, enquanto os DIs para janeiro de 2021 afundaram 21 pontos-base, a 9,58%, após chegarem a subir 14 pontos mais cedo.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 RAIL3 RUMO S.A. ON 13,50 +7,48 +4,09 219,17M
 BBAS3 BRASIL ON EJ 26,24 +7,01 -16,09 410,48M
 RENT3 LOCALIZA ON 23,93 +6,45 +8,72 109,55M
 PETR4 PETROBRAS PN N2 15,42 +6,34 -4,03 1,46B
 CIEL3 CIELO ON 15,95 +5,98 -31,01 135,72M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON 43,85 -5,27 +135,75 333,90M
 EMBR3 EMBRAER ON 23,85 -2,05 +19,73 127,20M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 19,90 -1,97 +14,90 83,25M
 FIBR3 FIBRIA ON 71,01 -1,92 +49,40 152,32M
 VALE3 VALE ON 48,30 -1,85 +21,33 1,28B

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 15,42 +6,34 1,46B 1,88B 75.685 
 VALE3 VALE ON 48,30 -1,85 1,28B 1,06B 48.828 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 39,38 +4,51 1,11B 747,88M 73.758 
 BBDC4 BRADESCO PN 26,20 +5,18 575,84M 456,74M 47.767 
 B3SA3 B3 ON 19,93 +3,75 491,09M 349,52M 32.702 
 PETR3 PETROBRAS ON N2 17,85 +3,72 419,51M 427,86M 32.293 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 26,24 +7,01 410,48M 432,70M 37.678 
 ABEV3 AMBEV S/A ON ED 18,80 +1,40 350,32M 404,68M 31.702 
 SUZB3 SUZANO PAPELON 43,85 -5,27 333,90M n/d 31.477 
 ITSA4 ITAUSA PN 8,99 +4,41 316,08M 285,72M 38.045 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Guerra comercial entre EUA e China

Na noite da última segunda-feira (18), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que pediu ao Escritório do Representante Comercial que estudasse a imposição de tarifas de 10% sobre outros US$ 200 bilhões em produtos chineses. Trump também comentou que, se houver nova retaliação por parte de Pequim, serão adotadas tarifas adicionais sobre mais US$ 200 bilhões em bens da China. Isso significa que o total poderia chegar a US$ 400 bilhões. 

Em resposta, a China disse que os EUA “iniciaram uma guerra comercial” e que Pequim terá de adotar “medidas abrangentes” se Washington for adiante com seus planos de tarifação. Na sexta-feira (15), a Casa Branca já havia anunciado planos de impor tarifas de 25% a US$ 50 bilhões em mercadorias da China. Na ocasião, Pequim afirmou que retaliaria os EUA na mesma medida.

Diante do clima de maior aversão ao risco diante da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, as bolsas norte-americanas recuavam 1%, enquanto o petróleo amargava queda de 1,6% na bolsa de NY, também pressionado pela expectativa do anúncio de aumento da produção pela Opep e seus aliados na próxima sexta-feira (22).

Início do Copom e o dilema do BC
No Brasil, o Banco Central inicia a reunião de política monetária de dois dias em meio ao dilema de aumentar ou não os juros após a disparada do dólar. Pelas comunicações mais recentes da instituição, a tendência é de que a Selic (a taxa básica de juros) permaneça em 6,5% ao ano, mas o BC apontou que sua decisão será tomada só na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária (Copom), que termina na quarta-feira à noite. 

O Projeções Broadcast consultou 49 instituições financeiras e todas esperam que o Copom - formado pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, e pelos oito diretores da instituição - mantenha a Selic no atual patamar, que é o menor nível da história.

Neste cenário, o mercado monitora eventuais atuações do BC com swaps após dólar marcar o quinto avanço em 6 pregões. Vale destacar notícia da Bloomberg de que BC vê ritmo de oferta de swap insustentável até a eleição, segundo afirmou fonte do alto escalão do banco à agência. Em nota enviada à Bloomberg, a autoridade monetária disse que "não reconhece qualquer declaração feita ‘off-the- record’, especialmente por alguma pretensa ‘alta fonte do BCB’.

Notícias do dia

No noticiário político do dia, atenção para a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), que julga hoje (19), a partir das 14h00, ação penal proposta pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra a presidente do PT e senadora Gleisi Hoffmann e seu marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo. No processo, os cinco ministros do colegiado vão decidir se condenam ou absolvem os acusados dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, na Operação Lava Jato. Veja mais clicando aqui. 

Atenção ainda para os desenhos para formação de alianças eleitorais. Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, a equipe de Geraldo Alckmin (PSDB) fez um gesto oficial ao MDB, partido de Michel Temer. Alçado à coordenação política da campanha do tucano ao Planalto, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB-GO) marcou um encontro com o presidente nacional do MDB, Romero Jucá (RR). A conversa está pré-agendada para quinta (21).

A pessoas próximas, Perillo defendeu pragmatismo nessa etapa da disputa. Enquanto isso, informa a coluna, ao chamar o vereador Fernando Holiday (DEM-SP) de “capitãozinho do mato” em entrevista à rádio Joven Pan, Ciro ampliou a aversão de ala do DEM ao seu nome e ainda inflamou os ânimos do MBL, grupo que tem militantes em diversos partidos para disputar a eleição deste ano.

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