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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta terça-feira

Confira os principais eventos deste pregão

Donald Trump Xi Jinping
(Reprodução)

Vale diminui perdas, bancos saltam: acompanhe o movimento do mercado nesta terça-feira clicando aqui

SÃO PAULO - A terça-feira (19) já começa prometendo ser amarga para o mercado brasileiro após o Ibovespa ter fechado abaixo dos 70 mil pontos pela primeira vez desde agosto de 2017, no seu nono pregão de queda em dez sessões. O motivo para a aversão ao risco dos mercados é a tensão deflagrada entre EUA e China sobre uma guerra comercial. Com isso, o ambiente de pressão para o Copom, que inicia sua reunião de política monetária nesta terça, para que eleve os juros, pode se ampliar. Confira no que se atentar nesta sessão: 

1. Bolsas mundiais

A sessão promete ser mais uma vez de aversão ao risco para os mercados mundiais. As bolsas asiáticas, por exemplo, amargaram fortes perdas nesta terça-feira, reagindo à escalada da retórica comercial entre EUA e China.

Ontem à noite, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que pediu ao Escritório do Representante Comercial (USTR, na sigla em inglês) que estudasse a imposição de tarifas de 10% sobre outros US$ 200 bilhões em produtos chineses. Trump também comentou que, se houver nova retaliação por parte de Pequim, serão adotadas tarifas adicionais sobre mais US$ 200 bilhões em bens da China. Isso significa que o total poderia chegar a US$ 400 bilhões. 

Em resposta, a China disse que os EUA “iniciaram uma guerra comercial” e que Pequim terá de adotar “medidas abrangentes” se Washington for adiante com seus planos de tarifação. Na sexta-feira (15), a Casa Branca já havia anunciado planos de impor tarifas de 25% a US$ 50 bilhões em mercadorias da China. Na ocasião, Pequim afirmou que retaliaria os EUA na mesma medida.

O Xangai Composto, principal índice da China, fechou em baixa de 3,78%, a 2.907,82 pontos, atingindo o menor nível em quase dois anos, enquanto o Shenzhen Composto, que é em boa parte formado por startups, despencou 5,77%, a maior queda desde o começo de 2016. Já o o japonês Nikkei caiu 1,77% em Tóquio, sua maior perda em três meses. Vale ressaltar que, ontem, tanto os mercados da China continental quanto os Hong Kong e de Taiwan não haviam operado devido a feriados. 

Na Europa, o dia também é de fortes perdas, ofuscando a fala do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, que sinalizou que a instituição poderá estender seu gigantesco programa de compras de ativos e adiar elevações de taxas de juros para combater possíveis choques à economia da zona do euro. O comentário, que veio dias depois de o BCE detalhar planos de retirar suas compras gradualmente, demonstra a cautela do BCE de reverter estímulos monetários num momento em que a economia da região parece estar desacelerando. 

Draghi, que falou durante conferência anual de política econômica do BCE em Sintra, Portugal, alertou que a zona do euro enfrenta riscos crescentes, que incluem disputas comerciais e a alta dos preços do petróleo.

No mercado de commodities, o petróleo e metais industriais recuam; o minério cai na China, levando mineradoras a serem destaque negativo no Stoxx 600.

Às 8h12 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 Futuro (EUA) -1,12%

*Dow Jones Futuro (EUA) -1,34%

*Nasdaq Futuro (EUA) -1,09%

*DAX (Alemanha) -1,33%

*CAC-40 (França) -1,05%

*FTSE MIB (Itália) -0,42%

*Hang Seng (Hong Kong) -2,78% (fechado)

*Xangai (China) -3,82% (fechado)

*Nikkei (Japão) -1,77% (fechado)

*Petróleo WTI -1,53%, a US$ 64,84 o barril

*Petróleo brent -0,62%, a US$ 74,87 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -4,56%, a 450,50 iuanes (nas últimas 24 horas) 

*Bitcoin US$ 6.746 +4,11%
R$ 26.018 +3,52% (nas últimas 24 horas)

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2. Agenda econômica externa

Entre os indicadores econômicos, atenção para os dados do mercado de imóveis na terça-feira (19) nos EUA referentes ao mês de maio, a serem divulgados às 9h30. Já o presidente do Federal Reserve de Saint Louis, Jim Bullard, fala nesta manhã em Sintra. 

3. Início do Copom e o dilema do BC

No Brasil, o Banco Central inicia  sua reunião de política monetária de dois dias em meio ao dilema de aumentar ou não os juros após a disparada do dólar. Pelas comunicações mais recentes da instituição, a tendência é de que a Selic (a taxa básica de juros) permaneça em 6,5% ao ano, mas o BC apontou que sua decisão será tomada só na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária (Copom), que termina na quarta-feira à noite. O Projeções Broadcast consultou 49 instituições financeiras e todas esperam que o Copom - formado pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, e pelos oito diretores da instituição - mantenha a Selic no atual patamar, que é o menor nível da história.

Neste cenário, o mercado monitora eventuais atuações do BC com swaps após dólar fechar na véspera em alta de 0,4%, quinto avanço em 6 pregões, cotado a R$ 3,7448. Vale destacar notícia da Bloomberg de que BC vê ritmo de oferta de swap insustentável até a eleição, segundo afirmou fonte do alto escalão do banco à agência. Em nota enviada à Bloomberg, a autoridade monetária disse que "não reconhece qualquer declaração feita ‘off-the- record’, especialmente por alguma pretensa ‘alta fonte do BCB’, de acordo com comunicado público de 1º de novembro de 2016, publicado em sua página na Internet". Nesta terça, o BC oferta até 8.800 contratos de swap para rolagem; o Tesouro faz leilões de compra e venda de LTNs, NTN-Fs e NTN-B e o BC também oferta R$ 10 bilhões em títulos públicos em operações compromissadas de 9 meses.

Vale destacar que o IPC-Fipe acelera mais que o previsto em São Paulo para alta de 0,84% na 2ª quadrissemana de junho, ante estimativa de alta de 0,82%; o IGP-M também veio acima do esperado, a 1,75% na segunda prévia de junho ante estimativa de 1,67%. 

4. Notícias do dia

No noticiário político do dia, atenção para a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que julga hoje (19), a partir das 14h, ação penal proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a presidente do PT e senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e seu marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo. No processo, os cinco ministros do colegiado vão decidir se condenam ou absolvem os acusados dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, na Operação Lava Jato. Veja mais clicando aqui. 

Atenção ainda para os desenhos para formação de alianças eleitorais. Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, a equipe de Geraldo Alckmin (PSDB) fez um gesto oficial ao MDB, partido de Michel Temer. Alçado à coordenação política da campanha do tucano ao Planalto, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB-GO) marcou um encontro com o presidente nacional do MDB, Romero Jucá (RR). A conversa está pré-agendada para quinta (21). A pessoas próximas, Perillo defendeu pragmatismo nessa etapa da disputa. Enquanto isso, informa a coluna, ao chamar o vereador Fernando Holiday (DEM-SP) de “capitãozinho do mato” em entrevista à rádio Joven Pan, Ciro ampliou a aversão de ala do DEM ao seu nome e ainda inflamou os ânimos do MBL, grupo que tem militantes em diversos partidos para disputar a eleição deste ano.

5. Noticiário corporativo

Em destaque no noticiário corporativo, a Petrobras informou ter iniciado a fase não vinculante de cessão de campos; além disso, ela comunicou que a maior gestora de fundos do mundo, BlackRock, vendeu a parte de seus papéis em 14 de junho e passou a ter menos que 5% das ações preferenciais da estatal, deixando de se qualificar como detentora de participação acionária relevante.

Atenção ainda para a pauta no Congresso: o plenário da Câmara dos Deputados pode votar hoje projeto que autoriza a Petrobras negociar ou transferir parte de seus direitos de exploração de petróleo do pré-sal na área cedida onerosamente pela União.

Já a diretoria do Bradesco propôs ao Conselho de Administração o pagamento de juros sobre o capital próprio intermediários relativos ao primeiro semestre de 2018, totalizando R$ 1,212 bilhão. A proposta, que será deliberada no dia 29 de junho, determina o pagamento de R$ R$0,172465322 por ação ordinária e R$ 0,189711854 por ação preferencial.

Por fim, uma nota da Vale em memória a Eliezer Batista. A mineradora emitiu no final da noite de ontem nota de pesar sobre a morte de Eliezer Batista, que foi por duas vezes presidente da companhia. A primeira vez, aos 36 anos, nomeado pelo então presidente Jânio Quadros, de 1961 a 1964, e a segunda em 1979.  "Estamos consternados. Nosso maior engenheiro, o homem que teve a visão de preparar a Vale para ser a empresa que conhecemos hoje, se foi", afirma o atual presidente da Vale, Fabio Schvartsman.

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

 

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