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Plano do BC faz dólar despencar para R$ 3,83, mas pressão externa não dá alívio para o Ibovespa Futuro

Queda das bolsas internacionais ofusca medidas da autoridade monetária para conter o estresse do mercado

Ilan Goldfajn
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Os contratos futuros do Ibovespa com vencimento em julho recuavam 0,82%, aos 73.370 pontos, às 9h42 (horário de Brasília) desta sexta-feira (8), com o pessimismo visto nas bolsas internacionais contaminando o índice e contrariando a expectativa por um alívio em vista da forte queda dos DIs e dólar após o BC mostrar suas armas para conter a alta volatilidade que atingiu o mercado neste começo de mês. No cenário doméstico, destaque para o resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que ficou acima do esperado pelo mercado.

Para conter a alta volatilidade do mercado, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, anunciou, na noite de ontem, maior intervenção no mercado cambial para conter o dólar, que fechou o pregão em alta de 2,3%, cotado a R$ 3,926 -- o maior valor desde 1º de março de 2016. Até o final da semana que vem, serão realizados leilões adicionais de contrato de swap cambial, equivalente à venda de dólares no mercado futuro, no valor total de US$ 20 bilhões.

O presidente do BC não descartou adotar outras medidas de intervenção no câmbio, como o uso das reservas internacionais de US$ 380 bilhões do país para injetar dólar no mercado, ou a venda dos chamados contratos de linha. "Não temos nenhum preconceito em usar qualquer instrumento. Estou me referindo a swaps, reservas ou leilões de linha. Até hoje, vimos necessidade apenas na parte de swaps". Goldfajn defendeu o regime de câmbio flutuante e ressaltou que a política monetária está separada da política cambial e que o BC não vai usar a taxa básica de juros da economia para interferir no câmbio, mas apenas para controlar a inflação.

Em vista dessa sinalização da autoridade monetária, os contratos de dólar futuro negociados com vencimento em julho recuavam 2,22%, aos R$ 3,825, ao passo que os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 e 2021 também reduzem o estresse e marcam queda de 34 e 19 pontos-base, respectivamente, aos 9,58% e 7,25%.

Bolsas mundiais

O dia é negativo para os principais índices acionários globais, com as ações europeias e os futuros norte-americanos recuando na sequência de baixas no mercado asiático em meio ao crescente receio com mercados emergentes. Também há preocupação entre os investidores com o ambiente mais tenso para as relações comerciais mundiais, com o mercado na expectativa dos desdobramentos da reunião da cúpula G7 no Canadá, que ocorrerá neste fim de semana.

Às 9h42 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,48%

*Dow Jones Futuro (EUA) -0,53%

*Nasdaq Futuro (EUA) -0,98%

*DAX (Alemanha) -0,74%

*FTSE (Reino Unido) -0,38%

*CAC-40 (França) -0,22%

*FTSE MIB (Itália) -1,55%

*Hang Seng (Hong Kong) -1,76% (fechado)

*Xangai (China) -1,76% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,56% (fechado)

*Petróleo WTI -0,55%, a US$ 65,59 o barril

*Petróleo brent -0,91%, a US$ 76,62 o barril

*Bitcoin +0,69%, R$ 30.140 (confira a cotação da moeda em tempo real)

IPCA supera expectativa

A inflação oficial ficou em 0,40% em maio, ante 0,22% em abril, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira. O resultado superou as expectativas de 39 economistas consultados pela Bloomberg, que variavam entre 0,20% e 0,36%, e cuja mediana indicava avanço de 0,29% no período.

No acumulado do ano, o indicador ficou em 1,33%, o menor para um mês de maio desde a implantação do Plano Real. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulou alta de 2,86%, contra 2,76% em igual intervalo no mês anterior. Mesmo assim, o índice segue abaixo do piso da meta estabelecida pelo Banco Central, de 3%.

O aumento no preço da gasolina, de 3,34%, foi equivalente a um terço (0,15 pp) da inflação total do mês passado, segundo dados do IBGE. Ainda em combustíveis, o óleo diesel apesentou alta de 6,16%, e 0,01 pp de impacto, ante a alta de 1,84% de abril. Por outro lado, o etanol manteve a trajetória de queda de preços e ficou, em média, 2,80% mais barato em maio. 

Pesquisa eleitoral

Poucos dias após o fim da greve dos caminhoneiros, Jair Bolsonaro mantém a liderança da disputa presidencial nos cenários sem o ex-presidente Lula. O deputado, contudo, não conseguiu capitalizar, até o momento, os efeitos das manifestações e ampliar vantagem sobre os adversários. Segundo pesquisa realizada pelo IPESPE (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) entre os dias 4 e 6 de junho, a terceira encomendada pela XP Investimentos, Bolsonaro tem entre 21% e 23% das intenções de voto nas simulações sem o petista. O levantamento também mostrou Fernando Haddad numericamente à frente de Ciro Gomes quando o nome do ex-prefeito paulistano é associado à figura de Lula. O levantamento ouviu 1.000 entrevistados por telefone. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

No primeiro cenário estimulado testado, que desconsiderou o lançamento de uma candidatura própria pelo PT, Bolsonaro (PSL) obtém 23% das intenções de voto, o que representa uma oscilação para baixo de 2 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, realizado entre 21 e 23 de maio. Na sequência, aparece Marina Silva (Rede), com 13% das intenções de voto, 1 ponto abaixo do percentual registrado no mesmo período. A ex-senadora está tecnicamente empatada com Ciro Gomes (PDT), ex-governador do Ceará, que tem 11%. No levantamento anterior, o pedetista tinha 9% de apoio. Logo atrás, aparece o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), com 8% das intenções de voto, em uma oscilação de 1 ponto para baixo em comparação com os dois levantamentos anteriores. Álvaro dias tem 7%, 2 pontos acima do patamar registrado em maio. Brancos nulos e indecisos somam 32%, uma queda de 6 pontos em relação à última pesquisa.

No segundo cenário testado, em que a candidatura do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad é considerado candidato pelo PT, Bolsonaro tem 22% das intenções de voto, mesmo patamar do levantamento anterior. Na sequência, aparecem Marina Silva, com 13%; Ciro Gomes, com 11%; e Geraldo Alckmin, com 8% -- todos com patamar igual ao da quarta semana de maio. Já Álvaro Dias oscilou de 4% para 6%. Haddad manteve os 3% da pesquisa anterior. Brancos, nulos e indecisos somam 30%, 2 pontos abaixo do percentual de duas semanas atrás.

Em uma simulação que associa seu nome à figura de Lula, Haddad salta para 11% das intenções de voto, 10 pontos atrás de Bolsonaro. Este cenário não havia sido testado nas pesquisas anteriores. O petista tem o mesmo patamar que Marina Silva e supera numericamente Ciro Gomes, apesar de os dois estarem tecnicamente empatados neste cenário. Geraldo Alckmin tem 8% e Álvaro Dias, 6%. Brancos, nulos e indecisos somam 27%.

Em uma simulação considerando a candidatura de Lula, o ex-presidente lidera a disputa com 30% das intenções de voto, 10 pontos à frente de Bolsonaro. Em relação ao levantamento anterior, o petista oscilou 2 pontos para cima, ao passo que o deputado caiu 5 pontos. Na sequência, aparece Marina Silva, com 10% (mesmo patamar de maio) e Alckmin com 7% (1 ponto mais baixo). Ciro Gomes tem 6% neste cenário, enquanto Álvaro Dias tem 5%. Brancos, nulos de indecisos somam 16%.

Radar corporativo

Do lado das empresas, a Brasil Pharma adiou novamente a divulgação de balanço referente ao exercício do primeiro trimestre. A nova previsão é que a apresentação dos resultados seja feita em 18 de junho. A Eletropaulo foi elevada pela Moody's para Ba2, com perspectiva estável. A Movida emitiu R$ 450 milhões em três séries de debêntures.

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O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

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