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Ibovespa Futuro ignora otimismo externo e recua após quatro altas consecutivas

Mercado avalia também nova pesquisa eleitoral, com Bolsonaro consolidado na liderança, como a tática do governo para subsidiar o aumento dos combustíveis

trader - DAX - bolsa de Frankfurt - 02/08/12
(Alex Domanski/Reuters)

SÃO PAULO - Os contratos futuros do Ibovespa com vencimento em julho recuavam 0,59%, aos 78.160 pontos, às 9h26 (horário de Brasília) desta terça-feira (5), ignorando o otimismo do mercado internacional e sofrendo uma realização depois de engatar quatro altas consecutivas. No campo doméstico, os investidores digerem nova pesquisa eleitoral, que aponta Jair Bolsonaro consolidado na liderança, como a tática do governo para subsidiar o aumento dos combustíveis

O movimento positivo nos mercados internacionais prossegue nesta sessão, mas em tom mais moderado. O bom humor dos investidores acompanha um tom de maior tranquilidade nas tensões comerciais globais, após a Casa Branca sinalizar forte relação com os vizinhos México e Canadá e a União Europeia, a despeito da recente elevação de tarifas no aço e alumínio. Na Ásia, o dia foi positivo para os principais índices acionários.

Em movimento oposto ao índice, o dólar futuro com vencimento em julho registrava valorização de 0,48%, aos R$ 3,774, enquanto os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 e 2021 avançavam 4 pontos-base, cotados a 6,74% e 8,83%, respectivamente, com os receios do mercado com relação ao rumo do fiscal em vista da investida do governo em frear o aumento dos combustíveis.

Às 9h26, este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,08%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,06%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,16%

*DAX (Alemanha) +1,15%

*FTSE (Reino Unido) -0,24%

*CAC-40 (França) +0,62%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,31% (fechado)

*Xangai (China) +0,75% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,28% (fechado)

*Petróleo WTI -0,51%, a US$ 64,42 o barril

*Petróleo brent -1,65%, a US$ 74,05 o barril

*Bitcoin -1,68%, R$ 27.900 (confira a cotação da moeda em tempo real)

Fim da crise?

Dias após encerrada a greve dos caminhoneiros, que gerou uma crise de abastecimento por todo o Brasil nas últimas semanas, o governo já teme uma nova onda de protestos pelo País, desta vez contra o aumento do preço da gasolina e do gás de cozinha. Para evitar perder novamente o controle das ruas, a equipe econômica estuda usar as receitas dos leilões do pré-sal para amortecer o aumento da gasolina para o consumidor final. Segundo o jornal O Globo, o governo trabalha para acelerar a revisão do contrato da cessão onerosa e, com isso, viabilizar o mais rápido possível o leilão do petróleo excedente nos campos, que tem estimativa de render R$ 80 bilhões aos cofres da União.

De acordo com o jornal, o dinheiro obtido com essa operação serviria para criar uma espécie de um colchão tributário para amortecer os aumentos da gasolina e reduzir a volatilidade dos ajustes do combustível, que varia conforme o petróleo no mercado internacional e a oscilação do câmbio.

Essa quantia é mais do que necessária caso o governo pretenda subsidiar os reajustes da Petrobras, já que "bancar" o preço do diesel, gasolina e gás de cozinha custaria R$ 30 bilhões ao Tesouro Nacional até o fim do ano, aponta reportagem do Estadão. Contudo, com as contas apertadas, não haveria espaço para cobrir essas despesas remanejando recursos do próprio Orçamento e a criação do colchão tributário "cairia como um luva" neste desejo do governo.

Pesquisa eleitoral

Pesquisa realizada pelo DataPoder360 entre os dias 25 e 31 de maio mostra que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) mantém a liderança isolada na corrida pela Presidência da República. Nos três cenários de primeiro turno testados, o capitão do Exército na Reserva pontua de 21% a 25%, dependendo dos nomes apresentados. É o melhor patamar do parlamentar já registrado pela pesquisa.

Pela primeira vez no ano, o nome do ex-prefeito de São Paulo João Doria foi testado como possível candidato pelo PSDB à presidência. Mas o desempenho foi de apenas 6%, o que o coloca em situação similar à do ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato oficial tucano, que tem entre 6% e 7% dos votos no levantamento.

Atrás de Bolsonaro, aparece o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), com entre 11% e 12% das intenções de voto, dependendo do cenário avaliado. A ex-ministra Marina Silva (REDE) perdeu terreno e agora tem entre 6% e 7% das intenções de voto. Outro destaque foi o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), com de 6% a 8% de apoio.

Agenda econômica

Entre os indicadores econômicos, o destaque fica com os dados do PMI (Purchasing Manager Index) de serviços e do ISM não industrial nos Estados Unidos, com divulgação prevista para as 11h. No mesmo dia, sairá o relatório de abertura de novas ofertas de emprego, que poderá confirmar o cenário mais benigno para a evolução da taxa de juro nos EUA.

No âmbito doméstico, as atenções ficaram por conta do resultado da atividade industrial de abril, que, sem os efeitos da greve dos caminhoneiros, registrou crescimento de 0,8% frente março e superou a expectativa de +0,4%. No ano, o resultado apontou alta de 8,9%, acima dos +7,8% projetados.

Mais cedo, foi divulgado o PMI Markit de serviços da Zona do Euro, que marcou 53,8 pontos em maio, ao passo que o indicador composto ficou em 54,1 no período. Por lá, as vendas do varejo em abril tiveram leve alta de 0,1% na comparação mensal, abaixo das expectativas de crescimento de 0,5% pelos economistas. No Reino Unido, o PMI de serviços ficou em 53,8 pontos em maio, ao passo que o índice composto fechou o mês em 54,1 pontos.

Radar corporativo

Os analistas da Eurasia acreditam que a Petrobras provavelmente será afetada novamente no curto prazo se o petróleo subir, já que é improvável que a companhia seja totalmente compensada por descontos no diesel com dinheiro do contribuinte. Para a consultoria de análise de risco, há um espaço "muito limitado" para quaisquer alterações de impostos. O conselho da estatal aprovou o nome de Ivan Monteiro como presidente efetivo até 2019. O executivo acumulará o cargo com a função de diretor financeiro e de relacionamento com investidores até a nomeação de um novo diretor. As ações do Magazine Luiza foram rebaixadas a recomendação 'neutra' pelo Credit Suisse. Já as ações da Oi foram iniciadas como 'underweight' pelo JPMorgan. A Gerdau foi elevada para 'overweight' pelo Morgan Stanley. Já a CPFL Renováveis solicitou adiamento de prazo para a reapresentação de documentos da OPA. O prazo inicialmente dado pela CVM se encerrava em 4 de junho, mas foi prorrogado por duas semanas.

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O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

 

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