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Ibovespa Futuro vira para queda entre dados de emprego nos EUA, fim da greve e Europa

Índice perde força de olho também no agitado noticiário político na Europa, além do fim da greve e desempenho dos ADRs durante o feriado

Bolsa de valores
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Os contratos futuros do Ibovespa com vencimento em junho viraram para queda de 0,17%, aos 77.085 pontos, às 9h40 (horário de Brasília) desta sexta-feira (1), com o mercado assimilando o desempenho dos ADRs (American Depositary Receipt) durante o feriado, além do agitado noticiário político na Europa e o relatório de emprego nos Estados Unidos. O dólar futuro, por sua vez, sobe 0,52%, indo a R$ 3,755.

No exterior, o dia é de recuperação após a preocupação com uma nova medida protecionista de Donald Trump nos Estados Unidos e uma menor tensão em função da crise política italiana. Os índices futuros norte-americanos registram ganhos de 0,5%, enquanto na Europa, a bolsa italiana tem forte alta de 2,6%, enquanto a Espanha sobe 2%.

Na maior economia do mundo, destaque para o relatório de emprego divulgado nesta manhã, mostrando uma geração de 223 mil novos empregos, resultado acima das expectativas dos analistas, que eram de 190 mil cargos criados em maio. Enquanto isso, a taxa de desemprego recuou para 3,8%, contra 3,9% no mês passado.

Enquanto isso, na Itália o clima é de certo alívio, com a possibilidade de uma gestão menos eurocética do que era temido pelos investidores. Ontem, os líderes das duas forças políticas majoritárias no parlamento -- a conservadora nacionalista Liga e o antissistêmico Movimento 5 Estrelas -- anunciaram um novo acordo para a formação de governo, quase três meses após as eleições, liderado novamente pelo premiê Giuseppe Conte, que apresentou sua lista de ministros ao presidente Sergio Mattarella pela segunda vez em uma semana.

Ainda no velho continente, chama atenção a moção de censura contra o governo de Mariano Rajoy, do Partido Popular, e a aprovação do nome do líder socialista Pedro Sánchez como novo chefe de governo da Espanha. O novo comandante foi apoiado por grupos independentistas e nacionalistas do País Basco e da Catalunha

ADRs no feriado
Em uma quinta-feira (31) sem operações na B3, em função do feriado de Corpus Christi, o índice de ADRs (American Depositary Receipt) Dow Jones Brazil Titans 20, que reúne os papéis das principais empresas brasileiras negociadas em Wall Street, fechou praticamente estável, com variação negativa de 0,028%, a 20.339 pontos. O desempenho do índice acompanhou o mal humor internacional após o governo dos Estados Unidos anunciar a imposição de tarifas sobre a importação de metais da União Europeia, México e Canadá.

O benchmark brasileiro operou em terreno positivo durante boa parte do pregão, porém, ao final da tarde, perdeu forças e virou para queda, puxado sobretudo pela virada dos ADRs da Petrobras e redução no ímpeto dos papéis de Vale, siderúrgicas e bancos. Inicialmente, os papéis das produtoras de aço brasileiras reagiam bem mesmo com o anúncio de Donald Trump, que atingia em cheio um grupo de países responsáveis por suprir cerca de metade da demanda norte-americana pela commodity. Mas os ADRs perderam força durante a tarde, com destaque para a CSN, que fechou em terreno negativo depois de chegar a subir mais de 1% no intraday.

Noticiário do dia
A greve dos caminhoneiros é dada como encerrada, com os caminhoneiros autônomos concentrados nas proximidades do Porto de Santos decidirem descruzar os braços. Mas os impactos econômicos começam a preocupar os investidores. Além do esperado arrefecimento em um nível de atividade já baixo, o evento trouxe uma dor de cabeça no campo fiscal, com as concessões do governo à categoria. Para compensar a redução de R$ 0,46 por litro de diesel, o governo detalhou ontem, em publicação no Diário Oficial da União, as medidas a serem tomadas, com custos que somarão R$ 13,5 bilhões aos cofres públicos.

Para garantir o orçamento necessário à subvenção e não descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo publicou instrumentos como medida provisória e decreto para compensação tributária, além da reoneração da folha de pagamentos de 39 setores da economia, conforme texto aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado (com vetos) pelo presidente Michel Temer.

Na prática, os recursos para compensar a redução do PIS/Cofins e da Cide sobre o diesel virão, além da reoneração da folha de pagamento de 28 setores da economia dentro de 90 dias (conforme aprovado pelo Congresso Nacional), de uma redução e eliminação de incentivos fiscais para exportadores e as indústrias química e de refrigerantes.

Parte da compensação tributária para bancar a concessão aos caminhoneiros virá da redução do Reintegra. Um decreto de Temer reduziu de 2% para 0,1% a devolução feita aos exportadores, o que deverá garantir um ganho de arrecadação de R$ 2,27 bilhões até o final do ano. O governo também alterou de 20% para 4% a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidente em preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas, como água mineral, água gaseificada e refrigerantes. Tal redução deverá garantir R$ 740 milhões até o final do ano. Outra medida adotada foi a revogação do Reiq (Regime Especial da Indústria Química), benefício de crédito presumido na exportação, que rende mais R$ 170 milhões aos cofres públicos. Ao todo, essas medidas economizam R$ 4 bilhões aos cofres públicos e serão usados na redução de R$ 0,16, referentes à redução de impostos sobre o diesel (PIS/Cofins/Cide).

Os outros R$ 9,5 bilhões serão compensados com cortes orçamentários. Deste montante, R$ 5,7 bilhões virão de uma reserva que não tinha destinação certa por estarem acima do teto de gastos. Segundo o Ministério do Planejamento, o cancelamento de despesas foi de R$ 3,382 bilhões, sendo a maior mordida sobre uma reserva que o governo fazia para capitalização de empresas estatais. Os cortes também atingirão o Programa de Reforma Agrária, com R$ 30,779 milhões, e o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, com outros R$ 21,750 milhões. Áreas como Saúde e Educação não fora poupadas. No primeiro ministério, a previsão é de R$ 55,1 milhões de cortes.

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