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Petrobras pesa e Ibovespa segue em queda mesmo após governo garantir política de preços da estatal

Fala de Temer gere receios entre os investidores; dados econômicos nos EUA e Brasil também estão em destaque

fachada Petrobras
(Agência Petrobras / Stéferson Faria)

SÃO PAULO - Chegando a subir com o otimismo das bolsas internacionais, o Ibovespa apagou os ganhos e passou registrar queda 0,57%, aos 75.630 pontos, às 11h32 (horário de Brasília) no último pregão de maio (30), com as ações da Petrobras (PETR4) seguindo em queda mesmo após o governo divulgar nota que irá preservar a política de preços da estatal.

O Palácio do Planalto divulgou nota nesta manhã na qual afirmou que o governo vai “preservar” a política de preços da Petrobras: "as medidas anunciadas pelo governo para garantir a previsibilidade do preço do óleo diesel, que teve seu valor reduzido ao consumidor, preservaram, como continuaremos a preservar, a política de preços da Petrobras", diz o governo. As ações da estatal chegaram a esboçar uma recuperação, mas logo voltaram para o campo negativo.

As dúvidas do mercado sobre a autonomia da estatal ganharam força após o presidente Michel Temer, em entrevista à TV Brasil na noite da última terça-feira (29), afirmar que vai reexaminar a política de preços da estatal: “a Petrobras se recuperou ao longo desses dois anos. Estava em uma situação economicamente desastrosa há muito tempo, mas nós não queremos alterar a política da Petrobras. Nós podemos reexaminá-la, mas com muito cuidado”, afirmou o presidente.

Segundo fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters, a questão da previsibilidade dos preços, que hoje são reajustados quase diariamente em vista da variação do petróleo no mercado internacional e do câmbio, deverá ser tratada em breve, tema que pode causar novos ruídos sobre à autonomia da Petrobras quanto sua política de preços. De acordo com a agência, o governo já está em conversas com a estatal para rever este assunto.

Dados econômicos nos EUA e Brasil

A economia brasileira cresceu 0,4% no primeiro trimestre de 2018 e o resultado veio levemente acima da mediana das expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg, que sinalizava uma alta de 0,3% no PIB (Produto Interno Bruto) no período. O desempenho observado entre janeiro e março mostra uma aceleração da economia em relação aos últimos três meses do ano anterior, quando o crescimento foi de 0,1%.

Além dos dados domésticos, os investidores repercutem os indicadores econômicos nos EUA. O número de postos de trabalho no setor privado dos EUA avançou de 163 para 178 mil na passagem de abril para maio, mas ficou abaixo do esperado pelo mercado (190 mil). Ainda pela manhã, foi divulgada a segunda prévia do PIB norte-americano referente ao primeiro trimestre, que apontou crescimento de 2,2% na passagem trimestral, enquanto o mercado esperava avanço de 2,3%. Agora, o mercado aguarda pelo Livro Bege do Fed, às 15h00, referente ao último encontro do colegiado.

Destaques do mercado

Do lado negativo, os papéis da Petrobras recuam com a política de preços da estatal em xeque após fala do presidente Michel Temer. Do outro lado, as ações da Suzano revertem para alta com a disparada do dólar comercial, que na máxima do dia atingiu R$ 3,77.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN EJ N2 18,63 -3,47 +15,95 614,15M
 MRFG3 MARFRIG ON 7,86 -2,84 +7,38 2,94M
 JBSS3 JBS ON 8,94 -2,19 -8,38 10,95M
 PETR3 PETROBRAS ON EJ N2 21,76 -2,16 +28,90 113,41M
 GGBR4 GERDAU PN EJ 14,77 -2,06 +20,09 22,67M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 7,82 +1,96 -33,95 6,51M
 BBAS3 BRASIL ON EJ 29,05 +1,89 -7,38 114,93M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 43,89 +1,72 +135,97 50,94M
 KROT3 KROTON ON 10,53 +1,25 -41,82 26,44M
 TAEE11 TAESA UNT N2 18,75 +1,24 -6,82 13,52M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Notícias do dia
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) anunciou hoje (30) que, mesmo com a liminar do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que considerou a greve abusiva, a paralisação da categoria foi iniciada e atinge refinarias, terminais e plataformas da Bacia de Campos. O movimento programou atos e manifestações ao longo do dia. Pelo balanço da FUP, os trabalhadores cruzaram os braços nas refinarias de Manaus (Reman), Abreu e Lima (Pernambuco), Regap (Minas Gerais), Duque de Caxias (Reduc), Paulínia (Replan), Capuava (Recap), Araucária (Repar), Refap (RS), além da Fábrica de Lubrificantes do Ceará (Lubnor), da Araucária Nitrogenados (Fafen-PR) e da unidade de xisto do Paraná (SIX).

Os petroleiros afirmam que o movimento é uma reação à política de preços dos combustíveis, de crítica à gestão na Petrobras e contra os valores cobrados no gás de cozinha e nos combustíveis. A paralisação dos petroleiros ocorre três dias depois de o presidente Michel Temer e equipe negociarem um acordo com os caminhoneiros. Por mais de uma semana, os caminhoneiros pararam o país, provocando desabastecimento nos postos de gasolina, supermercados e prejuízos à economia. Na véspera, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, classificou como "política" a paralisação de 72h dos petroleiros. Para ele, o movimento não apresentou uma pauta reivindicatória. O executivo afirma, ainda, que houve um acordo, no ano passado, com vigência de 24 meses, incluindo reajuste salarial.

Na noite de ontem, o plenário do Senado aprovou, em votação simbólica, o projeto de lei (PLC 52/2018) que retira diversos setores da economia da lista dos que contam com desoneração da folha de pagamentos. Foi mantido no texto o dispositivo que zera até o final do ano a cobrança de PIS/Cofins sobre o óleo diesel. A oposição tentou derrubar essa previsão, mas não obteve sucesso. Senadores da base do governo garantiram que o presidente da República, Michel Temer, vetará essa parte do projeto, que segue agora para sanção.

O texto faz parte do acordo com os caminhoneiros para dar fim ao movimento grevista, com a redução de R$ 0,46 no preço do óleo diesel. Pela proposta, serão reonerados o setor hoteleiro, o comércio varejista (exceto calçados) e alguns segmentos industriais, como automóveis. Também terá fim a desoneração da folha sobre o transporte marítimo de passageiros e de carga na navegação de cabotagem, interior e de longo curso; a navegação de apoio marítimo e de apoio portuário; empresas que realizam operações de carga, descarga e armazenagem de contêineres em portos organizados; o transporte ferroviário de cargas e a prestação de serviços de infraestrutura aeroportuária.

A desoneração permite que empresas deixem de recolher a alíquota de 20% de contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento e paguem percentual que varia de 1% a 4,5% sobre a receita bruta. Das 56 atividades econômicas atualmente desoneradas, metade será mantida e a outra metade voltará à contribuição previdenciária tradicional.

IMTV

No programa Be-a-bá da Bolsa, o analista a Carteira InfoMoney e editor-chefe do site, Thiago Salomão, dará dicas aos investidores que perderam dinheiro na Bolsa em maio sobre como dar a volta por cima e seguir acreditando em bons retornos na renda variável. O programa é transmitido ao vivo a partir das 11h (horário de Brasília) pela IMTV.

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