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Ibovespa destoa de Wall Street e cai 1,75% com preocupação eleitoral

Incerteza com corrida presidencial leva tom de aversão a riscos à Bolsa, que contrasta com sessão positiva nos EUA

SÃO PAULO - Em um dia de bastante nervosismo no mercado, prevaleceu a aversão a riscos por parte dos investidores. Nesta segunda-feira (16), o Ibovespa, que chegou a subir 0,30% no intraday, fechou em queda de 1,75%, a 82.861 pontos, em seu segundo pregão negativo consecutivo. É a primeira vez que o índice fecha abaixo dos 83 mil pontos desde 9 de fevereiro. O volume financeiro negociado na B3 neste pregão foi de R$ 12,83 bilhões. Já o dólar comercial, contrariando o dia de maior pessimismo do mercado, caiu 0,41%, a R$ 3,4120.

O movimento do benchmark da bolsa brasileira destoou do desempenho observado em Wall Street, com o mercado demonstrando preocupação com o cenário eleitoral após a divulgação de pesquisa Datafolha para a presidência. O dia também marcou reações dos investidores ao bombardeio de Estados Unidos, Reino Unido e França à Síria. Também contribuiu para o recuo do Ibovespa o dia negativo para as commodities no mercado internacional.

Confira os destaques deste pregão e veja o que esperar para a semana:

Destaques da Bolsa

Do lado acionário, bancos e estatais, como a Eletrobras (ELET6), registraram as maiores perdas, assim como as siderúrgicas -- em especial a Usiminas (USIM5) --, que pussuem maior beta (ou seja, são mais sensíveis as variações tanto positivas quanto negativas do mercado). Por outro lado, entre as maiores altas, estão papéis defensivos, como Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11), sendo que os papéis da primeira foram os únicos do Ibovespa a subir mais de 1%.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM5 USIMINAS PNA 10,03 -4,66 +10,22 88,18M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 22,07 -4,29 -2,78 21,97M
 B3SA3 B3 ON 25,38 -3,94 +11,41 198,26M
 CPLE6 COPEL PNB 24,53 -3,80 -1,68 18,28M
 ELET3 ELETROBRAS ON 18,53 -3,59 -4,19 44,77M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON 36,86 +1,68 +97,22 111,85M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 20,58 +0,98 +18,01 31,79M
 CIEL3 CIELO ON 18,85 +0,59 -18,47 98,10M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON ED 13,52 +0,52 +0,19 18,84M
 WEGE3 WEG ON 22,15 +0,45 -7,59 29,21M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 20,62 -2,74 991,59M 1,03B 42.397 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 49,70 -1,47 626,17M 547,17M 19.298 
 VALE3 VALE ON 44,54 -0,98 507,15M 678,57M 18.027 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 22,98 -1,20 476,35M 292,02M 21.268 
 BBAS3 BRASIL ON 36,30 -3,56 417,88M 385,24M 28.711 
 BBDC4 BRADESCO PN 33,26 -2,18 332,96M 396,66M 28.222 
 PETR3 PETROBRAS ON 22,89 -3,54 235,64M 204,84M 13.694 
 B3SA3 B3 ON 25,38 -3,94 198,26M 186,40M 19.882 
 LREN3 LOJAS RENNERON 33,19 -0,42 163,62M 116,35M 10.900 
 GGBR4 GERDAU PN 16,36 -0,30 159,38M 151,96M 18.393 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Pessimismo pós-Datafolha

Neste pregão, os investidores também digeriram os dados de pesquisa eleitoral divulgada pelo instituto Datafolha no último domingo (15). O levantamento mostrou a ex-senadora Marina Silva (Rede Sustentabilidade) encostada no deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), Joaquim Barbosa (PSB) com pontuação próxima a 10% e Geraldo Alckmin (PSDB) estagnado. Também observou-se uma redução no apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após sua prisão, agora com 31% das intenções de voto no cenário mais favorável a ele, e uma maior desconfiança sobre sua candidatura. De todo modo, o mercado segue preocupado com o cenário adverso que se desenha para candidatos pró-reformas econômicas.

Sem Lula, o deputado Jair Bolsonaro (17%) aparece tecnicamente empatado com Marina Silva (15%), ao passo que Geraldo Alckmin segue sem decolar e já está sendo ameaçado por outros presidenciáveis. O grande destaque ficou por conta da disparada de Joaquim Barbosa, que apareceu como outsider da eleições. O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) está na frente do tucano em todos os cenários, pontuando entre 9% a 10%, contra 6% a 8% de Alckmin. Ao mesmo tempo, outro candidato "pró-mercado", o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, registrou 1% das intenções de votos.

Tabuleiro geopolítico

Os investidores também digerem os efeitos políticos do bombardeio de Estados Unidos, Reino Unido e França à Síria em resposta às alegações de suposto uso de armas químicas pelo governo de Bashar al-Assad, além do anúncio de novas sanções norte-americanas à Rússia. Mesmo com a ofensiva militar, houve certo alívio dos analistas com o escopo limitado da operação e o fato de ela não ter desencadeado uma escalada no conflito sírio.

Em Wall Street, o pregão foi positivo, com o setor financeiro recuperando as perdas de sexta-feira com o resultado acima do esperado do Bank of America nesta segunda-feira. Já na Europa, o dia foi levemente negativo para os principais índices acionários, descolando-se do movimento norte-americano. No mercado europeu, os papéis dos setores de alimentos e bebidas se destacavam no campo negativo, em meio à temporada de balanços corporativos.

Agenda da semana

Por aqui, a semana começou com o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) na série com com ajuste sazonal registrou avanço de 0,09% na passagem de janeiro de fevereiro de 2018, recuperando-se da queda de 0,65% registrada no primeiro mês do ano, como também ficando acima da expectativa do mercado, que apontava alta de 0,03% na comparação mensal. Em comparação com fevereiro do ano passado, o indicador, que é mais conhecido como uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto) oficial, apontou crescimento de 0,66%, enquanto os analistas de mercado esperavam por um avanço de 0,80%.

Na sexta-feira (20) às 9h, o IBGE divulga o IPCA-15 referente ao mês de abril, que deve mostrar alta de 0,31% segundo projeção da GO. No acumulado em 12 meses o indicador continuará abaixo do piso da meta de 3,0%, em 2,91%: "apesar da aceleração no mês, o cenário inflacionário segue confortável, permitindo ao Copom realizar novo corte de juros, de 0,25 pp, na reunião dos dias 15 e 16 de maio, levando a Selic para 6,25% ao ano", aponta a consultoria. 

Sem dias definidos, o Ministério do Trabalho deve divulgar os dados do Caged referente ao mês de março, com expectativa de geração líquida positiva de vagas, enquanto a Receita Federal revela os dados de arrecadação federal do mesmo mês. A GO Associados projeta arrecadação de R$ 109,8 bilhões, um aumento real de 8,0% ante março do ano passado. 

Na agenda econômica norte-americana da semana, atenção para o resultado do varejo na segunda (16) e a produção industrial na terça (17), ambos de março. Na quarta-feira, o Federal Reserve divulga o livro Bege, que contém informações sobre o nível corrente da atividade econômica com base em informações coletadas junto aos empresários de cada regional do Fed.

 

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