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De olho na política, bancos caem até 5%, Eletrobras desaba 9% e Petrobras cai 3%; Marfrig dispara 19% após virar "vice" no setor

Confira os destaques do noticiário corporativo desta segunda-feira (9)

Cofre em um banco
(Reuters)

SÃO PAULO - A sessão prometia ser calma para o mercado brasileiro, com o dia de alta nos mercados mundiais e sem um grande acontecimento à vista após a prisão do ex-presidente Lula, cuja perspectiva de detenção já havia animado os mercados na última semana com a menor chance de um candidato antirreformas despontando nas pesquisas. Porém, a sombra da incerteza eleitoral voltou a assustar o mercado, sem nenhum candidato pró-mercado claro despontando nos levantamentos, além do mercado seguir também de olho na sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) da próxima quarta-feira. 

Mesmo com a saída de Lula do jogo eleitoral, o mercado financeiro não identifica um candidato pró-mercado forte, enquanto a sorte do ex-presidente ainda depende do Supremo, que deve julgar na quarta-feira ação sobre prisão após segunda instância. Em meio a esse cenário nebuloso, o Ibovespa caiu 1,78%, puxado principalmente por bancos como Bradesco (BBDC3;BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Itaú Unibanco (ITUB4), que caíram até 5%. Enquanto isso, Eletrobras despenca ainda digerindo as mudanças no ministério de minas e energia e as suas consequências para a privatização. Na ponta oposta, só sete ações subiram, com destaque para a Marfrig, que disparou até 20% e fechou com alta de 18,81% após a compra estratégica de uma empresa americana, tornando a brasileira a segunda maior companhia de carnes do mundo. Confira estes e outros destaques:

 

Marfrig (MRFG3)

A Marfrig Global Foods deve assumir o controle do frigorífico norte-americano National Beef. A Marfrig concordou em adquirir uma participação de 48% na National Beef por cerca de US$ 900 milhões detida atualmente pela Leucadia National, segundo comunicado da Leucadia nesta segunda-feira. A empresa brasileira também comprará mais 3% do frigorífico de outros acionistas.

Pela aquisição de 51% das ações da National Beef, quarta maior processadora de carne bovina dos EUA, a Marfrig pagará valor total de US$ 969 milhões no negócio, segundo comunicado divulgado separadamente pela Marfrig. O acordo marca a última incursão nos Estados Unidos pela Marfrig, que em 2010 comprou a Keystone Foods por cerca de US$ 1,26 bilhão para se tornar fornecedora de redes de restaurantes como a McDonald’s. Também fortalece a presença de empresas brasileiras no setor de carne dos EUA: JBS também tem operações americanas e uma participação majoritária na gigante avícola Pilgrim’s Pride. Grupo de capital fechado, o National Beef tem uma receita anual de mais de US$ 7 bilhões e vende para clientes nos EUA e em outros 40 países, segundo seu website. Marfrig passa a ter acesso a mercados como Japão e Coreia do Sul, segundo comunicado separado enviado pela Marfrig.  Com a aquisição, a Marfrig se torna a segunda maior empresa de carne no mundo.

Em teleconferência com jornalistas, o diretor financeiro da Marfrig, Eduardo Miron, destacou que as vendas sobem a R$ 34 bilhões com a compra da National Beef. O negócio dá a Marfrig acesso a mercados de alto valor; o Japão é maior mercado de exportação da National Beef.

Segundo o BTG Pactual, a aquisição fez com que a empresa se torne player puro de carne, setor em que realmente possui vantagem, com uma base de produção diversificada na América do Sul e nos EUA e maior acesso aos mercados de exportação. “A administração reafirmou as intenções de manter a alavancagem em níveis muito baixos, o que vemos como primordial para uma estrutura de capital sustentável e perfil de geração do fluxo de caixa livre em todos os ciclos de carne bovina”, avaliam os analistas do banco. 

Eletrobras (ELET6)

Na Eletrobras, atenção para as mudanças no ministério de Minas e Energia, que pode afetar as negociações para a privatização da companhia. Na sexta-feira, os ativos despencaram em meio às notícias de saída do secretário-executivo Paulo Pedrosa, visto como um dos balizadores da desestatização da empresa. No último domingo, Moreira Franco foi anunciado como o novo ministro de Minas e Energia, tendo como prioridade a privatização da Eletrobras. 

"Nada muda", disse Moreira Franco ao Estadão. "O processo de capitalização da Eletrobras é política de governo e vai seguir dentro dos mesmos parâmetros e coerente com a mesma política que o ministério, sob o comando do Fernando Bezerra, vinha aplicando." 

A venda da Eletrobras é classificada como "prioridade zero" para o projeto de privatização do Planalto, embora o repasse da administração de vários aeroportos também seja considerado fundamental. Ao nomear Moreira para o MME, o governo quer ainda sinalizar que haverá uma pessoa especial e próxima a Temer conduzindo o importante projeto. Para o Planalto, essa desestatização precisa sair o quanto antes, disse um interlocutor do presidente. 

Havia no mercado e nos escalões técnicos da pasta o receio da indicação de um ministro político que começasse a operar contra o programa. O nome preferido das duas alas, e também do agora ex-ministro Fernando Coelho Filho, era justamente o de Paulo Pedrosa. A escolha dele ganhou força no início da semana passada, mas logo cedeu terreno para a escolha de um integrante do MDB, após Coelho Filho transferir-se para o DEM. Pedrosa deixou o ministério na sexta-feira. 

Moreira Franco disse ao Estadão que o atual secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis, Márcio Félix, será seu secretário-executivo. Com isso, o governo reforça a linha de continuidade no processo de capitalização da Eletrobras. Na mesma linha, o ministro informou ainda que Wilson Ferreira Jr. continuará à frente da estatal. O executivo vem desempenhando um importante papel de ajuste e enxugamento de gastos da Eletrobras, num trabalho preparatório à capitalização.

Um receio da área técnica era de que o atual presidente da Eletrobras também deixasse o cargo com a troca de comando da pasta. Ele é considerado figura-chave na privatização, pois trabalha fortemente para ajustar as contas da estatal. Cortou cargos em comissão e iniciou programa de demissão voluntária, além de promover ajustes administrativos para reduzir as despesas. 

Contudo, a privatização segue tendo barreiras no campo político. De acordo com a Folha, julho deve ser o prazo limite para a definição da privatização, pois poderá marcar o afastamento de executivos à frente de estatais, como a Eletrobras, não só pela proximidade do pleito, mas principalmente por representar o fim do prazo para cumprir a quarentena antes da temporada de contratação de novos conselheiros nas companhias.

 

Vale (VALE5)

As ações da Vale alternaram entre leves ganhos e perdas, conseguindo fechar em alta em um dia de ganhos para o minério de ferro no mercado internacional, mas ainda de olho nas sinalizações de atenuação da guerra comercial entre China e EUA. Siderúrgicas como CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5) também abriram com ganhos, mas viraram para queda e fecharam com perdas.

Ontem, autoridades do governo americano utilizaram tom mais ameno ao abordarem a questão comercial com Pequim, ressaltando que tarifas recém-anunciadas contra produtos chineses não entrarão em vigor de imediato e que ainda há tempo para os dois lados chegarem a um acordo. O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse em entrevista à emissora CBS não esperar “que haja uma guerra comercial” entre Washington e Pequim, enquanto o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, enfatizou que “nada aconteceu até agora”. Porém, o mercado segue monitorando com atenção as falas de autoridades de ambos os países. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou hoje que o comércio de seu país com a China não é "livre" nem "justo", mas "estúpido".

No radar da Vale, a mineradora substituiu a Ambev (ABEV3) na Brazil Buy List do Itaú BBA. A mineradora foi adicionada ao portfólio por estar se tornando uma empresa mais previsível após o anúncio de política de dividendos "clara e transparente", disseram analistas do banco. 

A mineradora pode ter múltiplos mais altos, já que a empresa está melhor posicionada do que seus pares, diz o Itaú BBA, citando ainda a qualidade superior do minério de ferro, potencial para aumentar volumes com investimentos limitados, menor necessidades de capex e espaço para cortar custos.

Já a Ambev foi retirada do portfólio após o recente corte das projeções do Itaú BBA para o primeiro trimestre de 2018, uma vez que a unidade de cerveja deve ser prejudicada pelo clima adverso.

A Brazil Buy List sobe 17% no acumulado do ano contra 11% do Ibovespa. A composição atual é Azul, Banco do Brasil, Cemig, Cyrela, Gerdau, Iochpe-Maxion, Petrobras, Tegma, TIM Participações e Vale. 

No portfólio Small Caps, o Itaú BBA substituiu Randon, Camil e Even por Tegma, Marcopolo e Minerva, segundo relatório separado assinado pelos mesmos analistas. A Tegma, segundo os analistas, é a melhor forma de aproveitar a melhoria do setor automotivo, enquanto a Marcopolo é a melhor para aproveitar a recuperação do mercado de ônibus.

Já a Minerva tem oportunidades de melhorar ativos do Mercosul já no 1T18 e acelerar o processo de desalavancagem com o desinvestimento de ativos não essenciais. O portfólio de Small Caps sobe 1,9% no acumulado do ano contra 3,4% do índice SMLL. A composição atual é Alupar, Copasa, Marcopolo, Metalúrgica Gerdau, Minerva, Ser, Tegma, Tenda, Valid e Wiz.

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No radar da Usiminas, segundo a Coluna do Broad, do jornal O Estado de S. Paulo, a diretoria da companhia começou a avaliar a possibilidade de vender uma fábrica de tubos com costura no Sul do País, a ex-Zamprogna, comprada pela empresa em 2009. O ativo  faz parte da subsidiária da Soluções Usiminas, que além da siderúrgica mineira tem como sócias a companhia asiática Metal One (20%) e a família Sleumer (11,1%). Os minoritários da Soluções Usiminas já se posicionaram a favor da venda, diante da percepção de que esse ativo tem pressionado para baixo o resultado da empresa.

 
Na Usiminas, entre os que se colocam contra a venda, a justificativa é de que o ativo contempla também um relevante polo de distribuição de aço na região Sul do País, importante comercialmente para a Usiminas. Procurada, a siderúrgica não comentou. 
 

PetroRio (PRIO3)

PetroRio deu início à segunda fase do plano de revitalização do Campo de Polvo, com a perfuração de três novos poços e investimento inicial de US$ 20 milhões. A cifra pode chegar a US50 milhões, dependendo dos resultados obtidos.  
“A PetroRio está confiante que esta etapa da revitalização de Polvo será um excelente investimento para a Companhia e, dependo dos resultados obtidos, potencialmente poderá estender a vida econômica de Polvo em 5 anos, até 2026”, disse Blener Mayhew, CFO da PetroRio.
 

Ecorodovias (ECOR3)

O CEO da Ecorodovias Marcelino Seras renunciou ao cargo de diretor executivo de Negócios Rodoviários, que será ocupado por Nicolò Caffo. Marcelino seguirá ocupando os cargos de CEO, diretor executivo de Desenvolvimento de Negócios e Diretor Executivo de Negócios Logísticos. Já Caffo ocupou nos últimos 6 anos posições de gerente regional da Atlantia, sendo responsável pelos negócios da companhia nos Estados Unidos e na Polônia, e de gerente de desenvolvimento de negócios tecnológicos da Atlantia. Anteriormente, trabalhou em empresas como Mckinsey & Company, Bank of America Securities e MGE – Matildi General Engineering.

 

Petrobras (PETR4)

As ações da Petrobras chegaram a subir seguindo o movimento de alta do petróleo, com o WTI e o brent avançando mais de 2%. Contudo, em meio às incertezas políticas, o dia foi de baixa para os papéis, que também seguem de olho na indicação do novo ministro de Minas e Energia, Moreira Franco. 
 
Vale destacar ainda que Eduardo Guardia, o novo ministro da Fazenda após a saída de Henrique Meirelles, é um dos coordenadores sobre a cessão onerosa com o governo. Segundo o UBS, a sua nomeação para a Fazenda indica que as tratativas continuarão. 
 

Recomendações

Destaque ainda para a revisão do setor de autopeças pelo UBS, com Randon (RAPT4)  tendo a recomendação reduzida a venda, com preço-alvo de R$ 7,80, enquanto Marcopolo (POMO4) foi elevada a neutra, com preço-alvo de R$ 4,20 e Iochpe-Maxion (MYPK3) foi elevada a compra, com preço-alvo de R$ 32.

Já a M.Dias Branco (MDIA3) foi rebaixada a ’neutra’ por JPMorgan, com preço-alvo de R$ 52, enquanto a Minerva (BEEF3) foi elevada a ’overweight’ pelo mesmo banco, com  preço-alvo de R$ 13. 

 

BRF (BRFS3)

Atenção para a disputa no Conselho de Administração da BRF. O empresário Abilio Diniz e os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil) e Petros (Petrobras) não chegaram a um acordo acerca da apresentação de uma chapa única para o Conselho de Administração da BRF, depois de uma longa reunião do colegiado, dividida entre quinta e sexta. Foi apresentada uma chapa alternativa para disputar com a já indicada pelos fundos de pensão no mês passado.

Segundo ata da reunião do conselho, houve um “esforço dos conselheiros presentes à reunião na busca de um consenso”, mas não foi possível a consumação, “pelas dificuldades apresentadas pelo conselheiro Francisco Petros”, que não compareceu à reunião. O conselheiro é representante da Petros ao conselho da BRF. A ata diz que, sem o consenso, a maioria dos conselheiros decidiu pela apresentação de uma segunda chapa. O grupo é formado por Luiz Fernando Furlan, apontado como presidente do conselho, Walter Malieni Jr, Augusto Marques da Cruz Filho, Roberto Rodrigues, Jose Luiz Osório, Roberto Antônio Mendes, Dan Iochen, Vasco Augusto Pinto da Fonseca Dias Júnior, Flávia Almeida, nome de confiança de Abilio e José Aurelio Drummond, presidente executivo da BRF. A votação será realizada no dia 26 de abril e os acionistas deverão escolher entre uma das duas chapas que foram apresentadas até agora.

Na sexta, a assessoria de imprensa da Península Participações, empresa de investimento privado fundada por Abilio, enviou uma declaração do empresário: “Trabalhei muito esses dois dias para unir acionistas e conselho em torno de uma chapa única, pois entendo que a união é o primeiro passo para a jornada de retomada de valor da BRF.” Há dias, havia uma expectativa de que o presidente do colegiado, Abilio Diniz, apresentasse carta de renúncia, após negociação com os fundos de pensão acionistas da empresa. A atuação de Abilio como presidente do conselho BRF vem sendo criticada por acionistas desde que a empresa registrou o primeiro prejuízo, em 2016.

 

Banrisul (BRSR6)

O banco estatal gaúcho Banrisul informou que seu controlador, o governo do Rio Grande do Sul, desistiu de fazer uma oferta de ações, por meio qual poderia vender até 49% do capital votante que tem no negócio. O anúncio do plano da oferta foi feito em outubro, mas a operação foi adiada em dezembro em meio às condições adversas do mercado.

O Rio Grande do Sul possui atualmente cerca de 204,2 milhões de ações ordinárias do Banrisul, representando 99,58% do capital votante, e 28,8 milhões dos ativos preferenciais, representando 14,2% do total.

 

Sanepar (SAPR11)

Na Sanepar, Luciano Machado vai assumir a presidência interinamente da estatal de saneamento paranaense. 
 
(Com Bloomberg e Agência Estado)
 

 

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