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Ambev é trocada por Vale em lista do Itaú BBA; mais 5 recomendações, Marfrig faz compra, data-limite na Eletrobras e outros destaques

Confira os destaques do noticiário corporativo desta segunda-feira (9) 

Vale Ontário, Canadá - mineração 2
(Julie Gordon/Reuters)

SÃO PAULO - Não são só os desdobramentos da prisão de Lula e a guerra comercial entre EUA e China que repercutem no mercado. O noticiário corporativo também é movimentado, com destaque para recomendações, a aquisição pela Marfrig do controle acionário da americana National Beef, a disputa no Conselho da BRF, os desdobramentos sobre a privatização da Eletrobras, entre outras notícias. Cnfira no que se atentar:

Vale (VALE5)

A Vale substituiu a Ambev (ABEV3) na Brazil Buy List do Itaú BBA. A mineradora foi adicionada ao portfólio por estar se tornando uma empresa mais previsível após o anúncio de política de dividendos "clara e transparente", disseram analistas do banco. 

A mineradora pode ter múltiplos mais altos, já que a empresa está melhor posicionada do que seus pares, diz o Itaú BBA, citando ainda a qualidade superior do minério de ferro, potencial para aumentar volumes com investimentos limitados, menor necessidades de capex e espaço para cortar custos.

Já a Ambev foi retirada do portfólio após o recente corte das projeções do Itaú BBA para o primeiro trimestre de 2018, uma vez que a unidade de cerveja deve ser prejudicada pelo clima adverso.

A Brazil Buy List sobe 17% no acumulado do ano contra 11% do Ibovespa. A composição atual é Azul, Banco do Brasil, Cemig, Cyrela, Gerdau, Iochpe-Maxion, Petrobras, Tegma, TIM Participações e Vale. 

No portfólio Small Caps, o Itaú BBA substituiu Randon, Camil e Even por Tegma, Marcopolo e Minerva, segundo relatório separado assinado pelos mesmos analistas. A Tegma, segundo os analistas, é a melhor forma de aproveitar a melhoria do setor automotivo, enquanto a Marcopolo é a melhor para aproveitar a recuperação do mercado de ônibus.

Já a Minerva tem oportunidades de melhorar ativos do Mercosul já no 1T18 e acelerar o processo de desalavancagem com o desinvestimento de ativos não essenciais. O portfólio de Small Caps sobe 1,9% no acumulado do ano contra 3,4% do índice SMLL. A composição atual é Alupar, Copasa, Marcopolo, Metalúrgica Gerdau, Minerva, Ser, Tegma, Tenda, Valid e Wiz.

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Recomendações

Destaque ainda para a revisão do setor de autopeças pelo UBS, com Randon (RAPT4)  tendo a recomendação reduzida a venda, com preço-alvo de R$ 7,80, enquanto Marcopolo (POMO4) foi elevada a neutra, com preço-alvo de R$ 4,20 e Iochpe-Maxion (MYPK3) foi elevada a compra, com preço-alvo de R$ 32.

Já a M.Dias Branco (MDIA3) foi rebaixada a ’neutra’ por JPMorgan, com preço-alvo de R$ 52, enquanto a Minerva (BEEF3) foi elevada a ’overweight’ pelo mesmo banco, com  preço-alvo de R$ 13. 

Eletrobras (ELET6)

Na Eletrobras, atenção para as mudanças no ministério de Minas e Energia, que pode afetar as negociações para a privatização da companhia. Na sexta-feira, os ativos despencaram em meio às notícias de saída do secretário-executivo Paulo Pedrosa, visto como um dos balizadores da desestatização da empresa. No último domingo, Moreira Franco foi anunciado como o novo ministro de Minas e Energia, tendo como prioridade a privatização da Eletrobras. 

"Nada muda", disse Moreira Franco ao Estadão. "O processo de capitalização da Eletrobras é política de governo e vai seguir dentro dos mesmos parâmetros e coerente com a mesma política que o ministério, sob o comando do Fernando Bezerra, vinha aplicando."

A venda da Eletrobras é classificada como "prioridade zero" para o projeto de privatização do Planalto, embora o repasse da administração de vários aeroportos também seja considerado fundamental. Ao nomear Moreira para o MME, o governo quer ainda sinalizar que haverá uma pessoa especial e próxima a Temer conduzindo o importante projeto. Para o Planalto, essa desestatização precisa sair o quanto antes, disse um interlocutor do presidente. 

Havia no mercado e nos escalões técnicos da pasta o receio da indicação de um ministro político que começasse a operar contra o programa. O nome preferido das duas alas, e também do agora ex-ministro Fernando Coelho Filho, era justamente o de Paulo Pedrosa. A escolha dele ganhou força no início da semana passada, mas logo cedeu terreno para a escolha de um integrante do MDB, após Coelho Filho transferir-se para o DEM. Pedrosa deixou o ministério na sexta-feira.

Outro receio da área técnica era de que o atual presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., também deixasse o cargo com a troca de comando da pasta. Ele é considerado figura-chave na privatização, pois trabalha fortemente para ajustar as contas da estatal. Cortou cargos em comissão e iniciou programa de demissão voluntária, além de promover ajustes administrativos para reduzir as despesas. Ele, porém, não pediu demissão junto com Pedrosa, como chegou a ser especulado. Sua agenda de trabalho continua normalmente, segundo informaram pessoas próximas. 

Contudo, a privatização segue tendo barreiras no campo político. De acordo com a Folha, julho deve ser o prazo limite para a definição da privatização, pois poderá marcar o afastamento de executivos à frente de estatais, como a Eletrobras, não só pela proximidade do pleito, mas principalmente por representar o fim do prazo para cumprir a quarentena antes da temporada de contratação de novos conselheiros nas companhias.

BRF (BRFS3)

Atenção para a disputa no Conselho de Administração da BRF. O empresário Abilio Diniz e os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil) e Petros (Petrobras) não chegaram a um acordo acerca da apresentação de uma chapa única para o Conselho de Administração da BRF, depois de uma longa reunião do colegiado, dividida entre quinta e sexta. Foi apresentada uma chapa alternativa para disputar com a já indicada pelos fundos de pensão no mês passado.

Segundo ata da reunião do conselho, houve um “esforço dos conselheiros presentes à reunião na busca de um consenso”, mas não foi possível a consumação, “pelas dificuldades apresentadas pelo conselheiro Francisco Petros”, que não compareceu à reunião. O conselheiro é representante da Petros ao conselho da BRF. A ata diz que, sem o consenso, a maioria dos conselheiros decidiu pela apresentação de uma segunda chapa. O grupo é formado por Luiz Fernando Furlan, apontado como presidente do conselho, Walter Malieni Jr, Augusto Marques da Cruz Filho, Roberto Rodrigues, Jose Luiz Osório, Roberto Antônio Mendes, Dan Iochen, Vasco Augusto Pinto da Fonseca Dias Júnior, Flávia Almeida, nome de confiança de Abilio e José Aurelio Drummond, presidente executivo da BRF. A votação será realizada no dia 26 de abril e os acionistas deverão escolher entre uma das duas chapas que foram apresentadas até agora.

Na sexta, a assessoria de imprensa da Península Participações, empresa de investimento privado fundada por Abilio, enviou uma declaração do empresário: “Trabalhei muito esses dois dias para unir acionistas e conselho em torno de uma chapa única, pois entendo que a união é o primeiro passo para a jornada de retomada de valor da BRF.” Há dias, havia uma expectativa de que o presidente do colegiado, Abilio Diniz, apresentasse carta de renúncia, após negociação com os fundos de pensão acionistas da empresa. A atuação de Abilio como presidente do conselho BRF vem sendo criticada por acionistas desde que a empresa registrou o primeiro prejuízo, em 2016.

Marfrig (MRFG3)

A Marfrig Global Foods deve assumir o controle do frigorífico norte-americano National Beef. A Marfrig concordou em adquirir uma participação de 48% na
National Beef por cerca de US$ 900 milhões detida atualmente pela Leucadia National, segundo comunicado da Leucadia nesta segunda-feira. A empresa brasileira também comprará mais 3% do frigorífico de outros acionistas.

Pela aquisição de 51% das ações da National Beef, quarta maior processadora de carne bovina dos EUA, a Marfrig pagará valor total de US$ 969 milhões no negócio, segundo comunicado divulgado separadamente pela Marfrig. O acordo marca a última incursão nos Estados Unidos pela Marfrig, que em 2010 comprou a Keystone Foods por cerca de US$ 1,26 bilhão para se tornar fornecedora de redes de restaurantes como a McDonald’s. Também fortalece a presença de empresas
brasileiras no setor de carne dos EUA: JBS também tem operações americanas e uma participação majoritária na gigante avícola Pilgrim’s Pride. Grupo de capital fechado, o National Beef tem uma receita anual de mais de US$ 7 bilhões e vende para clientes nos EUA e em outros 40 países, segundo seu website. Marfrig passa a ter acesso a mercados como Japão e Coreia do Sul, segundo comunicado
separado enviado pela Marfrig.  Com a aquisição, a Marfrig se torna a segunda maior empresa de carne no mundo.

Banrisul (BRSR6)

O banco estatal gaúcho Banrisul informou que seu controlador, o governo do Rio Grande do Sul, desistiu de fazer uma oferta de ações, por meio qual poderia vender até 49% do capital votante que tem no negócio. O anúncio do plano da oferta foi feito em outubro, mas a operação foi adiada em dezembro em meio às condições adversas do mercado.

O Rio Grande do Sul possui atualmente cerca de 204,2 milhões de ações ordinárias do Banrisul, representando 99,58% do capital votante, e 28,8 milhões dos ativos preferenciais, representando 14,2% do total.

Usiminas (USIM5)

 
Segundo a Coluna do Broad, do jornal O Estado de S. Paulo, a diretoria da Usiminas começou a avaliar a possibilidade de vender uma fábrica de tubos com costura no Sul do País, a ex-Zamprogna, comprada pela empresa em 2009. O ativo  faz parte da subsidiária da Soluções Usiminas, que além da siderúrgica mineira tem como sócias a companhia asiática Metal One (20%) e a família Sleumer (11,1%). Os minoritários da Soluções Usiminas já se posicionaram a favor da venda, diante da percepção de que esse ativo tem pressionado para baixo o resultado da empresa.
 
Na Usiminas, entre os que se colocam contra a venda, a justificativa é de que o ativo contempla também um relevante polo de distribuição de aço na região Sul do País, importante comercialmente para a Usiminas. Procurada, a siderúrgica não comentou. 
 

Sanepar (SAPR11)

Na Sanepar, Luciano Machado vai assumir a presidência interinamente da estatal de saneamento paranaense. 
 
(Com Bloomberg e Agência Estado)
 

 

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