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Magazine Luiza com a “camisa 9” e Petrobras na vaga de JBS: Alaska abre sua carteira ao InfoMoney

Em entrevista exclusiva ao InfoMoney, gestores do fundo que rendeu 352% desde 2016 explicaram por que gostam tanto de Magalu mas ao mesmo tempo mostraram qual o maior receio que eles têm sobre a empresa - e que ninguém até agora comentou sobre isso

Henrique Bredda, gestor da Alaska Asset Management,
(Reprodução/DailyMotion)

SÃO PAULO - Dentro da entrevista de 4 horas e meia concedida ao InfoMoney, a Alaska Asset - gestora que mais ganhou dinheiro na bolsa nos últimos dois anos - abriu sua carteira de ações para explicar não apenas a importância da diversificação como forma de manejo de risco mas também como "girar a carteira" entre os papéis que fazem parte da sua seleção é fundamental para ter resultados diferenciados.

Fazendo uma analogia a um time de futebol, o Alaska explica por que a Magazine Luiza segue como a "camisa 9 goleadora" já há dois anos e por que a Petrobras "roubou a vaga" nesta seleção que poderia ser da JBS. Na outra parte da matéria publicada também nesta segunda-feira (26), a gestora fez uma explicação através dos ciclos do mercado para mostrar por que o Ibovespa em dólar tem potencial para subir até 1.000% nos próximos anos (clique aqui para ver a matéria completa).

O fundo Alaska Black FIC FIA - BDR Nível I rendeu 129,2% em 2016 e 74,6% em 2017. Do início de 2016 até este final de março, ele acumula ganhos de 352%, contra +95% do Ibovespa. O fundo conta com a curadoria de Henrique Bredda e Ney Miyamoto e com o icônico Luiz Alves Paes de Barros, uma das mais lendárias figuras do mercado acionário brasileiro. O fundo Alaska Black FIC FIA - BDR Nível I está disponível para aplicação na plataforma da XP Investimentos. Aos que não forem clientes, clique aqui e abra sua conta.

Confira os principais pontos da entrevista:

A seleção titular do Alaska
A gente tem uma seleção bem distribuída em suas posições e sempre que precisamos mudar o esquema tático temos um banco de reservas bem diversificado de ações que, embora não estejam dentro da carteira, estão no nosso radar. Na defesa, temos um goleirão que é a Comgás (CGAS5), que faça chuva ou faça sol paga um dividendo espetacular. Na defesa temos uma zaga que está voando que é a Fibria (FIBR3) e a Suzano (SUZB3) [a entrevista foi feita dois dias antes antes do deal concluído entre as duas empresas; desde então, o fundo concentrou sua posição em Suzano] e nas laterais Randon (RAPT4) e Marcopolo (POMO4). Temos um meio de campo dividido entre Braskem (BRKM5), Sonae Sierra (SSBR3) e Valid (VLID3). No ataque temos a Magazine Luiza (MGLU3) de centroavante goleador faz dois anos, temos também na frente a Vale (VALE3) faz um tempo e a Petrobras (PETR4) que chegou faz um mês.

Daí num “Joesley Day” essas aqui tendem a subir e as outras despencarem. Então a gente vende um pouco disso e compra um pouco daquilo. Depois que normaliza o mercado, você desfaz o movimento e volta pro mesmo lugar que você ganhou dinheiro. Agora, se você tem só atacante, vem um dia muito ruim e você não tem como se mexer, caiu tudo 10%. O que que você faz? Nada. Por isso que gostamos de ter ativos com características diferentes, mas a gente mexe muito no portfólio, é muito importante pro retorno. É um trade passivo: você não sabe o que vai acontecer, mas você sabe que quando acontecer, ou é bom, ou é bom.

Os "reservas" da seleção
Temos um banco de reserva com ações que estão prontas para entrar em campo, é só algumas das titulares criarem uma "gordura" e perderem o potencial de alta. No nosso banco, temos hoje Aliansce (ALSC3), Rumo (RLOG), São Carlos (SCAR3), Klabin (KLBN11), Celesc (CLSC4), Gerdau (GGBR4) e Login (LOGN3). Provavelmente a gente vai colocar Aliansce pra jogar porque ela está com “same stores sale” (vendas mesmas lojas, na qual compara a mesma quantidade de lojas que estavam abertas no período comparado) melhor e ela é mais exposta à classe C.

Magazine Luiza: a estrela da carteira
Henrique Bredda: Seguimos com Magazine Luiza. Quando você olhava de fora lá em 2015 parecia uma empresa semi-falida. O pior é que conhecemos ela por acaso: visitamos ela em 2015 pois estávamos sem lugar pra visitar e marcamos uma visita lá. Tivemos uma boa impressão da primeira proxy, gostamos na segunda e na terceira vez a gente falou “os caras sabem o que estão fazendo: contrataram as grandes firmas de reestruturação de empresa, já estavam negociando todos os empréstimos, alugueis etc". Aí decidimos que era hora de parar de visitar e e definir o preço pra comprar. Em novembro daquele ano saiu no jornal que uma companhia de seguros Cardiff deu um cheque de R$ 300 milhões para ter o direito de fazer garantia estendida. Não é antecipação de recebimento; era pra comprar o direito de fazer uma baixa. A firma nesse dia valia R$ 180 milhões. Aí eu falei: “pô, alguma coisa está errada. Como é que pra vender uma barraquinha de uma empresa que vale R$ 180 e o cara paga R$ 300 à vista?”. O Luiz Alves começou a comprar no fim do ano, nós só conseguimos comprar em janeiro porque o fundo não tinha dinheiro. Ali foi onde o mercado bobeou, quando ela valia R$ 180 milhões e entrou R$ 300 milhões no caixa. Isso sem falar nos planos do Fred [Frederico Trajano, CEO da Magalu] e a parte do e-commerce, que embora tenha começado em 2009 ainda não estava presente nos números da companhia. A empresa foi excelente e o prêmio e-bt que ela ganhou em 2017 foi merecidíssimo.
Vocês ainda têm ela na Carteira InfoMoney? [referindo-se à carteira entregue aos assinantes do relatório Carteira InfoMoney Premium; após respondermos "sim", ele fez um aceno de aprovação com a cabeça].

Luiz Alves: O que aconteceu com o Magazine Luiza de lá pra cá é inacreditável e pra nós foi uma barbaridade. Nós não somos gênios nenhum, foi uma sorte louca! Não existe nada de "descobrimos a Magazine Luiza", foi uma gracinha minha de operar, eu estava num sofazinho com ar condicionado no final de 2015.  Entrei comprando no fim do ano, 3 dias do Natal, 3 dias do ano novo, terça-quarta-quinta e terça-quarta-quinta. E como tinha muita gente "vendida" no papel, eu fui tomando e o pessoal vendendo. Resultado: fiquei com 40% do "free float" (ações em circulação). O Alaska Black só começou a comprar entre janeiro e fevereiro, porque eles não tinham caixa livre, foi só quando a posição vendida em dólar começou a fazer caixa.

Henrique Bredda: O Mercado Livre continua sendo um concorrente de peso e que incomoda, os caras são muito bons, mas a B2W não chega a ser uma preocupação tão grande agora. A Amazon ainda não me preocupa, a Magalu presta atenção e aprende com o que eles estão fazendo. Agora, um negócio que tira o nosso sono e ninguém escreveu nem falou ainda é a Alibaba no Brasil. Esse cara vende no mercado emergente, sabe como é trabalhar no mercado desorganizado. Eles estão longe do Brasil ainda, mas quando falar que eles vêm, leve a sério. Eu não tenho medo do Jeff Bezos [CEO da Amazon], eu tenho medo é do Jack-Ma. O Bezos está acostumado a trabalhar no que funciona, no que é lindo, onde tem dezenas de alternativas logísticas. Pra vir pro Brasil é difícil saber até por onde começar. Mas o Magalu nunca falou sobre Alibaba, eu é que estou falando! Ameaça real é o Mercado Livre, o resto é só elucubração.

Petrobras: a novidade da carteira
Henrique Bredda:
Colocamos Petrobras há pouco mais de um mês. Nos nossos modelos a gente coloca o petróleo nesse patamar de US$ 60, US$ 65 o barril. Só que o que fez a gente olhar pra Petrobras foi uma série de fatores. Primeiro a mudança na gestão, com a competência do Pedro Parente, e mudança nas atitudes da companhia, como a disciplina de preços na gasolina, que parou de subsidiar e começou a vender na paridade internacional. A venda de ativos "non-core" pra desalavancar e a super preocupação com o balanço, que mostra que o Capex não deve mais ter gasto com "besteira", nos animou a parar pra analisar o papel.

E quando olhamos mais afundo, vimos que a companhia estava gerando muito caixa e negociando num múltiplo com muito desconto em relação aos seus pares internacionais, enquanto que entre 2000 e 2013 ela negociava com prêmio. Agora estamos no menor EV/Ebitda dos últimos anos, só que o Ebitda parou de ser comido por besteiras. Então não vai ter Capex estrondoso, é mais provável que a gente seja surpreendido positivamente no SG&A do que negativamente. Então dá pra gente assistir um "re-rating" da Petrobras, um crescimento do Ebitda por eficiência na gestão e, quem sabe, se tivermos muita sorte, uma subida no petróleo. Se o petróleo for a US$ 80, o que não é muito, já é um escândalo essa Petrobras.

E outra coisa que fez a gente perder um pouco o receio que era grande, é que a cessão onerosa está caminhando pra resolver. E essa cessão onerosa a gente nem precisa que seja uma coisa que a Petrobras receba. É só morrer o assunto. E, pelo jeito, capaz da Petro receber alguma coisa. A gente nem considera, mas o importante é que não é algo binário: quando começamos a olhar, a gente não sabia nem o tamanho, e hoje estão falando de US$ 12 bi ou US$ 15 bilhões.

[Perguntamos se eles se preocupam caso o presidente da Petrobras, Pedro Parente, concorra a algum cargo político, já que ele tem sido citado como um bom nome]. A gente não sabe quem entra no lugar, caso o Pedro Parente saia, assim como não sabemos quem vai assumir caso o Meirelles saia ou quem vai ser o próximo presidente. Mas a gente sabe qual vai ser a ideologia, qual o currículo: será um pessoal pró-mercado, pró-reforma. É muito difícil aparecer um candidato comunista vitorioso ou sair o Pedro Parente e entrar um [José Sérgio] Gabrielli da vida…

E a JBS? Por que não entrou?
[Contexto: no começo do ano, o Alaska concedeu uma entrevista ao Valor Econômico, na qual LAPB deu a entender que colocaria uma empresa com as características da JBS na carteira].Não montamos a posição em JBS. Olhamos e olhamos, mas tem muita incerteza ali, mais do que a gente gostaria. Se a gente fechar os olhos pros riscos e só fazer conta, ela está muito barata.  Como a gente estava ganhando confiança e apareceu a Petrobras no meio do caminho, pegamos Petrobras. Não é caso encerrado não, mas está muito difícil.

Fibria e Suzano (trecho atualizado após a conclusão da fusão entre as empresas)
A gente tinha Fibria, era uma posição intermediária no fundo, já foi uma das maiores. Conforme o preço vai subindo, a gente vai reduzindo. Hoje concentramos quase toda nossa participação em Suzano, pois ela que conseguirá absorver toda a sinergia desse acordo e hoje comprar Fibria é o equivalente a aplicar 80% do seu dinheiro em "caixa" que acompanhará o CDI e apenas 20% em uma empresa de celulose. Ou seja: se você investir R$ 5 milhões em Suzano, terá R$ 5 milhões rentabilizados lá na frente; se colocar os mesmos R$ 5 milhões na Fibria, só terá R$ 1 milhão deste rentabilizado pela exposição de celulose, e os outros R$ 4 milhões serão corrigidos ao CDI. Após essas longas altas, sigo reduzindo minha exposição em Suzano.

CCR
Mesmo após essa queda, ela está inconclusiva e não está muito barata. Temos que entender que o mundo é outro agora: os chineses estão vindo com dinheiro a 2% ao ano, é pegar e comprar.

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