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Bons fundamentos, ação atrasada, mas por que a CCR não sobe? A resposta é o "efeito indireto" da Lava Jato

Veja mais análises sobre os balanços desta sexta-feira

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(Divulgação/CCR)

SÃO PAULO - A temporada de balanços segue quente nesta semana. Dentre as empresas que divulgaram resultados na última quinta (22), estão a Magazine Luiza (MGLU3), RD (RADL3), BRF (BRFS3) e CCR (CCRO3). As duas primeiras estão e as duas últimas já fizeram parte da Carteira InfoMoney (clique aqui para conferir) . Confira aqui as avaliações sobre os resultados: 

CCR (CCRO3)
 As ações da CCR operam próximas à estabilidade mesmo após a divulgação de um resultado sólido e após a ação ter registrado um desempenho bem abaixo do Ibovespa no acumulado do ano, com queda de 9,5% ante alta de 14% do Ibovespa. 

A CCR viu seu lucro subir 94,2% no quarto trimestre de 2017, para R$ 329,1 milhões, ante o mesmo período do ano anterior. Sem considerar novos negócios e efeitos não recorrentes, ou seja, na mesma base, o lucro da empresa saltou 162,7%, a R$ 425 milhões. A receita líquida teve alta de 19,5% em relação ao fim de  2016, atingindo os R$ 2,02 bilhões. Já o Ebitda ajustado cresceu 25,5%, para R$ 1,2 bilhão. No acumulado do ano passado, a CCR registrou lucro líquido de R$ 1,8 bilhão, uma alta de 4,9%, enquanto a receita líquida avançou 12,4, para R$ 7,5 bilhões.

O Bradesco BBI apontou que o balanço ficou em linha com as estimativas e destacando alguns pontos: (i) a recuperação da economia no Brasil impulsionou um crescimento de 5%, em base anual, do tráfego de veículos; (ii) MetroBahia e VLT Carioca também tiveram forte expansão no número de passageiros, de 329% e 76%, respectivamente (ambos em base anual); (iii) A CCR poderá retornar a MSVia mais cedo; e (iv) a empresa pretende investir cerca de R$ 2 bilhões em 2018. "O resultado mostrou que a empresa está aproveitando das melhores condições econômicas do país. Ressaltamos o valuation descontado da CCR e a capacidade da empresa em participar de novos projetos de expansão", aponta o Bradesco BBI. Os analistas permanecem com recomendação de compra para as ações da CCR e preço-alvo de R$ 21,00.

A CCR confirmou a expectativa de um sólido resultado, de acordo com o BofA, sendo beneficiado por maior tráfego, diluição de custos e ramp-up de ativos. Segundo um gestor ouvido pelo InfoMoney, o balanço foi bem em linha, sem grandes novidades, mas com algumas evoluções boas (apesar de esperadas), como ramp up de alguns projetos novos e redução no capex projetado após um ciclo mais intensivo. De acordo com esse gestor, a baixa performance desta sessão e da véspera está ligada a investigação da Lava Jato que lançaram no Paraná e que afeta muito as ações da Triunfo. "Apesar de até o momento não ter ligação alguma com a CCR, a manchete, principalmente para o investidor estrangeiro, é ruim", apontou. 

Magazine Luiza (MGLU3)
O destaque principal é para Magazine Luiza, que fechou o quarto trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 165,6 milhões, superando as expectativas que eram de R$ 119 milhões. O resultado, melhor trimestre da história, representa uma alta de 260% ante os R$ 46,1 milhões registrados um ano antes. No acumulado do ano, a companhia viu seu lucro líquido saltar 349%, passando de R$ 86,6 milhões em 2016 para R$ 389 milhões no ano passado.

O Bank of America Merrill Lynch destacou que a empresa teve mais uma performance muito expressiva. "Embora não acreditemos que as taxas de crescimento atuais sejam sustentáveis, vemos por um bom período um crescimento elevado", aponta o banco, que tem recomendação de compra para o papel com preço-alvo de R$ 90,00. O analista da Carteira InfoMoney, Thiago Salomão, destacou o resultado muito bom e acima do esperado pelo mercado, ressaltando que as vendas do e-commerce cresceram 60% no quarto trimestre, comparado ao crescimento do mercado de 6,1% (E-bit), e atingiram 32,3% das vendas totais.  

RD (RADL3)
Já a RD, antiga, Raia Drogasil, encerrou o quarto trimestre de 2017 com lucro líquido de R$ 132,6 milhões, uma alta de 43,8% ante os R$ 92,2 milhões de um ano antes. No acumulado do ano passado, a companhia viu seu lucro passar de R$ 456,3 milhões para R$ 512,5 milhões. Enquanto isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa subiu 22%, saindo de R$ 235,9 milhões no fim de 2016 para R$ 288,7 milhões entre outubro e dezembro do ano passado.

O Bank of America Merrill Lynch, afirmou que o resultado foi em linha com o esperado, mas chama a atenção para as vendas nas mesmas lojas de 4,7% na base trimestral, que veio abaixo do esperado pelo banco e indica um ambiente competitivo maior. Da mesma forma, os analistas do BTG Pactual apontam que o resultado foi em linha, com crescimento de receita que veio em 14%, sustentado pela abertura de novas lojas. "O ambiente competitivo mais desafiador e o aumento de preços de medicamentos menor em 2018 oferecem poucos catalisadores para o papel no curto prazo, mas reiteramos nossa visão positiva (e estrutural) no case para o longo prazo, dado que RD tem espaço para aumentar participação de mercado em regiões sub-penetradas (como Nordeste) e consolidar a posição de liderança em outros mercados, dada a execução superior", apontam os analistas. Já o Itaú BBA abordou o resultado com uma conotação negativa: "O mercado de certa forma já esperava um crescimento mais fraco, mas o avanço de 0,8% nas vendas mesmas lojas maduras provavelmente serão recebidas como uma surpresa negativa e potencialmente pressionarão as ações RADL3 nos próximos pregões".

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BRF (BRFS3)
A BRF registrou prejuízo líquido de R$ 784 milhões no quarto trimestre de 2017, ante um resultado negativo de R$ 442 milhões em igual período de 2016. A margem Ebitda passou de 6,7% para 5,6%.

O BTG Pactual reduziu a recomendação para as ações para neutro, avaliando o resultado como muito fraco. A receita veio 7% abaixo e o Ebitda ajustado, 20% menor. "Em Brasil, vimos o volume melhorando mas com o portfólio ainda muito ruim (preço médio caindo 4% na base anual e preços processados em queda de 6%)", avaliam. Já no exterior, a OneFoods teve uma melhora, mas compensada por resultados piores da Banvit. Além disso, com o ciclo se deteriorando, houve impacto nas operações na Asia (principalmente em Japão) e ajudou a explicar margens menores no negócio internacional.

"Sendo assim, considerando que custos não devem melhorar em relação aos patamares atuais, vemos o crescimento de receita (principalmente via precificação) como o principal catalisador para uma recuperação de margem bruta, mas melhora em preços ainda nos parece muito incipiente. Além disso, ciclo positivo nos parece ter acabado, e pode impactar negativamente o negócio internacional", avaliam os analistas. Thiago Salomão pontou que, se houver uma queda muito expressiva nas ações, pode ser uma oportunidade de compra, já que o resultado foi impactado pela operação "Carne Fraca", que provavelmente não se repetirá.

 

 

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