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Queda continua: Ibovespa afunda 2,6%, dólar sobe 1% e "índice do medo" dispara 70%

Dow Jones chegou a recuar mais de 6% no seu pior momento

SÃO PAULO - Amargando o segundo pregão em queda e fechando na mínima do dia, o Ibovespa recuou 2,59% aos 81.861 pontos, com volume de R$ 9,6 bilhões, em mais uma sessão de mau humor no mercado internacional com os investidores preocupados com o ritmo de retirada de estímulos por parte do Fed. Essa foi a maior queda desde 18 de maio, quando recuou 8,8% com as revelações de Joesley Batista. Por aqui, o ceticismo com a reforma da Previdência voltou a pressionar com dúvidas sobre a capacidade do governo reunir os votos necessários para aprovar o texto ainda este mês na Câmara. Em meio ao clima de aversão ao risco, o dólar futuro com vencimento em março subiu 1,36% e voltou para R$ 3,27. 

O "modo pânico" foi ativado no final com a derrocada das bolsas norte-americanas. O Dow Jones amargou queda de 4,6% nesta segunda-feira, mas chegou a cair 6% no seu pior momento, enquanto o S&P 500 despencou 4,1% e registrou sua pior queda desde agosto de 2011. Em meio ao clima de aversão ao risco, o VIX (Volatility Index), mais conhecido como "índice do medo" e que mede a sensibilidade do mercado através das opções do S&P 500, atingiu no seu "melhor momento" a região de 39%, ou seja, uma alta de 130%. Apesar da queda na reta final do pregão, os rendimentos dos Treasuries de 10 anos atingiram a faixa de 2,885% pela primeira vez desde janeiro de 2014 ao longo do pregão, o que retira o apetite dos investidores por ativos de maior risco.

A queda do mercado norte-americano foi iniciada na última sexta-feira (2), com o resultado acima do esperado do Relatório de Emprego, o que trouxe preocupações sobre o ritmo de alta dos juros pelo Fed, tendo em vista os sinais constantes de melhoras da economia, como também ao comunicado da última reunião do colegiado com um tom mais hawish, ou seja, inclinado para a retirada de estímulos. No comunicado, os dirigentes apontaram para um cenário um pouco mais otimista com relação a inflação ao comentar que os preços deverão acelerar em direção a 2% este ano e depois se estabilizar, fato que elevou as apostas de 4 altas nos juros para este ano ao invés de 3.

Alheio ao estresse do mercado, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 recuaram 1 ponto-base, a 6,82%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021 fecharam estáveis, aos 8,94%. Os investidores aguardam nesta semana pela primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) no ano, quando poderá ser decretado o fim do ciclo de afrouxamento monetário. Um novo corte de 25 pontos-base na taxa básica de juros, para 6,75%, é altamente aguardada pelo mercado. Contudo, ainda há dúvidas se o Banco Central poderá promover um novo corte na taxa em março.

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Resumo do caos
Para entender melhor o que aconteceu com o mercado, nada melhor do que observar o comportamento do Ibovespa, que confirmou um padrão de reversão (veja mais aqui), a valorização do dólar futuro, a derrocada do Dow Jones e a disparada de 100% do "índice do medo".

Ibovespa (-2,59%)

Dólar Futuro (+1,36%)

Dow Jones (-4,60%)

Fonte: Tradingview

VIX (+115,6%)

Fonte: Tradingview

Destaques do mercado
Com a derrocada do mercado, as ações com maior beta, como no caso das siderúrgicas, foram os destaques de baixa nessa sessão. Com a forte queda do mercado no final do dias, apenas os papéis da Klabin (KLBN11) fecharam em alta.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONALON 10,15 -5,76 +21,12 85,48M
 GGBR4 GERDAU PN 13,74 -5,70 +10,99 152,08M
 GOAU4 GERDAU MET PN 6,59 -5,18 +13,82 100,24M
 FLRY3 FLEURY ON 28,13 -4,71 -4,58 40,64M
 PETR4 PETROBRAS PN 19,04 -4,66 +18,26 1,22B

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 17,75 +0,62 +0,85 32,78M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Novo presidente do Fed
O "dovish" Jerome Powell oficialmente assumiu como novo comandante do Federal Reserve nesta segunda-feira, sucedendo Janet Yellen. Em sua declaração, o executivo chamou atenção para a boa performance da economia norte-americana em tempos recentes, sobretudo de indicadores como a inflação e o desemprego. "Através das nossas decisões de política monetária, iremos apoiar o contínuo crescimento econômico, um mercado de trabalho saudável e a estabilidade nos preços", afirmou.

Para finalizar, Powell disse ainda que o setor financeiro está "muito mais forte" do que esteve durante a crise financeira: "meus colegas e eu vamos permanecer vigilantes e estamos preparados para responder riscos em evolução", disse. 

Retomada do Congresso
O Congresso Nacional retoma as atividades nesta segunda, com a votação da reforma da Previdência no centro dos debates. Ainda sem consenso entre os parlamentares, a Proposta de Emenda à Constituição 287/2016 é tratada como tema prioritário do ano pelo presidente da República, Michel Temer que, em entrevista na noite de sexta-feira à Rede TV!, negou que tenha "jogado a toalha" sobre a reforma após rumores e indicações do próprio presidente de que ele teria desistido. 

Na Câmara dos Deputados, a matéria está prevista para ser lida em plenário ainda nesta segunda-feira. Apesar dos esforços do Planalto, a votação marcada para o dia 19 deste mês, pode não acontecer nessa data. A pauta de apreciações do plenário é atribuição do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tem afirmado que somente colocará o tema em pauta quando tiver garantia dos votos necessários para aprovação, cenário que parece estar longe de ser concluído.

Segundo o ministro Carlos Marun ainda faltam entre 40 e 50 votos para alcançar os 308 votos favoráveis necessários, em dois turnos, para aprovação da proposta na Câmara. Contudo, segundo planilha de cruzamento de votos obtida pelo Estadão, o governo só tem 237 votos favoráveis.

Para completar, de acordo com a Folha de S. Paulo, sem os votos necessários, Maia pretende engavetar o projeto e transferir o ônus da derrota para o Palácio do Planalto. Seu plano é dizer que o texto ficará para ser votado em 2019 e sua lógica é a seguinte: quanto mais Temer tentar transferir aos deputados a culpa, mais agressiva deve ser sua fala quando a reforma naufragar por completo, aponta a reportagem.

Agenda da semana
Na agenda de indicadores, o Brasil ganha destaque com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), na quarta-feira (7), que deve cortar novamente a Selic em 25 pontos-base, que passaria para 6,75%, renovando sua mínima histórica. A questão agora ficará com o comunicado, em que o Banco Central poderá indicar se este é o fim do ciclo de alívio monetário.

No dia seguinte é a vez do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentar o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de janeiro. Segundo analistas compilados pela Bloomberg, a expectativa é que o dado mensal fique em 0,42%, com o acumulado de doze meses passando para 2,99%. Para a GO Associados, o dado de janeiro deve mostrar pressão principalmente dos grupos alimentação e transportes, enquanto o grupo habitação deve dar a principal contribuição baixista para o indicador.

Nos Estados Unidos, além da posse de Jerome Powell no Federal Reserve, os investidores devem acompanhar com atenção os discursos de dirigentes da autoridade monetária do país. Estão programados para a semana pronunciamentos de Bullard, Dudley, Evans e Harker, em um contexto de preocupação dos investidores com a possibilidade de uma aceleração no ritmo de elevação dos juros, tendo em vista os números mais favoráveis recentemente divultados para a economia do país. Também ganha destaque o deadline do Congresso para aprovar um novo teto da dívida pública norte-americana e evitar o shutdown: quinta-feira.

Lula e STF
Também vale ficar de olho no STF. O tão esperado placar no Supremo Tribunal Federal que pode definir o futuro do ex-presidente Lula (condenado em segunda instância no último dia 24) e da Operação Lava Jato poderá ser desvendado já na terça (6), segundo informou a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, no último domingo.

Alexandre de Moraes, novo presidente da primeira turma do STF, colocou na pauta dois casos que tratam diretamente a discussão sobre a prisão após condenação em segunda instância. Ele ainda não se pronunciou sobre o tema na corte e seu voto seria decisivo para mudar o entendimento atual – em 2016, a detenção foi autorizada por um placar de seis a cinco.

Vale ressaltar que a  defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu na sexta ao Supremo para evitar a eventual prisão preventiva dele após o fim dos recursos na segunda instância da Justiça. O caso será relatado pelo ministro Edson Fachin, responsável pelos casos da Lava Jato na corte.

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