Em mercados / acoes-e-indices

Ibovespa Futuro despenca e dólar sobe 1% em dia de pessimismo no mercado internacional

Nova alta das Treasuries reduz o apetite por risco; investidores aguardam pelo Relatório de Emprego nos EUA

trader - leilão de títulos - desânimo - trabalho
(Andrea Coma/Reuters)

SÃO PAULO - O Ibovespa Futuro cai forte e o dólar futuro sobe nesta sexta-feira (2), refletindo mais um dia de forte alta do rendimento dos Treasuries norte-americanos de 10 anos, o que tira o apetite dos investidores por ativos de maior risco e pressiona as bolsas do mundo todo. O dia tem como principal evento Relatório de Emprego dos EUA às 11h30. Ainda no radar dos investidores, destaque também para a entrevista de Michel Temer ao Estadão, dando o tom de que "jogou a toalha" para a reforma da Previdência.

Às 9h18 (horário de Brasília), os contratos futuros do Ibovespa com vencimento em abril recuavam 1,37%, aos 84.460 pontos, enquanto o dólar futuro com vencimento em março registrava valorização de 0,80%, aos R$ 3,202. Nos EUA, os rendimentos dos Treasuries de 10 anos registraram atingiram a faixa de 2,80% pela primeira vez desde 2014, ainda digerindo as sinalizações de quarta-feira (29), quando o Fed deu indícios de que pode acelerar o processo de alta de juros na economia norte-americana se a inflação ganhar forças e se aproximar da meta de 2% proposta pelo BC americano. Segundo as projeções do Terminal Bloomberg, há 99% de chance de alta de juros na próxima reunião do Fed, que ocorrerá em março, e mais 2 altas são esperadas para 2018, mas o mercado pode rever essas projeções a depender da inflação.

Nesta sexta, o destaque da agenda é o Relatório de Emprego dos EUA, que sairá às 11h30. É esperado que sejam abertas 180 mil vagas de emprego em janeiro nos EUA, uma aceleração frente aos 148 mil postos de trabalho em dezembro. A taxa de desemprego deve ficar estável em 4,1%, enquanto os ganhos médios por hora devem recuar de 0,3% para 0,2% na passagem de dezembro para janeiro.

Quer investir em ações pagando só R$ 0,80 de corretagem? Clique aqui e abra sua conta

Bolsas mundiais
Enquanto isso, as bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta sexta-feira, com as do Japão e da Coreia do Sul afetadas pelo noticiário de balanços. Na Europa, o dia é de perdas também de olho na temporada de resultados, com destaque para os números do Deutsche Bank, que ficaram abaixo do esperado e pressionam as ações do setor financeiro. Neste momento, os papéis recuam mais de 5%.

No mercado de commodities, o petróleo segue próximo de US$ 69,00 o barril em NY, enquanto o minério sobe 1% em Dalian, se recuperando da queda acumulada na semana. Enquanto isso, o Bitcoin segue em forte baixa e perde os US$ 8.500.

Às 9h18, este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones Futuro (EUA) -0,96%

*CAC-40 (França) -1,28%

*FTSE (Reino Unido) -0,31%

*DAX (Alemanha) -1,43% 

*Hang Seng (Hong Kong) -0,12% (fechado)

*Xangai (China) +0,46% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,90% (fechado)

*Petróleo WTI +0,08%, a US$ 65,85 o barril

*Petróleo brent -0,16%, a US$ 69,54 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +1,08%, a 513,5 iuanes (nas últimas 24 horas)

*Bitcoin -31,60%, a R$ 20.520 (confira a cotação da moeda em tempo real)

Reforma da Previdência
O governo parece ter "jogado a toalha" sobre a reforma da Previdência, conforme o tom de Michel Temer em entrevista ao Estadão. Ele disse que já fez sua parte e que é preciso convencer a população para ter apoio do Congresso à proposta, principal pilar de sua agenda de ajuste fiscal. O presidente afirmou ainda que avaliará junto com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se o texto será colocado em pauta no dia 19 de fevereiro, mesmo sem a certeza dos 308 votos necessários para aprovação: "nós vamos insistir muito na reforma da Previdência. Agora, de fato, é preciso ter votos. Nós temos duas, três semanas para fazer a avaliação se temos votos ou não e depois decidimos se vamos votar de qualquer maneira ou não", afirmou.

Segundo aponta a matéria, os integrantes do governo insistem que fevereiro será a única alternativa para votar a reforma. Antes, alguns aliados do presidente defendiam que a reforma fosse colocada em votação em novembro, depois das eleições, o que aumentaria as chances de o texto ser aprovado, porque os parlamentares não teriam mais de votar tema tão impopular nas vésperas da eleição.

Lula e eleições
Em uma semana marcada por nova derrota da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Judiciário com a recusa do STJ (Superior Tribunal de Justiça) em conceder habeas corpus preventivo após sua condenação, novas sinalizações desfavoráveis ao líder petista foram dados pela Justiça. Logo na cerimônia de abertura dos trabalhos do Judiciário em 2018, realizada na manhã da última quinta-feira (1), a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, que já vem mostrando indisposição de rever a decisão de prisão após decisão por órgão colegiado (sobretudo após o julgamento de Lula no TRF-4), foi enfática sobre a necessidade de se fazer cumprir a Lei.

A magistrada aproveitou seu discurso para dizer que a aplicação de normas pode ser questionada, mas pelas vias normais, e que é "inadmissível e inaceitável desacatar a Justiça, agravá-la ou agredi-la". A fala, que ocorreu na presença do presidente Michel Temer e dos presidentes do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi uma clara sinalização a Lula, após o ex-presidente indicar que poderia não cumprir as determinações do Judiciário - clique aqui para conferir a matéria completa.

Além disso, o noticiário eleitoral também segue no radar. Segundo a Coluna do Estadão, animados com a última pesquisa eleitoral do Datafolha, PPS e Agora! se unem para eleger base de apoio a Luciano Huck no Congresso. O Valor também traz hoje que o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB), após condenação em segunda instância do ex-presidente Lula (PT), afirmou que há uma "avenida" para os candidatos governistas e de centro-direita na eleição ao Planalto e considerou que o nome de Rodrigo Maia já está lançado.

Noticiário corporativo
Petrobras informou que a demanda por sua captação foi 5 vezes maior do que o valor da oferta de US$ 2 bilhões, enquanto a JBS confirmou a emissão de US$ 900 milhões em notes 2028 a 6,75% por sua subsidiária dos EUA. A Natura aprovou a emissão de R$ 1,4 bilhão em debêntures, enquanto a CCR aprovou a emissão de até R$ 620 milhões da mesma classe de ativo. Além disso, a Ecorodovias acertou a aquisição da MGO por R$ 600 milhões.

Cielo reportou lucro líquido de R$ 1,11 bilhão no quarto trimestre de 2017, enquanto os analistas esperavam R$ 1,04 bilhão. No acumulado do ano passado, a companhia viu seu lucro subir 1,2%, para R$ 4,3 bilhões. Enquanto isso, nos três últimos meses de 2017, a receita operacional somou R$ 3,04 bilhões, abaixo dos R$ 3,2 bilhões projetados pelos analistas.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.

 

Contato