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Ibovespa perde fôlego com decisão do Fed, mas garante melhor mês desde outubro de 2016

Comunicado sinalizou elevação nos juros em março, a primeira de um conjunto de três esperadas para 2018

SÃO PAULO - Depois de iniciar o dia em forte alta e no seu melhor momento subir 2%, cravando nova máxima histórica em 86.212 pontos, o Ibovespa devolveu boa parte da valorização na reta final do pregão e subiu 0,51% nesta quarta-feira (31), aos 84.913 pontos, com o Fed preparando o terreno para elevar os juros, a começar pela próxima reunião de março. Apesar da perda de fôlego, o índice encerrou janeiro com alta de 11,14%, o melhor mês desde outubro de 2016, quando disparou 11,23%.

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Na última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) sob o comando de Janet Yellen, os membros decidiram manter a taxa de juros norte-americana no intervalo de 1,25% a 1,50%, confirmando as expectativas do mercado. Contudo, o comunicado do encontro sinalizou uma nova elevação nos juros em março -- a primeira de um conjunto de três esperadas para 2018 --, também em linha com a expectativa do mercado. Em vista da sinalização do Fed, o dólar futuro com vencimento em março reverteu suas perdas e encerrou em alta de 0,06%, aos R$ 3,195.

"O comitê espera que as condições econômicas evoluam de modo a garantir aumentos graduais na taxa de juros futuramente", diz o comunicado da reunião do Fomc concluída nesta tarde. Analistas chamam atenção para o aumento no uso da palavra "futuramente" no texto. Além disso, o comunicado mostra que houve reconhecimento coletivo de crescimento econômico mais expressivo e uma elevação da inflação em direção à meta de 2%, o que alimenta especulações de uma alta nos juros em março. "Ganhos no emprego, despesas domésticas e investimentos têm sido sólidos, e a taxa de desemprego permaneceu baixa", escreveram os membros do Fed no comunicado.

Quatro anos no comando da autoridade monetária dos Estados Unidos, Yellen cederá assento a Jerome Powell, dirigente do Fed desde 2012, de quem se espera continuidade ao gradualismo na política de elevação das taxas em curso. Durante o mandato de Yellen, a economia norte-americana voltou aos trilhos da recuperação, levando a taxa de desemprego ao menor patamar em 17 anos, e conduzindo os juros locais a um ciclo de lentas elevações. Contudo, os índices inflacionários ainda não conseguiram atingir o nível esperado, de 2%.

"Boa notícia" do Datafolha
Uma semana após sua condenação, Lula manteve a liderança na corrida eleitoral, conforme aponta a última pesquisa do Datafolha, com o petista entre 34% e 37% da preferência do eleitorado dependendo do cenário considerado. Sem o ex-presidente na disputa, Bolsonaro aparece em primeiro lugar com 18%, superando Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Luciano Huck (sem partido): os dois últimos estão com 8% das intenções de voto.

Apesar de Lula ainda seguir no topo das intenções de voto, ficou evidenciada nessa pesquisa a incapacidade de, neste momento, de transferência de votos pelo petista caso não entre na disputa, que foi a boa notícia vinda do Datafolha, segundo afirma o diretor da mesa de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior. Houve uma queda de 5 pontos percentuais na capacidade de transferência de votos de Lula, com o crescimento de 48% para 53% do percentual dos que não votariam em um candidato apoiado pelo petista. Um dos principais nomes ventilados no partido, o ex-governador baiano Jaques Wagner, aparece com apenas 2% das intenções de voto na pesquisa.

Apesar de liderar em eventual corrida sem Lula, Bolsonaro parou de crescer, oscilando negativamente em todos os quadros apresentados na pesquisa, em comparação com levantamento feito em novembro. Ele seria derrotado tanto por Lula (49% a 32%), quanto pela ex-senadora Marina Silva (42% a 32%). Nos demais cenários de segundo turno considerados, Alckmin aparece tecnicamente empatado com Ciro Gomes, em um placar de 34% a 32%, e com Bolsonaro, em um placar de 35% a 33% -- ambos favoráveis ao tucano.

Destaques do mercado
Na ponta positiva, além dos bancos, que subiram após o resultado acima do esperado do Santander no quatro trimestre, destaque para as ações do setor siderúrgico, que "ignoram" o resultado abaixo do esperado da indústria chinesa em janeiro. Do lado negativo, as empresas do setor de papel e celulose acompanharam a queda do dólar durante o pregão, mas reduziram as perdas no final do dia seguindo a recuperação da moeda após a decisão do Fed.

As maiores altas, dentre as que compõem o Ibovespa, foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
 RAIL3 RUMO S.A. ON 14,27 +4,93 +10,02 270,52M  
 ESTC3 ESTACIO PARTON 35,05 +3,98 +6,79 113,63M  
 RENT3 LOCALIZA ON 25,78 +3,95 +16,86 129,52M  
 TIMP3 TIM PART S/AON 13,50 +2,58 +3,05 92,42M  
 USIM5 USIMINAS PNA 11,86 +2,42 +30,33 232,85M  

As maiores baixas, dentre as que compõem o Ibovespa, foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
 BRFS3 BRF SA ON 35,35 -3,15 -3,42 251,65M  
 FIBR3 FIBRIA ON 54,88 -2,82 +14,69 122,82M  
 QUAL3 QUALICORP ON 30,59 -2,52 -1,32 112,52M  
 GGBR4 GERDAU PN 14,40 -2,17 +16,32 271,71M  
 BRKM5 BRASKEM PNA 49,41 -2,14 +15,26 47,90M  

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Ibovespa, foram:

 C?digo Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE3 VALE ON 41,45 -0,05 960,10M 636,96M 35.889 
 PETR4 PETROBRAS PN ATZ 19,70 +1,08 797,08M 815,88M 46.571 
 BBDC4 BRADESCO PN 40,75 +0,87 748,40M 370,75M 31.473 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 52,26 +1,50 734,94M 618,02M 34.477 
 BBAS3 BRASIL ON 39,68 +2,27 508,72M 369,43M 26.045 
 ITSA4 ITAUSA PN 13,25 +0,53 316,03M 191,16M 31.225 
 BVMF3 B3 ON 26,08 -0,46 285,56M 219,77M 39.394 
 GGBR4 GERDAU PN 14,40 -2,17 271,71M 232,30M 22.549 
 RAIL3 RUMO S.A. ON 14,27 +4,93 270,52M 99,00M 24.650 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 21,95 +0,37 270,01M 225,71M 31.295 

* - Lote de mil a??es
1 - Em reais (K - Mil | M - Milh?o | B - Bilh?o)

Agenda de indicadores
Além da reunião do BC dos EUA, destaque para o resultado do ADP Employment, que registrou criação de 324 mil vagas de trabalho no setor privado em janeiro, enquanto os analistas esperavam 185 mil postos. Além disso, às 13h30 tivemos os estoques de petróleo dos EUA da última semana, que registrou aumento de 6,8 milhões e interrompeu a sequência de 11 quedas.

No Brasil, destaque para o resultado da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), com a taxa de desemprego encerrando dezembro em 11,8%, enquanto os analistas esperavam avanço de 11,9%. No ano passado, a taxa fechou em 12,7%, acima dos 11,5% verificados em 2016. Para completar o bom momento da economia, o governo registrou déficit primário de R$ 110,6 bilhões em 2017, abaixo da meta oficial de R$ 163 bilhões.

Previdência
Na noite de ontem, ministros e integrantes do governo buscaram mostrar confiança na aprovação da reforma da Previdência, que deve entrar na pauta do Congresso em fevereiro - mas também sinalizaram que podem suavizar mais a proposta. Responsável pela articulação política do governo com o Congresso Nacional, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse ter confiança que o texto será aprovado, mas admitiu que será um desafio, já que ainda não há votos suficientes para garantir a aprovação da proposta.

O vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), disse que faltam poucos votos para os 308 necessários para aprovar a reforma na Câmara, mas admitiu em seguida que a contagem dos apoios vai começar efetivamente na semana que vem. Segundo ele, a estratégia é que os líderes conversem com suas bancadas para mapear os apoios e os votos indecisos para então tentar revertê-los favoravelmente.

 

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