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Itaú salta 2,6% e Petrobras sobe mais de 1% em NY com euforia pós-condenação de Lula

Confira o desempenho das empresas brasileiras negociadas em Nova York durante o feriado

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SÃO PAULO - Em dia sem atividades na bolsa brasileira por conta do aniversário de São Paulo, o índice Brazil Titans 20, que reúne os principais ADRs (American Depositary Receipt) de empresas nacionais negociados em Wall Street, fechou esta quinta-feira (25) em alta e estendeu a euforia do mercado após a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O índice fechou com ganhos de 0,75%, aos 26.026 pontos, após encerrar com alta de 5,78% na véspera. Enquanto isso, o principal ETF (Exchange Traded Fund) brasileiro, o EWZ iShares MSCI Brazil Capped, registrou avanço de 1,04%.

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Após abrirem com movimentos mistos, praticamente todos os ADRs ganharam força ainda na primeira meia hora de pregão, com alguns ativos, como os bancos e a Petrobras chegando a ter ganhos de mais de 2% durante a sessão, dando sustentação para a nova alta dos índices.

Além da euforia da véspera, a Petrobras foi uma das poucas empresas a ter notícia nesta quinta. Os ADRs da Petrobras (PBR.A) - referentes às ações preferenciais da estatal - tiveram ganhos de 1,35%, a US$ 12,42, enquanto os PBR - que representam os papéis ordinários - registraram alta 1,34%, a US$ 13,27.

Vale destacar ainda as falas do CEO da estatal, Pedro Parente, em Davos. Ele destacou que a companhia diminuiu de US$ 48,1 bilhões para US$ 27,6 bilhões as dívidas com vencimento entre 2018 e 2020. Estavam previstos vencimentos de US$ 15,2 bilhões neste ano, US$ 11,3 bilhões em 2019 e US$ 12,5 bilhões em 2020.

Os novos valores são US$ 5,9 bilhões, US$ 11,3 bilhões e US$ 10,4 bilhões - posições indicadas em 30 de setembro. O custo médio das dívidas foi reduzido de 6,2% para 5,9%. Na véspera, a companhia ainda anunciou aumento de 1,4% no preço da gasolina e de 2,3% no do diesel válidos para hoje e, nesta quinta, anunciou elevação da gasolina em 0,5%.

Confira o desempenho dos principais ADRs brasileiras na NYSE:

Empresa ADR Variação Preço
CSN SID -0,15% US$ 3,37
Bradesco BBD +2,06% US$ 12,89
Santander BSBR +1,17% US$ 11,20
Itaú Unibanco ITUB +2,64% US$ 16,52
BRF BRFS +1,39% US$ 11,69
Ultrapar UGP +0,93% US$ 25,92
Sabesp SBS +0,04% US$ 11,35
Pão de Açúcar CBD +1,46% US$ 24,38
Fibria FBR -2,45% US$ 16,35
Copel ELP +1,34% US$ 7,58
Ambev ABEV -0,66% US$ 6,83
Telefônica Brasil VIV +1,15% US$ 16,78
TIM Participações TSU +0,76% US$ 20,51
Embraer ERJ +0,52% US$ 25,17
Cemig CIG +1,90% US$ 2,15
Petrobras PBR.A +1,35% US$ 12,42
Petrobras PBR +1,34% US$ 13,27
Vale VALE -1,75% US$ 12,95
Gerdau GGB +0,22% US$ 4,53

Bolsas mundiais
O avanço dos ADRs brasileiros também foi assegurado pelo dia de bom humor do mercado americano, com dois dos três principais índices fechando em alta. O Dow Jones avançou 0,54%, a 26.392 pontos - sua nova máxima histórica -, enquanto o S&P 500 subiu 0,06%, para 2.839 pontos. Já o Nasdaq encerrou o pregão com queda de 0,05%, a 7.411 pontos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta que apoia um “dólar forte”, e com isso motivou imediatamente uma valorização do dólar, afetado por declarações contraditórias do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.

Já os índices acionários europeus seguiram majoritariamente em alta, embora em um movimento contido, nesta quinta-feira, após a decisão do BCE (Banco Central Europeu).O BCE decidiu manter sua política monetária, conforme esperado por analistas. A principal taxa de juros do BCE, a de refinanciamento, continuou em 0%, enquanto a de depósitos seguiu em -0,40%.

Além disso, o BCE reiterou seu compromisso de manter os juros nos níveis atuais por um "período estendido", ou "bem depois" do fim das compras líquidas de ativos, no âmbito do chamado programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês).

Já na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única, com o mercado japonês ainda fortemente pressionado pela recente tendência de desvalorização do dólar. Nos últimos dias, o dólar vem operando em forte baixa, influenciado por temores de que medidas protecionistas de Washington possam levar ao isolamento dos EUA no comércio internacional. Ontem, a moeda americana sofreu um novo golpe após o Secretário de Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirmar em Davos que o “dólar mais fraco é bom para o comércio”.

Hoje, Mnuchin disse  que seu país não está preocupado com "onde o dólar está no curto prazo", numa aparente tentativa de minimizar seus comentários na véspera. "Não estamos preocupados com onde o dólar está no curto prazo", acrescentou Mnuchin. "Há vantagens e desvantagens relacionadas a onde dólar está no curto prazo". Ele também reiterou sua posição de que, "no longo prazo, a força do dólar reflete a economia dos EUA."

Repercussão da condenação de Lula
Ontem à noite, em seu primeiro discurso após a confirmação da condenação em segunda instância, o ex-presidente disse que nunca se iludiu em imaginar um resultado diferente do que ocorreu. Lula reafirmou ainda que, com o resultado, voltou a deseja ser candidato à Presidência na próxima eleição.

"Eu nunca tive nenhuma ilusão com o comportamento dos juízes na questão da Lava Jato. Porque houve um pacto entre o Poder Judiciário e a imprensa, que resolveram que era hora de acabar com o PT e com a nossa governança no país. Eles já não admitiam mais a ascensão social das pessoas mais pobres desse país e dos trabalhadores. Eles não suportavam mais a ascensão da escolaridade, que ia da creche à universidade”, disse. 

Lula criticou a decisão dos desembargadores que confirmaram a sua condenação, e pediu a apresentação de provas. “A decisão eu até respeito, porque foi deles. Eu não aceito é a mentira pela qual eles tomaram a decisão. Eles sabem que eu não cometi um crime. Eu me disporia a ficar com os três juízes um dia inteiro televisionado ao vivo, e eu quero que eles me mostrem qual é o crime que o Lula cometeu”.

Enquanto isso, muitos de seus adversários (com exceção de Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia) evitaram o clima de comemoração. Provável candidato pelo PSDB, Alckmi, usa sempre a mesma tese de que “a lei é para todos, decisão judicial se respeita e adversário não se escolhe”. Mesmo com a decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), o tucano não pretende, ao menos por enquanto, alterar o planejamento traçado até aqui, de se posicionar como o nome da conciliação nacional, da austeridade fiscal e, mais recentemente, como representante do “povo”. 

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), atualmente no exercício da Presidência – Michel Temer está na Suíça -, contrariou a recomendação do governo de manter silêncio sobre o julgamento e divulgou nota oficial. “Construí minha carreira combatendo, no campo da política, as teses defendidas pelo ex-presidente Lula e pelo PT. Ainda assim, quem tem responsabilidade pública, em qualquer nação, não pode estar celebrando o dia de hoje.” 

O governo comemorou discretamente a decisão. Mas, em fala ao Estadão, um dos interlocutores afirmou:  "impossível ter saído melhor, impossível".

A avaliação de analistas políticos consultados pelo InfoMoney é de que, pelo fato da decisão ter sido unânime em mérito e dosimetria da pena torna a situação do líder petista ainda mais delicada, seja do ponto de vista eleitoral, seja do ponto de vista penal, com risco de início de execução de pena logo após a análise de recursos da defesa no próprio Tribunal em Porto Alegre (RS). Assim, a Polícia Federal já estaria se preparando para o dia da prisão do ex-presidente, segundo jornais.

 

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