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Os 5 assuntos para ficar de olho em dia de feriado na bolsa

Confira os destaques do noticiário em dia de bolsa fechada

Lula
(Ricardo Stuckert)

SÃO PAULO - Em dia de bolsa fechada no Brasil por conta do aniversário da cidade de São Paulo, o noticiário é movimentado nesta quinta-feira (25), principalmente após a disparada do Ibovespa na véspera, de 3,72%, atingindo nova máxima histórica de 83.680 pontos após a condenação de Lula ser confirmada em segunda instância. A repercussão sobre a condenação continua, enquanto a agenda no exterior também é movimentada, com reunião no BCE e dados dos EUA. Confira este e outros destaques:

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  1. Bolsas mundiais
    Os índices acionários europeus seguem majoritariamente em alta, embora em um movimento contido, nesta quinta-feira, após a decisão do BCE (Banco Central Europeu).O BCE decidiu manter sua política monetária, conforme esperado por analistas. A principal taxa de juros do BCE, a de refinanciamento, continuou em 0%, enquanto a de depósitos seguiu em -0,40%.
  2. Além disso, o BCE reiterou seu compromisso de manter os juros nos níveis atuais por um "período estendido", ou "bem depois" do fim das compras líquidas de ativos, no âmbito do chamado programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês).  Logo mais, a partir das 11h30 (de Brasília), o presidente do BCE, Mario Draghi, falará em entrevista coletiva para comentar a decisão de hoje.

    Já na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única, com o mercado japonês ainda fortemente pressionado pela recente tendência de desvalorização do dólar. Nos últimos dias, o dólar vem operando em forte baixa, influenciado por temores de que medidas protecionistas de Washington possam levar ao isolamento dos EUA no comércio internacional. Ontem, a moeda americana sofreu um novo golpe após o Secretário de Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirmar em Davos que o “dólar mais fraco é bom para o comércio”. 

Hoje, Mnuchin disse  que seu país não está preocupado com "onde o dólar está no curto prazo", numa aparente tentativa de minimizar seus comentários na véspera. "Não estamos preocupados com onde o dólar está no curto prazo", acrescentou Mnuchin. "Há vantagens e desvantagens relacionadas a onde dólar está no curto prazo". Ele também reiterou sua posição de que, "no longo prazo, a força do dólar reflete a economia dos EUA."

O dia pode ser de ânimo para as empresas ligadas a commodities. O minério de ferro avança em Dalian, enquanto o petróleo chegou a superar os US$ 71 em meio à fraqueza do dólar e com a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e os aliados, incluindo a Rússia, começaram a cortar a oferta. Uma queda involuntária na produção da Venezuela nos últimos meses aprofundou o impacto.

Às 11h25 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones Futuro  +0,36%

*CAC-40 (França) +0,45%

*FTSE (Reino Unido) +0,17%

*DAX (Alemanha) +0,10% 

*FTSE MIB (Itália) +0,69%

*Hang Seng (Hong Kong) -0,92% (fechado)

*Xangai (China) -0,31% (fechado)

*Nikkei (Japão) -1,13% (fechado)

*Petróleo WTI +0,71%, a US$ 66,10 o barril

*Petróleo brent +0,50%, a US$ 70,88 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +1,53%, a 529,5 iuanes (nas últimas 24 horas)

Bitcoin US$ 11.390,20 +2,08% (nas últimas 24 horas)

 2. Pós-julgamento
Após a disparada da bolsa brasileira na véspera, vale ficar atento ao desempenho dos ADRs (American Depositary Receipts) de empresas brasileiras. Na véspera, o índice Dow Jones Brazil Titans 20, que reúne os 20 ADRs mais líquidos das companhias nacionais, disparou ainda mais que o Ibovespa ao fechar em alta de 5,78%, enquanto os ativos da Petrobras subiram cerca de 8% e os da Eletrobras saltaram 11,65%. Já o ETF EWZ disparou 6,16% na véspera. 

As companhias estatais, como Petrobras e Eletrobras, costumam ser sensíveis ao cenário político - e o petista é visto como um dos maiores riscos no cenário eleitoral dada as suas últimas falas, em que promete reverter as medidas tomadas durante o governo Michel Temer. A avaliação do mercado, assim, é de que o impedimento de Lula de concorrer às eleições eliminaria um risco para os investidores e elevaria as chances de um nome mais pró-mercado, como o do governador de São Paulo Geraldo Alckmin, ganhar as eleições. 

3. Repercussão da condenação de Lula
Ontem à noite, em seu primeiro discurso após a confirmação da condenação em segunda instância, o ex-presidente disse que nunca se iludiu em imaginar um resultado diferente do que ocorreu. Lula reafirmou ainda que, com o resultado, voltou a deseja ser candidato à Presidência na próxima eleição.

Eu nunca tive nenhuma ilusão com o comportamento dos juízes na questão da Lava Jato. Porque houve um pacto entre o Poder Judiciário e a imprensa, que resolveram que era hora de acabar com o PT e com a nossa governança no país. Eles já não admitiam mais a ascensão social das pessoas mais pobres desse país e dos trabalhadores. Eles não suportavam mais a ascensão da escolaridade, que ia da creche à universidade”, disse. Lula criticou a decisão dos desembargadores que confirmaram a sua condenação, e pediu a apresentação de provas. “A decisão eu até respeito, porque foi deles. Eu não aceito é a mentira pela qual eles tomaram a decisão. Eles sabem que eu não cometi um crime. Eu me disporia a ficar com os três juízes um dia inteiro televisionado ao vivo, e eu quero que eles me mostrem qual é o crime que o Lula cometeu”.

Enquanto isso, muitos de seus adversários (com exceção de Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia) evitaram o clima de comemoração. Provável candidato pelo PSDB, Alckmi, usa sempre a mesma tese de que “a lei é para todos, decisão judicial se respeita e adversário não se escolhe”. Mesmo com a decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), o tucano não pretende, ao menos por enquanto, alterar o planejamento traçado até aqui, de se posicionar como o nome da conciliação nacional, da austeridade fiscal e, mais recentemente, como representante do “povo”. 

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), atualmente no exercício da Presidência – Michel Temer está na Suíça -, contrariou a recomendação do governo de manter silêncio sobre o julgamento e divulgou nota oficial. “Construí minha carreira combatendo, no campo da política, as teses defendidas pelo ex-presidente Lula e pelo PT. Ainda assim, quem tem responsabilidade pública, em qualquer nação, não pode estar celebrando o dia de hoje.” 

O governo comemorou discretamente a decisão. Mas, em fala ao Estadão, um dos interlocutores afirmou:  "impossível ter saído melhor, impossível".

A avaliação de analistas políticos consultados pelo InfoMoney é de que, pelo fato da decisão ter sido unânime em mérito e dosimetria da pena torna a situação do líder petista ainda mais delicada, seja do ponto de vista eleitoral, seja do ponto de vista penal, com risco de início de execução de pena logo após a análise de recursos da defesa no próprio Tribunal em Porto Alegre (RS). Assim, a Polícia Federal já estaria se preparando para o dia da prisão do ex-presidente, segundo jornais. 

4. Agenda econômica
Em um dia de agenda fraca no Brasil por conta do feriado em São Paulo, o destaque doméstico ficou para os dados de confiança do consumidor, começando 2018 em alta, registrando aumento pelo quinto mês consecutivo, segundo apontou a FGV (Fundação Getulio Vargas).  

Em janeiro, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) atingiu 88,8 pontos, alta de 0,4 ponto em relação a dezembro, de acordo com a FGV. Com isso, chegou ao maior nível desde outubro de 2014 (91,3 pontos). Atenção ainda para a Dívida Pública Federal – que inclui o endividamento interno e externo do Brasil – fechou 2017 em R$ 3,559 trilhões, informou hoje (20) em Brasília a Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda. O valor representou aumento de 14,33% em relação a 2016, quando a dívida era de R$ 3,113 trilhões. Dessa forma, é cumprido o Plano Anual de Financiamento (PAF) 2017, que estabelece que a dívida pública poderia fechar o ano passado entre R$ 3,45 trilhões e R$ 3,65 trilhões.

Vale destacar ainda que Michel Temer tem chegada prevista para as 19h50 em Brasília vindo de Zurique, enquanto o ministro da Fazenda Henrique Meirelles cumpre agenda em Davos. Além disso, haverá a reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional) às 15h, com a participação do secretário executivo da Fazenda Eduardo Guardia e do presidente do Banco Central Ilan Goldfajn. 

Na agenda externa, além da decisão do BCE, os EUA também terão uma agenda cheia. Às 11h30, haverá os dados de estoque no varejo e estoque no atacado, além dos pedidos de seguro-desemprego na semana e balança comercial de dezembro. Às 13h, serão divulgados os dados de vendas de novas moradias de dezembro e indicadores antecedentes. Mais à noite, às 23h30, a China divulgará os dados de lucros totais da indústria de dezembro. 

5. Noticiário corporativo
O destaque do noticiário corporativo fica para a Petrobras. Além do noticiário político que afeta a estatal, vale destacar as falas do CEO Pedro Parente em Davos. Ele destacou que a companhia  diminuiu de US$ 48,1 bilhões para US$ 27,6 bilhões as dívidas com vencimento entre 2018 e 2020. Estavam previstos vencimentos de US$ 15,2 bilhões neste ano, US$ 11,3 bilhões em 2019 e US$ 12,5 bilhões em 2020. Os novos valores são US$ 5,9 bilhões, US$ 11,3 bilhões e US$ 10,4 bilhões - posições indicadas em 30 de setembro. O custo médio das dívidas foi reduzido de 6,2% para 5,9%. Na véspera, a companhia ainda anunciou aumento de 1,4% no preço da gasolina e de 2,3% no do diesel válidos para hoje e, nesta quinta, anunciou elevação da gasolina em 0,5%.

Já a S&P Global Ratings reafirmou hoje os ratings de crédito corporativo de longo prazo ‘BB-’ na escala global e os de longo e curto prazos ‘brAA-/brA-1+’ na Escala Nacional Brasil atribuídos à Neonergia.

(Com Agência Estado e Agência Brasil) 

 

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