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Embraer sobe 22,5% e tem a melhor semana desde 1999; construtora salta 10% hoje e small cap dispara 27%

Confira os principais destaques da Bolsa desta sexta-feira

Embraer - Jatos E175
(Divulgação/Embraer)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou perto da estabilidade nesta sexta-feira, antes da pausa dos mercados para o feriado de Natal, mas ainda assim garantiu ganhos de 3,47% na semana, melhor desde 11 de setembro, fechando no período acima dos 75.000 pontos. Vale menção que a partir de hoje a liquidez no mercado vai reduzindo, dado que na semana que vem não terá pregão também no dia 29 (véspera do Ano Novo), embora a agenda seja agitada, com potencial decisão sobre rating brasileiro e resultado fiscal de novembro.   

Entre os destaques de ações, a Embraer teve sua maior alta semanal (+22,52%) desde a semana do dia 31 de dezembro de 1999, quando subiram 37,4%. A arrancada ocorreu após a notícia de acordo com a Boeing. Parceria entre as duas empresas é mais provável do que uma aquisição definitiva, dizem analistas. Do lado oposto, apenas 9 das 59 ações do índice fecharam a semana no negativo, com a Equatorial, Smiles e Braskem liderando as perdas. 

Confira abaixo os destaques da Bolsa desta sexta-feira:

Embraer (EMBR3, R$ 20,00, -0,99%)
As ações da Embraer interromperam nesta sessão os ganhos de 22,5% da véspera e fecharam em leve baixa de 0,99%, mas ainda os papéis marcaram sua melhor semana (+22,52%) desde 31 de dezembro de 1999, quando subiram 37,4%. O movimento ocorreu após notícia de acordo com Boeing. Uma parceria entre as duas empresas é mais provável do que uma aquisição definitiva, dizem analistas.  

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Nesta tarde, o presidente Michel Temer afirmou que não há a menor cogitação de transferir o controle da Embraer para outra empresa e disse que não chegou a seu gabinete uma decisão sobre conversas entre Boeing e a companhia. Ele disse que, quando chegar uma decisão, avaliará. Segundo ele, a “golden share serve para isso, para o governo tomar essa decisão”, em uma referência à ação especial que dá ao governo poder de veto em decisões estratégicas da Embraer.

Ontem, a fabricante de aviões anunciou, em conjunto com a americana Boeing, que as companhias estudam uma "potencial combinação", mas sem deixar claro que tipo de negócio seria. De acordo com nota divulgada por elas, as bases de um potencial acordo ainda estão em discussão, e "qualquer transação estaria sujeita à aprovação do governo brasileiro".

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Em contraste com a euforia do mercado, a movimentação deve enfrentar resistência dentro do governo, principalmente nas áreas militares. O comando da Aeronáutica, por exemplo, afirmou considerar a Embraer "uma empresa estratégica e fundamental para a soberania nacional". Numa conversa com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, e o comandante da Aeronáutica, Nivaldo Rossato, nesta quinta-feira, durante a reunião de cúpula do Mercosul, o presidente Michel Temer teria dito que a Embraer é "inegociável". O que preocupa principalmente o meio militar é que a Embraer, junto com a produção de jatos comerciais leves, tem um braço de indústria aeronáutica de defesa com grande conteúdo tecnológico. Há um receio de que, estando sob o comando da Boeing, essas linhas de produção possam ser interrompidas por influência do Congresso norte-americano, que tem total controle sobre a indústria de defesa local.

Na área econômica, porém, a venda do controle da Embraer não enfrentaria tanta resistência. Uma fonte ouvida pelo Estadão/Broadcast avaliou que seria uma operação complicada, porque a Embraer tem muita participação no Brasil em desenvolvimento de tecnologia e na produção de equipamentos militares. Mas disse, porém, que perder o controle da companhia não seria um problema para o governo. Um acordo entre as duas companhias teria de passar pelo aval do governo brasileiro por conta de uma ação especial (chamada de golden share) que a União detém desde que a Embraer foi privatizada, em 1994.

Petrobras (PETR3, R$ 16,62, -0,18%; PETR4, R$ 15,76, -0,63%)
As ações da Petrobras caíram em dia misto para os preços do petróleo. Em Londres, os contratos futuros do Brent subiam 0,20%, a US$ 65,03 o barril, enquanto os contratos do WTI, negociados em Nova York, caíam 0,14%, a US$ 58,28 o barril. 

Além disso, no radar, o presidente da companhia, Pedro Parente, disse que tem havido conversas informais sobre cessão onerosa. "Petrobras já indicou sua comissão de negociação, temos notícia que o governo está a qualquer momento anunciando a sua comissão", afirmou em coletiva a jornalistas. Quando questionado sobre as estimativas do mercado de que a Petrobras receberia U$ 8 bi do governo federal, Parente disse que o número da empresa é diferente e se recusou a comentar mais.

A estatal também comunicou, em fato relevante, o encerramento da Oferta Pública de distribuição secundária de 334.937.500 ações ordinárias de emissão da BR Distribuidora. A quantidade total das ações já considera 43.687.500 papéis do lote suplementar, alienadas da própria Petrobras. O preço por ação foi de R$ 15,00 e os papéis foram liquidados na última quinta-feira (21).

Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 42,46, -0,63%)
A Fundação Antônio e Helena Zerrenner – Instituição Nacional de Beneficência deseja alienar, por meio de leilão, até 9 milhões de ações ordinárias do banco pelo valor inicial de R$ 37 por papel, informou o Itaú em comunicado ao mercado. No mesmo documento, a instituição financeira disse ter interesse em participar do leilão para recomprar ações. O leilão ocorre nesta sexta-feira e pode contar com a participação de outros interessados.

Vale (VALE3, R$ 39,71, +0,86%)
As ações da Vale fecharam na sua sétima sessão seguida de ganhos, acumulando no período valorização de 10%. O movimento ocorre na esteira da valorização do minério de ferro. Os contratos futuros da commodity negociados na bolsa chinesa de Dalian subiram 1,87%, a 546 iuanes. 

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Acompanharam o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 29,17, +1,28%) - holding que detém participação na Vale - enquanto as siderúrgicas fecharam entre perdas e ganhos, com Gerdau (GGBR4, R$ 12,45, -0,32%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,77, +0,70%), CSN (CSNA3, R$ 8,03, +1,01%) e Usiminas (USIM5, R$ 8,96, -0,99%). 

A mineradora pretende disponibilizar à Samarco (joint venture com a BHP Billiton) linhas de crédito de curto prazo de até US$ 48 milhões para apoiar suas operações no primeiro semestre de 2018 e cobrir despesas. Segundo a companhia, os fundos serão liberados à medida que forem necessários.

Oi (OIBR4, R$ 3,50, -1,13%)
Empresa de private equity TPG e China Telecom estão preparando proposta para adquirir o controle da brasileira, após os credores aprovarem o plano de reestruturação na quarta-feira, segundo pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Bloomberg. O plano aprovado pelos credores da Oi foi considerado positivo por essas duas empresas. As expectativas são de que uma delas apresente proposta no início do próximo ano. Nenhuma das envolvidas comentou as informações.

Ainda no noticiário da companhia de telecomunicações, a Pharol, maior acionista, disse em comunicado que até esta quinta-feira o plano de recuperação da empresa ainda não se tornou público ou foi disponibilizado aos seus acionistas. A Pharol diz que as poucas informações disponíveis apontam para a manutenção de aspectos negativos quanto à falta de equidade e de adoção de uma governança "insólita".

Sabesp (SBSP3, R$ 33,89, -1,11%)
O conselho da empresa aprovou a 22ª emissão de debêntures em até três séries para investidores qualificados. O montante total da operação é de R$ 750 milhões. A quantidade de papéis a ser alocada em cada série, a remuneração e o valor total da oferta serão definidos em procedimento de bookbuilding no sistema de vasos comunicantes.

Sanepar (SAPR4, R$ 11,10, +1,00%)
A Sanepar aprovou programa de investimentos para o período de 2018 até 2002 avaliado em R$ 5,69 bilhões, enquanto a Caixa Seguridade informou que o acordo com francesa CNP Assurances para distribuição de seguros até 2041 ainda estão em andamento, o que também deve mexer com as ações da Wiz.

Eletropaulo (ELPL3, R$ 16,04, -0,25%)
O conselho da Eletropaulo aprovou emissão de debêntures no montante de R$ 300 milhões, com prazo de vencimento de um ano. Os recursos serão destinados a novos investimentos e ao reforço do capital de giro da companhia. A remuneração será de 100% do CDI mais sobretaxa de 2,3%. O pagamento será efetuado em seis parcelas mensais, com o primeiro pagamento no 7º mês e o último, no vencimento.

Rossi (RSID3, R$ 6,94, +10,86%)
As ações da Rossi dispararam nesta sessão após a construtora ter informado que concluiu o processo de reestruturação de aproximadamente R$ 1,66 bilhão em dívidas financeiras contratadas com Bradesco, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

O memorando de entendimentos celebrado com o Bradesco prevê que a quitação parcial da dívida de R$ 1 bilhão será por meio de ativos que já fazem parte da cesta de garantias constituída para suportar as atuais operações financeiras. Junto ao Banco do Brasil, a empresa também acordou a reestruturação de dívidas de aproximadamente R$ 250 milhões. Parte deste montante será quitado ao longo dos próximos três anos com recebimentos provenientes da venda de imóveis. Em ambos os casos, o saldo remanescente terá prazo de pagamento estendido para melhor adequação ao Fluxo de Caixa futuro da Rossi.

Por fim, a construtora informou também ter concluído junto à Caixa a negociação referente aos contratos de financiamento de 9 obras apoiadas pela instituição que possuíam saldo de endividamento no valor de aproximadamente R$ 410 milhões. Os novos contratos agora preveem uma extensão na data de vencimento em mais três anos.

Tecnosolo (TCNO4, R$ 2,83, +27,48%)
As ações small caps da Tecnosolo fecharam perto da máxima do dia (+27,93%, a R$ 2,84) após a companhia, em recuperação judicial desde 2012, ter anunciado que foi dado um ganho de causa no montante de R$ 85,8 milhões junto ao juízo da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, em relação à discussão do valor do débito entre a companhia e a Sucop (Superintendência de Conservação e Obras Públicas). O volume financeiro movimentado com a ação foi de R$ 3,5 milhões, contra média diária de R$ 169,1 mil nos últimos 21 pregões.

Segundo o analista Marco Saravalle, da XP Investimentos, essa informação é um dos principais fatores que podem fazer o papel da companhia disparar na Bolsa. Com o valor de mercado de R$ 14,7 milhões e dívida de R$ 48,9 milhões, se entrar R$ 85 milhões no caixa, "sobrariam" R$ 36,1 milhões - ou seja, cerca de 2,5 vezes o seu valor de mercado, comenta.

Apesar da expectativa de forte valorização do papel, que, na percepção do analista pode mais do que dobrar de valor no médio prazo, ele lembra que esse é um case de investimentos para quem tem "estômago", dado que trata-se de uma empresa em recuperação judicial e com baixa liquidez na Bolsa. Vale menção o primeiro alerta do analista para o forte potencial de valorização do papel foi dado no começo de setembro, em seu programa semanal na InfoMoneyTV, o "30 minutos para se aposentar com ações" (veja aqui).

Ainda no comunicado da empresa de hoje, a Tecnoloso diz que, com a liberação do recurso, a companhia poderá dar cumprimento ao plano de recuperação judicial originalmente aprovado, quitando na quase totalidade os créditos detidos pelos credores da classe 3.

Ela diz ainda que, em 15 de dezembro, foram adotadas as providências no sentido de encaminhar ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) os autos do processo do Velódromo Olímpico, por conta da discussão a respeito da competência do Juízo da 7ª Vara Empresarial da Comarca Central do Rio de Janeiro para bloquear aproximadamente R$ 23 milhões das contas da Prefeitura do Rio de Janeiro/RioUrbe em função da Prefeitura não haver cumprido o acordo proposto por ela própria e celebrado com a companhia e o Juízo universal da recuperação.

Linx (LINX3, R$ 21,67, -0,28%)
A empresa anunciou a aquisição (a 4ª desde o aumento de capital) de 100% da startup Percycle, líder em plataforma de mídia online no Brasil, por R$ 13 milhões.

Em relatório, o BTG Pactual comenta que o múltiplo do negócio parece atrativo e que a aquisição complementa o portfólio que a Linx tem a oferecer para o varejo brasileiro. Apesar do valuation esticado, os analistas reiteraram recomendação de compra. 

Suzano (SUZB3, R$ 18,53, -2,32%)
A Suzano teve seu rating elevado de BB+ para BBB-, entrando no patamar de grau de investimento pela Fitch, com perspectiva estável. Segundo a agência de classificação de risco, o fluxo de caixa operacional mais forte e investimentos menores contribuíram com esforços da companhia para a redução de sua dívida. Para a Fitch, a alavancagem da Suzano pode voltar a subir, mas não deve ultrapassar a marca de 3,5 vezes o Ebitda. Já a Gol (GOLL4) foi elevada de CAA3 para B2 pela Moody's, com perspectiva estável.

(com Agência Estado)

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