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Marfrig avança em espaço da JBS e CSN negocia R$ 10 bi em dívidas; recomendação de Vale e Gerdau e mais destaques

Confira os destaques do noticiário corporativo desta segunda-feira (23)

JBS
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O noticiário corporativo é movimentado, tendo como destaque notícias de frigoríficos, a CSN voltando a negociar dívidas de R$ 10 bilhões com bancos, além da assembleia de credores da Oi. Confira os destaques desta segunda-feira (23):

Petrobras (PETR3; PETR4)
A Petrobras informou que decreto exclui as participações minoritárias detidas pela companhia no capital social da Deten Química e da Braskem do PND (Programa Nacional de Desestatização), publicado ontem no Diário Oficial da União.  Com a edição do decreto, todas as ações detidas pela Petrobras em tais sociedades que se encontravam formalmente bloqueadas pelo Fundo Nacional de Desestatização passam a ficar livres e desembaraçadas para eventual alienação, em conformidade com a estratégia definida no Plano de Negócios e Gestão, diz a empresa em comunicado enviado ao mercado. 

Ainda no radar da empresa, a Petrobras assinou um protocolo de intenções com o Ibama, para aderir às regras do decreto que permite converter multas ambientais ainda não pagas em prestação de serviços na área, informa o jornal O Globo.

A petroleira cortou o preço da gasolina em 0,2% e elevou o diesel em 1,4%. Os preços são para as refinarias a partir de 24 de outubro, segundo informação no site da Petrobras.  

Por fim, a Petrobras informou o início da fase não vinculante do processo de venda de 90% de sua participação acionária na Transportadora Associada de Gás (TAG), subsidiária
integral da Petrobras, segundo comunicado. “Nesta etapa do projeto, os interessados habilitados na fase anterior receberão um memorando descritivo contendo informações
mais detalhadas sobre o ativo em questão, além de instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para elaboração e envio das propostas não vinculantes”, informou a empresa em comunicado. 

JBS (JBSS3)
O egípcio Tarek Farahat, escolhido para presidir o conselho de administração da JBS após o afastamento do empresário Joesley Batista, em maio, renunciou na sexta ao cargo. Em seu lugar, assumirá o irlandês Jeremiah O'Calleghan, que também é diretor de relações com investidores da empresa.

Executivo com passagem por várias empresas do ramo alimentício, Norberto Fatio também renunciou à vaga que ocupava no conselho. Eleito pelos controladores, Fatio será substituído por Wesley Batista Filho. Além disso, no radar da JBS, a empresa confirmou na sexta que chegou a um acordo para reabrir sete frigoríficos de bovinos no Mato Grosso do Sul. Os frigoríficos da companhia estão fechados desde a última quarta-feira. Os abates serão retomados na terça-feira (24). 

Ainda sobre a companhia, a JBS confirmou na sexta que chegou a um acordo para reabrir sete frigoríficos de bovinos em Mato Grosso do Sul, informa o Valor. Os frigoríficos da companhia estão fechados desde a última quarta-feira. Os abates serão retomados na terça-feira (24) no Estado. 

Ainda sobre o setor, a Marfrig (MRFG3) avança no espaço aberto pela JBS, informa a Folha de S. Paulo, com a companhia reabrindo cinco frigoríficos para praticamente dobrar sua produção. A Marfrig, que é dona de marcas de carnes como Bassi e Montana, voltou a operar nos municípios de Nova Xavantina (MT), Pirenópolis (GO), Paranaíba (MS), Alegrete (RS) e Ji-Paraná (RO). A companhia começou 2017 com capacidade de abate de 170 mil cabeças de gado por mês. Com a expansão, calcula que terminará o ano com capacidade de 300 mil cabeças por mês. A estimativa de geração de empregos é de 4.500 vagas. 

CSN (CSNA3)
Três anos após firmar acordo para vender importantes ativos, como contrapartida para a renegociação de débitos, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Benjamin Steinbruch, voltou a conversar com bancos públicos e privados. Mesmo sem ter se desfeito dos principais negócios, a companhia está conseguindo abrir espaço para renegociar as dívidas que vencem entre 2018 e 2020.

Já no início do ano que vem, a siderúrgica precisa pagar R$ 5,6 bilhões, dos quais R$ 4,1 bilhões para seus principais credores, Banco do Brasil e Caixa. A CSN deve a esses dois bancos cerca de R$ 10 bilhões que vencem até 2020. O grupo quer empurrar as obrigações para 2021 e 2022, apurou o Estado. Os bancos públicos são o ponto nevrálgico das novas renegociações. Segundo fontes, as conversas com credores privados – como Bradesco e Itaú, além de detentores de títulos (bondholders) – não encontram resistências. Ainda que a CSN já tenha se sentado à mesa com BB e Caixa, as instituições fazem pressão sobre a empresa de Steinbruch, que desde o terceiro trimestre de 2016 não recebe aval da auditoria Deloitte para divulgar balanços de resultados.

A Delloite encontrou erros fiscais na operação Congonhas Minérios – que reúne a mina Casa de Pedra, o terminal Tecar e fatia da ferrovia MRS –, na qual a siderúrgica tem sociedade com a asiática Namisa. A expectativa era de que o aval da Delloite fosse dado na sexta-feira, mas o relatório ainda não foi concluído, apurou o Estado. Procurada, a Deloitte não comentou. Com dívida líquida de R$ 26 bilhões no terceiro trimestre de 2016, a CSN não consegue gerar receita suficiente para pagar seus débitos. Para esticar os vencimentos, a siderúrgica precisa, além da autorização da Deloitte, mostrar estratégia convincente para reduzir seu endividamento. Entre julho e agosto, as agências de classificação de risco Standard & Poor’s e Moody’s rebaixaram a nota da companhia. Ambas citaram a falta de divulgação dos resultados e de definição sobre o endividamento.

No fim de 2015, quando todo o setor siderúrgico sofria com a queda dos preços do minério de ferro e o País enfrentava o ápice da crise econômica, Steinbruch conseguiu alongar dívidas com BB e Caixa que venceriam em 2016 e 2017 para 2018 a 2020. Na época, o atual presidente do BB, Paulo Caffarelli, era diretor da CSN. Hoje, o cenário é mais positivo: os preços do minério de ferro subiram, a demanda por aço começa a ganhar força e a economia do País dá sinais de reação. Porém, ao contrário do que tinha se comprometido a fazer, Steinbruch não vendeu nenhum ativo relevante.

O empresário esteve prestes a vender o Terminal de Contêineres Sepetiba (Tecon), por cerca de R$ 1,5 bilhão, mas desistiu na última hora. Outros negócios, como energia e cimento, foram postos à venda, mas não atraíram compradores. A única venda concretizada foi a da fabricante de latas Metalic, por US$ 98 milhões – valor insuficiente para aliviar as contas da CSN. Steinbruch ainda busca um sócio para a Congonhas Minérios e para o projeto da ferrovia Transnordestina. Segundo fontes, mesmo se vendesse todos os ativos não estratégicos a CSN não conseguiria pagar suas dívidas.

Vale (VALE3;VALE5)
Sobre a Vale, a Samarco, joint venture entre a mineradora e a BHP Billiton, defende que medidas reparatórias que tomou após sua lama de rejeitos destruir 650 km de ecossistemas, inclusive um acordo com o governo federal, justificam a absolvição da empresa por parte dos crimes ambientais a que responde em ação penal, aponta a Folha de S. Paulo. 

Além disso, o ADR da Vale foi reiniciado com recomendação neutra pelo Goldman Sachs, assim como o da Gerdau (GGBR4). 

Smiles (SMLE3)
A Smiles Fidelidade, nova denominação da Webjet Participações, mudará de código de negociação nesta segunda-feira. Cada ação ordinária de emissão da Smiles negociada na B3 sob o código SMLE3 será substituída por uma ação ordinária da Smiles Fidelidade. A partir desta segunda, serão iniciados os negócios com as ações de emissão da Smiles Fidelidade na B3 sob o código SMLS3.

 

Oi (OIBR4)
O juiz Fernando Viana, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, decidiu adiar por 15 dias a AGC (Assembleia Geral de Credores) prevista para esta segunda-feira. O encontro agora deve ocorrer na segunda-feira do dia 6 de novembro. Essa é a segunda vez em que a assembleia, que iria discutir o plano de reestruturação da companhia, é adiada. A Oi pretendia reunir cerca de 55.000 credores para discutir novo plano. 

A decisão ocorreu após pedido de adiamento formulado por credores que ocupam a maior parte da dívida da empresa, como Banco do Brasil, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Caixa Econômica Federal, Bradesco, BNP Paribas, HSBC, Capricorn Capital, Goldentree, Dstressed Funda, entre outros. 

Segundo o Bradesco BBI, a decisão do adiamento era esperada mas, para os acionistas, é de alguma forma negativa. "Como os principais detentores de título já mencionaram, o plano atual não é do seu melhor interesse e é improvável que ele seja aprovado. Portanto, os detentores de títulos devem usar esse tempo extra para chegar a um plano alternativo, que esperamos seja bem diferente do atual".

De acordo com os analistas do Bradesco BBI, quanto mais o processo de recuperação demora, mais a Anatel tem motivos para uma intervenção. "Os indicadores operacionais da Oi melhoraram desde o início do processo de recuperação judicial, o que tornou mais difícil a Anatel construir seu caso. Por outro lado, a Anatel pode afirmar que o processo foi
adiado tantas vezes agora que as chances de uma resolução entre os acionistas e detentores de dívidas serem atingidas diminuíram". 

Já o Estadão informa que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) deve reprovar a proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Oi. A decisão será tomada hoje pelo Conselho Diretor da agência. A reunião será fechada e terá caráter sigiloso. Caso o acordo seja mesmo rejeitado, será mais um revés para a companhia, que está em recuperação judicial e acumula dívidas de R$ 65 bilhões. O Valor Econômico informa, por sua vez, que o  governo prepara um amplo plano de recuperação da Oi, que está sendo negociado com todas as partes envolvidas. A dívida da empresa com a Anatel, de cerca de R$ 11 bilhões, decorrente de multas aplicadas à Oi, ficará fora da lista de dívidas da recuperação judicial, tal como queria a agência reguladora.

Dommo Energia (DMMO3
A petroleira Dommo Energia, ex-OGX, informou na sexta-feira que recebeu de sua sócia Barra Energia uma notificação comunicando sua intenção de exigir que a empresa se retire completamente do bloco BS-4, onde estão os campos de Atlanta e Oliva, na Bacia de Santos, devido a sua inadimplência. A empresa diz que a saída se daria sem qualquer oferta de pagamento de preço ou de indenização. Atualmente, a Dommo Energia detém participação de 40% no bloco BS-4, em parceria com Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP3), operadora do bloco, e com a Barra Energia, ambas com 30%.

Na quarta-feira, a Dommo informou ao mercado que seu Conselho de Administração aprovou um acordo para a venda de 30% da participação da empresa no bloco BS-4 para a subsidiária do Grupo Seacrest. O negócio, de cerca de US$ 60 milhões, faria parte da estratégia da companhia para equalizar valores junto às demais sócias do ativo e também para reforçar o caixa da empresa.

Ainda sobre a QGEP, a companhia teve aval do Cade à cessão de fatia em 2 blocos à ExxonMobil. Atualmente, a QGEP detém 100% de participação em ambos os contratos. O 
Cade considerou que os blocos constituem-se ativos pré-operacionais, não estando em fase de produção e concluiu que a operação não suscita preocupações sob a ótica concorrencial. 

IPO do Burger King
A rede Burger King Brasil protocolou seu pedido de oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) e deverá realizar sua abertura de capital em dezembro. Com isso, a última janela de ano tem potencial para movimentar cerca de R$ 20 bilhões. BR Distribuidora, Algar Telecom e Neorenergia são as outras empresas que buscam abrir capital também no último mês do ano.

A oferta será primária e secundária, com venda de parte das participações da Vinci Capital e a Temasek. Na minuta do prospecto preliminar, disponibilizado no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda consta o número de ações a serem ofertadas ou a faixa indicativa de preço.

Dos recursos da oferta primária, a companhia destinará para a expansão orgânica de novos restaurantes e aceleração da abertura de quiosques de sobremesas nos próximos anos. Somado a isso, a empresa pretende utilizar parte dos recursos com pesquisa e desenvolvimento de novas marcas de fast food. O documento aponta que a rede no Brasil tem mostrado forte crescimento, com o número de restaurantes da marca saindo de 108 em julho de 2011 para 628 no fim de setembro deste ano. “Trabalhamos para nos consolidarmos como a marca de fast food preferida e mais rentável do Brasil”, de acordo com o documento.

Hoje são sócios a Vinci Partners,33%, o Capital Group, 31%, e o Temasek, 15%. Já a Restaurant Brands International, dona da marca Burger King, tem outros 15%. Os bancos coordenadores da oferta são o Itaú BBA, Bank of America Merril Lynch, Bradesco BBI, BTG Pactual, JP Morgan e XP Investimentos.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

 

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