Em mercados / acoes-e-indices

Ibovespa corrige por mais um dia e dólar sobe 0,9%, de olho em duas notícias vindas dos EUA

O dia foi marcado por baixa liquidez por conta do feriado nos Estados Unidos

SÃO PAULO - Dando continuidade ao pregão de correção da última sexta-feira, o Ibovespa caiu 0,43% nesta segunda (9), aos 75.727 pontos, com o aumento de aversão ao risco por conta das tensões envolvendo Turquia e Estados Unidos, além de novas declarações de Trump ameaçando a Coreia do Norte no final de semana, o que resultou na alta dos juros futuros e dólar. Vale destacar que o pregão foi de baixa liquidez, já que é feriado de Dia do Colombo nos EUA, apesar das bolsas terem aberto por lá. O volume financeiro movimentado na B3 hoje foi de R$ 6,6 bilhões, contra média diária de R$ 9,9 bilhões dos últimos 21 pregões. 

A embaixada dos Estados Unidos na Turquia anunciou no último domingo (8) que suspenderá temporariamente a emissão de vistos para viagens com o objetivo de minimizar o número de visitantes em suas sedes diplomáticas nesse país por motivos de segurança. "Os fatos recentes forçaram o governo dos EUA a reavaliar o compromisso do governo da Turquia com a segurança das sedes diplomáticas americanas e seu pessoal", comunicou a embaixada norte-americana.

Além disso, no sábado (7), Donald Trump voltou a adotar um tom ameaçador contra a Coreia do Norte pelo Twitter. O presidente dos EUA falou sobre as tentativas de diálogo no passado com o país, garantindo que não há mais o que tratar com o regime de Kim Jong-un. Segundo ele, "só uma coisa funcionará", sem especificar qual a medida a ser adotada.

Por conta deste cenário de maior aversão ao risco, o dólar comercial registrou valorização de 0,86%, cotado a R$ 3,1859 na venda, enquanto os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 registraram alta de 1 pontos-base, cotados a 7,36%, ao passo com vencimento de 2021 operam em alta de 5 pontos, negociados a 8,97%, respectivamente.

Destaques do mercado
Em um mais dia de correção da bolsa, apenas 20 das 59 ações do Ibovespa fecharam em alta, mas dessas apenas 6 subiram mais de 1%. Destaque para a Sabesp, que chegou a saltar 4% neste pregão com revisão tarifária (veja mais aqui); além da Fibria, que ganha força no mercado após ter sido eleita em uma semana como a nova top pick do Bradesco e agora pelo BTG Pactual (confira aqui a análise).   

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 6,39 -4,63 -3,33 15,00M
 CSNA3 SID NACIONALON 9,90 -3,41 -8,76 121,36M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 31,65 -2,56 +103,80 93,02M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 11,51 -2,46 +42,75 37,61M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 19,06 -2,01 +10,13 79,74M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 RAIL3 RUMO S.A. ON 12,49 +2,80 +103,42 103,58M
 FIBR3 FIBRIA ON 47,70 +2,51 +53,25 85,21M
 SBSP3 SABESP ON 34,52 +2,07 +24,47 55,25M
 SANB11 SANTANDER BRUNT EJ 29,16 +1,72 +4,03 84,66M
 PETR4 PETROBRAS PN 15,89 +1,27 +6,86 416,25M

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Agenda de indicadores
Na semana, o destaque fica para a divulgação da ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) -- marcada para quarta-feira, às 15h (horário de Brasília) -- e a inflação oficial de setembro nos Estados Unidos -- às 9h30 da sexta-feira --, após feriado no país nesta segunda-feira (Dia de Colombo). As entrelinhas do documento do Federal Reserve e os dados de preços poderão reforçar as expectativas de que os juros na maior economia do mundo deverão subir em dezembro.

Na China, depois de uma semana de feriado, serão divulgados dados da balança comercial na quinta-feira. Também no exterior, os investidores deverão acompanhar com atenção aos desdobramentos do conturbado momento político espanhol, em meio à possibilidade de o governo da Catalunha declarar unilateralmente sua independência.

No plano doméstico, às 9h00 da quarta-feira será divulgada a Pesquisa Mensal do Comércio, que deve dar mais sinais de retomada da atividade já vistos em outros indicadores do mês. A semana também contará com os dados inflacionários de IGP-DI, IPC-S e IPC-Fipe, além do possível discurso do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. Vale destacar que haverá feriado dia 12 de outubro, na quinta-feira, não havendo negócios na B3.

Eleições de 2018
As movimentações para 2018 continuam. No noticiário do final de semana, chamam a atenção a pesquisa Datafolha sobre a avaliação do prefeito de São Paulo, João Doria, cuja aprovação caiu de 41% para 32% conforme pesquisa realizada entre 4 e 5 de outubro. Além disso, os paulistanos preferem o governador Geraldo Alckmin como o candidato à Presidência pelo partido em 2018. Para 45%, ele é o melhor nome, enquanto 31% apontam Doria como o preferido, o que deve apimentar a discussão pela indicação do PSDB. Descartam ambos 20% dos ouvidos. 

Na manhã do domingo, o prefeito culpou diretamente a gestão do antecessor, Fernando Haddad, sobre a queda de aprovação: "estamos com nove meses de gestão à frente da Prefeitura de São Paulo, sem recursos. Temos R$ 7,5 bilhões de deficit no orçamento da prefeitura [em relação à receita prevista pela gestão anterior]. Que foi herança do PT, que nos deixou esse rombo", disse Doria. 

Enquanto isso, bem posicionado nas últimas pesquisas eleitorais, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ),  pré-candidato à Presidência, ensaia movimento ao centro no debate econômico, adotando um discurso simpático aos investidores do mercado financeiro. Poucos dias antes de voar para os EUA, onde desembarcou neste domingo (7), o parlamentar defendeu em conversa com a Folha de S. Paulo a independência do Banco Central, "com regras e mandato fixo", e criticou subsídios à indústria nacional.

  • Bolsas mundiais
    A semana se iniciou com leves variações para os índices europeus, na volta do feriado da China e em dia de feriado nos Estados Unidos. A bolsa e os preços dos títulos espanhóis registraram leve alta com manifestações contra separatismo da Catalunha no país, mas alívio nos mercados é pontual.
  • Na Ásia, as bolsas da China fecharam em alta nesta segunda-feira, animadas pela perspectiva de expansão do crédito para o setor corporativo refletindo a decisão do BC da China em reduzir os compulsórios na semana passada, na volta de um feriado de uma semana. A alta dos bancos deixou em segundo plano os números decepcionantes de atividade da China.
  • Divulgada no fim da noite da véspera, o PMI chinês de serviços elaborado pelos institutos IHS Markit e Caixin Media caiu de 52,7 em agosto para 50,6 em setembro, atingindo o menor nível em 21 meses. Já o PMI composto, que também engloba indústria, recuou de 52,4 para 51,4 no mesmo período, o menor patamar em três meses.

Veja abaixo o desempenho dos principais índices mundiais:

*Dow Jones (EUA) -0,06%

*S&P 500 (EUA) -0,18%

*Nasdaq (EUA) -0,16%

*CAC-40 (França) +0,11%

*FTSE (Reino Unido) -0,20%

*DAX (Alemanha) +0,16% 

*Hang Seng (Hong Kong) -0,46% 

*Xangai (China) +0,77%

*Petróleo WTI +0,49%, a US$ 49,53 o barril

*Petróleo brent +0,05%, a US$ 55,65 o barril

*Minério de ferro spot (à vista) no porto de Qingdao, na China, +0,69%, a US$ 62,67  a tonelada

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -1,99%, a 443 iuanes

 

Contato