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Estatal dispara 25% em 2 dias com possível privatização de usinas; só 10 das 58 ações do Ibovespa sobem

Confira os principais destaques de ações desta quinta-feira 

Eletrobras - usina eólica no Ceará
(Divulgação/Eletrobras)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (6), na sua terceira baixa seguida, com os investidores de olho no noticiário político turbulento. A aversão ao risco aumentou com a percepção sobre o mau momento para o presidente Michel Temer juntamente com especulações sobre eventual sucessão pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

Com isso, o índice registrou queda de 1,08%, a 62.470 pontos, enquanto o dólar comercial subiu 0,18%, a R$ 3,2979 na compra e R$ 3,2985 na venda. Diante do cenário nebuloso, apenas 10 das 58 ações do índice registraram alta nesta sessão, com destaque para as elétricas, que subiram na esteira da reforma no setor proposta pelo governo. A maior alta ficou com a Eletrobras, com as mudanças propostas pelo governo abrindo caminha para a privatização de antigas usinas da estatal. Em dois pregões, os papéis ONs da elétrica subiram 25%. 

Confira abaixo os principais destaques de ações:

Petrobras (PETR3, R$ 12,93, +1,00%; PETR4, R$ 12,93, -0,33%)
Descoladas dos preços do petróleo, as ações da Petrobras viraram para queda nesta sessão, seguindo o mau humor do mercado doméstico. Lá fora, os contratos futuros do petróleo WTI registravam alta de 0,29%, a US$ 45,26 o barril, enquanto os contratos do Brent subiam 0,13%, a US$ 47,85 o barril. 

Veja mais: O que esperar da Petrobras no 2º semestre? Confira no especial do InfoMoney (link aqui)

Vale (VALE3, R$ 28,92, -0,03%;VALE5, R$ 27,02, +0,30%)
Por sua vez, as ações da Vale fecharam praticamente estáveis, após caírem mais de 1% nesta manhã, acompanhando o movimento do minério de ferro. Hoje, a commodity spot (à vista) negociada no Porto de Qingdao, na China, caiu 2,08%, a US$ 61,96 por tonelada, enquanto os contratos futuros do minério cotados na bolsa chinesa de Dalian recuaram 0,42%, a 471 iuanes. 

Já a Bradespar (BRAP4, R$ 20,95, +0,92%) - holding que detém participação na Vale - encerrou com alta mais firme nesta sessão, deixando para trás a queda de 1,40% registrada na mínima do dia, assim como as ações das siderúrgicas, que ganharam força nesta sessão. São elas: Gerdau (GGBR4, R$ 10,73, +1,32%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,27, +2,73%), CSN (CSNA3, R$ 7,06, 0,0%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,84, +2,11%). 

No radar da Vale, ainda persiste a possibilidade de Samarco retomar suas operações no ano de 2017 e joint venture continua a envidar máximos esforços nesse sentido, ainda que variáveis exógenas possam tornar a retomada no ano corrente inalcançável, disse a Vale, em comunicado de esclarecimento divulgado ao mercado nesta quarta-feira. 

A eventual não retomada das operações da Samarco em 2017 não constitui evento que deva influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários de emissão da cia., tendo em vista provisão de R$ 3,7 bilhões constituída nas demonstrações contábeis intermediárias de 30/junho de 2016 da Vale, segundo documento. 

Já o Valor informa que a mineradora está em contagem regressiva para a conclusão de uma operação bilionária de financiamento com um "pool" de bancos liderados pelo japonês JBIC para o empreendimento de carvão da empresa, em Moçambique, na África Subsaariana. A expectativa é de que o acordo seja fechado no terceiro trimestre. 

Eletrobras (ELET3, R$ 15,83, +16,14%; ELET6, R$ 19,13, +10,45%)
As ações da Eletrobras tiveram mais um dia de forte alta, com o mercado de olho na ampla reforma no setor elétrico proposta pelo governo, que pode abrir caminho para que a empresa privatize suas antigas usinas. Nos últimos dois pregões, esses papéis acumulam ganhos de 25%.

Mas a euforia não tomou conta apenas da Eletrobras. Outras ações do setor subiram forte: Copel (CPLE6, R$ 25,39, +3,34%), Cemig (CMIG4, R$ 8,55, +2,76%), Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 66,55, +3,02%), AES Tietê (TIET11, R$ 14,10, +2,17%). 

Veja mais: Não é só Eletrobras: as 8 elétricas que têm muito a ganhar com a "novidade" do setor (clique aqui)

Gol (GOLL4, R$ 8,20, -1,20%)
As ações da Gol interromperam a dispara de 13% da véspera, quando investidores estavam de olho na divulgação da prévia dos dados do 2° trimestre e revisão de recomendação para compra pelo Bank of America Merrill Lynch (leia mais). Na máxima desta quinta-feira, os papéis subiram 3,37%, a R$ 8,58. 

BRF (BRFS3, R$ 37,86, -3,12%)
 A BRF anunciou uma nova etapa do processo de reestruturação organizacional dos negócios, aprovado pelo conselho de administração da companhia em reunião realizada em 29 de junho, segundo fato relevante nesta quinta-feira.

A empresa contará com 14 vice-presidências que se reportarão ao diretor presidente da empresa, Pedro de Andrade Faria, de acordo com o comunicado.

Entre os ajustes na estrutura organizacional, a gestão de mercados internacionais, antes dividida em Ásia, Europa, Américas e África, será conduzida em um único segmento denominado "Internacional" e ficará sob o comando de Simon Cheng, que liderava as operações da BRF na Ásia.

A companhia ainda terá outras três divisões: a de Brasil, a OneFoods, que concentrará os negócios da subsidiária dedicada ao mercado muçulmano, e a Cone Sul, que agrupará as atividades na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.

Educacionais
As ações das empresas de educação aprofundaram as quedas neste pregão, após a publicação das novas regras do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e do aumento da aversão ao risco na bolsa brasileira. 

Na bolsa, as ações do setor expostas ao programa são: Estácio (ESTC3, R$ 14,73, -1,80%), Kroton (KROT3, R$ 14,75, -1,67%), Ser Educacional (SEER3, R$ 24,53, -1,17%) e Anima (ANIM3, R$ 16,59, -0,84%). 

Para os analistas do Santander, o impacto para as empresas listadas tende a ser neutro, uma vez que o aumento potencial na contribuição ao FGEduc já era esperado pelo mercado. Eles estimam um impacto de 130 pontos-base na margem Ebtida (Lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) em longo prazo decorrente de um incremento para 13% (atualmente 6,25%), assumindo (i) que a cobertura do fundo continue em 90% e (ii) uma exposição em longo prazo do Fies de 20%. O impacto, em termos absolutos, tende a ser maior para Anima e Estácio, devido à sua margem operacional relativamente menor.

Segundo o Ministério da Educação, o Fies terá nova formatação a partir de 2018, ofertando 300 mil vagas em três modalidades. 

Na primeira modalidade, o Fies funcionará como um fundo garantidor com recursos da União e ofertará 100 mil vagas por ano a juro zero; o estudante pagará uma parcela máxima de 10% de sua renda mensal.

Na segunda modalidade, a fonte de recursos são os fundos constitucionais regionais, para alunos com renda per capita de até cinco salários mínimos. Serão ofertadas 150 mil vagas para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. 

A terceira modalidade terá como fonte de recursos o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e os fundos regionais de desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com juros baixos para estudantes com renda familiar per capita mensal de até cinco salários mínimos. Serão ofertadas 60 mil vagas em 2018.  

CVC (CVCB3, R$ 34,20, +2,70%)
A CVC teve no segundo trimestre deste ano alta de 13,8% nas reservas confirmadas, que atingiram R$ 2,476 bilhões no período. O crescimento no conceito ‘mesmas lojas’ (unidades abertas há mais de um ano) da rede de varejo foi de 13,4% no período, acumulando em 12 meses uma variação positiva de 9,4%. 

Suzano (SUZB5, R$ 13,79, -1,85%)
A Suzano nomeou Leonardo Barretto de Araujo Grimaldi para Diretor Executivo de Papel e Fabio Luiz Novoa Prado para Bens de Consumo, de acordo com comunicado da empresa. As nomeações foram aprovadas pelo conselho de administração e os mandatos expiram em 2018. As mudanças buscam melhorar estrutura para principais negócios - papel e celulose - e desenvolvimento das pessoas, disse a companhia. 

 

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