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Estatais perdem ainda mais espaço entre as recomendações de julho, enquanto Itaú reina absoluto na liderança

Analistas optaram por ações consideradas defensivas em vista do aumento do risco político

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - As indefinições quanto ao rumo do governo de Michel Temer e das reformas adicionaram muita incerteza às previsões e isso refletiu diretamente nas carteiras recomendadas de ações para julho. De modo geral, os analistas dos bancos e corretoras optaram por reduzir o "beta" das carteiras, ou seja, procuraram por ações com perfil mais defensivo e por isso costumam cair menos do que o índice em momentos de pânico - embora em tempos de euforia elas subam menos que o benchmark também.

Levantamento feito pelo InfoMoney com 15 carteiras recomendadas para julho mostrou que, em média, cada portfólio trouxe duas novidades para o mês. A XP Investimentos, por exemplo, justificou que sua carteira está "calcada em fixar o beta em níveis mais baixos e manter papéis defensivos (...) reduzindo a exposição aos papéis ligados ao Governo". Em linha com isso, a equipe de análise da XP tirou as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e colocaram a "dolarizada" Weg (WEGE3) em seu lugar.

Quem também adotou uma postura mais "anti-estatal" foi a Ativa Investimentos, que retirou Banco do Brasil da carteira e reduziu a participação de Petrobras (PETR4), realocando o peso das estatais nas ações do Itaú Unibanco (ITUB4) e da BR Malls (BRML3). "Aumentamos o peso da porção defensiva da carteira e reduzimos a parte com beta mais alto, visto uma perspectiva de continuidade na deterioração dos fundamentos políticos e fiscais", escreveu a equipe em relatório.

Em seu relatório, os analistas do BTG Pactual alertam justamente sobre o aumento do risco político. O banco de investimento prevê a manutenção das incertezas por um longo período e acreditam que Michel Temer provavelmente permanecerá no poder, fato que atrasaria o andamento da agenda de reformas, em especial da Previdência, uma vez que a base de apoio do presidente não é forte o suficiente para aprovar uma questão tão complexa. Essa dificuldade de previsão faz com que os analistas permaneçam cautelosos com o mercado de ações brasileiro e fazem um alerta: "à medida que as discussões se voltem para as eleições presidenciais de 2018, com um resultado altamente imprevisível, a volatilidade tende a permanecer alta na bolsa brasileira".

Itaú Unibanco segue reinando e empate no segundo lugar
Segundo o levantamento do InfoMoney, Itaú Unibanco segue como a "queridinha" dos analistas, com 11 recomendações - duas recomendações a mais que no mês passado. O maior banco privado do Brasil ganhou ainda mais a preferência no setor, já que o Banco do Brasil não está em nenhuma das carteiras em julho (ante duas recomendações no mês passado) e o Bradesco (BBDC4) manteve-se em apenas uma carteira. "Acreditamos que o Itaú Unibanco seja o banco melhor posicionado no mercado brasileiro e, apesar de suas ações estarem sendo negociadas a múltiplos altos em relação a seu histórico, ainda vemos possibilidade de valorização", destacam os analistas da Spinelli, que incluíram o papel no portfólio de julho.

Neste mês, tivemos um empate na segunda colocação. Com 7 indicações, Petrobras e Cosan (CSAN3) dividem o posto. Em junho, a Petrobras tinha 8 recomendações, enquanto a sucroalcooleira estava em apenas 4 portfólios. Um dos bancos a incluir a estatal na carteira de julho, o BTG Pactual explica que, "à medida que as discussões sobre transferência de direitos [da cessão onerosa] avançam, esperamos que a estatal e o governo cheguem a um acordo sobre o tamanho do ajuste, o que achamos que será favorável para a Petrobras". Um detalhe: o BTG incluiu PETR4 justamente no lugar da queridinha Itaú, contrapondo a tendência dos demais analistas.

Já Cosan ganhou a preferência na expectativa por uma recuperação no preço do açúcar no segundo semestre, vide que a commodity acumula desvalorização de 26% até a última quarta-feira (5). Uma queda nas vendas de açúcar na Índia - maior consumidor global - deixou o país com estoques suficientes para seguir até a próxima safra e derrubou os preços ao longo de 2017. "Embora observamos as recentes quedas do preço do açúcar, o valor da commodity deve se recuperar ao longo de 2017, uma vez que esse preço não condiz com os fundamentos. Além disso, no front político, o governo federal pode elevar o imposto para a gasolina com o objetivo de reduzir o déficit fiscal do país. A decisão deve beneficiar as produtoras de etanol do país", destacou a Guide Investimentos.

Cosan foi incluída pela Spinelli, Brasil Plural e também está na Carteira InfoMoney deste mês, substituindo justamente Petrobras, a fim de reduzir o risco político dentro do portfólio. Vale lembrar que o evento de apresentação da Carteira InfoMoney acontecerá dia 7 de julho (sexta-feira) AO VIVO às 14h00 (horário de Brasília) na InfoMoneyTV.

Outras Mudanças
1- As defensivas
No mais, a tese de "defender-se é preciso" foi vista nas outras recomendações: a defensiva Raia Drogasil (RADL3) segue em 5 carteiras recomendadas, enquanto as "dolarizadas" Embraer (EMBR3), Klabin (KLBN11) e Weg são vistas em 5, 4 e 3 portfólios, respectivamente. As elétricas Equatorial (EQTL3) e Taesa (TAEE11) e a Telefônica Brasil (VIVT4), também 3 votos cada, completam o time de empresas mais resilientes, o que para o mercado significa "menos exposta a turbulências políticas".

2- As que ganham com a queda de juros
A perspectiva de manutenção do ritmo de cortes da taxa de juros pelo Copom também entrou nas contas dos analistas: o comportamento mais benigno da inflação e o "pedido de socorro" da nossa economia contribuem para que a Selic permaneça em queda livre mesmo com o cenário político conturbado. Dessa forma, empresas que ganham muito com isso voltaram a aparecer nas carteiras. Os principais destaques são Lojas Americanas (LAME4) e CCR (CCRO3), que ganharam duas novas recomendações em julho, aparecendo em 5 e 4 carteiras, nesta ordem.

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3- Uma mudança setorial
Pra fechar as dinâmicas, uma mudança setorial: a Ser Educacional (SEER3) ganhou duas recomendações e agora está presente em 3 portfólios. A empresa com forte atuação no Nordeste tem sido vista como a "grande vencedora" do fracasso da fusão envolvendo Kroton (KROT3) e Estácio (ESTC3) - as duas gigantes do setor, aliás, não foram citadas em nenhuma carteira recomendada. "Entramos com a ação em nossa carteira, principalmente em função do momento de possibilidade de consolidação vivido pelo setor de educação, depois do Cade impedir a fusão entre Estácio e Kroton. Acreditamos que a partir dessa notícia, as atenções do mercado se voltam para a Ser Educacional, que já havia mostrado interesse pela aquisição da Estácio", destacou a Planner, uma das corretoras que incluíram SEER3 na carteira do mês.

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Confira as 18 ações com pelo menos 3 recomendações em julho: 

Empresa Quantidade de recomendações
Itaú Unibanco (ITUB4) 11
Petrobras (PETR4) 7
Cosan (CSAN3) 7
RD (ex-Raia Drogasil) (RADL3) 5
Lojas Americanas (LAME4) 5
Embraer (EMBR3) 5
Klabin (KLBN11) 4
Gerdau (GGBR4) 4
Equatorial (EQTL3) 4
B3 (ex-BM&F Bovespa) (BVMF3) 4
Vale (VALE5) 3
Telefônica  Brasil (VIVT4) 3
Weg (WEGE3) 3
CCR (CCRO3) 3
Rumo (RAIL3) 3
Taesa (TAEE11) 3
Multiplan (MULT3) 3
Ser Educacional (SEER3) 3

Fonte: Levantamento do InfoMoney com 15 carteiras de bancos de investimento e corretoras

 

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