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Petróleo derruba Petrobras e Gol dispara 6% na esteira da Smiles; Kroton e Estácio saltam 4%

Confira os principais destaques de ações da bolsa nesta quarta-feira

Minério de ferro
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Pressionado pela virada para baixo das ações da Petrobras, o Ibovespa perdeu o brilho registrado na abertura da sessão (quando chegou a subir 1%) mas ainda assim conseguiu fechar em alta, com contribuições positivas dos papéis de peso dos bancos. O principal índice de ações da bolsa encerrou a sessão em alta de 0,34%, a 63.170 pontos, no segundo dia seguido de ganhos, em meio ao crescente rumor de que a chapa Dilma-Temer será absolvida no julgamento do TSE (veja aqui).

Lideraram os ganhos as ações da Estácio e Kroton, que saltaram quase 4%, após notícia de que a Kroton ofereceu contrapartida pela compra da Estácio. Do outro lado, entre as maiores quedas, apareceram as ações da Petrobras, que viraram para forte queda após surpresa com os estoques de petróleo dos Estados Unidos. Lá fora, os contratos do WTI fecharam em queda de 5,1%, a US$ 45,72 o barril. 

Fora do índice, destaque para as ações da Gol, que saltaram 5,6% na esteira da notícia de que a Smiles será incorporada pela Webjet. A Smiles, por sua vez, fechou em alta de "apenas" 2,05%, após disparar 7,55% na máxima do dia. 

Veja mais: O "presente extra" de R$ 189 mi que uma das vencedoras da B3 deve dar aos acionistas 

Confira abaixo os principais destaques de ações da bolsa desta quarta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 13,68, -2,22%; PETR4, R$ 12,87, -2,35%)
As ações da Petrobras mergulharam a partir das 11h30 (horário de Brasília), após dados dos estoques de petróleo nos Estados Unidos decepcionarem o mercado. Lá fora, os contratos do petróleo WTI fecharam em queda de 5,1%, a US$ 45,72 o barril. 

Segundo a EIA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês), os estoques de petróleo nos EUA cresceram em 3,295 milhões de barris na semana, contra a mediana das expectativa dos analistas consultados pela Bloomberg de queda de 3,250 milhões de barris. 

Na terça-feira, a EIA disse que a produção de petróleo cru nos EUA podem atingir o recorde de 10 milhões de barris por dia no próximo ano, contra os atuais 9,3 milhões de barris por dia, colocando o país bem próximo ao principal exportador mundial da commodity, a Arábia Saudita.  

Ainda no radar, a Petrobras informou que a sua Diretoria Executiva aprovou uma nova política de preços para a comercialização às distribuidoras do Gás Liquefeito de Petróleo comercializado em botijões de até 13 kg e de uso residencial (GLPP13). O novo modelo foi definido com base na Resolução 4/2005 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que “reconhece como de interesse para a política energética nacional a comercialização, por produtor ou importador, de gás liquefeito de petróleo (GLP), destinado exclusivamente a uso doméstico em recipientes transportáveis de capacidade de até 13kg, a preços diferenciados e inferiores aos praticados para os demais usos ou acondicionados em recipientes de outras capacidades”. Assim, a política de preços do GLP-P13 não terá como referência a paridade de preços internacionais e está em linha com os parâmetros do Planejamento Estratégico 2017/2021.

O preço final às distribuidoras será formado pela média mensal das cotações do butano e do propano no mercado europeu (“Butane NWE CIF ARA” e “Propane NWE CIF ARA”) convertida em Reais pela média diária das cotações de venda do dólar, conforme divulgada pelo Banco Central, acrescida de uma margem de 5%.

Vale (VALE3, R$ 26,45, -0,49%; VALE5, R$ 25,00, -0,32%)
As ações da Vale perderam força juntamente com a virada de mão das ações da Petrobras e fecharam em queda. O movimento acompanhou os preços do minério de ferro nesta quarta-feira. Na máxima do dia, as ações da companhia chegaram a subir mais de 1,5%. 

O minério negociado no porto de Qingdao, na China, fechou em queda de 1,07% nesta sessão, a US$ 55,43 a tonelada, enquanto os contratos futuros da commodity negociados na bolsa de Dalian tiveram leve alta de 0,23%, a US$ 63,73 a tonelada. 

No mesmo sentido, fecharam as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 18,10, -0,71%) - holding que detém participação na Vale -, assim como os papéis das siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,17, -2,45), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,34, -1,36%), CSN (CSNA3, R$ 6,47, -1,97%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,96, -0,50%). 

No radar, a Usiminas comunicou que sua controlada Mineração Usiminas (Musa) e a Porto Sudeste do Brasil concordaram em encerrar uma arbitragem referente à quebras no contrato de "take-or-pay" (acordos escritos entre um comprador e um vendedor que obrigam o comprador a pagar, independentemente de haver ou não a entrega do bem ou serviço por parte do vendedor). Com isso, a Musa vai receber uma injeção de capital de US$ 62,5 milhões (ou 2% do valor de mercado da Usiminas e 8% saldo de caixa).

"Apesar do valor ser abaixo dos R$ 600 a 700 milhões que estava em disputa, a entrada de caixa (nesse momento) era totalmente inesperada pelo mercado e não estava no nosso 'valuation'", comentaram os analistas do BTG Pactual. Para eles, o mercado deve receber bem à notícia. A expectativa é que a empresa use esse caixa para capex (investimentos em bens de capital) futuro da Musa e/ou pode levar a uma redução de capital mais para frente, comentaram. Eles mantiveram a recomendação neutra para a ação.

O Santander também destacou que o valor não estava em suas estimativas e a notícia é positiva para a Usiminas. Os analistas apontam ainda que as novas condições tarifárias podem reduzir o custo caixa do minério de ferro enviado à China”. 

Além do fim do processo de arbitragem, as empresas fecharam na terça-feira um novo contrato que prevê que a Musa terá o direito, mas não a obrigação, de movimentar pelos próximos anos um volume total de até 17,5 milhões de toneladas de minério de ferro pelo Terminal Portuário da Porto Sudeste, localizado no município de Itaguaí (RJ). 

Papel e Celulose
Com perfil exportador, as ações do setor de papel e celulose - Fibria (FIBR3, R$ 37,55, -1,29%) e Suzano (SUZB5, R$ 15,24, -2,06%) - fecharam em queda, em dia de perdas para o dólar. Os contratos futuros do dólar registravam leve queda de 0,15%, a R$ 3,292. 

Cemig (CMIG4, R$ 7,67, -1,79%)
 A agência de classificação de riscos Moody's rebaixou a nota da elétrica Cemig e de suas subsidiárias de distribuição e geração e transmissão (Cemig D e Cemig GT) para "B2" em escala global e "Ba1.br" em escala nacional, ante "B1" e "Baa1.br" respectivamente, enquanto manteve como "negativa" a perspectiva para a companhia, segundo comunicado nesta quarta-feira.

A agência disse que a mudança reflete uma percepção de risco crescente quanto ao refinanciamento das dívidas da companhia, que tem elevados débitos com vencimento no curto prazo e liquidez limitada. A Moody's projetou que a geração de fluxo livre de caixa da Cemig deverá continuar negativa nos próximos 12 a 18 meses.

Braskem (BRKM5, R$ 34,74, +2,06%)
A Braskem anunciou na noite de terça-feira que a Justiça Federal de Curitiba homologou o acordo de leniência firmado entre a petroquímica e o Ministério Público Federal no âmbito da Operação Lava Jato.

A decisão é a etapa que faltava para a homologação definitiva do acordo global firmado pela Braskem com autoridades dos Estados Unidos, Suíça e Brasil, no qual a companhia se comprometeu a pagar cerca de 960 milhões de dólares, disse a empresa.

Smiles (SMLE3, R$ 64,60, +2,05%)
As ações da Smiles perderam força após subirem 7,55% na máxima do dia, na esteira da informação de que o seu conselho de administração aprovou plano de reorganização societária, por meio da qual a companhia, controlada pela Gol, será incorporada pela Webjet. Em fato relevante, a Smiles informou que a operação permitirá aproveitar prejuízos fiscais acumulados pelo grupo Gol, que comprou a Webjet anos atrás.

Veja mais: a ação da Smiles foi uma das recomendações do "Comprar ou Vender" de terça-feira

A operação, que será submetida a votação de acionistas da Smiles em 30 de junho e depende de aprovação dos minoritários, prevê a emissão pela Webjet de 123,9 milhões de ações e a troca delas por ações da Smiles, na proporção de uma para uma.

O Itaú BBA tem avaliação inicial “positiva” e calcula um benefício fiscal de R$ 189 milhões (2,4% do valor de mercado de SMLE3), “a ser totalmente capturado até meados de 2019”.

O Credit Suisse também comenta que a notícia é positiva, uma vez que vai permitir que a Smiles reduza as despesas de imposto de renda em 30% nos próximos dois anos, implicando em uma adição de R$ 1,40 ao preço-alvo do papel, ou mais 2,2% de potencial de valorização, e isso se converterá em significativo aumento de dividendos no curto prazo. Os analistas comentam também que a notícia é positiva para a Gol (GOLL4, R$ 8,33, +6,11%), já que ela não estava usando os prejuízos fiscais com a Webjet em seu balanço. 

Na mesma linha, o BTG Pactual vê com bons olhos a notícia e aproveitou para reiterar a recomendação da ação como compra, citando: sólido "momentum" para lucros + expectativa por maiores dividendos (7,5% de dividend yield estimado para 2017) + bons fundamentos de longo prazo. 

JBS (JBSS3, R$ 7,70, -2,53%)
O noticiário corporativo sobre JBS segue movimentado. Em destaque, a agência de notícias Reuters informou, citando fontes, que o governo brasileiro ordenou à Caixa Econômica Federal a interromper empréstimos à J&F, controladora da JBS, após Joesley Batista gravar conversa com Michel Temer que culminou na crise política atual. 

Em nota à agência, o Palácio do Planalto informou que "os bancos estatais tomam ações baseadas exclusivamente em critérios técnicos", observando que "decisões baseadas em outros critérios não contam com a autorização do gabinete do presidente".

 Ainda sobre a JBS, a companhia comentou a venda de ativos, apontando que a alienação de alguns ativos não estratégicos ajudará a empresa a se concentrar no crescimento em mercados maiores e mais lucrativos e a reduzir sua posição de alavancagem. 

Minerva (BEEF3, R$ 11,80, -0,08%)
A Minerva, que na véspera viu suas ações registrarem forte alta em meio à compra de unidades da JBS, teve sua recomendação reduzida de overweight para neutra pelo JPMorgan, com preço-alvo de R$ 13,00.

Natura (NATU3, R$ 32,35, -1,46%)
A Natura teve sua recomendação reduzida de neutra para venda pelo UBS, com preço-alvo de R$ 28. 

Kroton (KROT3, R$ 14,49, +3,65%) e Estácio (ESTC3, R$ 17,19, +3,80%)
Segundo a coluna Radar, da Veja, Rodrigo Galindo, presidente do grupo Kroton, prepara-se para oferecer uma contrapartida efetuar a comprar da Estácio. Ele quer que sejam vendidas unidades da Anhanguera que totalizem 200 mil alunos.

Segundo a coluna, essa é uma tentativa de atender a exigência do  Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O órgão impôs a venda da Anhanguera como condição para a aquisição da Estácio.

Forjas Taurus (FJTA4, R$ 1,77, -1,67%)
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo confirmou que está finalizando um edital de licitação internacional para a compra de 5 mil pistolas para a Polícia Militar paulista. Atualmente, a corporação está buscando uma empresa para divulgação do pregão no exterior. O edital busca fornecedores no Brasil e no exterior.

De acordo com a SSP, o Exército autorizou que o edital também seja aberto a empresas internacionais. “A medida foi tomada após impedimento da empresa Taurus de fornecer armamento no período de dois anos, após falhas apresentadas em material comprado pela PM e confirmadas por laudos periciais”, disse a secretaria em nota.

A SSP destacou que os fabricantes terão que atender todas as especificações previstas no edital, entre elas o fornecimento dos 5 mil armamentos (pistolas semiautomáticas de calibre .40) em até 180 dias. Até o momento, 11 empresas manifestaram interesse em participar do pregão.

Em nota, a Taurus disse que as alegações a respeito de supostos problemas em suas armas não se sustentam. “Isto é confirmado tanto por laudos periciais como pela verificação pelo Exército Brasileiro do processo produtivo da Taurus. Ainda assim, essas alegações são retomadas periodicamente como parte de uma campanha negativa contra a companhia, motivada por interesses comerciais e financeiros”.

A empresa disse ainda que tem uma longa relação com a PM paulista e sempre procurou atender as necessidades da instituição da melhor forma possível. “É incorreto supor que a licitação da PMSP se deve a problemas nas armas da Taurus. A decisão se deve provavelmente a necessidades específicas que a PMSP considera que serão melhor atendidas dessa forma”.

PDG (PDGR3, R$ 2,07, +2,48%)
A PDG Realty apresentou na terça-feira à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, 38 planos de recuperação judicial referentes à companhia e suas controladas que integram a recuperação judicial, segundo fato relevante.

A PDG diz no documento que apresentou um “plano único para reger a integralidade dos direitos e obrigações do Grupo PDG” e outros 37 planos individuais referentes às controladas, “para contemplar os direitos e obrigações relativos a cada um dos Patrimônios de Afetação, assegurando aos seus respectivos credores prioridade absoluta sobre os ativos”
Plano único engloba a parcela concursal das emissões de certificados de recebíveis imobiliários da securitizadora lastreadas em créditos cujos devedores principais sejam sociedades integrantes do Grupo PDG e que representam aproximadamente 94% do valor total dos CRI emitidos pela Securitizadora . 

O plano único também prevê reestruturação das obrigações do Grupo PDG decorrentes de garantias outorgadas no âmbito de emissões de CRI da Securitizadora que possuam como devedores principais adquirentes de unidades imobiliárias não integrantes do Grupo PDG, preservando o atual fluxo de pagamento e demais características dessas operações.

Em ambos os casos, plano único prevê que a totalidade dos recursos usados para pagamento das obrigações do Grupo PDG que lastreiam a emissão de determinado CRI será destinada exclusivamente aos titulares do respectivo CRI. No caso dos 37 planos individuais, são apresentados os “meios de recuperação pelos quais o Grupo PDG acredita que será possível equacionar o atual descompasso de fluxo de caixa, manter a normalidade operacional e continuar obras paradas de determinados empreendimentos imobiliários, objetivando a superação da atual crise econômico-financeira enfrentada pelas Companhias e suas controladas”. 

“Entre esses meios de recuperação estão o redimensionamento dos negócios do Grupo PDG, a reestruturação das dívidas sujeitas à Recuperação Judicial e a captação de novos recursos”. 

 

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