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Vale afunda 5%, Petrobras cai 3% e JBS dispara 9% hoje; só 12 das 58 ações do Ibovespa sobem em maio

Confira os principais destaques de ações da bolsa nesta sessão

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa acentuou as perdas na tarde desta quarta-feira (31), em meio à derrocada das commodities e com investidores atentos aos novos fatos políticos e aguardando a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) após o fechamento do mercado. O índice encerrou o pregão em queda de 1,96%, a 62.711 pontos; e acumulou no mês perdas de 4,12%, com apenas 12 das 58 ações encerrando o período no positivo. Dentre elas, destaques para as exportadoras, com Fibria saltando quase 30%, sustentada pela escalada do dólar. 

No dia, as ações da Vale lideraram as perdas, pressionadas pelos preços do minério de ferro. Hoje, os contratos futuros da commodity desabaram 6% na bolsa de Dalian. Foram penalizados também os papéis da Bradespar - holding que detém participação na Vale - e as siderúrgicas. Já a Petrobras caiu forte com a derrocada dos preços do petróleo.

Destaque ainda para as ações da BRF, que afundaram nesta sessão em meio ao rebalanceamento semestral do MSCI Global. A revisão da carteira trouxe uma redução de participação dos papéis da companhia, que encerraram a sessão na mínima do dia e com forte volume financeiro (veja mais aqui). 

Além disso, chamou atenção a alta de 9% das ações da JBS após os controladores fecharam um acordo de leniência com o Ministério Público Federal; enquanto fora do Ibovespa, o destaque ficou com a unit do BTG, que caiu 6%, entre preocupações do mercado com uma possível delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci e venda de ações do sócio Persio Arida, que deixou a presidência do conselho de administração do banco na semana passada. 

Confira os principais destaques de ações da bolsa desta quarta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 13,62, -3,88%; PETR4, R$ 12,96, -2,99%)
As ações da Petrobras acentuaram a queda nesta tarde, seguindo o movimento dos preços do petróleo. Os contratos do petróleo WTI encerraram o pregão com desvalorização de 2,7%, a US$ 48,25 o barril. 

Apesar da queda das ações, destaque para duas notícias positivas sobre a empresa: 1) Petrobras é "top pick" do Morgan Stantey; e 2) estatal tem decisão favorável na Justiça sobre venda da Liquigás. 

Em relação à primeira, o Morgan Stanley ressaltou nesta manhã que a Petrobras e a YPF são suas "top picks", enquanto cortou a recomendação da Ecopetrol para "underweight" (exposição abaixo da média). Sobre a Petrobras, o banco destacou que o portfólio resiliente da empresa, os custos competitivos no pré-sal e esforços da empresa para baixar os "break-evens" dos novos projetos para US$ 35,00 o barril. 

Sobre a segunda notícia, a Petrobras informou que obteve decisão favorável no Tribunal Regional Federal, com a manutenção de uma sentença da Justiça Federal de Sergipe sobre a venda de sua participação na Liquigás. A venda da Liquigás à Ultragaz, subsidiária da Ultrapar, no valor de R$ 2,8 bilhões, foi aprovada em assembleia geral extraordinária da Petrobras, conforme fato relevante de 31 de janeiro.

Vale (VALE3, R$ 27,17, -5,00%; VALE5, R$ 25,79, -4,62%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 19,11, -3,97%) - holding que detém participação na Vale - aceleraram as perdas nesta sessão, pressionadas pelo movimento dos preços do minério de ferro. Os contratos futuros da commodity negociados na bolsa da Dalian caíram 5,97%, a 425 iunes.

Apesar da queda, a HSBC elevou nesta quarta-feira a recomendação para a Vale para compra, com preço-alvo de US$ 10,50 por ADR (American Depositary Receipt).

O dia foi de forte queda também para as ações das siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,54, -4,02%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,46, -1,76%), CSN (CSNA3, R$ 6,86, -4,46%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,97, -2,93%). 

No radar, o CEO da Usiminas, Sergio Leite, disse, em entrevista para a Bloomberg, que a companhia pode continuar a aumentar os ganhos mesmo que a turbulência política nos mercados ameace a recuperação econômica. A perspectiva de Leite é mais favorável que a dos analistas do BTG Pactual, que na semana passada ressaltaram risco de queda dos preços. A empresa é a siderúrgica brasileira mais exposta ao ressurgimento da crise política devido à sua dependência em relação ao mercado doméstico, escreveram Leonardo Correa e Caio Ribeiro, do BTG.

Mudanças no MSCI 
Hoje ocorreu a revisão da carteira semestral do MSCI Global (veja aqui) - um dos principais índices de referência do mundo e que é acompanhado por diversos fundos de investimentos -, que trouxe, entre as alterações, a saída das units da AES Tietê (TIET11, R$ 13,81, +0,36%) e a entrada da Taesa (TAEE11, R$ 22,70, -3,20%). Já do lado dos papéis que perdem/ganham peso no índice, o maior impacto foi sentido na BRF (BRFS3,R$ 43,32, -4,27%), que teve uma redução de participação de 8,27 milhões de papéis, ou dias de negociação, segundo cálculos do Credit Suisse. A SulAmérica (SULA11, R$ 17,85, -2,30%) aparece na sequência, com perda de 1,44 milhão de units no portfólio, que representam 1,8 dia de negociação do papel. 

Todas essas ações fecharam hoje nas mínimas do dia, com volume financeiro muito acima da média. Vale destaque que, embora tenha sido incluída no índice, as units da Taesa caíram mais de 3% nesta sessão. 

JBS (JBSS3, R$ 8,07, +9,05%)
As ações da JBS fecharam praticamente na máxima do dia (+9,46%, a R$ 8,10), após o grupo controlador J&F firmar acordo de leniência com o Ministério Público Federal por meio do qual pagará uma multa recorde de R$ 10,3 bilhões em 25 anos. 

Veja mais: Após maior multa do mundo, JBS sobe 9%; mas o que o mercado está comemorando?

A multa, a maior já fixada para um acordo desse tipo no país e no mundo, foi estipulada após cinco propostas rejeitadas que foram apresentadas anteriormente pelo grupo controlador da JBS ao Ministério Público. A primeira delas era no valor de R$ 700 milhões e a última, antes de o acordo ser fechado, foi de R$ 8 bilhões. 

O acerto incluiu fatos que são investigados por procuradores da República em cinco operações: Greenfield, Sépsis, Cui Bono, Bullish e Carne Fraca. O documento ratificando o acordo, segundo comunicado da Procuradoria, será assinado nos próximos dias, após a conclusão das discussões das cláusulas do acordo. 

BTG Pactual (BBTG11, R$ 15,20, -6,23%)
As units do BTG Pactual afundam nesta sessão entre preocupações do mercado com uma possível delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci, que pode envolver André Esteves, e venda de ações do sócio Persio Arida.

Na última sexta-feira, o banco anunciou que Arida iria se desfazer de suas ações do banco nos próximos meses, além de renunciar ao cargo de presidente do conselho de administração do BTG. Pelo comunicado, Arida disse que deixava a presidência do conselho para se dedicar exclusivamente aos seus "interesses intelectuais", conforme a instituição já havia informado em novembro do ano passado.   

Educacionais 
As ações da Kroton (KROT3, R$ 14,50, -1,89%) e Estácio (ESTC3, R$ 17,39, -1,19%) - ambas do setor de educação - perderam força nas últimas horas de pregão e fecharam perto das mínimas do dia, após notícia de que o governo quer elevar contribuição de entidades no Fies. 

Segundo uma fonte disse à Bloomberg, a equipe econômica está finalizando uma medida provisória que pretende mudar regras do Fies, para reduzir custos da União e aumentar a contribuição dos bancos e instituições de ensino no fundo que alimenta o programa. O governo quer elevar dos atuais 6,25% para algo entre 10% e 13% a alíquota da Comissão de Concessão de Garantia (CCG), disse a fonte. 

PetroRio (PRIO3, R$ 36,80, +2,22%)
A PetroRio foi elevada pelo Morgan Stanley para "equalweight" (exposição em linha com a média), com preço-alvo sendo elevado de R$ 18,00 para R$ 37,40. 

Cielo (CIEL3, R$ 22,83, -3,30%)
O Congresso vetou um dos trechos da lei que regulou o ISS (Imposto Sobre Serviços, de competência dos municípios). Com isso, o imposto que incide sobre operações financeiras (cartão de crédito, débito, leasing, entre outros) e planos de saúde será recolhido no local de prestação do serviço, não na cidade-sede das empresas.

Conforme destaca o BTG Pactual, essa decisão vai adicionar uma complexidade grande para o negócio da Cielo. "Por outro lado, para os novos entrantes vai ser ainda mais complicado fazer esses ajustes", o que pode ser bom para o incumbente, destaca o banco.

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 28,66, -1,17%)
Segundo a Coluna do Broad, do Estadão, o Banco do Brasil deu alguns passos em relação à venda de uma fatia no argentino Patagônia. Em paralelo segue tocando um possível re-IPO, uma vez que a instituição já tem ações listadas. Ao longo deste mês, o BB teve reuniões com os três players interessados no banco, diz o jornal: Itaú Unibanco, Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) e Macro. No entanto, estão previstas para julho encontros com investidores sobre a oferta de ações do argentino. Por ora, o IPO segue como o mais provável. 

Aliansce (ALSC3, R$ 13,66, -1,30%)
A Aliansce Shopping teve aval do Cade à compra de cotas do Fundo CTBH. A operação pela qual a Aliansce reincorpora o “Boulevard Corporate Tower”, empreendimento localizado em Belo Horizonte, é aprovada sem restrições pelo Cade, segundo decisão publicada no Diário Oficial e site do conselho. O negócio ocorre mediante a compra de cotas do CTBH FII, fundo de investimentos imobiliários administrado pela Intrag e gerido
pela Kinea, ambas sociedades integrantes do grupo Itaú Unibanco, segundo documento do Cade. O valor não é citado nos documentos regulatórios.

Alpargatas (ALPA4, R$ 11,79, -1,75%)
Por não ser um dos ativos core do grupo J&F Investimentos, a Alpargatas, fabricante dos versáteis chinelos de borracha, deverá ser uma das primeiras a ser colocada à venda se sua holding precisar levantar dinheiro rapidamente, agora que seus acionistas controladores admitiram pagamentos de propinas, diz uma reportagem da Bloomberg (veja aqui). 

A Alpargatas, no entanto, disse que não comenta rumores de mercado, em e-mail enviado pela sua assessoria de imprensa. A J&F não retornou os pedidos de comentário da Bloomberg.

Plascar (PLAS3, R$ 5,70, +46,15%)
Pouco negociadas na bolsa, as ações da Plascar ganham destaque nesta quarta-feira, com notícia sobre o início da renegociação de seu endividamento bancário. Na máxima do dia, os papéis atingiram alta de 74,10%, a R$ 6,79. O volume financeiro movimentado nesta sessão é de R$ 310 mil, contra média diária de R$ 12 mil dos últimos 21 pregões. 

No radar, a empresa informou que seu início à renegociação de seu endividamento bancário. Segundo comunicado, a empresa assinou um contrato de standstill junto aos principais bancos credores.

A companhia dará início às cotações para contratação, em prazo não superior a 20 dias, de um assessor financeiro dentre as opções indicadas pelos credores. Tal assessor deverá, num prazo máximo de 30 dias, realizar uma completa análise e emitir um parecer conclusivo sobre o plano de recuperação do endividamento bancário para ser validado junto aos bancos credores e executado pela companhia.

O contrato standstill terá vigência pelo prazo de 60 dias, podendo ser prorrogado por mais 30 dias. Durante a vigência, a Plascar realizará em favor dos bancos credores pagamentos mensais em valor idêntico para todos para amortizar os contratos das dívidas que são objeto do plano.

BrasilAgro (AGRO3, R$ 12,15, -1,06%)
A BrasilAgro vendeu 918 hectares da Fazenda Araucária, localizada no Município de Mineiros (GO). Considerando as terras que não podem ser direcionadas à produção, a área total negociada chega a 1,36 mil hectares. Segundo a companhia, o valor da venda é de R$ 17 milhões, o equivalente a 280 sacas de soja por hectare útil ou R$ 18.535 por hectare. O comprador pagará 35% do preço total no primeiro ano e o saldo remanescente será quitado em cinco parcelas anuais iguais.

 

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