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Eclético, Apex Capital investe em ações de Itaú até Vale; gestor explica os motivos

Paulo Weickert é sócio fundador da gestora que possui R$ 4 bilhões em ativos sob gestão; ele será um dos palestrantes do 10º Value Investing Brasil, que acontecerá nesta terça-feira (23) em São Paulo

Paulo Weickert Apex Capital
(Divulgação)

SÃO PAULO - Com R$ 4 bilhões em ativos sob gestão - sendo R$ 2,8 bilhões nos fundos de ações -, a Apex Capital consegue mesclar na sua carteira de renda variável posições conservadoras como Itaú Unibanco (ITUB4, uma unanimidade entre os gestores) junto com ativos que fogem do “lugar comum”, como a construtora Cyrela (CYRE3), a empresa de materiais de revestimento Duratex (DTEX3) e até a mineradora Vale (VALE5), uma peça rara dentro do portfólio de um gestor com foco em longo prazo.

Em entrevista ao InfoMoney, Paulo Weickert contou sobre cada um destes cases, mas já deixou claro que as 3 primeiras ações possuem maior participação do que a Vale - o fundo, aliás, possui 26 ações em carteira. Fundada em dezembro de 2011, a Apex possui um fundo de ações aberto para captação: o Apex Ações 30 FIC FIA, que desde sua criação até abril entregou um retorno de 38%, contra alta de 10% do Ibovespa.

Weickert, que é sócio-fundador da Apex e atua no mercado desde 2004, será um dos palestrantes da 10ª edição do congresso “Value Investing Brasil”, que acontecerá nesta terça-feira (23) no bairro Vila Olímpia (zona sul de São Paulo). O evento contará com 7 palestrantes, entre eles Pedro Sales (Verde Asset) e Luiz Fernando Figueiredo (Mauá Investimentos). As inscrições custam a partir de R$ 950 e podem ser feitas no site do evento.

Confira as justificativas de cada um dos investimentos da Apex:

Itaú Unibanco
Temos desde o início da Apex. O que nos agrada nesse case de investimento é o histórico do ROE (Retorno sobre o Patrimônio) mesmo nesses anos difíceis. Um fato interessante também: o banco ficou mais conservador na concessão de crédito uns 3, 4 anos atrás, e vem mudando a carteira para mais colateral e menos risco. Hoje ele tem menos probabilidade de inadimplência do que no ano passado. Além disso, o Itaú vem crescendo bastante na parte de serviços, que responde por 50% do resultado dele.

Com relação ao resultado recente: ele vem mostrando que as provisões e crédito em atraso estão em queda e acreditamos que eles continuarão caindo em 2018. Cenário competitivo segue bom também: crescimento de crédito dos bancos públicos deverá ser baixo. Por fim, ele anunciou no 4º trimestre que aumentará o "payout ratio" (percentual do lucro que será distribuído em dividendos) de 35% par 45%, o que o torna atrativo para quem busca essa estratégia.

Cyrela
Temos posição desde novembro de 2015, quando a ação valia menos que R$ 8,00. Ela tem um management de qualidade, track record, está desalavancada e que temos expectativa de geração de fluxo de caixa livre de aproximadamente 15% ainda este ano. Olhando para este e para os próximos dois anos, acreditamos que a geração de caixa vai ser muito relevante - principalmente olhando pro valor de mercado dela.

O setor passou por momentos muito difíceis, mas está começando a recuperar na margem, mesmo que devagar. Olhando para 18 meses, vemos que o setor vai melhorar, pois juros caindo é poupança caindo, mais disponibilidade dos bancos em conceder crédito imobiliário e maior disposição do público-alvo da Cyrela (média e alta renda) voltar a comprar imóveis. Dito isso, Cyrela tem muito estoque, o que nesse caso é bom pois ela já terá oferta para atender essa demanda que pode vir a surgir.

Sobre distratos: no nosso cenário-base a gente não considera que teremos uma mudança na lei. Se isso passar, vai ser um baita "upside" para ela. Mesmo que não mude a lei dos distratos, o pior sobre isso já passou, pois o distrato ganha forças na entrega dos imóveis e estamos no pico das entregas agora. Então mesmo que a lei não mude, distrato tende a diminuir.

Duratex
Muito ligada ao setor de consumo, mas tem forte correlação com o setor imobiliário. O segmento Deka (metais e louças) tem relação com imóveis novos. Ela trabalha numa capacidade ociosa muito baixa (por volta de 40% de madeira) e dado que ela está em uma capacidade ociosa grande, também houve pressão de preços nos últimos anos. A margem em 2017 foi de 17%, contra média histórica de 30%. Como o produto da Duratex tem uma correlação de 3x com o PIB (Produto Interno Bruto), há uma expectativa de recuperação de volumes e também com preço. Ou seja, mais volume de vendas e maior margem. Isso nos deixa confiantes que o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) possa dobrar nos próximos anos.

Vale
Essa questão de ela se tornar uma "corporation" é bastante positiva, podendo trazer investidores de longo prazo. Ela tem um desconto histórico que pode diminuir ou até mesmo acabar em relação aos pares históricos, dada essa evolução. 

Sobre minério: projetar o que vai acontecer com o preço é muito difícil, mas o que temos no longo prazo é um view positivo de China nos próximos 12 meses. Não prevemos um colapso na China, mas não temos como projetar como o minério vai reagir a isso.

 

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