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2016 foi pior do que 2008 para investir em ações, diz gestor que lucrou 350% em 8 anos

Em entrevista ao InfoMoney, o gestor da Bogari Capital, Flavio Sznajder, falou sobre as principais teses de investimentos do seu fundo; ele será um dos palestrantes do 10º Value Investing Brasil, que acontecerá dia 23 de maio em São Paulo

Fachada Lehman Brothers
(Wikimedia Commons)

SÃO PAULO - Flavio Sznajder realizou o sonho de qualquer investidor de bolsa: obteve tanto sucesso com suas aplicações que dedicou sua vida apenas a isso, transformando em 2008 o clube de investimentos que tinha criado para administrar o dinheiro de sua família em um fundo de ações, o Bogari Value. Desde sua criação, o fundo acumula ganhos de 355%, contra alta de 14,5% do Ibovespa no mesmo período.

Em entrevista exclusiva ao InfoMoney, Sznajder colocou a paciência como fator fundamental para qualquer investidor de longo prazo comprovar que sua tese está correta. Mas antes da paciência, há um fator ainda mais importante: é preciso "gostar muito desse negócio de investir em ações".  

O gestor da Bogari será um dos 7 palestrantes da 10ª edição do congresso “Value Investing Brasil”, que acontecerá dia 23 de maio (terça-feira que vem) das 8h30 às 19h no bairro Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. Além de Sznajder, o congresso também contará com Pedro Sales (Verde Asset), Luiz Fernando Figueiredo (Mauá Investimentos), Fabio Alperowitch (Fama Investimentos), entre outros. As inscrições custam a partir de R$ 950 e podem ser feitas no site do evento.

Palestrante assíduo do congresso, o engenheiro carioca de 45 anos manteve na entrevista a mesma visão positiva sobre os bancos privados que foi apresentada na edição do Value Investing Brasil de 2016. Contudo, ele também revelou uma nova "queridinha" dentro do setor financeiro.

Confira os principais trechos da entrevista com Flavio Sznajder:

Antes da paciência, vem a paixão pelo mercado
Paciência é fundamental para qualquer investidor de longo prazo. Mas antes de paciência: é preciso gostar muito desse negócio de investir no mercado de ações. Gostar do desafio intelectual de entender o que é uma empresa, como ela funciona, como as coisas devem acontecer ao longo da história, de acertar sobre o que vai acontecer… Para acertar, você precisa ter paciência. Além de gostar muito desse assunto para estudar empresas e suas indústrias, é preciso estudar para ter maior precisão no nível de probabilidade de um evento acontecer. 

Networking: como desenvolver essa capacidade tão importante?
Todo mundo conhece gente. É só você conversar com as pessoas que estão a sua volta e construir um caminho para conseguir desenhar como a empresa funciona e comparar com o que o gestor da empresa te aponta. No mercado de ações, temos uma assimetria de informações, você nunca sabe exatamente o que está acontecendo lá dentro [da empresa]. Por isso, falar com muita gente é importante para tirar suas próprias conclusões sobre se a empresa é boa ou não, sobre se o que o management está falando faz sentido etc. Depois que você entende a cultura da empresa, o plano de bônus e tudo mais, fica muito mais fácil precisar a probabilidade dos eventos acontecerem.

2016 foi pior que 2008 para quem investe em ações
Eu criei a Bogari Capital semanas antes da máxima histórica do Ibovespa (região dos 73.500 pontos, alcançada em maio de 2008). Obviamente foi estressante passar por toda aquela crise que foi 2008 com um "fundo novo", mas eu ia fazer aquilo de qualquer maneira, eu ia fazer pra mim ou pros outros. Foi uma decisão de vida. Então, não tive grandes problemas quanto a enfrentar essa crise tendo acabado de criar meu próprio fundo.

Agora, essa crise de 2008 não foi tão dura como foi a crise que tivemos no ano passado. O mercado em 2016 não se comportou de uma maneira tão dramática como foi em 2008, mas a crise de 2016 foi pior para quem compra ativos de longo prazo. A diferença é que em 2008 os Estados Unidos iam se dar mal mas o Brasil tava em situação boa, então se você tinha ativos bons na carteira, sabia que uma hora os preços voltariam. Mas quando você tem uma crise como a de 2016, quando o futuro dos ativos é nebuloso e a chance de destruição em massa de valor é enorme, é muito difícil você saber qual ativo ter no portfólio.

Em 2008 você comprava ativos que você sabia que eram bons. Em 2016, você não tinha essa certeza se esses ativos tinham valor.

Itaú e Bradesco: os preferidos da Bogari...
Quando em fevereiro [de 2016] tivemos aquele "super low", ali tivemos oportunidades muito boas. É o caso do Bradesco (BBDC4), que você pode comprar abaixo do valor patrimonial, algo que não acontecia desde 2003. Eu comprei Bradesco no início de 2016 brincando na época que a empresa poderia multiplicar-se por três.

O sistema bancário brasileiro ficou muito concentrado, hoje você tem 3 bancos públicos e 3 privados, sendo que os públicos estão passando por um processo de desalavancagem e os privados, que têm uma capacidade competitiva muito melhor que os públicos, estão fora do mercado esperando a economia melhorar. E como esses privados têm um poder de barganha enorme, o nível de competição continua bem favorável para os grandes bancos. A capacidade de impor preços aumentou bastante, as provisões vão cair em 2017 e a digitalização vai diminuir os custos dos bancos. Quando o mercado voltar, eles terão como se aproveitar do mercado de crédito a um custo de capital bem mais baixo.

... mas por que não BB?
Sobre Banco do Brasil (BBAS3), é muito difícil você avaliar um banco do lado de fora. Por isso fica difícil ter certeza que o book de crédito de um banco desses está sadio. Mesmo que esteja mais barato, é um nível de risco que não compensa.

Wiz (ex-Par Corretora): uma nova queridinha do fundo?
Compramos Wiz (antiga Par Corretora; WIZS3) quando caiu bastante. Achamos o case muito melhor do que o mercado acha. Os investidores focaram muito no contrato da Caixa [Econômica Federal], que a gente sabe que é importante, mas achamos que mesmo que esse contrato não seja renovado é muito difícil tirar a corretora da caixa de dentro da empresa. É um negócio que está funcionando bem, então achamos que operacionalmente a probabilidade de mudar esse pessoal mesmo que o contrato vença é muito baixa. Por isso que compramos lá atrás, e por isso mesmo que ele andou, porque o presidente da caixa disse que vai renovar. (Observação: ação fechou a última segunda-feira a R$ 22,00, maior patamar da história. Em 2017, ela WIZS3 já subiu 65%; em 12 meses, a alta é de mais de 100%).

A Wiz é um ativo que é muito a nossa cara: temos um background mais operacional. Quando encontramos um case desses, que o diferencial é entender o seu operacional, a reintegração de uma companhia, é muito mais a nossa cara, a nossa capacidade de entendimento do case. Tínhamos em torno de 4,5% do fundo em ações da seguradora.

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