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Vale e Petrobras caem 4% e bancos despencam; ações vão de alta de 7% à queda de 8% com balanços

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (4) 

Petrobras - Bloomberg
(Dado Galdieri)

SÃO PAULO - O Ibovespa amargou uma sessão de forte baixa, com destaque para a derrocada das commodities nesta sessão, com o petróleo em queda de mais de 4% e o minério com baixa de 8% em Dalian e de 5% em Qingdao. Além das empresas ligadas a commodities, as ações de bancos também registraram um novo dia de forte queda. Nesta sessão, apenas 4 ações subiram no Ibovespa.

Um dos pontos positivos para o mercado, a aprovação da reforma da Previdência em comissão especial na noite de ontem, não empolgou, com o mercado vendo essa aprovação apenas como um primeiro passo. Chamou atenção ainda no noticiário corporativo a intensa temporada de balanços, com destaque positivo para os papéis da Ambev. Confira os destaques desta quinta-feira na bolsa: 

Vale (VALE3, R$ 25,35, -3,69%; VALE5, R$ 24,44, -3,82%)
Os papéis da Vale caíram forte após a queda de quase 8% nos contratos futuros do minério de ferro negociados em Dalian. Essa a maior queda diária desde 16 de novembro, em meio à preocupação com a alta de estoques na China. Já no mercado à vista negociado no porto de Qingdao, o minério fechou em queda de 5,1%, a US$ 65,20 a tonelada. 

A ação da holding da Vale, a Bradespar (BRAP4, R$ 18,25, -4,70%), também foi destaque de queda na bolsa. Em meio à essa baixa, as ações da Vale já caem cerca de 9% em apenas duas sessões. 

O estoque de minério de ferro nos principais portos da China atingiu 130,55 milhões de toneladas em 28 de abril, um aumento de 950 mil toneladas em relação à semana anterior, segundo a SteelHome. Os estoques atingiram 132,45 milhões de toneladas em março, a maior desde que a SteelHome começou a divulgar os números, em 2004. 

Além disso, o cobre teve a sua pior sessão em 19 meses na quarta-feira ao cair 3,49% em meio às preocupações sobre o crescimento chinês. A commodity voltou a ter queda nesta sessão com alta dos estoques. 

Nesta data, o mercado repercute ainda o crescimento do setor de serviços da China, que foi o mais fraco em quase um ano em abril, com os receios de um crescimento econômico mais lento prejudicando a confiança das empresas, mostrou a pesquisa PMI. 

Bancos
Seguindo o dia de aversão ao risco do mercado, as ações de bancos registraram um novo dia de baixa, com destaque para os papéis do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 32,36, -4,20%), seguidos do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 38,10, -3,27%), que caiu na véspera após a divulgação do balanço do primeiro trimestre e do Bradesco (BBDC3, R$ 29,65, -2,05%; BBDC4, R$ 30,69, -1,48%)

Gerdau (GGBR4, R$ 9,35, -2,20%)
O grupo siderúrgico Gerdau teve queda digerindo a baixa das commodities, mas também de olho no balanço do primeiro trimestre. A companhia teve prejuízo líquido ajustado de R$ 34 milhões no primeiro trimestre, revertendo resultado positivo de R$ 14 milhões obtido no mesmo período de 2016. A companhia informou ainda no balanço que projeta investimentos da ordem de R$ 1,3 bilhão em 2017.

"À primeira vista, o resultado não foi tão fraco quanto o esperado, com o Ebitda em R$ 853 milhões (4% acima do esperado), em alta de 20% na base trimestral. Já a divida liquida caiu para cerca de R$ 900 milhões, com alavancagem estável e 3,5 vezes", afirmam os analistas do BTG Pactual. 

Já os analistas do Credit Suisse consideraram os resultados em geral dentro do esperado, mas destacaram o fluxo de caixa negativo em R$ 256 milhões no primeiro trimestre, a relação de endividamento em um nível "desconfortável" de 3,5 vezes, e operações norte-americanas mostrando novo conjunto de números fracos.

Outras ações de siderúrgicas registraram forte queda nesta sessão na esteira da baixa das commodities, caso de CSN (CSNA3, R$ 7,08, -6,84%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,02, -5,19%). 

Petrobras (PETR3, R$ 14,06, -2,70%;PETR4, R$ 13,60, -3,95%)
As ações da Petrobras caíram forte em meio à queda do petróleo, com o brent caindo 4,73% e o WTI em queda de 4,94%. A queda da commodity ocorre em meio à alta dos estoques da gasolina e em meio a dúvidas sobre a renovação do acordo de corte de produção pela Opep, que se reúne no próximo dia 25. Além disto, a produção de petróleo voltou a subir, atingindo 9,29 milhões de bdp por dia. 

Ainda no radar da companhia, novas regras publicadas pelo governo nesta quarta-feira para leilões de pré-sal, que permitirão que a Petrobras desista da operação de áreas ainda durante as licitações, foram reprovadas pela associação que representa as petroleiras no Brasil, que considerou que as medidas geram incertezas para os investidores. As normas, válidas para os dois leilões do pré-sal deste ano previstos para 27 de outubro, favorecem a estatal, segundo especialistas consultados pela Reuters.

O decreto de regulamentação, publicado no Diário Oficial da União, garante que a petroleira não seja obrigada a permanecer em um consórcio nas disputas onde exerceu o direito de preferência caso o lance vencedor fique acima do que ela considera um negócio interessante. No entanto, a medida poderá prejudicar a atração de investimentos, na avaliação do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), que representa as petroleiras no Brasil.

Ambev (ABEV3, R$ 19,03, +2,53%)
 A Ambev teve alta na bolsa após o resultado do primeiro trimestre, fechando no maior nível desde outubro do ano passado. A companhia encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 2,316 bilhões, uma queda de 20,1% em relação ao mesmo período de 2016, de acordo com dados divulgados pela companhia de bebidas nesta quinta-feira.

Conforme destaca o BTG Pactual, a companhia registrou um "trimestre de extremos", ao reportar um fraco Ebitda e lucro abaixo do esperado. A receita foi somente levemente abaixo do esperado; segundo apontam os analistas, a intensa atividade promocional levou a volumes positivos, mas levou à deterioração das margens. Os analistas do banco seguem com recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 17,50. 

O Bradesco BBI também destaca que o desempenho da Ambev foi fraco, principalmente atribuível a resultados pontuais, preços mais baixos devido ao
calendário e maiores custos decorrentes de hedge desfavorável, disseram analistas do Bradesco BBI em relatório. Porém, os ventos contrários do primeiro trimestre devem se reverter a partir do segundo trimestre. 

A Ambev começou a recuperar a participação de mercado, aumentando o volume de cerveja em 3,4% no Brasil frente ao declínio da indústria de -2% e deve retomar o retorno anual de 15%, aponta o banco.  Confira a análise completa clicando aqui.

Ultrapar (UGPA3, R$ 74,10, +2,92%)
Assim como a Ambev, outra ação conhecida como "porto seguro" do mercado subiu forte nesta sessão, liderando os ganhos no Ibovespa e fechando na sua máxima desde outubro após um relatório do Credit Suisse destacar os volumes de vendas "inspiradores" da empresa em março.

O analista André Natal reiterou um rating de outperform e um preço-alvo de R$ 89 para as ações da companhia. "A empresa parece no caminho certo para entregar níveis de margem 'saudáveis', recuperar participação de mercado e preservar uma forte franquia", disse.

Suzano (SUZB5, R$ 12,85, -1,53%)
A Suzano Papel e Celulose fechou em queda nesta sessão. A companhia teve queda de 60% no lucro líquido do primeiro trimestre, para R$ 450 milhões, informou a companhia na quarta-feira. A companhia informou no balanço que projeta investimentos de R$ 1,8 bilhão neste ano, mesmo nível do aplicado em 2016, excluindo a aquisição de terras e florestas no Maranhão.

Para analistas do Santander, os dados vieram ligeiramente acima do esperado. No entanto, eles citam entre os destaques negativos a queda do Ebitda na divisão de papel na base trimestral devido ao volume menor de vendas e aos custos maiores.

Totvs (TOTS3, R$ 30,85, +8,63%)
A ação da Totvs subiram forte após o balanço. A companhia reportou um lucro líquido de R$ 31,4 milhões no primeiro trimestre de 2017, uma queda de 36,9% na comparação com o mesmo período de 2016. Os resultados divulgados após o fechamento do pregão de quarta-feira apontam ainda que a a receita líquida ficou R$ 560,1 milhões nos três primeiros meses do ano, um avanço de 1,6% na mesma base comparativa.  

Conforme destaca o BTG Pactual, o resultado veio melhor que esperado devido a boa performance em vendas de licenças, levando a uma receita e um Ebitda maiores. "Dito isso,  a qualidade do resultado ainda é baixa – receitas de manutenção ainda estão crescendo abaixo de inflação e de serviços ainda seguem fracas. O destaque segue sendo receitas de subscrição, que aceleraram novamente. Apesar do resultado melhor, seguimos cautelosos no curto prazo. Achamos que uma melhora mais consistente virá mais para o final do segundo semestre de 2017 e para 2018". 

Profarma (PFRM3, R$ 10,87, -7,65%)
A Profarma caiu forte após o balanço. A companhia teve um prejuízo líquido de R$ 27,1 milhões no primeiro trimestre, triplicando as perdas de R$ 9,3 milhões frente o mesmo período do ano passado.

A companhia aponta que a comparação é afetada pelo impacto do resultado da Rede Rosário (R$ 7,5 milhões), além de despesas financeiras relativas a investimentos no varejo (R$ 12,3 milhões), com a aquisição dos 50% remanescentes da rede de drogarias Tamoio em dezembro de 2015, a aquisição da Rede Rosário em dezembro de 2016, e aportes de capital de giro. Sem esses efeitos, a empresa estima que teria um lucro ajustado de R$ 1,4 milhão ante perdas de R$ 5,3 milhões um ano antes.

ABC Brasil (ABCB4, R$ 18,29, -2,71%)
A ação do banco ABC Brasil foi outra que cai forte após o balanço. O lucro líquido recorrente do banco foi de R$ 111,2 milhões, uma alta de 16,3% ante o primeiro trimestre de 2016.  O ROAE recorrente foi de 15,1% ante 15% no ano passado. Já a inadimplência acima 90 dias foi de 0,7% ante 1,2% de março de 2016.  A provisão para devedores duvidosos foi de R$ 57,9 milhões ante R$ 48,9 milhões no ano anterior. 

Segundo o BTG, a margem financeira veio mais fraca que a esperada e provisão segue alta com fee income.

Arezzo (ARZZ3, R$ 33,03, -2,97%)
A ação da Arezzo chegou a subir 3,47% após o balanço, mas virou para queda durante a tarde. O lucro líquido da companhia subiu R$ 22,2 milhões no primeiro trimestre de 2017, alta de 51,1% na comparação anual. A Arezzo terminou o trimestre com o crescimento de 2,7% da área de lojas nos últimos doze meses.

O BTG Pactual apontou que a empresa reportou desempenho operacional forte, com expansão de 15% na receita na base anual (4% acima da expectativa do BTG), fruto de SSS de 13.6% e sólido desempenho no canal multimarcas (alta de 29%). "O resultado reafirma nossa visão positiva com o case (embora em grande parte já incorporado no preço das ações), claramente descolando do desempenho da maioria dos varejistas de calçados e vestuário", afirmam os analistas.

Locamerica (LCAM3, R$ 9,04,  +1,01%)
A Locamerica teve um dia de forte oscilação após o balanço, indo de alta de 3,5% para queda de 5%. A companhia viu seu lucro mais que dobrar entre o primeiro trimestre de 2016 e o mesmo período de 2017, de R$ 5,5 milhões para 12,4 milhões, segundo comunicado divulgado nesta quarta. 

RD, ex-Raia Drogasil (RADL3, R$ 68,00, -1,66%)
A RD teve queda após ter a recomendação reduzida de outperform para neutro pelo Bradesco BBI, com o preço-alvo sendo reduzido de R$ 78,00 para R$ 76,00.

De acordo com os analistas, a redução da recomendação teve três razões principais: (i) desaceleração acentuada das receitas, levando a menor EBITDA de longo prazo e menor preço-alvo baseado em DCF, (ii) emergência de nova ameaça competitiva do cash & carry no segmento de cuidados pessoais e (iii) risco de uma desvalorização mais acentuada e duradoura no segundo semestre associada à desaceleração do crescimento, ao declínio momentâneo da margem e à nova pressão competitiva.

"Não vemos nenhum problema fundamental ou risco iminente para o modelo de negócios da Raia Drogasil, mas esperamos que o novo ritmo de crescimento e novos riscos pesem no desempenho das ações nos próximos 6 a 12 meses", afirmam.

Tenda (TEND3, R$ 14,65, +80,20%)
As ações da construtora Tenda iniciaram operações na B3 em disparada nesta quinta-feira. O processo não é um IPO (Initial Public Offering), mas representa a concretização da cisão com os papéis da Gafisa (GFSA3, R$ 17,22, -4,65%) -- que ficaram "ex-restituição de capital" na semana passada.

O preço estabelecido no processo foi de R$ 8,13 por ação, o que era visto pelos analistas como uma verdadeira pechincha na bolsa. Antes mesmo de sua estreia, o papel vem recebendo recomendações de compra e tendo seu preço-alvo fixado bem além do dobro do seu valor inicial. Pelas considerações dos analistas, o papel tinha tudo para disparar em seu pregão de estreia.

Cielo (CIEL3, R$ 23,17, +0,96%)
Após despencar 5,56% na véspera na esteira do balanço negativo do primeiro trimestre de 2017, as ações da Cielo tiveram uma sessão de leve recuperação. 

A companhia divulgou na véspera que teve lucro líquido de R$ 1,046 bilhão no primeiro trimestre, praticamente estável sobre o desempenho obtido no mesmo período de 2016. A companhia teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 1,32 bilhão, queda de 6,1% sobre o primeiro trimestre do ano passado. O Bradesco BBI destaca que o “trimestre foi misto em termos gerais indicando que os resultados em 2017 podem vir de fontes diferentes do que se esperava, com maiores margens e resultados financeiros, enquanto as receitas ficam para trás”. 

Rumo (RAIL3, R$ 9,20, -1,92%)
O Senado aprovou ontem à noite a MP 752 das Concessões atuais que trata (1) da solução de concessões com problemas econômico-financeiras (aplicável principalmente das últimas rodadas, como aeroportos) e (2) de regular prorrogações de contratos de concessões atuais. "Para a Rumo, a aprovação é positiva dado que as regras abrem caminho legal para renovação da Malha Paulista sem grandes restrições", afirma o BTG Pactual. 

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