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Vale e siderúrgicas caem até 6%; ações vão de alta de até 10% à queda de 5% após balanços; Rossi salta 37% em 2 dias

Confira os destaques da B3 na sessão desta quarta-feira (3)

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(Wikimedia)

SÃO PAULO - Após duas sessões de expressiva alta, o Ibovespa fechou em queda  de 0,94% nesta quarta-feira (3), a 66.093 pontos, com a pressão de Vale e bancos em meio à queda de commodities metálicas e após o resultado forte, mas não "animador" do Itaú Unibanco (veja mais aqui). Enquanto isso, entre os destaques de alta, atenção para a Embraer, que se recuperou após o baque de ontem e subiu 4%. Fora do índice. atenção para a Multiplus, que disparou na esteira do balanço e também para a Rossi, que teve seu segundo dia de fortes ganhos na bolsa. Confira os destaques desta quarta-feira (3):

Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 39,29, -1,65%)
Após abrir praticamente estável, a ação do Itaú Unibanco perdeu forças e virou para baixo, fechando com queda superior a 1%. A companhia reportou lucro líquido de R$ 6,176 bilhões de janeiro a março, cifra 18% maior que a registrada um ano antes, de R$ 5,162 bilhões. O dia também foi de queda para os demais bancos após a alta da véspera, com o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 33,78, -0,32%), Bradesco (BBDC3, R$ 30,27, -1,03%; BBDC4, R$ 31,15, -0,08%) registrando queda. 

De acordo com o BTG Pactual, apesar do lucro ter ficado acima do esperado pelos analistas, as expectativas para o balanço se tornaram muito altas após os dados apresentados pelo Bradesco e pelo Santander. "E nós não acreditamos que as expectativas muito altas foram totalmente satisfeitas, principalmente porque a inadimplência de 90 dias para grandes empresas deteriorou-se e a margem financeira com clientes foi fraca", avaliam os analistas. Porém, olhando para os números, o balanço foi "definitivamente bom". 

 Multiplus (MPLU3, R$ 42,40, +10,13%)
A ação da Multiplus subiu forte após o resultado do primeiro trimestre. A companhia registrou lucro líquido de R$ 134,4 milhões no 1° trimestre, crescimento de 5,8% na comparação com o mesmo período de 2016. O resultado veio acima das estimativas de R$ 123 milhões dos analistas consultados pela Bloomberg. A receita líquida da empresa somou R$ 597,9 milhões, aumento de 5,7% na mesma base de comparação e também acima das projeções da Bloomberg de R$ 567,3 milhões. 

O Itaú BBA aponta que os números “superaram nossas previsões” e destaca a alta da ação, “embora a ação tenha tido um bom desempenho nas última semanas, provavelmente já refletindo as expectativas de melhora na dinâmica dos resultados”. O BTG Pactual também apontou que os resultados foram sólidos, como o esperado, mantendo recomendação de compra para a ação. A Smiles (SMLE3, R$ 70,32, +1,06%) empresa do mesmo setor que reportou bons números na semana passada, também vê suas ações subirem. 

Cielo (CIEL3,R$ 22,95, -5,56%)
As ações da Cielo despencaram após o balanço do primeiro trimestre. A companhia teve lucro líquido de R$ 1,046 bilhão no primeiro trimestre, praticamente estável sobre o desempenho obtido no mesmo período de 2016. A companhia teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 1,32 bilhão, queda de 6,1% sobre o primeiro trimestre do ano passado.

Já a receita operacional líquida da empresa caiu 8,1% no período, para R$ 2,801 bilhões. Segundo a empresa, a queda no faturamento se deveu à redução do preço médio dos serviços prestados e ao ambiente competitivo, entre outros fatores.  

O BB-Banco de Investimento apontou que esperava reação negativa, “embora ainda acreditemos que CIEL3 é um excelente veículo para navegar na retomada do consumo doméstico, o que esperamos acontecerá em breve”. O Bradesco BBI destaca que o “trimestre foi misto em termos gerais indicando que os resultados em 2017 podem vir de fontes diferentes do que se esperava, com maiores margens e resultados financeiros, enquanto as receitas ficam para trás”. O Itaú BBA afirmou que "a dinâmica top-line surpreendeu negativamente”; “no lado positivo, os custos diminuíram nominalmente em bases anuais”.

Energias do Brasil (ENBR3, R$ 13,50, -2,60%)
A elétrica EDP Energias do Brasil, do grupo português EDP Energias de Portugal, fechou em queda superior a 2%. A companhia divulgou os números do primeiro trimestre, com lucro líquido de R$ 134,8 milhões, queda de 55,4% na comparação com o mesmo período de 2016, quando o resultado foi favorecido por itens não recorrentes.

A geração de caixa da companhia medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 539,7 milhões no período, queda de 33,9% ante os primeiros três meses do ano anterior. 

Petrobras (PETR3, R$ 14,45, +0,63%;PETR4, R$ 14,16, +1,22%)
Após fechar a sessão da véspera praticamente estável apesar da queda do petróleo, as ações da Petrobras tiveram leve alta nesta sessão, apesar da sessão de oscilação para o petróleo em meio aos dados de estoque de petróleo. O WTI teve leve alta de 0,13% e o brent subiu 0,50% em meio aos estoques de petróleo , que caíram em 930 mil de barris na semana encerrada em 28 de abril, segundo dados divulgados na manhã desta quarta-feira pela EIA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês). A mediada das estimativas da Bloomberg indicava queda de 2,91 milhões de barris. Na semana passada o indicador apontou para 3,64 milhões de barris de redução. Já os estoques de gasolina cresceram em 191 mil de barris no mesmo período, contra projeção de alta de 1,66 milhão barris, e 3,37 milhões registrados anteriormente.

No radar da companhia, o Credit Suisse elevou o preço-alvo do ADR de US$ 11,00 para US$ 12,40. Além disso, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região suspendeu nesta terça-feira liminar que paralisou a venda pela Petrobras de 66% de sua participação do bloco BM-S-8, onde está o prospecto de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, informou a estatal em nota. Com a decisão, os efeitos da venda à petrolífera norueguesa Statoil estão mantidos, "podendo a adquirente prosseguir com a exploração do Campo de Carcará". A companhia também teve a recomendação elevada de manutenção para compra pela Planner Corretora e, e, por fim, um decreto regulamentou a preferência da estatal como operadora no pré-sal. 

Vale (VALE3, R$ 26,32, -6,20%;VALE5, R$ 25,41, -5,36%)
As ações da Vale registraram forte queda após a alta de cerca de 2% registrada na véspera. No mercado de commodities, o minério de ferro negociado com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao fechou em leve queda de 0,06%, a US$ 68,68 a tonelada, enquanto os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian fecharam em leve baixa de 1,51%, a 523 iuanes.  

Além disso, em relatório desta quarta-feira, o BTG Pactual ressaltou que a ação da Vale não está atrativa nos atuais níveis e, para comprá-la no atual patamar, é preciso acreditar em minério de ferro estruturalmente acima de US$ 60 a tonelada. Porém, os analistas do banco têm uma visão mais negativa para a commodity, projetando o minério a US$ 55 no quarto trimestre deste ano. A holding da companhia, a Bradespar (BRAP4, R$ -5,52%), também fechou em forte baixa. 

Em meio a queda das commodities no exterior, as ações das siderúrgicas também fecharam em forte queda, com destaque para Gerdau (GGBR4, R$ 9,56, -4,88%), Usiminas (USIM5, R$ 4,24, -3,85%) e CSN (CSNA3, R$ 7,60, -4,16%). Vale ressaltar que amanhã, antes da abertura do mercado, a Gerdau revelará seu número do primeiro trimestre.  

Embraer (EMBR3, R$ 15,29, +3,59%)
A Embraer esteve entre os principais destaques positivos do Ibovespa, recuperando parte das perdas da véspera, quando caiu quase 4 % após a divulgação do balanço do primeiro trimestre.

 Rossi (RSID3, R$ 8,60, +8,18%)
As ações da Rossi tiveram mais um dia de disparada após subirem 26% na véspera e já avançou 37,38% em apenas dois pregões.  A disparada ocorre após notícia de que o investidor Silvio Tini, dono da holding Bonsucex, que tem participações relevantes em empresas como Gerdau, Alpargatas (calçados) e a mineradora Paranapanema, tornou-se o segundo maior acionista da construtora, que está em processo de reestruturação de suas pesadas dívidas (veja aqui). Com uma fatia de cerca de 14% na Rossi, Tini começou a comprar as ações da companhia em janeiro, desbancando o fundo Vinci, que detém cerca de 9% do negócio. O controle está nas mãos da família Rossi, dona de cerca de 25% da empresa.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tini disse que decidiu apostar na empresa, com a volta da família controladora ao comando da companhia. "Eles estão colocando o patrimônio deles em risco. Vejo isso como um sinal de confiança de que eles querem que a empresa volte a recuperar", disse. 

 

 

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