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Itaú lucra acima de R$ 6 bi e mais 3 balanços; 4 notícias de Petrobras e outros destaques no radar

Confira os destaques do noticiário corporativo na sessão desta quarta-feira (3)

Agência do itaú
(Divulgação)

SÃO PAULO - A temporada de balanços seguiu nos destaques corporativos após o fechamento do pregão desta terça-feira (2), com destaque para a Cielo, que registrou lucro líquido de R$ 1,046 bilhão no primeiro trimestre do ano. Além dela, Energias do Brasil e Multiplus divulgaram seus resultados no after market. Chamou atenção ainda no radar mais 7 notícias corporativas, entre elas, a vitória da Petrobras na Justiça; a proposta de aumento de capital de R$ 163,7 milhões da Valid; e a decisão da CVM em rejeitar proposta de acordo feita por diretor da Cia Hering, em caso de "insider trading". 

Itaú (ITUB4)
O Itaú Unibanco reportou lucro líquido de R$ 6,176 bilhões de janeiro a março, cifra 19,6% maior que a registrada um ano antes, de R$ 5,162 bilhões. Trata-se do segundo trimestre consecutivo de crescimento nos resultados do banco e o último sob o comando de Roberto Setubal, que passou o bastão para Candido Bracher, após 23 anos como CEO do banco, por atingir a idade limite para o cargo. Bracher assumiu a presidência da instituição nesta terça-feira, 2. Em relação ao quarto trimestre de 2016, de R$ 5,817 bilhões, o resultado do banco cresceu 6,17%.

O lucro líquido recorrente do banco veio em linha com as projeções de analistas do mercado, que esperavam em média R$ 6,014 bilhões, segundo sete casas consultadas para a Prévia Broadcast. São elas: Banco do Brasil, Deutsche Bank, Goldman Sachs, BTG Pactual, Credit Suisse, UBS e duas casas que preferiram não ser identificadas.

O lucro do Itaú no primeiro trimestre foi influenciado, conforme explica o banco, em relatório que acompanha as suas demonstrações financeiras, pelas reduções das despesas não decorrentes de juros em 7,8%, impairment em 64,5% e despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa em 7,4%, principalmente no segmento de varejo. “Além desses efeitos, tivemos redução de 8,0% da margem financeira com clientes e de 6,3% da margem financeira com o mercado”, acrescenta a instituição.

A carteira de crédito total da instituição foi a R$ 586,998 bilhões ao final de março, redução de 1,9% em relação a dezembro, de R$ 598,431 bilhões. Em um ano, quando os empréstimos somavam R$ 637,472 bilhões, a retração chegou a 7,9%. Empréstimos para pessoas físicas diminuíram 1,6% e 2,0% enquanto para pessoa jurídica encolheram 2,7% e 10,7%, nesta ordem.

Os ativos totais do Itaú somaram R$ 1,413 trilhão no primeiro trimestre, queda de 1,0% ante os três meses anteriores, de R$ 1,427 trilhão. Na comparação com o primeiro trimestre de 2016, quando estavam em R$ 1,398 trilhão, houve aumento de 1,1%.

Seu patrimônio líquido foi a R$ 114,897 bilhões de janeiro a março, aumento de 7,7% em 12 meses e queda de 0,6% na comparação com os três meses anteriores. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE) foi a 22,0% no primeiro trimestre contra 20,7% no quarto e 19,6% no primeiro trimestre de 2016.

O Itaú publicou ainda lucro líquido divulgado, que considera o efeito Corpbanca, banco adquirido no Chile, de R$ 6,052 bilhões no primeiro trimestre, aumento de 16,74% em relação ao mesmo intervalo de 2016, de R$ 5,184 bilhões. Em comparação com o quarto trimestre de 2016, que era de R$ 5,543 bilhões, cresceu 9,18%. Sem o efeito Corpbanca, o lucro líquido do banco soma R$ 6,052 bilhões de janeiro a março, alta de 18,41% em um ano, de R$ 5,111 bilhões. 

De acordo com o BTG Pactual, apesar do lucro ter ficado acima do esperado pelos analistas, as expectativas para o balanço se tornaram muito altas após os dados apresentados pelo Bradesco e pelo Santander. "E nós não acreditamos que as expectativas muito altas foram totalmente satisfeitas, principalmente porque a inadimplência de 90 dias para grandes empresas deteriorou-se e a margem financeira com clientes foi fraca", avaliam os analistas. Porém, olhando para os números, o balanço foi "definitivamente bom".

Cielo (CIEL3)
A empresa de meios eletrônicos de pagamento Cielo teve lucro líquido de R$ 1,046 bilhão no primeiro trimestre, praticamente estável sobre o desempenho obtido no mesmo período de 2016. A companhia teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 1,32 bilhão, queda de 6,1% sobre o primeiro trimestre do ano passado.

Já a receita operacional líquida da empresa caiu 8,1% no período, para R$ 2,801 bilhões. Segundo a empresa, a queda no faturamento se deveu à redução do preço médio dos serviços prestados e ao ambiente competitivo, entre outros fatores.  

O BB-Banco de Investimento espera reação negativa, “embora ainda acreditemos que CIEL3 é um excelente veículo para navegar na retomada do consumo doméstico, o que esperamos acontecerá em breve”. O Bradesco BBI destaca que o “trimestre foi misto em termos gerais
indicando que os resultados em 2017 podem vir de fontes diferentes do que se esperava, com maiores margens e resultados financeiros, enquanto as receitas ficam para trás”. O Itaú BBA afirma não descartar uma reação negativa do mercado, "uma vez que a dinâmica top-line surpreendeu negativamente”; “no lado positivo, os custos diminuíram nominalmente em bases anuais”.

Multiplus (MPLU3)
A Multiplus registrou lucro líquido de R$ 134,4 milhões no 1° trimestre, crescimento de 5,8% na comparação com o mesmo período de 2016. O resultado veio acima das estimativas de R$ 123 milhões dos analistas consultados pela Bloomberg.

A receita líquida da empresa somou R$ 597,9 milhões, aumento de 5,7% na mesma base de comparação e também acima das projeções da Bloomberg de R$ 567,3 milhões. 

O Itaú BBA espera reação positiva a números que “superaram nossas previsões”, “embora a ação tenha tido um bom desempenho nas última semanas, provavelmente já refletindo as expectativas de melhora na dinâmica dos resultados”. O BTG Pactual também apontou que os resultados foram sólidos, como o esperado, mantendo recomendação de compra para a ação. 

Energias do Brasil (ENBR3)
A elétrica EDP Energias do Brasil, do grupo português EDP Energias de Portugal, fechou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 134,8 milhões, queda de 55,4% na comparação com o mesmo período de 2016, quando o resultado foi favorecido por itens não recorrentes.

A geração de caixa da companhia medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 539,7 milhões no período, queda de 33,9% ante os primeiros três meses do ano anterior. De acordo com o Santander, a ação deve ter uma reação neutra ao balanço. 

Petrobras (PETR3; PETR4)
O Tribunal Regional Federal da 5ª Região suspendeu nesta terça-feira liminar que paralisou a venda pela Petrobras de 66% de sua participação do bloco BM-S-8, onde está o prospecto de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, informou a estatal em nota. Com a decisão, os efeitos da venda à petrolífera norueguesa Statoil estão mantidos, "podendo a adquirente prosseguir com a exploração do Campo de Carcará".

A ação que suspendeu a venda do ativo foi feita pela Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que representa cinco sindicatos de funcionários da Petrobras. A federação defende que, como empresa mista, a petroleira obrigatoriamente teria que fazer licitação para vender qualquer um de seus ativos. Dessa forma, tem sido responsável por uma série de ações contra o plano de desinvestimentos da Petrobras.

A operação de venda, anunciada em julho, foi concluída em novembro com o pagamento de 1,25 bilhão de dólares, correspondente a 50 por cento do valor total da transação. Foi acertado que o restante do valor para a compra do ativo seria pago por meio de parcelas contingentes relacionadas a eventos subsequentes, como, por exemplo, a celebração de um Acordo de Individualização da Produção (unitização). A negociação com a Statoil marcou a venda, pela Petrobras, da primeira grande área do pré-sal incluída no plano de desinvestimentos da estatal, que visa a colaborar com o programa de redução de endividamento da companhia.

A companhia ainda informou  alguns dados que mostram avanços relacionados ao Campo de Libra, especialmente em ganhos de eficiência que geraram economia para a companhia. Segundo o documento, a colaboração com os parceiros que fazem parte do consórcio de exploração da área possibilitou uma redução de aproximadamente US$ 13 por barril no preço de equilíbrio do empreendimento.  A estatal relata que este ganho é resultado principalmente da otimização de custos e do aumento no fator de recuperação das jazidas do bloco, que integram o projeto “Libra@35”, com o objetivo de alcançar o preço de equilíbrio de US$ 35/barril.

Ainda no radar da companhia, ela teve a recomendação elevada de manutenção para compra pela Planner Corretora e, por fim, um decreto regulamentou a preferência da estatal como
operadora. 

Oi (OIBR4)
O comitê diretivo e Orascom trabalham na revisão do plano alternativo da Oi com base nas contribuições recebidas dos outros credores e demais partes interessadas, segundo comunicado dos credores da companhia reunidos pela Moelis.

Otavio Guazzeli, da Moelis & Company, assessor financeiro do grupo de credores, disse que uma série de desenvolvimentos recentes levaram à necessidade de rever o plano apresentado pelo grupo. “Continuamos a trabalhar com outros credores e demais partes interessadas e esperamos apresentar um novo plano nas próximas semanas”, disse Guazzeli no comunicado. 

Lojas Americanas (LAME4)
A Lojas Americanas anunciou na noite de ontem que concluiu a emissão de R$ 1,5 bilhão em debêntures simples, não conversíveis em ações, de espécie quirografária, em duas séries.

Segundo a empresa, os recursos líquidos captados por meio da integralização das debêntures serão utilizados para o alongamento do perfil de endividamento da companhia, no âmbito da gestão ordinária de seus negócios. 

Atenção ainda para as recomendações: a companhia teve a cobertura reiniciada pelo Itaú BBA com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 21,00, enquanto a B2W Digital (BTOW3) foi reiniciada com recomendação marketperform e preço-alvo de R$ 15,00. 

Cia Hering (HGTX3)
A CVM rejeitou proposta de acordo feita por diretor da Cia Hering. O processo, instaurado pela Superintendência de Relações com Empresas (SEP), responsabiliza Carlos Tavares D’Amaral por realizar negócios de posse de informação relevante não divulgada ao mercado. Em decisão, a autarquia recusou a segunda proposta de acordo do executivo, em que ele propunha pagar R$ 100 mil. 

O acusado vendeu ações da companhia em abril de 2015, já com conhecimento do resultado não auditado da empresa, segundo a CVM. O Comitê de Termo de Compromisso “entendeu que a proposta final do acusado não era adequada para surtir efeito paradigmático junto ao mercado, tampouco desestimular a prática de condutas dessa natureza”, segundo o comunicado da autarquia.

BR Malls (BRML3)
Ruy Kameyama tomou posse na última terça-feira como novo diretor presidente da BR Malls, em substituição a Carlos Medeiros. 

CSN (CSNA3)
O Cade acolheu pedido apresentado pela CSN de ingressar como terceira interessada em ato que analisa transferência da Votorantim Siderurgia para a ArcelorMittal.

A CSN ingressou no mercado de aços longos comuns no Brasil em 2014, sendo um agente ativo no fornecimento de diversos produtos afetados pela operação proposta, segundo documento do Cade. Além da CSN argumentar que interesses podem ser afetados
diante de eventual aprovação do negócio, a companhia argumenta que a operação tem o potencial de causar prejuízos aos consumidores de aços longos comuns. O despacho está publicado no Diário Oficial e Cade. 

AES Tietê (TIET3
A AES Tietê propõe alterar convenants da 4ª emissão de debêntures em assembleia marcada para o dia 12 de maio, segundo comunicado enviado ao mercado neste noite. A proposta da companhia é que o indicador dívida líquida/Ebitda fique em 3,5 vezes e possa atingir 3,85 vezes no caso de uma aquisição. A companhia propõe pagar um prêmio de 0,15% sobre o atual preço aos debenturistas. 

Positivo (POSI3)
Em virtude da nova denominação social, a Positivo informou na terça-feira que passará a ser negociada com novo nome na bolsa a partir do dia 4 de maio. Com isso, a companhia passará a ser negociada sob a nova denominação Positivo Tecnologia, ao invés de Positivo Informática. O código da ação, contudo, permanecerá o mesmo: POSI3. 

Valid (VLID3)
A Valid vai propor aumento de capital de R$ 163,7 milhões, para R$ 919,7 milhões, mediante capitalização de parte da reserva de investimentos, com emissão e distribuição de ações bonificadas, com consequente alteração do Estatuto Social da companhia.

Em Assembleia Geral Extraordinária marcada para o dia 15 de maio, a companhia vai submeter à aprovação o aumento de capital, mediante a emissão de ações bonificadas na razão de uma nova ação para cada dez papéis de que forem titulares na posição final daquele dia. 

Em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a companhia informou também nesta terça-feira que foi aprovado, em assembleia geral ordinária e extraordinária, realizada no dia 28 de abril, o pagamento de R$ 10,8 milhões em dividendos, equivalentes ao valor bruto de R$ 0,16745 por ação. A distribuição dos proventos será feita no dia 12 de maio, com base na posição acionária dos registros da companhia no dia 28 de abril, sendo as ações da empresa negociadas "ex-dividendos" a partir de 2 de maio.  

(Com Reuters, Agência Estado e Bloomberg)

 

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