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O fluxo de até R$ 110 bi que pode vir para a bolsa com Selic em baixa e reforma da Previdência

Após atingir menor nível em 16 anos, fundos podem voltar ao mercado de ações e impulsionar o fluxo, de acordo com estrategistas do BTG

Notas de 100 reais
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Assim como os fundos mútuos locais, os fundos de pensão reduziram fortemente a sua alocação no mercado de ações, chegando ao menor nível em 16 anos. De acordo com os dados da ABRAPP (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar.), a alocação em ações (direta ou via fundos), caiu de 32.5% em 2010 para 24.7% em 2014 e 18.1% atualmente.

Contudo, de acordo com o BTG Pactual, essa pode ser a hora dos fundos de pensão voltarem ao mercado de ações. Com a expectativa da Selic a 8,75% no final do ano, de acordo com projeções do Focus divulgado no último dia 3 de abril, os investimentos em renda variável tornam-se cada vez mais atrativos. Com a aprovação da reforma da Previdência pelo governo, os juros podem cair ainda mais e aumentar ainda mais a atratividade por ações, apontam os estrategistas Carlos Sequeira, Bernardo Teixeira e Antonio Junqueira. 

Desta forma, assumindo que os fundos comecem a investir 25% de seus ativos sob gestão em ações - mesmo nível de 2014, que é até baixo comparado a anos anteriores -, isso poderia levar a um fluxo extra na casa de R$ 50 bilhões, o que corresponderia a 6 dias de negociação na Bolsa.

E, mais do que isso, considerando alocações mais normalizadas, como os 33% de 2010, o fluxo poderia chegar a R$ 110 bilhões, o que corresponderia a 13 dias de negociação na Bolsa. 

Porém, os estrategistas esperam que isso levará um tempo para acontecer. Isso porque, em antecipação ao declínio esperado das taxas de juro, muitos gestores de fundos de pensões correm para colocar o dinheiro em títulos do governo, principalmente NTN-B (título pós-fixado, cuja rentabilidade é composta por uma taxa anual pactuada no momento da compra mais a variação do IPCA). "Na verdade, alguns fundos têm até 100% de seus ativos em títulos do governo levando, em última análise, algum tempo para que eles façam mudanças para o mercado de ações (em meio ao vencimento dos títulos ou através de "novo" capital). 

 

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